A poucos meses do final do seu primeiro mandato, Maria Adelina Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo, confessou que ainda não tomou uma decisão relativamente às próximas eleições autárquicas. Contudo, não escondeu a ânsia de ver materializado o masterplan que idealizou e que contempla a revitalização da zona central da terra que a viu nascer. Honrada pelo trabalho e pelas funções que tem desempenhado na Junta de Freguesia, a autarca manifestou a sua vontade de ajudar os que a rodeiam e de contribuir para o desenvolvimento da localidade, sublinhando que as pessoas são a sua prioridade e o objetivo é unir e envolver a população, engradecendo e dinamizando a Freguesia de Arcozelo.

 

 

 

Maria Adelina Pereira, qual é a história do seu percurso no mundo da política, nomeadamente desde que tomou posse, em 2017, como presidente de Junta de Freguesia?

A minha história política começa em 2017. Eu até aí estive sempre ligada à educação e, portanto, no âmbito da política, nunca tinha tido experiência. Entretanto, a dada altura, como estava reformada e tinha tempo disponível, pensei que poderia fazer alguma coisa pela minha terra. Eu sou daqui, nasci e tenho toda a família cá e, portanto, achei que era a oportunidade que eu tinha, porque eu ainda me sentia com muita genica e força, para fazer alguma coisa pela terra. Como até aqui, durante uma série de anos, a freguesia estava muito parada, não havia nada, não acontecia nada, eu achei que era a hora de dar o meu contributo. Já tinha dado o meu contributo noutras áreas e noutros locais e, agora, era a hora de fazer qualquer coisa. Então, falei a algumas pessoas, comecei a pôr em hipótese vir para esta aventura e as pessoas entusiasmaram-se e começaram a dizer que sim e daí ter aparecido. O PS deu-me o seu apoio e pronto, aqui estou. Eu não sou uma pessoa que tenha uma filiação política, eu sou uma pessoa que vota nas pessoas e em causas. O meu foco são as causas, são os objetivos para os quais me proponho a fazer qualquer coisa e, a partir dessa altura, foi isso o que moveu. Portanto, a aventura começou e eu iniciei pelo ponto zero, mas rapidamente isto começou a entrar e eu acho que quando temos vontade e disponibilidade tudo se aprende, tudo se faz e foi isso o que aconteceu e como eu estava com disponibilidade e com vontade, realmente, de fazer qualquer coisa de diferente, aqui estou. A equipa juntou-se e aqui estamos todos a trabalhar nesse sentido.

 

Referiu que foi uma aventura e uma nova experiência. Neste seguimento, conseguia descrever-me o seu primeiro dia como presidente de Junta? Quais foram as primeiras decisões que tomou?

Assim as primeiras coisas, eu não me lembro. O que eu sei é que nós começamos a olhar para o que tínhamos à nossa frente e começamos a ter de ir vendo o que é que tínhamos de fazer e como é que poderíamos fazer. Essencialmente, foi olharmos para nossa campanha, para aquilo que tínhamos definido e começarmos a estudar o que é que íamos começar por fazer. Então, começamos a tomar conhecimento da realidade, do que é que tínhamos, de como é que as coisas estavam feitas, para tentarmos encontrar, aqui, soluções para fazermos de outra forma e criarmos outras condições. Foi um trabalho muito intenso, porque foi andar à busca de tudo, porque a casa estava muito desarrumada e, quando eu digo que estava desarrumada, é porque estava tudo muito desorientado e tivemos de começar a estruturar à nossa maneira, porque, depois, também, para além do que estava desarrumado, cada um tem a sua forma de estar e, depois, tivemos de ver como é que haveríamos de pegar em tudo, para começarmos a trabalhar as vertentes todas. O primeiro ano foi muito atribulado, muito cheio de surpresas e foi um caminho que se foi fazendo, sendo que a partir daí por diante, fomos sempre fazendo o caminho mais e mais. Portanto, a nossa preocupação era, de alguma forma, dar resposta àquilo que tínhamos prometido fazer na campanha e foi esse o nosso foco, isto é, arrancarmos com aquilo que tínhamos prometido e tentarmos ir dando um passo atrás do outro, porque estas coisas não são rápidas, nem se fazem de repente, mas tentando dar essas respostas ao longo do tempo.

 

Enquanto presidente de Junta, qual foi o momento mais importante e mais marcante para si?

