Natural de Arcozelo, Tiago Jesus tem 33 anos e é chefe preparador de marisco num dos hotéis mais prestigiados de Lausanne, na Suíça. Deixou a sua terra, em 2011, à procura de um futuro melhor e, desde aí, já trabalhou em alguns dos mais emblemáticos e icónicos restaurantes suíços. Apaixonado pelo mar, este jovem gaiense venceu, no passado dia 27 de março, o Campeonato Mundial de Preparadores de Marisco, que se realizou na cidade francesa de Nice, em representação da Suíça. Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, o chefe especializado em frutos do mar revelou que o seu maior sonho é abrir um restaurante em Lausanne e “continuar a trazer felicidade a todos os clientes, que apreciam os magníficos produtos do mar”.

 

 

Para quem não o conhece, quem é o Tiago Jesus?

Eu sou um jovem de 33 anos, natural de Arcozelo, e emigrei para a Suíça, 2011, para ajudar a minha família e para ter um futuro melhor, porque a situação era, mais ou menos, instável em Portugal. Atualmente, sou chefe preparador de marisco do hotel Lausanne Palace.

 

Qual é a história da sua paixão pela gastronomia e pelo marisco?

A minha paixão já vem do mar. Eu moro perto da praia e adoro pescar. Também gosto muito de peixe e de preparar esse mesmo produto, enaltecendo o seu devido valor. Posso dizer-lhe que a minha história aconteceu do nada. Um dia, um diretor pergunto-me se eu sabia abrir ostras e eu tinha esse conhecimento, porque tive a sorte de ser formado por uma grande pessoa e um grande amigo, Francisco Pires, que foi várias vezes campeão dessa mesma disciplina, em França, pelo que foi graças esta experiência, que eu trabalhei em grandes instituições, tais como o Grand Hotel Suisse Majestic, em Montreux, o Beau-Rivage Palace, em Lausanne, o Beau-Rivage, em Genebra, mais especificamente no restaurante Le Chat-Botté, que tem uma Estrela Michelin e o Lausanne Palace. Eu posso dizer-lhe que desenvolvi e mantive a minha paixão por esta profissão, graças aos vários concursos em que participei, nomeadamente na Suíça, Holanda, Suécia, Irlanda e França. Para mim, criar várias bandejas de frutos do mar é algo diferente e não se vê muito em Portugal.

 

Quais são as suas maiores motivações e inspirações?

As minhas inspirações advêm da minha família, amigos e, principalmente, da força que a minha mulher me dá. A minha motivação é poder servir estes magníficos produtos aos clientes e continuar a promover esta maravilhosa profissão. Paralelamente, eu também treino jovens, que partilham esta mesma paixão e os valores do trabalho de qualidade.

 

Como é ser chefe preparador de marisco de um dos mais prestigiados hotéis da Suíça francesa?

Não é fácil entrar num estabelecimento de prestígio como o Lausanne Palace, nem ocupar um cargo com tais responsabilidades. Ser chefe num hotel como o Lausanne Palace é, também, um orgulho enorme e é importante estabelecer a confiança mútua, com os colegas e superiores.

 

O Tiago representou, no passado dia 27 de março, a Suíça, na sexta edição do Campeonato Mundial de Preparadores de Marisco, realizado na cidade francesa de Nice e conquistou o primeiro lugar. O que o inspirou na apresentação do prato? O que mostrou ao júri?

Eu vivo, atualmente, não muito longe do Museu Olímpico, em Lausanne. Como concorrente de coração, e à imagem do desafio que a Copa do Mundo representa para mim, quis focar o meu tema nos Jogos Olímpicos de Inverno, o último dos quais teve lugar, este ano, em Pequim, na China. Com esta decoração, quis criar, simbolicamente, a participação da Suíça, durante as diferentes edições deste evento multidesportivo. O meu tabuleiro incluía cinco pratos coloridos feitos de manteiga de cacau comestível, contendo os diferentes mariscos, que representaram os cinco continentes unidos pelo olimpismo. No topo da peça, os anéis entrelaçados, feitos inteiramente de chocolate, que foram feitos pelo meu bom amigo e melhor chocolatier do mundo, Jorge Cardoso, que também vive na Suíça, realçaram, emblematicamente, o meu tema.

 

Quais foram os critérios de avaliação?

Os critérios mais importantes são a higiene, respeitar a cadeia de frio e não misturar os produtos crus com os cozinhados. É, também, necessário ter uma excelente técnica profissional e uma forma coerente de organizar a bandeja. Além disso, a degustação deve ser facilitada para os convidados. Finalmente, a decoração deve estar em harmonia com o tema escolhido e tornar o quadro coerente.

O que sentiu com a vitória deste concurso?

Uma emoção muito forte, muita alegria e um grande alívio. Para mim, foi um sonho tornado realidade.

 

Considerando que esta não foi a sua primeira participação. Qual é a importância, o significado deste feito?

É bom ver que os meus esforços não foram em vão e que o trabalho está a ser reconhecido. Por vezes, parece que a vida quer que desistamos, mas é nesses momentos que temos de recuperar e crescer, a partir daí.

Como é ser um gaiense e um português na Suíça?

Como português na Suíça, leva algum tempo a adaptarmo-nos à forma e ao ritmo de vida, porque são diferentes, pois não se desfruta da vida da mesma forma. Como gaiense, tenho muitas saudades da praia e estou sempre ansioso por voltar e beber uma boa Super Bock, com os amigos, de quem que tenho tantas saudades.

 

Quais são os seus maiores sonhos e ambições?

O meu sonho de vida e a minha maior ambição é abrir um restaurante em Lausanne e continuar a trazer felicidade a todos os clientes, que apreciam os magníficos produtos do mar.