Eleito com uma vitória esmagadora para um segundo mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Canelas, Arménio Costa admitiu que estes quatro anos serão decisivos para a freguesia.

Ao fim de 20 anos, a Junta de Freguesia terá, finalmente, uma sede própria com todas as condições, algo que o autarca admite que, “depois do nascimento dos filhos e do casamento, a inauguração da sede de Junta irá ser o dia mais feliz da minha vida”.

Com as contas mais equilibradas, Arménio Costa promete ainda tentar, em 2019, apoiar mais as instituições da freguesia e admite que o seu desejo é continuar este projeto num terceiro mandato.

 

Esta é, talvez, a única Junta de Freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia que ainda não conseguiu o “direito” de ter um edifício com todas as condições para funcionar ao serviço de uma freguesia tão grande como esta…
Sim, é verdade. Realmente, somos a única freguesia de Vila Nova de Gaia, desde 2001, que não tem um edifício sede. Isto sucedeu-se porque o executivo que estava cá nessa altura, para não deixar fugir a GNR para outra freguesia vizinha, teve que ceder à pressa a nossa sede de Junta ficando no pressuposto que o executivo municipal, depois, construísse uma nova sede de Junta. O certo é que desde 2001 para cá todos podem testemunhar as condições em que trabalhamos. Às vezes brinco e digo que isto não é trabalhar, é sobreviver. Uma pessoa de cadeira de rodas tem de ser atendida no passeio, uma mãe ou pai que traga o seu bebé num carrinho tem de deixar o carrinho lá em baixo e trazer o bebé ao colo cá para cima, muitos idosos têm de ser atendidos na rua porque não têm mobilidade suficiente para vir cá cima. Em pleno século XXI, isto realmente não se justificava, independentemente das divergências políticas que houvesse na altura. O certo é que, no anterior mandato, quando tomamos posse, quer eu próprio, quer o Eduardo Vítor Rodrigues na Câmara, a prioridade foi logo a sede de Junta. E, infelizmente, estamos num país muito burocrático, porque demorou três anos todo o processo para ficar aprovada a sede de Junta, entre concurso público, projetos e cedência de terreno, porque o local onde vai ficar a Junta era privado, houve uma cedência do dono do terreno. Mas, finalmente, estou em condições de dizer que, neste mandato, vamos inaugurar a sede de Junta em Canelas. 20 anos depois, vamos ter aquilo que os canelenses têm direito.

 

Quando assumiu a presidência da Junta de Freguesia, para muitos, foi uma surpresa. Era o jovem da papelaria, aparentemente, ninguém daria nada por si, mas chegou a presidente de Junta derrotando nas urnas a presidente de Junta que estava em funções. Para si também foi uma surpresa ou acreditou desde a primeira hora que tinha algo para dar a esta freguesia e que as pessoas iam ver isso?
Sim, é verdade, o início da minha vida política foi em 2012 quando me candidatei à secção do partido em Canelas e ganhei por quatro votos. Aí começou o inicio da minha vida política. Foi uma surpresa para muitos porque eu não estava no meio, nunca estive, tudo o que consegui na freguesia e na vida política foi a pulso. Lembro-me que, depois de ganhar as eleições no partido, falei logo com o presidente da concelhia, na altura o atual presidente da Câmara, o meu colega e amigo Eduardo Vítor Rodrigues, porque até ele não me conhecia, eu era apenas um militante de base normal desde o tempo da Juventude Socialista. E ele veio inteirar-se das minhas intenções e eu disse-lhe que era a candidatura à Junta de Freguesia. Tenho noção que para ele foi um tiro no escuro, porque ele não sabia o que eu valia, e eu sabia que as pessoas me conheciam da papelaria, mas o trabalho profissional é uma coisa e o trabalho político é outro. Mas o certo é que, pelos vistos, as pessoas acreditaram em mim logo desde o início, tinha alguma credibilidade e o resultado foi histórico, até para mim, porque não sabia até que ponto as pessoas podiam acreditar ou não no nosso projeto. Contudo, acabou por correr bem, tanto para Canelas como para Vila Nova de Gaia, porque foi o início de um projeto totalmente novo com muitas das caras que apareceram pela primeira vez.