Enquanto presidente de Junta, mais marcante, se calhar, posso dizer que foi quando nós partimos para fazer um plano, que é conhecido por masterplan, para esta zona toda, porquê? Porque, ao fim e ao cabo, ao fazermos aquele levantamento, vermos o que necessitávamos e fazermos a planificação toda, nós íamos modificar, aqui, o centro da Freguesia, que ia ficar, realmente diferente e, portanto, é um trabalho que tinha de ser feito, para quê? Para não começarem a aparecer coisas soltas e haver, aqui, todo um pensamento lógico em que de um lado teríamos determinados equipamentos, do outro teríamos outros, para não aparecerem, aqui, coisas isoladas e, ao mesmo tempo, descontextualizadas e isso era urgente fazer-se, porquê? Porque nós temos, realmente, alguns terrenos aqui à volta e, se começássemos a fazer coisas soltas, poderíamos, de alguma forma, estar a prejudicar a gestão dos espaços ou a hipotecar a possibilidade de, mais tarde, se fazer isto ou aquilo. Portanto, antes de começarmos qualquer obra, era preciso fazermos esse planeamento. Nós tínhamos uma ideia muito precisa do que queríamos e eu achei sempre que esta zona, aqui, seria a nossa parte histórica, o nosso centro histórico, onde está a igreja antiga, onde tem os jardins e o cemitério. Porém, tudo isto tinha de ser estudado e pensado e, portanto, nós achamos que, desde o princípio, a zona dos serviços ficaria na parte mais histórica e depois teríamos a outra zona que seria mais moderna e mais vocacionada para o divertimento, relaxe e outras atividades. De maneira que, tinha de ser bem estudado e foi isso o que nós fizemos. Portanto, realmente, falámos com a Câmara, que nos ajudou e nos arranjou uma equipa de engenheiros e arquitetos que foram percebendo qual era a nossa ideia, qual era a nossa lógica e começaram a pôr no papel tudo aquilo que nós íamos dizendo e achando, logo houve sempre, aqui, um trabalho que foi feito, ao longo deste tempo todo, num diálogo constante, entre estes técnicos e nós, aqui, mediante aquilo que pedíamos. Como tal, houve, aqui, um trabalho muito intenso e, realmente, eu acho que, agora que chegamos, praticamente, a uma fase, não digo final, porque há sempre coisas que vão sendo alteradas, mas já quase a atingir o seu o seu fim, conseguimos fazer um trabalho que eu acho que é bom para todos. As obras podem não se fazer todas de uma vez, porque é muita obra, mas, pelo menos, há uma ideia, um plano para se fazer e, portanto, há já uma diretriz e qualquer pessoa que possa suceder-nos, já vai olhar para aquilo e ponderar se tenta ou não fazer mais alguma coisa. Portanto, eu acho que se fez um trabalho muito construtivo e a pensar no futuro. Acho que foi esse o mote, para além, depois, dos inúmeros outros trabalhos que fomos fazendo, como a recuperação de salas da Federação do Folclore Português e a última parte do edifício que fizemos. Nós, também, estamos a tentar também ficar com uma parte do edifício do Piaget. Portanto, há aqui muito trabalho de base, que vai encher-me de orgulho, principalmente, se conseguir ficar com uma parte grande da Federação do Folclore Português, que tem uma série de salas, que podem servir para o que a Freguesia quiser, em troca de um terreno que é nosso. O Piaget a mesma coisa, para nós é ótimo, porque ali, no Piaget, por exemplo, nós temos a Academia das Artes, através da qual são desenvolvidas muitas disciplinas e se não fosse no Piaget, não tínhamos onde desenvolver este projeto. Portanto, neste momento, estamos a recuperar bens que foram cedidos e, para além disso, estamos a melhorar as condições para todos os arcozelenses. O masterplan vai transformar este centro numa praça grande, que começa desde a Federação e vai até à beira do padre e depois até ao local onde vai ser construído o novo edifício da GNR e até aos Macieiras. Portanto, avançando com isto, aqui, a zona central da Freguesia fica completamente diferente e fica com outra visibilidade e eu acho que vai orgulhar todos os arcozelenses.

 

Neste seguimento, podemos afirmar que o masterplan, que visa a revitalização da zona central de Arcozelo é algo de que muito se orgulha e que anseia ver concluído durante o seu exercício de funções?

Neste momento, temos os projetos da Junta de Freguesia prontos, tal como os projetos da GNR e das ruas. Além disso, já temos mais ou menos determinada a zona do jardim do parque das merendas, com parque temático. Portanto, eu estou ansiosa por começar a ver qualquer coisa. Logo, estou a aguardar que comece a surgir obra. Agora, o trabalho é fazer com que a obra surja. Porém, é evidente que eu não sei se vai ser possível fazer rapidamente, porque isto é, de facto, muita obra. Mas, o papel de quem está aqui é de continuar a lutar, para que tudo vá aparecendo. É evidente que não pode ser tudo ao mesmo tempo, mas ir tentando e lutando, para que as coisas vão aparecendo, porque nós, também, para além deste trabalho, fizemos muitos outros que foram aparecendo, pelo que trataram-se, aqui, muitas coisas que já se arrastavam há não sei quantos anos e que ninguém tinha resolvido, mas nós conseguimos fazer com que os problemas ficassem resolvidos.

