Uma instituição de mãos dadas com o crescimento da Região

A Caixa de Crédito Agrícola dos Açores completa, este ano, um século de existência. António Gomes de Sousa, presidente do Conselho de Administração da instituição revela que todos os dias o trabalho é importante para o crescimento desta instituição que ajuda todas as áreas de investimento da Região. Para comemorar o centenário, será editado um livro com toda a história da Caixa Agrícola dos Açores.

 

Fale-nos sobre a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo dos Açores e a sua importância na comunidade ao longo dos anos.

A Caixa Agrícola dos Açores completa este ano um século. A origem do Crédito Agrícola remonta ao séc. XVI quando, por iniciativa de D. Sebastião, foram criados os celeiros comuns. Estes eram verdadeiros estabelecimentos de crédito que adiantavam as sementes para o cultivo da próxima sementeira, que os agricultores, na altura das colheitas, pagavam em géneros. Só em 1911, o Estado aprova o decreto que determina a criação e o modelo das Caixas Agrícolas, como mecanismo financeiro adequado à facultação de capitais fundiários e de campanha aos agricultores. Nos Açores este movimento só ganha corpo em 1922, por iniciativa do Sindicato Agrícola dos Cultivadores de Ananases da Ilha de S. Miguel que, em Ponta Delgada, fundou a primeira Caixa de Crédito Agrícola. Foram, durante décadas, as instituições bancárias que mais financiaram o sector agrícola, fomentando o investimento e apoiando a modernização da atividade. Hoje, em função das alterações imprimidas ao Regime Jurídico, que regulamenta toda a nossa actividade bancária, o Crédito Agrícola opera com todos os sectores económicos e está sob a supervisão do Banco de Portugal.

 

Durante a sua gestão, qual o momento mais marcante?

As inúmeras decisões que têm de ser tomadas e responsabilidades que têm de ser assumidas, todos os dias, são um desafio à assertividade, à capacidade negocial e à inteligência emocional, que colocamos ao serviço dos clientes, sócios, colaboradores e supervisores. Mas a decisão da aprovação de um crédito a um investidor, sobretudo quando a jusante percebemos que a operação resultou em sucesso para o promotor, criando riqueza, postos de trabalho e mais impostos para a Região, é sempre um dos momentos com maior indução de felicidade pessoal e motivação profissional.

 

Quais são os maiores desafios de presidir a Caixa Agrícola?

Com as sucessivas crises económicas e com esta crise pandémica, os jovens têm tido permanentes entraves à realização dos seus projetos. Um dos nossos maiores desafios é trazer os jovens até nós e, trabalhando em conjunto, estudar e encontrar soluções financeiras adequadas e justas para realizar o empreendedorismo dos que estão agora a entrar no mercado de trabalho. Por outro lado, estamos a viver a era de grandes e impactantes fenómenos de transformação económica, social e cultural, que emergem e alastram a um ritmo alucinante. Queremos, ancorados na inclusão e sustentabilidade, estar na vanguarda da era digital e liderar o mercado bancário com um ambicioso programa de inovação e modernização tecnológico.

 

A pandemia afetou o trabalho diário da instituição?

Após o despoletar da crise pandémica, diariamente, e durante meses consecutivos, tivemos de tomar decisões corretivas face aos diferentes cenários económicos que se revelavam, sempre com o objetivo de salvaguardar os interesses financeiros dos clientes, de manter a sustentabilidade económica das empresas, assegurar os postos de trabalho e a estabilidade económica das famílias. Apesar das dificuldades sanitárias que ainda estamos a viver, a generalidade das empresas retomou a atividade e os planos de pagamento dos empréstimos foram reatados, sem registo de assimetrias significativas. Mas nem tudo na pandemia foi negativo. Com as exigências impostas pelos confinamentos, antecipamos a inovação digital e tecnológica que já se vislumbrava, num modelo de comunicação e de trabalho que veio para ficar, ganhando esta especial importância numa região com uma descontinuidade territorial tão acentuada como os Açores.

 

Quais as perspetivas para o futuro?

Concluímos agora o ciclo de um século de existência, com uma história riquíssima de resiliência e sucesso da Caixa que vamos registar em livro, a ser editado este ano. Mudamos toda a plataforma informática com o intuito de valorizar os canais digitais e disponibilizar aos clientes um largo espetro de serviços bancários de última geração.

 

Como vê a distinção da Caixa de Crédito Agrícola com o Troféu AUDIÊNCIA?

O nosso propósito é sermos prestadores de serviços bancários e financeiros de primeira geração com a máxima qualidade e segurança, que mereçam a aceitação dos clientes, com qualquer nível de literacia, e de todos os setores económicos que constituem o tecido empresarial da Região. Neste contexto, a atribuição do Troféu AUDIENCIA é uma elevada honra que vem certificar a proficiência e as estratégias comerciais adotadas na condução do rumo desta instituição, e vem estimular a prossecução da nossa atividade, centrada na valorização e dignificação do cliente como figura nuclear de toda a nossa actividade financeira e económica.