 

Não é muito usual um presidente de Junta em funções perder quando se recandidata a um segundo mandato. Para isso acontecer, normalmente, ou há situações dúbias ou situações graves ou menor qualidade de gestão. Quando assumiu a presidência da Junta como a encontrou?
Lembro-me que quando tomei posse, em outubro de 2013, o meu primeiro ato oficial foi chamar os funcionários e dizer que não havia dinheiro para salários. Por isso, foi bastante duro logo no início. Encontramos uma freguesia com um passivo de 125 mil euros e sem dinheiro para salários. E, depois, também com a crise que se instalou no país com a vinda da Troika, tudo o que queríamos fazer em quatro anos tornou-se mais difícil. Não conseguimos fazer tudo o que queríamos em quatro anos, felizmente, ganhamos outro mandato para continuar o ajuste que a Junta necessita. Mas foi um início de mandato muito complicado, nunca pensei que a vida política fosse tão dura, ainda para mais com as condições em que encontramos a freguesia, com falta de liquidez, com faturas por pagar, com o espaço que é conhecido… mas não estou arrependido.

 

Relativamente às condições, começou por dizer que, provavelmente, terão sido divergências políticas que terão atrasado o processo. Mas, curiosamente, em setembro de 2013, as cores políticas da Junta e da Câmara eram iguais. Será que havia guerra interna ou era apenas falta de vontade de resolver o problema?
Pois não sei, e acho que foi isso que as pessoas não perdoaram. Porque, historicamente, desde o início da democracia, Canelas sempre foi socialista e em 2009 foi a primeira vez que ganhou a coligação PSD/CDS, na esperança que, como no tempo do Dr. Menezes fomos completamente asfixiados, se viesse uma cor política diferente, ou da mesma cor da Câmara, as pessoas pensaram que realmente iam ter aquilo que tanto desejavam. E isso não aconteceu. Acho que o PSD aqui não aproveitou essa oportunidade porque a Câmara, realmente, também não ajudou, não fez nada por isso, e em 2013 o eleitorado de Canelas deu o devido castigo ao PSD e ao CDS.

 

Sem dinheiro, com a Junta com graves problemas financeiros, com uma Câmara Municipal em que o presidente também eleito na altura, Eduardo Vítor Rodrigues, dizia que estava no vermelho e com graves problemas, como conseguiu tirar um coelho da cartola e resolver o problema?
Como eu disse, não ficou tudo ajustado. Ainda bem que ganhamos este mandato, outra vez, para continuar esse ajuste, tal como a Câmara. A Câmara em quatro anos diminuiu o passivo de 290 milhões para 160, apesar de não estar no vermelho continua com 160 milhões de euros em dívida. O ajuste é para continuar, mas agora de uma maneira menos asfixiada. Foi duro, como eu disse, o primeiro ano e meio foi travar a fundo, aquilo em que conseguíamos cortar tínhamos de cortar. Foi duro para muitas pessoas, para muitas instituições, mas depois também tínhamos consciência que os nossos eleitores e as nossas instituições não podiam pagar por aquilo que foi feito no passado, e o que fizemos foi um equilíbrio entre o apoio social e às instituições e o pagamento aos fornecedores. Sabemos que, do que queríamos fazer, não fizemos tudo, mas acho que foi um mandato muito interessante, tanto que em 2017 tivemos um aumento estrondoso na votação.

 

Quando alguns anunciavam que seria uma desgraça…
Curiosamente, sim. Não sei de onde vinha essa perceção, ainda para mais depois de tudo o que aconteceu, porque além de ser um mandato de ouro a nível financeiro, também tivemos problemas graves a nível social na freguesia com a questão da mudança do padre e com a questão desportiva do clube de futebol local. E pensavam, essas pessoas que anunciavam a tragédia, que podia ser um momento de desgaste do próprio executivo ao tentar colar-nos à responsabilidade daquilo que aconteceu, mas o que fizemos foi gerir e fizemos as pontes que achamos necessárias, mas depois também saímos de cena para que as próprias entidades responsáveis nesses casos resolvessem, porque não era da nossa competência.

