À frente da coligação Trofa em Primeiro, que une o PS, o Livre e o PAN, Amadeu Dias apresenta-se como sendo um candidato com “uma nova energia” para a Câmara Municipal, depois de oito anos como vereador na oposição. Socialista desde os 16 anos e atualmente líder do PS Trofa, o docente universitário revelou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, a sua aposta numa narrativa de proximidade e compromisso com a população, defendendo que o município precisa de “inovação, de dinamismo e de uma liderança que saiba trazer resultados”. Entre as prioridades definidas pelo candidato estão a habitação, a reforma do processo de licenciamento para captar investimento, a criação de uma nova dinâmica empresarial e um pacote de obras emblemáticas, como uma Arena Multiusos e um complexo desportivo com piscina na vila do Coronado. Criticando a “falta de visão do atual executivo”, o socialista afirmou que quer “um concelho da Trofa em que todas as oito freguesias são tratadas da mesma forma”, assegurando uma liderança próxima, transparente e participativa. Inspirado na força e resiliência dos trofenses, Amadeu Dias defendeu que “só juntos podemos construir a Trofa que queremos: uma Trofa com mais oportunidades, mais qualidade de vida e mais futuro”.
Como se descreve enquanto cidadão?
Sou um cidadão socialmente ativo, responsável e dedicado às causas do meu concelho e do meu país. Sempre acreditei que a participação cívica é essencial para construir comunidades mais fortes. Gosto de estar no terreno, de ouvir as pessoas e de procurar soluções reais para os seus problemas. Sou um cidadão que privilegia a proximidade. Procuro sempre colocar-me no lugar do outro, para tentar perceber as suas angústias, necessidades ou preferências.
Como e quando ingressou no mundo da política?
Desde os meus 16 anos que comecei a estar envolvido na política. Inicialmente como dirigente da Juventude Socialista e a partir dos 24, ano em que comecei a integrar os órgãos locais e distritais do Partido Socialista, começou a desenhar-se este percurso. Aos 29 anos, fui candidato à Câmara Municipal da Trofa pela primeira vez e, dois anos depois, estava a assumir a liderança do PS Trofa. Foi um percurso natural de crescimento, porque também existiu sempre muito compromisso, em prol da defesa dos interesses do concelho da Trofa. No ano de 2017, assumi funções como vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal da Trofa. Desde então, tenho priorizado a Trofa e toda a minha dedicação está direcionada para a gestão autárquica. Foi esta dedicação e este compromisso que me permitiram aprofundar o conhecimento das questões fundamentais para o desenvolvimento do concelho e adquirir a experiência necessária para, hoje, poder apresentar as melhores soluções para os desafios que enfrentamos localmente.
Como descreve o seu percurso até então?
O meu percurso tem sido marcado pela proximidade às pessoas e associações e pela vontade de transformar as preocupações em propostas concretas que resolvam os problemas dos trofenses. Nos últimos oito anos, apresentei anualmente inúmeras propostas para que muitos dos problemas dos trofenses fossem resolvidos. Umas foram aceites e muitas outras não. Destaco um conjunto de medidas de apoio ao comércio local e restauração durante a pandemia, tentando de alguma forma dar um contributo positivo aos negócios mais pequenos e familiares. A minha proximidade às associações é uma das marcas que fui deixando. Contribuí decisivamente, de 2017 até 2024, junto dos Governos do PS, para que muitas candidaturas e/ou apoios fossem desbloqueados, em prol das nossas instituições. Procurei igualmente aproximar os trofenses de todas as decisões que são discutidas em reunião de Câmara, através da prestação de contas que fiz acerca da prestação dos vereadores do PS Trofa nas mais de 240 reuniões de Câmara que tivemos desde 2017. Os roteiros pelas empresas, freguesias e associações serviram sempre para que um conjunto de sugestões e propostas fossem apresentadas por mim em reunião de Câmara. Estou seguro de que dei o melhor de mim para melhorar a qualidade de vida e resolver muitos problemas dos trofenses, mesmo estando na oposição.
Exerce, desde 2017, funções como vereador sem pelouro na Câmara Municipal da Trofa. A seu ver, de que forma contribuiu para a melhoria da qualidade de vida dos trofenses?
Mesmo sem pelouro, nunca deixei de assumir uma postura construtiva. Estar no terreno, em contacto com as forças vivas do concelho, permitiu-me compreender melhor os desafios locais e apresentar centenas de propostas exequíveis, para resolver os nossos problemas. Acredito que, muitas vezes, a mudança começa pela capacidade de propor, acompanhar e garantir que as soluções avançam de forma segura, rigorosa, transparente e que cumprem as necessidades detetadas.
Quais são as principais inspirações?
