O Valadares Gaia Futebol Clube prevaleceu sob a equipa ribeiragrandense Sporting Clube Ideal na segunda eliminatória da Taça de Portugal, que decorreu no passado dia 26 de setembro, no Estádio Municipal da Ribeira Grande. O encontro terminou com uma vantagem de 3-0 para a equipa gaiense, que vai disputar a terceira eliminatória da prova, no próximo dia 17 de outubro, frente à Casa Pia.

 

 

 

A segunda eliminatória da Taça de Portugal que teve como protagonistas o Valadares Gaia Futebol Clube e o Sporting Clube Ideal. No final do jogo, a equipa gaiense triunfou frente aos Leões da Ribeira Grande, um resultado que deixou José Vasconcelos, diretor desportivo do Valadares Gaia Futebol Clube, e o treinador André Ribeiro muito felizes.

Acreditando que foi um resultado merecedor, José Vasconcelos garantiu, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que “o jogo de hoje foi bem conseguido em todos os aspetos. Estivemos bem quer na primeira, quer na segunda parte e eu acho que foi um resultado merecedor”, asseverando que, “ao nível da Taça de Portugal, vamos tentar ir o mais longe possível. Sabemos que é difícil, mas vamos sempre acreditar até ao último momento que tudo é possível”. Ansiando que o Valadares Gaia Futebol Clube brilhe no Campeonato de Portugal, o diretor desportivo do clube afirmou que “as ambições passam por lutar pelos primeiros lugares, vamos tentar fazer isso de todas as formas e mais algumas, com empenho, com determinação, com muito trabalho e com muito sacrifício. Temos um bom plantel, um plantel bastante equilibrado, muito homogéneo e muito motivado, para conseguirmos chegar ao fim e sermos felizes”.

O treinador da equipa gaiense também não escondeu o seu entusiasmo, explicando, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que ”primeiramente, foi um jogo difícil. Houve uma primeira parte em que nós entramos melhor no jogo, com algum ascendente, com um bom jogo posicional, a tentar agredir o adversário mais por fora, porque tinha uma linha de três, que dá muito espaço para o adversário atacar e, depois do 1-0, o Ideal foi mais equipa do que nós. O encontro foi para um jogo que nós não conseguimos jogar, que era a nível de segundas bolas, mais direto e, aí, o Ideal foi mais equipa e teve um ascendente sobre nós.  Eu acredito que o Ideal pode ter sido mais equipa, na primeira parte. Na segunda parte foi diferente, em que nós ajustamos as coisas ao intervalo e conseguimos ser mais equipa com bola, conseguimos roubar mais a bola ao adversário e conseguimos desmontar, com bola, mais o adversário. Obviamente que, depois do 2-0 e da expulsão, as coisas ficaram mais fáceis para nós, mas acho que o resultado não sofre qualquer contestação. Nós fomos mais equipa, fomos mais felizes e conseguimos a passagem à eliminatória”.

Por outro lado, Jorge Correia, presidente do Sporting Clube Ideal, também conhecido como Leões da Ribeira Grande, salientou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que “hoje tivemos um adversário muito superior. Um adversário que soube manter os momentos do jogo. Foi uma equipa que sabia o que estava a fazer e, ainda por cima, encontrou uma equipa de arbitragem, que ajudou muito na parte das faltas, mas, quanto a isso, o Valadares não tem culpa, é uma equipa muito mais experiente do que a nossa. Mas o caminho é esse, é trabalhar e, agora, focar atenções no Campeonato. Nós temos uma equipa muito jovem, com muitos atletas da formação, que vão crescendo à medida que as jornadas vão passando. Nós temos oito juniores a jogar no plantel, quatro no primeiro ano. Portanto, vai ser uma época difícil, mas estou confiante de que estes jovens também vão crescer com a prova e o caminho é esse”.

André Ribeiro, aproveitou, ainda, a ocasião para revelar que não é a primeira vez que defronta uma equipa açoriana e que “é sempre um gosto regressar a esta ilha, onde somos tão bem acarinhados e onde nos sentimos em casa”.  A disputar a Taça e o Campeonato de Portugal, o treinador do Valadares Gaia Futebol Clube mencionou que a Liga 3 “está na mira”, adiantando que “nós queremos ser competentes, todos os dias, quando vamos trabalhar. Obviamente que ninguém joga para perder e nós queremos vencer os jogos todos. As coisas podem não nos correr como nós desejamos, mas, claro que, se nós formos competentes, se formos equipa e se vencermos, apontamos para a Liga 3, sem perder a noção daquilo que é a realidade. Nós, este ano, desinvestimos muito em relação ao ano passado. Mas, sim, todos os projetos em que eu estou, gosto de assumi-los com ambição e este, aqui, não foge à regra, com a ambição de que nós vamos tentar vencer todas as dificuldades, que nos aparecem pela frente, para, depois, tentarmos alcançar algo mais na Liga 3”.

Sublinhando o caderno de encargos que é cada vez mais exigente com a participação no Campeonato de Portugal e as dificuldades que daí advêm, o presidente dos Leões da Ribeira Grande referiu que “nós, para termos uma equipa profissional, temos de ter outras condições. Podemos começar pelas estruturas que não existem. Toda a gente sabe que o Campo da Ribeira Grande é muito antigo. A validade do piso sintético já acabou há seis anos e para nós começarmos a ter condições dignas, temos de começar pelas estruturas. Partir para a parte profissional, também, é muito difícil, porque o clube não está estruturado para isso, pois é um clube que vive sempre com as suas dificuldades. Mas, com as nossas dificuldades, eu penso que vamos seguir para a frente e vamos tentar melhorar jogo a jogo, em termos de estruturas e vamos pensar que a Câmara da Ribeira Grande vai olhar para o campo e mudá-lo drasticamente, porque precisa, mesmo, urgentemente”.

Jorge Correia mencionou, ainda, que os apoios oriundos do Governo e da autarquia não são suficientes e que “se nós quisermos evoluir temos de partir para outras estruturas, mais profissionais, e tentar arranjar investidores, porque lá fora está tudo a viver à custa dos investidores, além de terem vastas opções e um poder de escolha muito diferente, enquanto nas ilhas, os atletas só vêm em último caso”. Adiantando que têm surgido alguns investidores interessados, o presidente do clube esclareceu que “a formação de uma SAD é um caminho, mas é um caminho no qual eu não posso decidir nada. Na próxima Assembleia Geral, nós vamos tocar no assunto, porque não há hipótese, nós estamos a viver de subsídios camarários e de subsídios do Governo” e “têm aparecido investidores, mas não pode ser só aparecer, é preciso surgir um projeto muito credível, um projeto que seja apresentado aos sócios, porque são sócios que vão decidir, não é o presidente. O Ideal está a seguir o seu caminho de restruturação, um caminho longo e penoso, mas o futuro parece que será risonho. A melhor forma é apostar na formação e toda a gente sabe que o Sporting Clube Ideal é a melhor equipa de formação dos Açores. Basta ver a nossa equipa, porque tem muitos jogadores da formação já nos seniores e vão seguir mais para cima, porque não há verbas e o Ideal tem de jogar com as cartas que tem. Não me interessa ganhar Campeonatos de Juniores, interessa-me é potenciar jogadores para o plantel principal, mas isso, também, tem os seus custos, tem a ver muito com a falta de experiência e nós podemos sofrer muito com isso, mas temos de estar preparados para tudo”.

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