 

Quer se queira quer não, tem sido criada uma imagem da freguesia de Canelas com epítetos muito relacionados com o futebol. Quando se fala em Canelas fala-se em arruaceiros e outras coisas do género. Essa é a imagem que as pessoas devem ter de Canelas ou isso é um empolamento de quem não vê com bons olhos o singrar desta freguesia?
Um bocadinho de tudo. Aquilo que aconteceu naquele episódio vergonhoso do jogador do Clube Futebol Canelas 2010 a agredir o árbitro, só nos tem de encher de vergonha. Aquilo não deveria ter acontecido, mas o engraçado é que aquela foi a 47ª agressão a um árbitro. E só esta agressão é que teve abertura de jornais nacionais, primeiras páginas de jornais nacionais e um populismo nas redes sociais. Só a agressão do jogador do Canelas a este árbitro, vergonhosa como já disse, é que teve este empolamento todo. Toda a gente percebe o porquê, mas o que fizemos foi pegar nesse episódio e tentar transformar essa má publicidade ao clube, e também à freguesia, numa publicidade boa. E o certo é que este ano não houve nada a apontar ao clube, estamos a fazer uma campanha digna, o novo diretor desportivo que está à frente do clube é uma pessoa espetacular e está a fazer um bom trabalho, com todas as dificuldades que isso traz, numa divisão quase profissional em muitos clubes e no nosso não, e tentar esquecer aquilo que se passou. Mas temos consciência que, durante muitos anos, muitas pessoas vão associar o nome Canelas àquilo que aconteceu.

 

Ainda há alguns dias houve uma pequena escaramuça e foi logo notícia de primeira página…
Uma notícia desses jornais populistas a dizer que o treinador adjunto do Gondomar tinha ido para o hospital, quando o jornal ‘O Jogo’, no dia a seguir, teve o treinador adjunto a desmentir categoricamente e a dizer que o que aconteceu foram uns empurrões, que, por vezes, acontecem nos jogos de futebol. Todos os holofotes estão apontados ao clube, ponto final.

 

Mas acredita que depois deste incidente, depois de criadas as infraestruturas de uma sede de Junta condigna, de ter saído da linha vermelha, esta pode ser a alavancagem para uma freguesia que ambiciona ser feliz no futuro e, mesmo no futebol, pode ser uma alavancagem para a imagem da freguesia?
Em termos de freguesia acho que já somos uma freguesia feliz. O primeiro mandato foi razoável, dadas as dificuldades que tínhamos. A maior requalificação da rede viária da freguesia dos últimos 16 anos aconteceu no anterior mandato, tivemos a requalificação total da Escola de Megide, já começamos a requalificação da Escola do Curro, um sem número de apoios às instituições que nunca tinham tido, e acho que qualquer diretor de uma instituição da freguesia lhe dirá isso, as relações com as instituições nunca estiveram tão boas. Agora, sou um otimista por natureza e só temos a melhorar. Com o início da construção da sede de Junta, com a finalização da nossa via principal, que é a Rua Delfim de Lima, cujo concurso já finalizou e está em vias de ir para o terreno, acho que, a partir de agora, só temos motivos para estar otimistas e acho que ainda vai ser muito melhor que nos últimos quatro anos.

 

 

“Somos das freguesias que tem menor taxa de desemprego do concelho”

Quantos habitantes tem a freguesia, atualmente?
Cerca de 16 mil.

 

Canelas é, também, conhecida pelos seus parques industriais. Como estamos de indústria em Canelas?
Temos a maior zona industrial do concelho. E nós sentimos isso quer a nível de emprego, porque somos das freguesias que tem menor taxa de desemprego do concelho devido mesmo a isso, ao nível de indústria que temos. Ainda não houve necessidade, por exemplo, como já aconteceu noutras freguesias, de encerrar escolas, a demografia escolar aqui não estamos a sentir efeitos porque temos consciência que os pais ao virem trabalhar para aqui deixam os seus filhos nas nossas escolas, aliás temos listas de espera para entrar, por exemplo, na pré. Alem dos incríveis acessos que temos, o facto de não se pagar portagem foi preponderante para esta explosão a nível industrial na freguesia.

