Há já aproximadamente mais de uma década que com o apoio inestimável do Teatro Nacional São João/TNSJ, as escolas artísticas da cidade do Porto, apresentam os seus espectáculos de finalistas; as escolas profissionais com as designadas PAP (Prova de Aptidão Profissional) do Balleteatro e da ACE e as escolas superiores com os seus projectos finais, Escola Superior Artística do Porto/ESAP e ESMAE. Apenas interrompido este ciclo o ano passado pela pandemia, este ano as escolas voltam ao Teatro Nacional, mais especificamente, ao palco do Mosteiro de São Bento da Vitória, monumental edifício artístico dependente do Teatro Nacional São João. Assim os alunos finalistas da Licenciatura em Teatro da Escola Superior Artística do Porto apresentam nos próximos dias 22 e 23 de julho no MSBV pelas 19.00 horas a peça WOYZECK de George Büchner, peça fundamental do teatro moderno que reforça o movimento romântico alemão e que abre novos caminhos para a dramaturgia contemporânea.

“Fragmentário e inacabado, situado na confluência do romantismo e do realismo social, Woyzeck é acima de tudo um manifesto em forma teatral que continua ainda hoje a identificar formas de perversão da dignidade humana. Optando por uma estratégia de denúncia, por uma escrita quase terrorista, Georg Büchner obriga-nos a refletir sobre a miséria e a dor como cernes fundadores das sociedades ditas democráticas. Woyzeck é o mais eloquente exemplo de “drama aberto” da dramaturgia pré-moderna. Não se saberá nunca o que seria esta peça se Büchner não tivesse morrido prematuramente, aos 23 anos. Matéria movediça e fulgurante, como a dos sonhos, configura dramaticamente uma existência singular, a do homem Woyzeck, perdedor e alienado, criminoso e proletário, vítima e cobaia, rural e urbano, ser inquieto e escravo-de-outros. É com esta “ferida Woyzeck”, a “ferida aberta”, como lhe chamava Heiner Müller, que os encenadores e pedagogos Luísa Pinto e Roberto Merino constroem o espetáculo dos alunos finalistas de Teatro da Escola Superior Artística do Porto.” (informação do TNSJ)

 

Karl Georg Büchner (1813 -1837) escritor e dramaturgo alemão  -Seguindo a tradição da família, começou a estudar medicina em 1831.Seu espírito revolucionário logo encontraria um meio de expressão na literatura. Sua intenção de promover uma insurreição no Hesse sob o lema: Paz às cabanas! Guerra aos palácios! foi motivo de uma ordem de prisão, e ele refugiou-se na casa do pai. Ali escreveu a peça A Morte de Danton (1835), uma análise ao mesmo tempo exaltada e pessimista das causas do fracasso da Revolução francesa e que foi o primeiro drama realista alemão.- Entre as obras que vieram a seguir, todas publicadas depois de sua morte, destacam-se a comédia Leôncio e Lena (encenada por mim no TEP/Teatro Experimental do Porto) , sátira às ideias românticas, e a novela Lenz , homenagem a Jakob Michael Reinhold Lenz, membro, como Büchner, de um movimento literário conhecido como A Jovem Alemanha. Com Woyzeck de (1836) , sua última peça, que em 1921 inspirou uma ópera ao austríaco Alban Berg, Büchner influenciou o drama social que veio com os naturalistas e expressionistas. Com um argumento baseado em fatos reais, o autor denuncia cruamente a opressão dos humildes. Perseguido pela polícia alemã por questões políticas, Büchner fugiu para a Suíça e morreu de tifo em Zurique em 19 de fevereiro de 1837, com apenas 23 anos de idade.”  https://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_B%C3%BCchner …peça fundamental que anuncia a entrada do proletariado no género teatral. Orlando Neves na sua introdução à versão do Woyzeck cita a Jean Duvignaud: “Woyzeck, é sem dúvida, a primeira imagem do proletário posta em teatro. Proletário no sentido exacto do termo, pois que ele nada mais possui do que a sua própria cabeça onde habita um irreprimível amor por Maria.” Woyzeck atravessa pela sua energia o teatro moderno com a sua dor e solidão extrema!  – Este espectáculo está inserido no ciclo As Escolas Artísticas no TNSJ / julho de 2021 no Mosteiro de São Bento da Vitória com Interpretação de Ana Príncipe, Ana Rita Ribeiro, André Magalhães, Carolina Abreu, Inês Leal, Mariana Cardoso, Marta Machado, Rute Moreira, Vítor Russo. Figuração de; Constança Antunes, Guilherme Amorim, Helena Gomes, Márcia Salomé, Carla Gomes, Iara Rocha. Tradução de Orlando Neves, Desenho de Luz de Júlio Filipe Cardoso