“SOMOS PESSOAS A SENTIR PESSOAS”

O 96º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Gaia foi comemorado no passado dia 26 de junho, com uma sessão solene, que decorreu no Equipamento Social Salvador Brandão, e contou com a presença dos utentes, assim como de José Guilherme Aguiar, vereador da Câmara Municipal de Gaia, Rosário Loureiro, diretora adjunta do Centro Distrital da Segurança Social do Porto, Mariano Cabaço, em representação da União das Misericórdias Portuguesas, e Ângela Guerra, administradora do Fundo Rainha D. Leonor e vogal da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre representantes de entidades civis, militares e religiosas.

 

 

O Equipamento Social Salvador Brandão foi o palco das comemorações do 96º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Gaia. A sessão solene, que decorreu no passado dia 26 de junho, contou com a participação dos utentes, assim como de José Guilherme Aguiar, vereador da Câmara Municipal de Gaia, Rosário Loureiro, diretora adjunta do Centro Distrital da Segurança Social do Porto, Mariano Cabaço, em representação da União das Misericórdias Portuguesas, e Ângela Guerra, administradora do Fundo Rainha D. Leonor e vogal da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre representantes de entidades civis, militares e religiosas.

A cerimónia, que começou com uma celebração eucarística, presidida pelo cónego Jorge Duarte, contou com vários momentos musicais, protagonizados pelo Coro da Misericórdia de Gaia.

Neste seguimento, o momento das intervenções foi inaugurado pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, Manuel Moreira, que recordou a fundação da instituição, a 26 de junho de 1929, frisando que “ao longo de todo este tempo, a instituição cresceu, consolidou-se e afirmou-se como a maior Instituição Particular de Solidariedade Social do concelho de Vila Nova de Gaia. Temos cerca de 350 colaboradores para servir e cuidar de cerca de 900 utentes, desde crianças aos seniores”.

Assegurando que a “Misericórdia de Gaia ao longo dos seus 96 anos de existência tem cumprido a sua missão com empenho e dedicação inabaláveis”, o provedor destacou o apoio “aos mais vulneráveis da sociedade e promovendo a dignidade humana, sem discriminação e com um profundo compromisso social”.

Na ocasião, Manuel Moreira fez questão de sublinhar que “somos pessoas a sentir pessoas. O respeito e a dignificação das pessoas são a principal missão da Misericórdia de Gaia”, evocando o que conseguiu concretizar durante a sua liderança e os projetos que pretende edificar, como a edificação das novas instalações do Serviço de Apoio Domiciliário, a construção de uma nova Estrutura Residencial de Pessoas Idosas e Centro de Dia, do Equipamento Social José Tavares Bastos, a requalificação do Equipamento António Almeida da Costa, a construção de raiz das novas instalações do Centro de Medicina Física e Reabilitação da Misericórdia de Gaia, a nova Farmácia da Misericórdia e a reabilitação de vários imóveis da instituição.

Presente na sessão, Mariano Cabaço, em representação da União das Misericórdias Portuguesas, parabenizou “a Misericórdia de Gaia por este aniversário, pela obra que aqui tem e pela forma humanizada que se respira nesta casa”, desejando ainda “a todos que aqui estão, dirigentes, funcionários, utentes, que continuem neste espírito de missão das misericórdias”.

Por conseguinte, também Ângela Guerra, administradora do Fundo Rainha D. Leonor e vogal da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, também tomou a palavra, mencionando a comparticipação do Fundo Rainha D. Leonor no valor de 273 mil euros, para as recentes obras realizadas no Equipamento Social Salvador Brandão.

Evidenciado a ponte que se estabeleceu entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e de Vila Nova de Gaia, Ângela Guerra evocou as mais diversas valências da instituição que representa, salientando que “neste território, a Misericórdia de Gaia também chega a muita gente, quer através das várias valências, nomeadamente à juventude e aos mais velhos. (…) É importante não deixar ninguém de fora e apoiar sempre quem mais precisa”.

Por outro lado, Rosário Loureiro, diretora adjunta do Centro Distrital da Segurança Social do Porto, frisou que “hoje é um dia de festa, celebramos 96 anos de trabalho, com as suas dificuldades, vicissitudes”, asseverando que a comemoração “mostra bem que é feita esta mobilização, exposição, de vontades, orgulho e disponibilidade para construirmos uma sociedade melhor e mais justa”.

Garantindo que “nesta cerimónia está plasmada a humanização dos serviços”, a diretora adjunta do Centro Distrital da Segurança Social do Porto afirmou que a Misericórdia de Gaia é “uma instituição que consegue e conseguiu cumprir os requisitos, nomeadamente as exigências, mas também fazê-lo com entrega, com voluntarismo, com humanismo, que é isso que será o traço de qualquer ser humano e será aquilo que realmente nos distingue e talvez distinga esta função social”.

Os discursos foram encerrados por José Guilherme Aguiar, vereador da Câmara Municipal de Gaia, que usufruiu do momento para destacar “a dinâmica da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia”, afiançando que “aos 96 anos desta Misericórdia, nós podemos ter a certeza que vai demorar alguns anos a concretizar este programa de trabalhos. Por isso, vamos ter Misericórdia por mais alguns anos”.

Segundo o edil, “as Misericórdias são instituições insubstituíveis, porque o Estado pode tentar ajudar, mas não ajuda tanto quanto deveria, ou os fundos e os PRR podiam ajudar, mas não estão a fazer aquilo que deveriam estar a fazer. (…) Portanto são os municípios que tentam dar uma resposta e o município de Gaia está bem com a sua consciência. Deu uma resposta fantástica e tem ajudado estas instituições em tudo quanto pode”.

Por fim, o vereador dirigiu-se para os utentes, ressaltando que “são a razão da existência desta comunidade social. São a razão da existência desta economia social, que se desenvolveu em termos que não têm comparação. Não há nada neste país que tenha comparação com a economia social, que se tenha desenvolvido e que efetivamente merecia, por parte do Estado, alguns olhares mais complacentes. (…) Durante 96 anos, a Misericórdia do Gaia cumpriu com aquilo que tinha de fazer e irá continuar a fazê-lo, eu não tenho dúvidas nenhumas”.

Esta cerimónia contemplou, ainda, a distinção de Alcino Lopes, presidente da União de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, e Paulo Lopes, presidente da União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, com a Medalha de Mérito, Grau Ouro, assim como a agraciação das utentes centenárias Lídia Pereira e Maria Pereira com a Medalha de Mérito, Grau Prata. Durante a sessão, Fernando da Silva Correia também foi distinguido com o estatuto de Irmão Horário, foram entronizados 12 novos irmãos e acolhidos 16 novos voluntários e reconhecidos 13 colaboradores pelos seus 25 anos de dedicação à instituição.

A comemoração do 96º aniversário da Misericórdia de Gaia terminou com um porto de honra e um brinde à longevidade da instituição.