PEROSINHO CELEBROU O DIA DAS COLETIVIDADES COM TRÊS DIAS DE CULTURA, MEMÓRIA E CONVÍVIO

A Freguesia de Perosinho voltou a reunir as suas associações e a comunidade num programa diversificado para assinalar o Dia das Coletividades. A iniciativa, que recorda a histórica doação dos terrenos da Quinta da Pena às instituições locais, incluiu momentos culturais, música, caminhada, teatro, fado e celebrações religiosas, reforçando o espírito de união que marca o associativismo da terra.

 

 

Perosinho voltou a celebrar o Dia das Coletividades com um programa repleto de iniciativas culturais, recreativas e comemorativas, reunindo associações, dirigentes e população num fim de semana dedicado ao associativismo local.

A data remete para um momento marcante na história da freguesia. A 2 de março de 2002, no Salão da Tuna Musical de Perosinho, foram celebradas as escrituras de doação dos terrenos da Quinta da Pena às coletividades locais. A propriedade, pertencente ao pároco Joaquim Marques de Oliveira, passou então a servir de espaço para as instituições da freguesia, num gesto que contou com a presidência do então Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, acompanhado pelo pároco atual, padre Augusto Batista, e pelo próprio padre Joaquim, já bastante debilitado na altura.

Para preservar a memória desse momento, as coletividades decidiram, em Assembleia Geral, assinalar anualmente o dia 2 de março como o Dia das Coletividades, transferindo a celebração para o fim de semana mais próximo, de forma a permitir uma maior participação da comunidade.

As comemorações deste ano arrancaram no dia 6 de março, durante a tarde, com a iniciativa “Música Fora de Portas”, realizada no Centro Social e protagonizada pela Tuna de Perosinho. À noite, as atividades prosseguiram no Salão Nobre da Junta de Freguesia, onde a Biblioteca Pública promoveu uma sessão evocativa dedicada ao centenário da morte de Camilo Pessanha, num momento de homenagem à literatura e à cultura.

No dia seguinte, 7 de março, o programa iniciou-se com o hastear das bandeiras na Rua das Coletividades, cerimónia que antecedeu uma caminhada até à Serra de Negrelos. Já no Largo Fonte do Mouco, a tarde foi animada por um momento teatral apresentado pela Associação Recreativa de Perosinho e por atuações do Rancho Folclórico de Perosinho, que trouxe à praça as danças e tradições populares. A noite foi dedicada ao fado, no salão da Capela de Santa Marinha, num espetáculo promovido pela Associação Recreativa e Cultural de Sirgueiros, que reuniu apreciadores deste género musical num ambiente de convívio e celebração.

As comemorações terminaram no domingo com um dos momentos mais simbólicos da iniciativa. As instituições concentraram-se na Rua das Coletividades e seguiram em cortejo até à Igreja Matriz de Perosinho, onde foi celebrada uma missa cantada pelo Grupo Coral da Tuna da localidade. Após a eucaristia, realizou-se uma romagem ao cemitério, com paragem nos jazigos de D. Alzira Pacheco e do padre Joaquim, bem como junto ao Monumento às Coletividades, em homenagem às figuras e ao legado que marcaram o associativismo local. O programa concluiu-se com um almoço de confraternização na sede do Rancho Folclórico de Perosinho.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Perosinho, Manuel Jorge Silva, esta celebração representa um dos momentos mais importantes da vida comunitária da freguesia. “Para a freguesia de Perosinho este dia é notável, porque representa um espaço da sociedade onde todos são representados. Temos coletividades que vão desde o futebol ao rancho, ao teatro, à música ou à biblioteca. Ou seja, abrange um leque variado de áreas e permite à população, de todas as idades, encontrar uma coletividade de acordo com os seus gostos”, afirmou o edil.

O autarca sublinhou ainda o papel fundamental destas instituições na dinâmica local. “São instituições emblemáticas e importantíssimas para o funcionamento da própria freguesia. Existe aqui um verdadeiro sentimento de pertença”, referiu, acrescentando que, apesar de ser o seu primeiro ano como presidente de junta, mantém uma ligação antiga ao movimento associativo, tendo estado durante 12 anos ligado à direção da Tuna Musical de Perosinho.

Manuel Jorge Silva garantiu também que a autarquia continuará a apoiar as coletividades. “Tenho pugnado no sentido de dinamizar todas as coletividades, porque elas são o motor da freguesia. Têm o apoio máximo e equilibrado da Junta de Freguesia, através dos protocolos que são anualmente estabelecidos com as instituições”, explicou.

Gil Guedes, um dos promotores do Dia das Coletividades, destacou o valor simbólico da iniciativa e o seu significado para a identidade local. “Sou um apaixonado pelo aspeto cultural da minha terra. Acompanho, quase desde que vim ao mundo, a vida das coletividades”, salientou, afiançando que “hoje é um dia muito importante. Faz este ano 24 anos que oficialmente os terrenos foram doados às coletividades. Isto fica-se a dever, em certa medida, ao saudoso padre Joaquim, que tudo fez para que as coletividades tivessem o seu espaço próprio em terrenos da Quinta da Pena, que eram propriedade da Igreja e que foram doados pela senhora Alzira Pacheco”.

Gil Guedes referiu ainda a importância do apoio às associações, frisando que “a união das nossas coletividades é fundamental e elas deviam ter mais apoio daqueles que têm responsabilidades no nosso país, porque muitas vezes lutam com grandes dificuldades”.

Também Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, marcou presença nas celebrações e destacou o exemplo dado por Perosinho. “Considero que é um dia muito importante. As coletividades de Perosinho já há alguns anos que realizam este fim de semana cultural com uma série de iniciativas. Penso que poderia ser replicado em todas as freguesias do concelho”, revelou.

O dirigente destacou ainda o espírito vivido durante as comemorações, asseverando que “sente-se aqui um momento muito especial, porque existe um espírito de união, camaradagem e amizade que é muito importante para as coletividades e para as comunidades locais”.

Paulo Rodrigues lembrou igualmente o papel abrangente das associações locais, destacando que “as coletividades desenvolvem um trabalho muito diversificado. Aqui temos seis coletividades com áreas bastante diferentes no desporto, na música, no teatro e nas atividades culturais e recreativas. Este intercâmbio entre elas é muito importante”.

Num fim de semana marcado pela cultura, pela memória e pelo convívio, Perosinho voltou assim a afirmar a força do seu movimento associativo, mostrando que as coletividades continuam a ser um dos pilares da identidade e da vida comunitária da freguesia.