 

Outro foco importante em Canelas é a Serra de Canelas. Às vezes, por bons motivos, outras vezes nem tanto…
Exatamente. A Serra de Canelas, que criou aquilo a que costumo chamar ‘a menina dos meus olhos’ que é o Canelas Trail. A Serra estava completamente sem atividade e eu e muitos colegas do executivo, e a minha própria esposa, sendo pessoas de desporto, deitamos mãos ao caminho e, para ter uma noção, o ultimo Canelas Trail teve 525 participantes. É a única prova de Trail que existe no concelho de Vila Nova de Gaia e que agora queremos elevar a outro patamar. Queremos tentar meter algumas empresas e a própria Câmara a apoiar-nos para, quem sabe, fazer parte dos roteiros de trail a nível regional. E com isso trouxemos gente para a Serra, isto é, neste momento, ao fim de semana vê-se pessoas a andar de bicicleta a praticar BTT, a caminhar ou a correr na Serra de Canelas. Sabemos que ainda há muito a fazer, mas também temos consciência que 98% da Serra é privada. Isto tem de ser sempre uma parceria entre Câmara, Junta e os atores privados da Serra de Canelas. Infelizmente, naquele dia fatídico para o país, 15 de outubro, Canelas não ficou imune e tivemos aqui um incêndio, que agora está a recuperar. Mas o que queremos fazer é melhorar cada vez mais a Serra de Canelas para que seja um polo atrativo para quem quer passear e fazer o seu desporto.

 

Além da Serra, que outros pontos da freguesia sugere a um visitante que cá venha?
Temos o nosso coreto, o nosso ex-libris da freguesia, em frente à Igreja, e vamos tentar neste mandato requalificá-lo, sabemos que é um património nacional e vamos tentar saber junto do IPAR se há fundos para a requalificação do coreto, que bem necessita. Temos a capela do Senhor do Calvário, que tem uma vista espetacular da freguesia e do nosso mar e das nossas praias, e temos também a gastronomia, que é muito famosa pelas nossas francesinhas a lenha.

 

Há também uma referência na freguesia que é o Solar Condes de Resende. Que vantagens tem a sua localização na freguesia?
Há inúmeras, é um parceiro fundamental na cultura de Canelas e de Vila Nova de Gaia. O Dr. Guimarães e a sua equipa são imprescindíveis na freguesia. Para se ter a noção da importância do Solar Condes de Resende, é o único, pelo menos era, não sei como ficou depois da tomada de posse dos novos mandatos, mas sei que no anterior mandato foi o único monumento cultural que esteve sob a alçada direta do presidente da Câmara. Só isso diz bem da importância do Solar, quer para a freguesia, quer para o concelho.

 

Estamos a falar de uma autarquia que tem um orçamento anual de quanto?
O orçamento que foi aprovado foi de 585 mil euros.

 

Um dos polos muito significativos em Canelas era a existência de vários atores políticos importantes de referência no concelho. Durante anos, até se dizia que Canelas era a capital dos políticos. Entretanto, com uma menor projeção da freguesia, aconteceu também o afastamento desses atores. Quer dizer que o Arménio Costa, além de presidente de Junta, pode encarnar uma nova dinâmica na freguesia?
Eu espero trazer novos atores políticos, isso é verdade. A freguesia, e eu mesmo, só tenho a agradecer a esses atores políticos da freguesia que foram deputados, presidentes de Junta, presidentes de Câmara ou presidentes da Assembleia Municipal. Agora, também temos noção que é necessária uma nova geração e eu e a minha equipa estamos disponíveis para tentar continuar o legado que nos foi deixado.

 

Também uma referência em anos passados era a geminação com uma cidade francesa, Langon, que foi feita em paralelo com Oliveira do Douro. Como está essa situação? Houve algum resultado ou foi apenas um momento e agora não há parcerias nem intercâmbios?
Não há. Já quando chegamos à Junta de Freguesia não havia. Foi-nos sugerido, na última Assembleia de Freguesia, a reativação dessa geminação. Já enviamos um email, um ofício à Câmara, e seis meses depois responderam-nos. Vamos ver se durante este mandato poderá haver a reativação dessa geminação.