 

Para além do masterplan, que obras materiais e imateriais concluiu durante o seu mandato?

Nós tínhamos prometido fazer uma Academia. Na altura, chamávamos Academia, porque nós nunca quisemos que se chamasse universidade sénior, porque achamos que aquilo era para toda a gente, ou seja para quem estivesse disponível fosse sénior ou não, fosse novo ou fosse velho, ou seja qualquer pessoa, que se quisesse inscrever numa atividade qualquer que nós abríssemos, teria a possibilidade de entrar. Portanto, nós nunca lhe quisemos chamar isso, então estivemos a pensar e chamamos Academia das Artes. Academia por ter várias coisas e das Artes, precisamente, porque são muitas artes, existem muitas atividades que passam por coisas manuais, ou mais intelectuais, ou outras mais do foro do desporto, enfim, há várias atividades. Portanto, chamamos-lhe Academia das Artes e tivemos a sorte de arranjar, de facto, no Piaget, com quem fizemos um protocolo, numa primeira fase para nos emprestar e depois com a intenção de irmos mais além, pelo que, neste momento, temos as salas de aula que eram do 1º ciclo e que nos deram muito jeito, para desenvolver as atividades, que tínhamos prometido. Na altura, nós também achamos que havia, em Arcozelo, umas estufas que estavam abandonadas há muito tempo e nós quisemos fazer hortas comunitárias, mas não só, pois entretanto entramos num concurso, numa candidatura de fundo ambiental, e conseguimos renovar aquilo tudo, pelo que, hoje, temos lá uma série de pessoas, que cultivam os pequenos talhões e temos aquilo ativado. O projeto chama-se Ecozelo e também está a funcionar. Depois, nós pegamos na Feira de Artesanato, que chegou a estar muito tempo sem se fazer e que apesar de a terem voltado a realizar, já se estava a sentir que estava pobre e que as pessoas não vinham, porque, com o tempo, ou se introduz algo novo, ou então as coisas começam a perder a atualidade e, nós, no campo do divertimento e do entretenimento tínhamos pouca coisa, aliás, não se fazia grande coisa. Então, nós procuramos encontrar um tema, um assunto que fosse diferente do habitual e do que as outras freguesias e encontramos uma escola, que é o INAC, que é de Famalicão, que faz uma abordagem ao circo, agora, de uma perspetiva contemporânea. Portanto, é só com pessoas, não há animais e, para além disso, há toda uma envolvência, também, completamente diferente daquilo que nós habitualmente vemos quando vamos ao circo. São artes circenses, em que há música, há teatro, há, até, alguma encenação e representação com exercícios de circo. Portanto, era uma abordagem completamente nova e nós quisemos criar um ambiente, também, diferente e, então, criamos, aqui, a Aldeia das Artes Circenses Contemporâneas, que é o Cúpula, que teve um êxito extraordinário, mas tivemos o azar de aparecer a pandemia. O ano passado não fizemos e este ano iremos fazer, mas muito restrito, só com 4 dias e com muitos espetáculos dentro da tenda. A ideia do Cúpula era que, durante o período desse acontecimento, houvesse todo um conjunto de pessoas que estariam a circular pela Freguesia, possibilitando que a qualquer hora do dia pudéssemos ver um espetáculo no meio do parque das merendas, onde também havia tendinhas, nas quais se vendia comida. Portanto, era uma maneira das pessoas virem até ali e conviverem umas com as outras. Depois, também vieram muitas pessoas de fora, que sabiam que estava a acontecer o Cúpula e que acampavam num terreno nosso. Logo, durante uma semana tínhamos um movimento impressionante, porque as pessoas andavam, aqui, todo o dia e depois havia muitos jovens, porque estamos a falar de uma escola, que iam até à praia, depois vinham e passavam pelos passadiços, ou seja, era um ambiente completamente diferente do dia-a-dia, aqui, da terra e, portanto, vinham muito estrangeiros, também, que estavam cá e frequentavam outras escolas. Como tal, havia, aqui, uma diversidade de culturas, digamos assim, e era muito giro. Posso dizer-lhe que, durante os dois primeiros anos foi, de facto, um movimento muito agradável. Depois, tínhamos pequenos espetáculos em Miramar e na Aguda e foi realmente muito giro. Claro que, o ano passado, dadas as circunstâncias, não fizemos nada, mas este ano queremos fazer na mesma, mas vai ser tudo muito controlado. Portanto, aquele espírito de convívio agora não podemos ter, mas, de qualquer maneira, não queremos deixar cair sem fazermos este ano e vamos fazer. Portanto, no campo do entretenimento fizemos assim uma série de coisas, também tínhamos as Lazy Sessions, que eram ao fim da tarde ao domingo, sendo que de manhã havia uma sessão de desporto, ginástica ou ioga, enfim, várias atividades de manhã e à tarde, ao fim da tarde, era música ao vivo, em que as pessoas iam até ao parque das merendas, lanchavam por ali e depois ficavam, de uma maneira