No dia 7 de setembro, pelas 11h, a Paróquia do Divino Salvador de Vilar de Andorinho, a Capela Mãe dos Cristãos de Balteiro, foi o local escolhido para realizar a última Eucaristia celebrada pelo Padre Albino Reis, que achou esta a altura certa para deixar a Paróquia e ficar só como Capelão da Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho.
A Capela foi demasiada pequena para tanta gente que quis se despedir do seu Pároco com carinho e gratidão.
O Padre Albino, quando tomou a palavra, começou por contar um episódio de um Padre muito velhinho e cansado e pediu ao Bispo para o dispensar do trabalho da sua Paróquia, então os Paroquianos fizeram-lhe uma grande festa, muito bonita, o melhor que sabiam e podiam e ao final do dia o Sr. Padre e disse: ‘Se eu soubesse que gostavam tanto de mim eu não pedia para ir embora e de facto não foi, aguentou mais uns aninhos‘.
Mas não é o caso do Sr. Padre Albino Reis que foi Pároco durante 22 anos na freguesia de Vilar, o problema é que as duas funções, tanto na Paróquia como Capelão, não estava a ser possível executar as duas tarefas como deveria ser feito e optou pelo Hospital.
O Padre agradeceu o carinho e dedicação de todos, porque afinal não vai para muito longe, “estarei por aqui“ e pediu para acolhermos com fé e alegria o novo Pároco Pe. Vasco Soeiro, não como substituto, mas para continuar o caminho no espírito de Cristo presente no coração de todos vós.
O Diácono José Luís tomou a palavra e mencionou uma passagem dita no início da Eucaristia ” Bendito seja Deus que nos reuniu no Amor de Cristo” e de facto, se estamos todos aqui reunidos porque amamos a Cristo e tudo aquilo que O personifica no altar.
O que significa que vamos continuar a estar próximo e ver o Padre Albino muitas vezes.
Obrigado, Padre Albino até já!
O Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, Serafim Teixeira, tomou a palavra mencionando que o dia era de sentimentos entrelaçados, porque “celebramos a força da nossa comunidade, a alegria de estarmos juntos, mas também nos despedimos de alguém que marcou profundamente a vida desta freguesia“.
As palavras seguintes foram dirigidas ao Padre Albino para reconhecer e homenagear “o legado que deixa entre nós, como Pároco durante 22 anos foi muito mais que nosso guia espiritual. Foi conselheiro, amigo, presença constante nos momentos de luz, e nos de sombra. Um homem de fé, coragem e entrega“.
O seu serviço ultrapassou os muros da igreja. Como Capelão do Hospital de Gaia/ Espinho – missão que assumirá em exclusividade, esteve ao lado dos doentes, dos mais frágeis, dos que mais precisam de conforto. Enfrentou uma Pandemia com bravura, sendo o primeiro padre em Portugal a ser infetado com Covid- 19. E nunca deixou de acreditar e servir.
“O Padre Albino tornou-se símbolo de proximidade, humildade e autenticidade, embora instituições independentes caminhamos lado a lado, resolvendo problemas, construindo soluções e deixando obras que nos honra.
Tal como eu não levo os bens da Junta, o senhor não leva consigo os bens da Igreja, mas deixa algo muito maior; um património de harmonia, de fé e de serviço ao próximo. Deixa uma comunidade mais forte, mais unida, mais solidária.
Em nome da Junta de Freguesia e de toda a comunidade de Vilar de Andorinho, expresso o nosso profundo agradecimento. Obrigado pela sua fé, pela sua força, pela sua humanidade. Que esta nova etapa da sua vida seja repleta de paz, saúde e felicidade. A sua marca nunca será apagada, nem esquecida será eterna. E por isso mesmo, na despedida, há gratidão, leva consigo o carinho de uma freguesia inteira. Por isso não é um adeus, mas um até breve. Vilar de Andorinho será sempre a sua casa. Muito Obrigado“.
A Junta de Freguesia ofereceu ao Padre Albino, uma placa de agradecimento pelos 22 anos de Serviço na Paróquia de Vilar de Andorinho e uma pequena peça em porcelana. Ana Margarida foi a representante de todos os Coros da Freguesia, onde entregou um livro de todos os Santuários Marianos de Portugal .
Os Acólitos fizeram uma entrega coletiva de uma pequena “alva” com uma dedicatória muito emotiva, pela grande amizade, cumplicidade, porque para todos os Acólitos, o Padre Albino foi mais de que, um sacerdote, foi amigo, porque apoiou sempre quando era preciso. Ficaram os ensinamentos durante o caminho dos Acólitos, e toda uma aprendizagem de vida que os tornou melhores pessoas.
O Grupo de Leitores, representado pela D.ª Maria do Céu ofereceu também um livro ” O Primeiro Concílio Ecuménico – Niceia 325 : Memória e Herança; Coordenador Isidro P. Lamelas entregue pela leitora Conceição Castro.
Na entrega apenas uma palavra. “Obrigado“.
O Apostolado de Oração ofereceu um ramo muito bonito foi entregue pela D. Irene um momento muito emocionante.
No final tomou a palavra o Manuel Monteiro, Ex Presidente da Junta de Freguesia, que fez uma excelente retrospetiva desde a entrada do Padre Albino e toda a sua caminhada como nosso Pastor, nem sempre fácil, carregando as suas e as nossas “cruzes”; mas sempre ao nosso lado e resiliente, venceu e ultrapassou muitas dificuldades , na sua caminhada de Fé.
Quase a terminar fez uma comparação muito original, quando diz que a saída do Padre Albino está como como Coimbra para os estudantes ” Padre Albino tem mais encanto na hora da despedida!”
No final termina com um pensamento de Antoine de Saint-Exupéry no seu livro O Principezinho ” aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós, deixam um pouco de nós”. E entregou em nome de toda a Paróquia um quadro pintado à mão com a sua imagem, pelo artista, nosso conterrâneo, Tiago Madaleno também autor da pintura da Capela de São Lourenço.
Terminou apenas a sua intervenção apenas com um: “Bem-haja Sr. Padre Albino”.
Depois da celebração terminar, o Padre veio cumprimentar todos os presentes, muitas felicitações de felicidades e no recinto um almoço convívio, com ajuda de S. Pedro que proporcionou uma tarde maravilhosa.
A Freguesia de Vilar de Andorinho despediu-se do seu Pároco com muita alegria, orgulho e dignidade.
Obrigado, Padre Albino.


