A Direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) reuniu, no passado dia 11 de maio, a Comissão Especializada do Turismo, para analisar a situação atual do setor. Analisados os dados da evolução do turismo nos Açores, confirmou-se que o setor registou prejuízos de cerca de 400 milhões de euros “num só ano”, na sequência da pandemia da covid-19.

 

 

A Direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) reuniu-se, no passado dia 11 de maio, com a Comissão Especializada do Turismo, para analisar a situação atual do setor e apontar medidas para o futuro.

Neste seguimento, o organismo referiu que “confirmou-se o cenário que a CCIPD tinha identificado aquando do início da pandemia, com uma projeção de perdas globais para a economia dos Açores, na ordem dos 400 milhões de euros num só ano”.

Analisando os dados da evolução do turismo no arquipélago açoriano entre março de 2019 e fevereiro de 2020 e entre março de 2020 e fevereiro de 2021, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada constatou “uma quebra de 3.039.571 para 683.658 dormidas, perdendo-se 2.355.913 de dormidas”, nos dois períodos.

A CCIPD recordou, ainda, que “era mantido que «o cluster do turismo representou, em 2019, cerca de 475 milhões de euros de VAB (Valor Acrescentado Bruto) e cerca de 23 mil postos de trabalho. Uma quebra de 80% representa cerca de 380 milhões de euros de VAB». Os postos de trabalho têm sido mantidos com uma multiplicidade de programas nacionais e regionais de apoio ao emprego. O valor, no entanto, está perdido por falta das vendas, com mais de dois terços assumidos pelas empresas”.

De acordo com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, “por ilhas as que mais perderam foram S. Miguel com uma redução para 19,3% dos valores do ano anterior, a Terceira com 25,3% e o Faial com 26%. As ilhas menos afetadas foram o Corvo, as Flores e a Graciosa, que mantiveram, respetivamente, 64,2%, 46,5% e 40,5% das dormidas do ano anterior. Em termos globais S. Miguel absorve 71,5% das perdas, a Terceira 12,9% e o Faial 6%. O problema gerado pela quebra das dormidas está, segundo estes dados, claramente centrado em S. Miguel”.

Neste contexto, a CCIPD afirmou que “é evidente que é necessário um plano de recuperação do setor nos Açores, não se podendo olvidar que 75% a 80% dos estragos estão centrados em S. Miguel, onde a taxa de pobreza é, para mais, a mais elevada da Região”, acrescentando que “é preciso reparar os estragos do passado recente e relançar o setor para um futuro promissor para os mais de 20000 trabalhadores que dependem dele”.

A Câmara do Comércio entendeu, ainda, que para a retoma consolidada do setor e do emprego que assegura, é necessário assumir um rumo estratégico e, dentro deste, implementar medidas de mitigação, medidas para o curto e médio prazo e medidas para de consolidação do longo prazo.

No âmbito das políticas de mitigação, a CCIPD propôs a “flexibilização dos critérios de passagem de crédito a apoio a fundo perdido, não penalizando as empresas por saídas voluntárias de trabalhadores, por exemplo; flexibilização dos critérios de acesso aos apoios por parte de empresas em dificuldade; extensão adicional, para além da recentemente feita, dos apoios à liquidez, mias uma majoração, e dos apoios aos custos fixos, Apoiar.pt, dado o prolongamento inesperado dos confinamentos em São Miguel; aceleração dos processos de pagamento de apoios”.

Relativamente às medidas de relançamento, o organismo defendeu a “melhoria e intensificação da comunicação dos procedimentos de entrada e saída de passageiros; garantia de um Plano Plurianual de Promoção dos Açores (3 anos) a implementar pela ATA; estabelecimento de instrumentos de refinanciamento e recapitalização das empesas através de meios de participação temporária no capital; retoma dos investimentos em infraestruturas para o turismo, como miradouros (Lagoa do Fogo, Ferraria, Sete Cidades, etc.), zonas balneares (Ferraria, Praia da Viola, Lombo Gordo, etc.) e outras infraestruturas de interesse para o turismo; implementação de um Projeto de Observação do Turismo (Conjunto de linhas de estudo estratégico, em substituição do Observatório do Turismo); flexibilizar a circulação de trabalhadores entre empresas, para dinamizar o mercado de trabalho; programa alargado de testagem em atividades críticas do setor; programa de vacinação dos trabalhadores do setor”.

No que concernem as medidas de consolidação, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada recomendou “reposicionar e reforçar, urgentemente, a formação para o setor; transformação de crédito em fundo perdido com obrigação de aumento correspondente de capital; acelerar a Revisão do Plano Estratégico de Marketing do Turismo dos Açores; acelerar a Revisão do Plano de Ordenamento do Turismo dos Açores”.

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