informal, no meio do jardim, isto durante o mês de agosto. Portanto, nós tínhamos uma série de atividades que fomos fazendo, mas também dávamos apoio às coletividades e tivemos, por exemplo, uma coletividade que fez um espetáculo de jazz também chamado Ar d’Jazz, durante dois ou três dias, que se realizou na Aguda, em Miramar, no Passadiço, até acabar no parque das merendas, com quem nós colaboramos bastante. Claro que estamos a falar de atividades que, de facto, fizeram com que as pessoas se juntassem, viessem e colaborassem, porque outra coisa que nós também pretendíamos, era criar um espírito comunidade, porque nós acabamos por não ter muito convívio e com estes espetáculos nós criámos até uma cadeia de voluntários, que nos ajudaram a concretizar estes projetos. Por exemplo, durante o período do Cúpula, muitas das pessoas que dormiram cá, acabaram por ficar em casas particulares, porque as pessoas abriram as portas. Portanto, criou-se, aqui, uma dinâmica de comunidade, de convívio, de estar, que nós tínhamos perdido há muito tempo e eu acho que foi muito giro. Depois, ainda no caso do entretenimento, nós colaboramos com todas as festas da Freguesia. Na parte de obras, mais concretamente, nós alcatroamos 26 ruas, sendo a maior parte delas interiores, no sentido de que são ruas mais para os moradores, do que propriamente de grande passagem, embora também haja algum trânsito, mas fizemos isso porque existiam muitas ruas que estavam muito degradadas e que eram interiores, pelo que nós achamos que devíamos fazer agora, porque estamos com o espírito muito objetivo de ir ao encontro das vontades das pessoas e não propriamente de pensar naquilo que se vê mais, ou menos. Agora, arranjamos o parque em frente à igreja antiga, que está praticamente pronto, apenas faltam uns pormenores, mas foi um parque que acabou, também, por dar muito trabalho, primeiro porque todo ele não é direitinho e tinha de se ajustar à igreja, pois a nossa preocupação era criar, ali, um jardim que desse mais dignidade à igreja. A igreja é linda, mas o jardim também tinha de a realçar, porque aquele espaço foi, durante muitos anos, o parque de estacionamento do cemitério e nós queríamos criar um equilíbrio de forças, para, por um lado, não tirarmos o estacionamento todo, mas, por outro, criarmos um jardim que desse passagem pela rua, que inicialmente iria ser pedonal. Posso dizer-lhe que foi um pouco complicado conciliar todos os elementos de forma a que conseguíssemos agradar a uns e a outros. Depois, também, havia a situação de que aquilo ia fazer parte da tal grande praça e tínhamos de selecionar um material que desse continuidade a toda a área envolvente do jardim. Como tal, deu, realmente, algum trabalho, precisamente, porque queríamos que ficasse enquadrado no todo. A verdade é que aquele jardim já estava prometido há muito tempo, porque já havia um projeto anterior, mas era para continuar e ser parque de estacionamento e nós, também, achamos que não devia ser isso, porque quase ninguém via a própria Maria da Fonte, uma vez que estava ali, assim, um pouco perdida no meio daquilo e nós achamos que devíamos dar-lhe outra visibilidade. Depois, fizemos outros tipos de obras, desde pedidos de saneamento, de canalização de águas da chuva e de coisas que andavam por aí pela rua e que era necessário fazer, puxadas de luz, enfim, toda uma série de trabalhos que foi preciso fazer. Entretanto, nós vamos recuperar o parque de manutenção, sendo que também está a ser instalado um parque canino, fruto do Orçamento Participativo da Câmara, mas, para além disso, queríamos fazer um parque para caravanas. Claro que é preciso agregar tudo isto àquilo que eu referi antes e temos andado a trabalhar nisso. Portanto, há aqui muito trabalho, que só se vai começar a ver daqui por mais algum tempo, quando a obra começar a surgir, porque trabalho temos feito bastante. Por exemplo, nós outra coisa que tínhamos prometido é que íamos sair deste edifício, que é partilhado com o Centro Social e nós, desde que entramos, a nossa proposta era entregar isto ao Centro Social e nós sairmos, porque este é um edifício da Junta, mas tinha sido adquirido, desde a primeira hora, para ser cedido ao Centro Social. Porém, a dada altura, a Junta, que estava no Museu, saiu e instalou-se no edifício onde se encontra até aos dias de hoje. Contudo, nós achamos que estamos aqui a mais, portanto, nós temos de sair, sendo que também já há um projeto para este edifício, aproveitando tudo o que é edifício e acrescentando mais para trás. Portanto, tudo isso, também, já está em elaboração, de maneira que as coisas estão a andar. Agora, é preciso tempo para se fazerem as coisas. Logo, houve, de facto, muito trabalho e eu acho que Arcozelo está a mexer, que mexeu, que houve alguma visibilidade deste trabalho que nós temos desenvolvido.

