“NÃO ME REVEJO NADA MESMO DE CAPACETE NA CABEÇA NUMA OBRA MEGALÓMANA”

Aos 41 anos de idade, a arquiteta e empreendedora açoriana Sónia Pereira admite ainda ter projetos na “manga”, entretanto, o seu espaço ao abrigo do “Projeto Incubados” no Centro de Artesanato e Design dos Açores (CADA) continua a fazer furor e a ultrapassar os desafios.

 

 

Para quem não conhece, quem é Sónia Pereira?

A Sónia é uma pessoa simples, alegre, leal, amiga do próximo, muito ligada á família, humilde, versátil, criativa, empenhada, profissional e é uma arquiteta por paixão. A naturalidade e a residência é em Ponta Delgada, a formação acadêmica foi na escola Secundária Antero de Quental e Licenciatura na Universidade Técnica de Lisboa-Faculdade de Arquitetura.

 

Como descobriu a sua vocação para a arquitetura? 

Em pequena quando perguntavam o que é que queres ser quando fores grande, eu dizia, convicta, quero ser arquiteta. Nasci e cresci no seio de uma família espetacular a minha mãe uma fada do lar infinita o meu pai um carpinteiro de excelência, como tal brinquei com a criatividade, invenção, engenhocas, com as aparas, com as sobras e apaixonada por desenhar, desmanchar e construir, pois então eis aqui o resultado.

 

Além de ser arquiteta, abriu há uns anos a sua startup que tem tido bastante sucesso.

Eu faço parte, estou e tenho o meu espaço ao abrigo do “Projeto Incubados” no Centro de Artesanato e Design dos Açores (CADA), organismo este que está sob a tutela da Secretaria Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego. O CADA desenvolve um plano consistente e diversificado, visando a promoção, a inovação e a competitividade das empresas artesanais, equilibrando assim as componentes tradicional e contemporânea e é cada vez mais e em cada dia, o “laboratório” certo para cimentar a minha evolução profissional. É com grande interesse e entusiasmo que tenho acompanhado o progresso e os extraordinários resultados que o CADA vem conquistando e por essa razão por lá continuo. Sinto que é um espaço no qual posso desenvolver e aprofundar a minha formação e carreira.

 

Como tem corrido o negócio e quais os principais entraves que sente?

Tem sido desafiante, surpreendente, inovador e muito fascinante. Claro! Que a vida não é sempre um mar de rosas, mas como o otimismo é um instrumento que deve fazer parte da nossa oficina da vida, uso como arma para defender dos entraves do presente e futuro que irão ser expectantes.

 

Qual tem sido o feedback das pessoas?

De todo não posso apontar sinais negativos, tenho tido uma boa aceitação, veremos o futuro.

 

Quais os próximos projetos?

Esta é daquelas questões difíceis de responder porque a arte tem sempre “uma veia de loucura” e os arquitetos, por vezes, têm projetos “loucos” em mente para executar. Mas tenho alguns na “manga” ainda para este ano, a ver vamos se o mercado e a economia nos deixam dar asas á imaginação.

 

Onde é que não se revê na sua profissão?

Boa! Pois, não me revejo nada mesmo de capacete na cabeça numa obra megalómana como uma ponte, uma barragem um arranha céus. Acho mesmo que o perigo não é a minha “onda”. Mas dou muito valor aos meus colegas que o fazem.

 

Como se sente ao receber este prémio?

Muito surpreendida mesmo e agradecida ao Jornal Audiência na pessoa do Senhor Dr. Joaquim Ferreira Leite. Nunca me passou pela cabeça ter um dia esta oportunidade.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores?

Uma mensagem de esperança, que acreditem nas suas potencialidades e que sintam prazer no que fazem porque só assim ajudamos a construir uma sociedade melhor.