“Desde miúdo senti-me chamado a esta vocação”

Nasceu numa família católica e a fé sempre teve um papel importante na sua vida, mas a entrada na vida comunitária da paróquia de São Cristóvão de Mafamude durante a sua adolescência reforçou este sentimento. Aos 27 anos juntou-se ao seminário e confessa que a reação dos que o rodeavam não foi a melhor. Hoje, o Padre Bruno Ávila é responsável por quatro paróquias na zona de Vila de Conde e reconhece que o importante é estar presente para a comunidade e, sobretudo, ouvir.

 

 

Quem é o Padre Bruno Ávila?

Sou presbítero da Diocese do Porto. Estou na zona de Vila do Conde, onde me foram confiadas pelo meu Bispo quatro paróquias. Tenho 39 anos, nasci na ilha do Faial e desde os onze anos de idade resido em Portugal Continental. Um dos meus sobrenomes é “Bulcão”. Não há nada mais açoriano que isso.

 

É formado em Geografia. Quando e como surgiu o gosto pela área?

O meu interesse pela Geografia surgiu naturalmente. Sempre procurei saber mais e compreender as dinâmicas e as contingências do mundo. A Geografia pareceu-me ser um ótimo compromisso com esse desejo, na medida em que é uma ciência holística. Todavia, confesso que atualmente nutro maior estima pela História e pelo estudo das línguas. Talvez, se voltasse atrás, teria optado pelo estudo do inglês e do alemão. Quem sabe no futuro…

 

De que forma a religião esteve presente na sua vida, principalmente ao longo da sua infância e crescimento?

Nasci numa família católica e num ambiente cristão. A Igreja foi omnipresente ao longo da minha infância e crescimento. Contudo, sempre coloquei questões e até passei por um período de afastamento. Sem perguntas e respostas não é possível o acesso correto ao dom sobrenatural da Fé. Curiosamente, os momentos mais importantes da minha existência foram no contexto da Igreja. Saliento que foi importantíssima a minha inserção na vida comunitária da paróquia de São Cristóvão de Mafamude (Vila Nova de Gaia) durante a adolescência e a juventude. Em boa verdade, raramente estava em casa, mas tinha tempo para tudo.

 

Quando e como percebeu que queria ser padre? A família e os amigos aceitaram bem a sua decisão de seguir o caminho da fé?

Desde miúdo senti-me chamado a esta vocação. Foi um caminho longo, porque só entrei no seminário com 27 anos. Infelizmente, inicialmente a minha escolha não foi bem aceite. Existe muito preconceito no que concerne ao sacerdócio. Não se trata duma vida de proibições e limitações. É uma opção, uma entrega que frutifica, e nunca uma renúncia à vida. É difícil? Claro que é. Mas ser-se chefe da família também o é!

 

É difícil conquistar o respeito de uma comunidade, sendo-se um padre tão jovem? Ou acaba por ser uma vantagem para atrair jovens à Igreja?

O respeito não é uma conquista. Não é uma imposição. O respeito surge do caminho que é empreendido em comunidade e pelo testemunho de vida que é dado. Por exemplo, Jesus nunca pediu para ser respeitado. Respeitou e fez comunhão com os outros, sem nunca ostracizar o diferente, o estrangeiro e o rejeitado.
Quanto à questão da juventude, a idade do presbítero não é o fator cardinal. O que é relevante é a presença e a escuta. Afinal, temos dois ouvidos e uma boca. Esta geração quer ser ouvida, exige respostas e necessita de companheiros de viagem.
Além disso, não podemos descurar os mais velhos. Estes carecem igualmente de atenção. Aliás, ninguém deve ser olvidado.

 

Quais as perspetivas e sonhos para o futuro?

Quanto ao futuro, quero melhorar o que sou como homem, cristão, presbítero e pároco. Graças a Deus, não me falta o que fazer. No que toca aos sonhos, quero ser santo, mas isso é outra história. Não é beatice, é o imperativo dos cristãos.

 

Como se sente por ser distinguido com o Troféu AUDIÊNCIA?

Confesso que não contava. Estou agradecido.