 

Considerando que estamos a poucos meses do final do seu primeiro mandato, qual é o balanço que faz dos últimos quatro anos?

O balanço é positivo, pois enquanto pessoa, eu gostei muito. Foi uma experiência muito interessante, muito gira. Gostei muito, porque foi um período de muita proximidade com as pessoas. Eu ando muitas vezes na rua e estou muito mais na rua, do que estou aqui. Quando me escrevem, quando me telefonam, eu vou ao local ver o buraco, ver o problema que surgiu e para quê? Para ver até que ponto é um assunto que pode ser resolvido pela Junta, ou se eu tenho de mandar resolver de outra forma, ou através da Câmara, porque existem coisas que nós conseguimos resolver rapidamente e outras que são mais complicadas e nós temos que discorrermos do serviço da Câmara. Eu, durante a minha vida profissional, estive um pouco fora. Embora tenha estado sempre em contacto com Freguesia e fosse sabendo o que acontecia, não estive, propriamente, aqui, a trabalhar e agora foi giro, porque foi quase um regressar à terra, pois foi começar a encontrar-me com as pessoas, a falar com elas e há quase sempre uma história ou outra da terra e da família. Por isso, foi giro, foi um regresso com muita proximidade e eu dou muito valor a isso, a falar diretamente com as pessoas. Nós criamos um sistema, aliás eu já fazia isso na escola e trouxe esse sistema para cá, porque eu nunca marquei dias para receber as pessoas, pelo que eu todos os dias recebo pessoas e dou prioridade a falar com um freguês, a não ser que esteja a fazer uma coisa importante, mas, normalmente, priorizo receber a pessoa e falo com ela. Portanto, eu não tenho um dia para receber. Depois há pessoas que passam na Junta e deixam o número de telefone e eu mais tarde entro em contacto com eles e, então, ou trato do assunto por telefone, ou caso a pessoa me diga que prefere presencialmente, então marcamos. Portanto, é tudo muito aberto não há problemas. Neste contexto, eu em qualquer sítio sou abordada e em qualquer sítio eu tento dar uma resposta. Portanto, há muita proximidade. As pessoas estão muito em contacto comigo, diariamente, e há um diálogo constante, que é uma coisa que eu gosto, porque eu gosto muito do contacto com as pessoas. Para mim, na vida, o mais importante são as pessoas e tudo aquilo que é feito é para a população. Se não for para o bem das pessoas, não vale a pena e, portanto, para mim, as pessoas são o mais importante de tudo e, assim sendo, eu gosto muito do contacto humano, gosto muito de conversar, de falar, sempre gostei, e de ajudar naquilo que eu posso, mesmo em coisas particulares, porque eu nunca digo: «nem pensar, isso não é comigo, vá aqui ou vá ali». Eu digo sempre que «eu vou ver o que se pode arranjar» e dentro daquilo que eu puder, contacto ou tento chegar junto de alguém para resolver o problema, de maneira que, em termos pessoais, da relação pessoal e de obra feita, eu dou-me por satisfeita. Eu estou muito contente com o trabalho que se tem feito e não só meu, mas o de toda a equipa, que tem sido muito coesa. Nós temos trabalhado todos em conjunto, com muita vontade. O espírito é o mesmo e podemos estar em desacordo, que é natural, mas chegamos sempre a um consenso e, portanto, tem sido um momento e é curioso porque nós somos cinco pessoas muito diferentes. Três são mais velhas e dois são mais novos, muito diferentes uns dos outros, mas conseguimos criar um ambiente, no qual cada um expõe as suas razões e nós ajustamo-nos. Logo, tem sido um trabalho muito interessante, com muita intensidade, mas, ao mesmo tempo, muito agradável, porque acabamos por conviver muito uns com os outros. Por outro lado, também temos o aspeto social e o aspeto da educação. Portanto, a educação, como sabe, diz-me muito e qualquer coisa que as escolas me peçam, eu só não dou se não puder colaborar, porque eu estou aqui para colaborar, desde obras, arranjar o que for necessário, porque a escola diz-me mesmo muito. Para além disso, da educação, também na parte social, nós estamos atentos e estamos sempre a tentar colaborar com todos. Não só com outras entidades que dão apoio social, mas também através da Junta de Freguesia, porque nós vamos dando uma série de ajudas para o apoio social. Nesta altura da pandemia, fizemos a distribuição de refeições, passando por cabazes e temos uma série de voluntários, que têm sido inexcedíveis e estão sempre disponíveis para irem com motorista levar e fazer essas distribuições. Nós temos, realmente, muita gente a colaborar, também, connosco e uma das coisas que nós tentamos criar foi esse espírito de comunidade, de colaboração, para as pessoas estarem disponíveis para ajudar. Portanto, nós vamos a todas as necessidades e damos resposta àquilo que nos aparece. Temos tentado criar, de facto, esses laços e, portanto, aquilo que eu posso dizer é que foi uma experiência muito gratificante, com muito trabalho, como eu já disse, mas muito satisfatória, porque vamos vendo o esforço a dar alguns frutos e alegra-nos, de facto, ver que as coisas estão a aparecer, estão a surgir e que as pessoas estão contentes com as coisas que se vão erguendo, pelo que isso deixa-nos felizes.

