“Se houve mão na bola, foi a mão de Deus”/Diego A. Maradona

Não quero que este seja apenas um artigo de obituários, mas não posso deixar de pensar nessa ideia quando me sento frente ao computador para lembrar e relembrar as personagens aqui citadas  Este ano morreu Diego Armando Maradona (1960-2020) a TSF, a rádio da minha escuta diária, vaticina que aproximadamente um milhão de pessoas assistirá ao funeral.

Entretanto o corpo está em câmara ardente na Casa Rosada (o palácio de governo argentino) cenário trágico do Peronismo e de uma Argentina sempre à beira das ditaduras e da bancarrota. Maradona é descrito como o jogador do século, aquele que mais alegrias trouxe aos espectadores e que irradiava uma alegria e felicidade no campo de “batalha”. Das histórias de Maradona todos recordamos alguma, a sua ida a Nápoles, as drogas, a sua “ligação” à camorra/máfia napolitana, o seu regresso a Argentina e mais tarde como treinador da seleção nacional em 2008.Talvez o seu maior momento foi durante a copa mundial de 1986 que, na opinião popular, foi ganha inteiramente por El Pibe de Oro ( pibe é a palavra popular argentina para rapaz).

Internacionalmente, Maradona levou a equipa italiana do Nápoles, clube que, embora tradicional, estava sempre entre os pequenos do país a exitosas campanhas. Com ele o Napoli viveu momentos de glória no final da década dos 80, ganhando seus dois únicos títulos na liga italiana   e lutando de igual para igual com as maiores equipas do país. No cinema houve também tributos a Maradona; “Amando a Maradona – Una película sobre el amor incondicional”, (2005) de Javier Vázquez que reúne imagens pouco conhecidas, testemunhos de pessoas próximas a Diego, de adeptos da Igreja Maradoniana e de fãs. Maradona – La Mano de Dios, realizado pelo mestre italiano Dino Risi, lançado em 2007.

Em 2008, outro documentário biográfico produzido pelo cineasta sérvio Emir Kusturika, intitulado Maradona by  Kusturika, Foi no dia 22 de junho de 1986, que a Argentina derrotou a Inglaterra. O jogo ficou para a história, pela vitória e pelo golo que Maradona marcou com a mão. “Não me arrependo, de todo. Não me arrependo! Com todo o respeito que me merecem os adeptos, os jogadores, os dirigentes, não me arrependo nem um bocadinho”, escreveu na autobiografia A Mão de Deus: A Minha Verdade. Era a primeira vez que ambos países se enfrentavam após a Guerra das Malvinas (1982) e um clima bastante tenso rondava a partida – Quino (1932-2020) Também argentino, este ano de 2020 foi o fim da linha de debuxo para Quino, Joaquín Salvador Lavado Tejón, pensador, historiador, gráfico e cartunista argentino.

Conhecido pela criação de suas histórias em quadrinhos e naturalmente pai de Mafalda.  Mafalda, nasceu em 1964, e é uma menina filosófica a pensar o quotidiano da sua casa, dos seus amigos e claro, não poderia deixar de ser, do seu país, a Argentina! Crítica de todos e de tudo, Mafalda conversa connosco através dos desenhos e nos ensina sempre com uma mensagem moralmente crítica e que faz pensar. Menina que odeia a sopa, tem tempo para se preocupar das alegrias e tristezas do seu tempo com um toque nostálgico. Mafalda é herdeira de um pensamento agudo e crítico que sempre existiu na intelectualidade argentina, apesar das censuras e ditaduras que mancharam a história contemporânea daquele país. Em 2009 uma escultura da personagem Mafalda foi inaugurada no domingo no tradicional bairro de San Telmo, em Buenos Aires.

A escultura, feita pelo artista plástico argentino Pablo Irrgang, foi colocada em frente à casa onde. Quino criou Mafalda, na década de 1960.  Os livros e histórias de quadradinhos da menina Mafalda foram traduzidos para mais de 20 idiomas, mesmo quando ela deixou de ser editada, em 1973. Sean Connery (1930-2020) Distante da Argentina nasceu Sean Connery, escocês de Edimburgo, o rosto cinematográfico de James Bond, o agente secreto criado por Ian Fleming. Actor marcante da minha geração, julgo ter visto quase toda a sua cinematografia. Dos filmes de 007, o meu preferido é Goldfinger fita de 1964, com um vilão extraordinário interpretado pelo actor alemão Gert Fröbe.  Afastado do cinema por demência durante longos anos não tivemos notícias dele até passado pouco tempo quando cumpriu os 90 anos, pouco antes da sua morte.

São vários os filmes que gostaria de recordar para os leitores, alguns menos conhecidos  aqui fica apenas um; The Hill (A Colina Maldita) filme inglês de 1965 realizado por Sidney Lumet, sobre uma prisão do exército inglês no Norte de Africa durante a II Guerra Mundial. “No deserto líbio, chegam cinco novos prisioneiros ao acampamento militar do exército britânico, são novos presos por comportamento reprovável. No local existe uma colina construída no meio do campo, onde os sargentos os obrigam a subir várias vezes sob um sol ardente, e cada um desses soldados enfrentará de forma diferente a prisão.” Uma espécie renovada do mito de Sísifo, mencionado em Albert Camus.

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