Milagres, Mistérios, Moralidades e Autos povoam o universo teatral da Idade Media. Desaparecidos  os teatros do mundo antigo,  o teatro medieval é o que floresce nas igrejas, mas também o que subsiste na praça pública , e estará marcado por uma doutrina básica da religião judaico-cristã: o livre arbítrio.

”O homem escolhe seu caminho, mas esta  liberdade, porém, acorrenta- o  às conseqüências espirituais de seus actos terrenos. Pode escolher o bem e nele persistir enfrentando as dificuldades imediatas dessa opção mas ganhando a vida eterna com Deus, ou pode escolher os prazeres da vida mundana e pagar com a danação eterna.” Salvação e  Danação, porém, não são asseguradas por uma única escolha .

“A salvação pode ser perdida a cada mau passo e concessão às tentações. E a danação pode ser vencida a cada sincero arrependimento ou pela  intercessão de um santo ou da Virgem Maria.”

Com o decorrer do tempo as personagens dos autos serão cada vez mais secularizadas e o enredo bíblico ou religioso dará passo a temas mais populares, como aconteceu nos mistérios ingleses. – As moralidades eram formas de representação teatral nas quais os  valores religiosos e éticos eram  personificados, alegorias francamente didácticas sobre as necessidades de uma vida virtuosa. – “A tradição de tornar a celebração da morte e ressurreição de Cristo um evento teatral teria começado com a representação, em cânticos, do diálogo entre o anjo e as mulheres que tentam adentrar o sepulcro vazio.

“Quem quaeritis?” (A quem procurais ?), indaga o anjo, ao anunciar a ressurreição.”-  Mas é esta também a pergunta, a interrogação do Anjo aos pastores que se dirigem a Belem, e será esta também a interrogante com a qual, o Anjo ou a Estrela ( agora personificada na cena ), questionará os Reis Magos que se dirigem para celebrar a Epifania mais humilde, sublime e mais  poetica da historia sagrada.

Como Moisés no Monte de Horebe, quando se depara com uma sarça ardente que queimava mas não se consumia, os reis magos, e os pastores acreditam na estrela/guia  a presença de algo sublime que se revelará em algum lugar lugar do mundo e nalgum momento histórico que está por vir , como uma Missa em abyme querendo “fazer nascer o auto como um ritual ou representação que pode advir da espera”.  

O Teatro Medieval compreende o teatro da  Idade Média , entre os séculos V – XV, é o teatro de  Influencia da Igreja. O drama Cristão considerava o teatro romano pouco honrado uma actividade de escravos e libertos que idolatrava os deuses pagãos. Espectáculos imorais que desencadeavam paixões violentas e impulsos bestiais que degradavam o homem. Condenava a máscara pois esta escondia a identidade do actor e o confunde com o diabo (máscara que era permitida apenas para este personagem), a interpretação se igualava ao fingimento (perigo à moralidade, lascivo e profano). O local sagrado da representação era a igreja e locais públicos.

Espaços específicos para o teatro, eram considerados profanos e, foram destruídos. A história substitui o mito, o rosto a máscara. O Teatro de todos era um rito teatral, que substituía o grego público da Razão. Não bastava apenas assistir, mas compartilhar do sofrimento para absorver as necessidades dos outros. Dramas Litúrgicos do séc. IV; quando acabam as perseguições e o cristianismo passa a ser religião de estado se inicia a dramatização dos ritos, particularmente os da Semana Santa.

A partir do séc. X, no auge, surgem acções representadas ou dialogadas. Aos poucos os dramas se estendem também a outros ritos; Natal, Ascensão, Pentecostes, Ciclo dos Santos. O local da representação era contemporaneamente presente e distribuído dentro da igreja. A Interpretação realista introduzida pelos leigos, difere daquela dos clérigos.

O Teatro religioso dos leigos tem origem em associações de burgueses que é o novo protagonista da sociedade medieval, que se reuniam com finalidade religiosa ou assistencial, em grupos familiares ou políticos. Eram também encenadas parábolas e milagres. Espectáculos imponentes que além dos actores incluíam máquinas, canto e músicas, entre 1400 e 1500, eram financiados pelo governo. “Os magos, como vocês sabem, foram homens sábios – homens maravilhosamente sábios – que levaram presentes para Jesus na manjedoura. Eles inventaram a arte de dar presentes natalinos. Sendo sábios, seus presentes sem dúvida eram sábios, com o privilégio da possibilidade de troca em caso de duplicação…podemos sacrificar sem nenhuma sabedoria, uns pelos outros os nossos maiores tesouros.

Mas, como uma última palavra para os sábios de hoje em dia, vamos dizer que, de todos os que dão e recebem presentes, aqueles que são os mais sábios, são aqueles que conhecem a palavra sacrifício. Em todos os lugares, eles são os mais sábios. Eles são os reis magos.” (O presente dos Reis Magos de O. Henry)

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