 

Relativamente às próximas eleições autárquicas, equaciona recandidatar-se?

Não sei se haverá um segundo mandato, porque nós ainda estamos a repensar isto tudo. Sabe, eu vou fazer 70 anos em dezembro e já não é brincadeira, porque isto exige muito. Eu, também, não sei estar nas coisas a meio termo, pois eu ou estou, ou não estou e quando estou, estou. Portanto, ainda está tudo em aberto, como é evidente, mas eu estou a repensar nas coisas todas, porque eu, também, apesar de tudo sinto-me um pouco cansada. Isto tem sido assim, como eu digo, muito intenso, mas vamos ver. Estou na fase de ponderação. Nós estamos na fase de ouvir as pessoas, de saber o que é que as pessoas pensam, os mais diretos e os menos diretos, porque eu gosto muito de ouvir os outros. Quando eu estou a trabalhar para o outro, tenho de ouvir e pensar. Portanto, por isso mesmo é que eu digo que, ainda estou a repensar, estou a ouvir as pessoas, porque quando partir para uma decisão, eu tenho de ir muito consciente daquilo que me espera, do ambiente que tenho, depois então, sim, vou em frente.

 

Caso decida recandidatar-se, quais serão os seus objetivos e ambições?

Eu não posso dizer que, depois de termos tido este trabalho todo e de termos feito o masterplan, que não gostava de ver alguma coisa. Eu nem quero primeiras pedras, eu quero logo a obra completa, porque isso de primeiras pedras, pode colocar-se a primeira e depois nunca mais se começa. Eu quero ver a obra a crescer. Por mim, até pode não haver primeira pedra, para começar a haver muitas pedras e o edifício começar a subir. Portanto, é evidente que uma das minhas ambições é de facto ver que o trabalho todo valeu a pena e agora queremos ver o resultado final. Eu, às vezes, vou dizendo, que agora quero ver a obra, porque no papel já está tudo direitinho e está tudo delineado e agora é preciso saltar para o resto. É evidente que eu tenho essa expectativa, mas vamos ver.

 

Para além da materialização do masterplan, o que mais anseia fazer por Arcozelo?