Inspiro-me na força e na resiliência das pessoas do concelho da Trofa. São elas que me dão motivação para continuar. Acredito também que os exemplos de líderes que colocam as pessoas em primeiro lugar e que governam com proximidade e visão, são uma referência. Para mim, a política só faz sentido se estiver ao serviço da comunidade e se for feita com verdade e compromisso.
O que o motivou a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal da Trofa?
A minha maior motivação é o amor à Trofa e a crença no seu potencial. Já concorri antes e não tenho qualquer receio de o assumir, pelo contrário, isso só demonstra persistência e dedicação. Acredito que este é o momento certo para trazer uma nova energia e dinâmica ao concelho. Este é o momento de mudança e é preciso muita determinação para a implementar. Quero um concelho da Trofa em que todas as oito freguesias são tratadas da mesma forma, com mais oportunidades, mais qualidade de vida e mais bem-estar para todos os habitantes e para quem nos visita. Sei que há muito por fazer e quero liderar esse caminho.
Se for eleito, que visão tem para o concelho nos próximos anos?
Tenho uma visão clara: fazer da Trofa um concelho de futuro, preparado para responder às necessidades de hoje e aos desafios de amanhã. Isso passa por garantir que nenhuma criança fica sem vaga em creche, acelerar processos de licenciamento para atrair investimento e para estancar a perda de empresas e famílias para os concelhos vizinhos, reforçar as acessibilidades com novas ligações rodoviárias, construir uma Arena Multiusos para que haja mais acesso ao desporto e à cultura e criar novas áreas industriais para gerar mais emprego e salários melhores. Quero também reforçar a segurança com mais 20 polícias municipais e construir um complexo de desportivo com piscina na vila do Coronado. Queremos implementar uma nova dinâmica assente na nossa força motriz: o tecido empresarial e o nosso comércio local. É urgente que o concelho da Trofa seja mais atrativo e a criação de uma zona de bares terá igualmente um papel importante para fixarmos os mais jovens e proporcionarmos momentos de lazer. Não quero um concelho fantasma a partir das 21 horas da noite. Sei bem aquilo que pretendo implementar. Esta é uma visão assente em medidas concretas e transformadoras.
Quais diria que são as reais necessidades da população da Trofa? De que forma pretende colmatá-las?
As principais necessidades passam pela habitação, pelo bem-estar social e pelos serviços de apoio às famílias. É essencial garantir que até 2030 a Trofa tenha uma oferta habitacional suficiente para fixar jovens e atrair famílias. Isso só será possível com planeamento, parcerias com empreiteiros e cooperativas e aproveitamento das linhas de financiamento da União Europeia e do Governo. Ao mesmo tempo, precisamos reestruturar o processo de licenciamento para os projetos da Trofa, reforçar a segurança e investir em equipamentos sociais, culturais e desportivos. É este o caminho que quero seguir.
Quais os principais desafios que conta enfrentar?
Um dos maiores desafios será desbloquear anos de atraso provocados pela falta de visão do atual executivo. O falhanço na habitação, o excesso de burocracia e a estagnação das acessibilidades exigem soluções rápidas e eficazes. Outro desafio será devolver confiança às pessoas, mostrando que é possível ter uma liderança capaz de colocar a Trofa no rumo certo. Sei que não é fácil, mas acredito que com trabalho, dinamismo e uma equipa competente conseguiremos responder. Mostrarei aos trofenses que serei um presidente que andará pelas ruas de todo o concelho. Não serei um presidente de gabinete e tratarei de igual forma todas as Juntas de Freguesia. Vou apostar muito na proximidade e na aproximação dos trofenses à gestão municipal.
Como vê a evolução do trabalho desenvolvido pelo atual executivo ao longo dos últimos anos?
Vejo uma gestão marcada pela estagnação e pela falta de ambição. Questões centrais como a habitação e os licenciamentos não só não foram resolvidas, como se agravaram. Não me recordo, em oito anos, de uma única obra pública onde não tenham existido derrapagens e em várias delas estamos a falar de milhões de euros. Isto para mim é revelador de pouco rigor, pouca fiscalização, mau planeamento e incapacidade para executar de forma correta. Além disto, também não me recordo de as obras cumprirem os seus prazos. Isto é desastroso. Falta visão estratégica, falta energia e falta capacidade para enfrentar os desafios de um concelho em crescimento. A Trofa precisa de mais: precisa de inovação, de dinamismo e de uma liderança que saiba trazer resultados.
Que mensagem gostaria de deixar à população?
Quero deixar uma mensagem de confiança e de compromisso. Acredito profundamente no nosso concelho da Trofa e no seu enorme potencial. Esta é uma candidatura para os novos tempos, para dar respostas concretas às necessidades da nossa população e para colocar as pessoas no centro das decisões. Peço a todos os trofenses que se juntem a este projeto, porque só juntos podemos construir a Trofa que queremos: uma Trofa com mais oportunidades, mais qualidade de vida e mais futuro. Só assim colocaremos a Trofa em Primeiro.