Além do masterplan, claro que temos muitas ruas para arranjar. Há três, pelo menos, que eu queria ver arranjadas e essas, sim, são estruturantes e são ruas que precisam de arranjo. Eu estou a falar da Estrada Nacional Nº15, da Estrada Porto-Espinho velha, que está muito má e para além de estar má, existe a falta de passeios. Eu acho que esta zona norte da Freguesia está muito má e não tem passeios. Depois, é a 109, que também está a precisar de ser estruturada, porque também está muito má e há uma rua que vai desde a Rua Nova de Vila Chã e Eirado, até à 109 e precisa de ser arranjada, porque tem muito trânsito e passam lá camiões muito grandes, porque existem, ali, algumas indústrias na zona de Arcozelo e, portanto, era uma rua precisava de ser arranjada. Estas três são importantes, porque têm muito trânsito, mas claro há tantas outras por aí que precisam de ser arranjadas. Porém estas três eram fundamentais para haver uma melhor condução aqui dentro da Freguesia. Depois, gostava de ver arranjado o Centro de Saúde da Aguda, que está muito mau e degradado. O próprio edifício já não é novo, já era um edifício antigo e estamos agora a ver como é que podemos reabilitar. Gostava, também, de fazer na Aguda uma obra por causa do assoreamento, porque os barcos de inverno veem-se aflitos para poder sair e entrar naquela baía. O paredão não resolveu o problema totalmente e, portanto, era preciso fazer ali qualquer coisa que resolvesse o problema. Não sei qual seria a melhor decisão, apenas sei que se devia arranjar ali uma solução, para que os pescadores pudessem entrar e sair com facilidade, porque o assoreamento cria, ali, muitos problemas, até para não deixar morrer pesca artesanal, porque eu acho que um dos encantos ali da zona é ainda haver a pesca e a venda de peixe e aquela envolvência toda, pelo que eu acredito que se tivéssemos melhores condições, se calhar, os jovens começavam a ter mais apetência para isso. Neste momento, estão a ser construídos os túneis para os desnivelamentos das passagens do caminho-de-ferro, o que eu acho que, também, vai trazer alguma melhoria, embora haja alguns problemas, porque nunca as coisas são pacíficas. existem sempre coisas que não ficam tão bem, mas eu acho que se for bem trabalhado, que se consegue equilibrar as coisas e dar mais um salto no progresso da terra, porque eu acredito que todas as obras que vão fazendo, têm que ser para haver mais progresso e para as pessoas se sentirem melhores.  Portanto, eu acho que isso também nos vem ajudar a ter melhor qualidade de vida, melhores acessos e isso é fundamental. Gostava, também, de ver Miramar com mais vida, porque eu lembro-me que, quando eu era jovem, Miramar era um centro muito simpático e as pessoas iam até ali. Agora temos a Aguda, que está na moda e eu gosto muito, mas também gostava de ver Miramar outra vez a ser um sítio com alguns equipamentos e que atraísse as pessoas por aquela zona, que é muito bonita. A praia é muito bonita, é um local muito aprazível e eu acho que gostava muito de ver Miramar com outro aspeto e existem, ali, alguns problemas que vão dificultando essa situação, como é o caso do hotel, porque se existisse, ali, um hotel seria interessante. Depois, existem pequenas coisas que vão surgindo, como é o caso do Atelier Oficina Oliveira Ferreira, que a Junta de Freguesia, em conjunto com os Amigos de Gaia, que são os donos daquilo, e com a Câmara de Gaia, estamos a tentar recuperar, para que possa ser um polo de atração, até em termos culturais. Eu tenho orgulho de ter encabeçado, forçado e contribuído para que a Câmara olhasse para aquilo com outros olhos, porque, no fundo, é particular, não é de uma associação, mas de qualquer forma, pode vir a dar visibilidade a Miramar, porque podemos fazer algumas atividades naquele espaço, que sirvam de atração. Arcozelo é uma terra muito simpática e isto não estou a falar por ser de Arcozelo, também é, também não deixa de ser, mas visto assim desapaixonadamente, eu acho que é uma terra muito bonita, que está muito bem situada, que tem, de facto, muitos serviços e que qualquer pessoa que venha para cá viver tem tudo aqui, ou seja, não precisa de sair da terra para ir fazer uma compra, tem vários serviços, tem escolas, tem centros de saúde, tem tudo aquilo que é necessário para o dia-a-dia das pessoas. Portanto, é um sítio aprazível e uma comunidade simpática. Por outro lado, eu também gostava de ter um meio de transporte que fizesse o cruzamento da Freguesia, porque quem é daqui, para ir para a Aguda tem alguma dificuldade, pois ou tem carro, ou então não vai, porque não existem meios de transporte que façam esta ligação. Portanto, nós queríamos ver se agora tínhamos um carro, que eu penso que a Câmara nos vai atribuir, que é o MOB+, que pode servir para permitir que muitas pessoas que têm pouca mobilidade, que não têm forma de se mobilizarem, possam ir para um lado, ou para o outro. Até aqui, mesmo agora nesta distribuição, temos tido a colaboração, e sempre tivemos, do Salvador Caetano, que nos tem emprestado, às vezes, carrinhas para fazermos este trabalho, porque, desde a primeira hora, eu sempre achei que precisávamos de fazer este transporte interno e o Salvador Caetano tem-nos ajudado, em certos momento, como no caso do Cúpula, por exemplo, em que nos emprestou sempre uma carrinha para fazermos os transportes e, neste momento, para fazermos a tal distribuição de refeições e, além disso, para os cabazes, até para levarmos algumas pessoas às vacinas, pelo que nós temos conseguido fazer esse trabalho. Portanto, temos tido esta ajuda, que tenho que salientar que tem sido ótima, além dos voluntários, que, também, estão sempre disponíveis para fazer este trabalho, mas agora precisávamos de ter, de facto, uma carrinha, porque o que temos é carrinhas de caixa aberta, que não são, propriamente, carrinhas para fazer este tipo de trabalho. Neste momento, nós estamos a aguardar que sejamos contemplados com o MOB+, também, para fazer essa movimentação. Por isso, nós estamos atentos a tudo o que sejam coisas interessantes e boas para a Freguesia.

 

Qual é o seu maior sonho para Arcozelo?

No fundo, é tudo isto que eu estive a dizer, ou seja, é conseguirmos atingir todas as pessoas com estas inovações, ou com estas novas construções, que conseguimos dar à Freguesia. Eu não falei nisto antes, mas nós também queremos ter um auditório, com capacidade para 300 pessoas, porque, neste momento, não temos nada. Portanto, precisávamos disso. Relativamente à parte central da Alameda, a minha ideia era ter ali um palco, uma abóboda, para se fazer um espetáculo ao ar livre grandioso, mas também onde pudéssemos fazer umas feiras reservando a chuva ou o frio. Nós pretendemos ter várias coisas no parque das merendas, porque, também, outra coisa que nós conseguimos fazer foi devolver o parque das merendas à Freguesia, porque, a dada altura, pertencia a quem vinha de fora, uma vez que toda a gente que vinha ia para lá e, de certa forma, as pessoas de Arcozelo quase que não tinham acesso ao parque. De tal forma que, aqui há dois anos atrás, quando nós fazíamos as Lazy Sessions, um dia estávamos lá com música ao vivo e estavam ali várias pessoas, até que chega uma excursão que veio discutir connosco, porque queriam tocar acordeão e fazer uma festa do outro lado e nós estávamos a incomodá-los. Isto demonstra que as pessoas que vinham de fora achavam que o parque das merendas era delas e que era um sítio para elas poderem estar e os arcozelenses não tinham acesso. Portanto, nós achamos que restituímos, com o Cúpula e com as atividades que lá estiveram localizadas, de certa forma, o parque das merendas à Freguesia. Nós queremos continuar lá com o espaço para parque das merendas, mas aquilo é muito grande, pelo que vamos ter uma parte para o parque das merendas, outra para o parque temático e outro para mais outras atividades. Enfim, o nosso objetivo é tornar a Alameda polivalente, porque tanto vai dar para estacionamento, como para quando quisermos fazer uma festa. Portanto, tudo isto é o grande sonho. Eu admito que não vai ser feito tudo de uma vez só, mas espero que quem venha atrás respeite isto e continue esta senda de, realmente, construir coisas que sejam úteis para a Freguesia e que chamem as pessoas, também, até cá, porque é importante termos muita gente cá e por todas as razões, pela Santa, porque é um sítio agradável para se vir passar uma tarde com a família. Agora é preciso captar pessoas para verem e ficarem a conhecer o centro, porque as praias, naturalmente, têm sempre um chamamento. Portanto, tudo isso é importante.

 

Qual é a mensagem que gostaria de deixar à população?

A mensagem que eu gostaria de deixar seria para os arcozelenses apreciarem o que têm e lutarem para que, cada vez mais, tenham melhores condições, mas sempre com um espírito de comunidade, que eu acho que, às vezes, falta-nos um bocado. Portanto, a mensagem é nós apreciarmos tudo aquilo que vem para a nossa terra e lutarmos para que cada vez venham mais coisas e melhores e ficarmos satisfeitos com tudo aquilo que vem. Anseio os arcozelenses tenham um sentido de comunidade e que aquilo que vier para Arcozelo seja sempre bom, independentemente de morarem na Aguda e a obra ser feita no centro. Desgosta-me, às vezes, ouvir dizer: «só pensam no centro», porque é óbvio que qualquer terra tem de ter um centro e tem que ter uma parte central que seja chamativa. Depois, é evidente que não se pode esquecer o resto da Freguesia, mas nós temos de ter consciência de que tem de haver, aqui, uma centralidade e essa centralidade é que faz com que os outros venham cá, não é o arranjo na rua do Manuel, ou do Joaquim. Isso é importante, mas temos de dosear estas coisas e, essencialmente, ter espírito de comunidade, que eu acho que, às vezes, não há, mas se as pessoas sentissem que tudo aquilo que é feito em Arcozelo, seja mais aqui, ou mais ali, é bom, é ótimo é para todos e todos vão ganhar com isso, eu acho que conseguíamos viver mais felizes, porque achávamos que aquilo que temos é bom e usufruíamos ao máximo. Eu acho que este ano que passamos em que, de um momento para o outro, tudo foi posto em causa, em que, de facto, de um momento para o outro, fugíamos uns dos outros, porque tínhamos medo de nos juntarmos, em que toda a nossa mesquinhez, às vezes o nosso egoísmo, foi posto à prova, foi a altura de pensarmos mais no conjunto do que pensarmos só em nós. Eu acho que esta é que é a grande mensagem, é começarmos a pensar mais em conjunto, pensarmos nas pessoas, vivermos muito uns para os outros e criarmos pontes, porque as pontes humanas é que são fundamentais para o nosso equilíbrio e para a nossa felicidade, mas dão muito trabalho e todos os dias temos de trabalhar nelas. Eu acho que é esse espírito de comunidade que falta às vezes. Eu acho que temos que ter mais esse espírito de comunidade, de vivência, de satisfação e temos de dar mais valor ao que temos. Acho que isso é fundamental.

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