 

Aproveitando a recente presença de uma equipa de veteranos do Ribeirinha Futebol Clube da ilha de S. Miguel, concelho da Ribeira Grande, não poderia eventualmente despoletar uma geminação com uma freguesia desse concelho?
Estamos abertos a sugestões. Correu muito bem a visita da equipa de veteranos, sei que o presidente da Câmara também foi convidado para aqui estar, mas por motivos de agenda não conseguiu, mas estamos abertos a essas sugestões. Nós, em colaboração com a Câmara Municipal, oferecemos o alojamento à equipa de veteranos no Parque Biológico, que também deu algumas lembranças à equipa para levar para os Açores, e tivemos também depois o jantar convívio que correu muito bem, por isso, foram dois ou três dias em que o feedback dos atletas da Ribeira Grande foi espetacular.

 

 

“Havia meia dúzia de populistas que queriam tomar de assalto a Junta de Freguesia”

Embora o poder político não tenha nada a ver com a relação existente com a Igreja Católica, a verdade é que a divisão existente e criação de um núcleo nas últimas eleições autárquicas, foi motivo para que movimentos ou partidos tentassem servir-se dessa divisão para assumir o controlo da Junta de Freguesia. Acha que existem razões válidas para esta guerra ou há quem tente tirar dividendos dessa divisão para, eventualmente, atingir outros objetivos, como, por exemplo, a Junta de Freguesia?
Eu acredito que há pessoas que estão genuinamente a favor do senhor padre Roberto. Genuinamente, só querem saber do padre Roberto. Mas, claro que houve, e há, pessoas que se tentam aproveitar dessa situação. E isso foi notório nas últimas eleições autárquicas. O que eles não contavam é que o povo de Canelas, que é um eleitorado já maduro, sabe o que quer, mas acima de tudo sabe o que não quer. Porque havia meia dúzia de populistas que queriam tomar de assalto a Junta de Freguesia. É verdade. Mas o povo, felizmente, deu a resposta no dia 1 de outubro. São pessoas que andam com a mente ainda muito confusa, que já pertenceram a um partido político, mas que depois apoiaram um candidato à Câmara independente, e que agora apoiaram outro candidato independente à Junta de Canelas, porque esses indivíduos não têm coragem de vir à luta e mandam outro por eles.

 

Há pouco abordou a questão das instituições que são, normalmente, numa freguesia como Canelas, um motor também de visibilidade e satisfação da população. Tem algum programa especifico previsto de incentivo às instituições para que elas continuem a laborar?
Primeiro, quero dizer que se não fossem as nossas instituições a nossa freguesia estava um bocadinho pior. Há que assumir isso, eles são parceiros imprescindíveis na freguesia. E o executivo da Junta só tem a agradecer. E como é que fazemos para agradecer? Continuando com os apoios que temos vindo a dar a estas instituições. Queremos tentar aumentar o apoio que cada uma tem, sabendo que ainda não é possível, pelo menos este ano, mas vamos manter em 2018, não podendo melhorar. Em 2019 vamos tentar melhorar os apoios às nossas instituições. A reboque da nossa Junta de Freguesia, e isso acho que vai ser fundamental para as nossas instituições, porque em muitas delas o edifício sede é exatamente como a Junta de Freguesia, não tem condições nenhumas para receber qualquer atividade ou a própria assembleia dessa instituição. Por isso, vamos ter aqui um auditório, um centro cultural espetacular para a freguesia e que as instituições poderão usufruir à vontade.

 

E isso também estará concluído até 2021?
Exatamente.

 

Então, vai ser o revolucionário da freguesia de Canelas?
Costumo, em reuniões, e em convívios onde estou, dizer que, depois do nascimento dos meus filhos e do meu casamento, a inauguração da sede de Junta irá ser o dia mais feliz da minha vida.

 

Quais são as vantagens que vê no relacionamento entre si e o presidente da Câmara de Gaia, sendo que ambos foram eleitos exatamente no mesmo dia? O que pode isso trazer de bom para a freguesia?
Não vou mentir, tem sido preponderante. Nós tomamos posse exatamente no mesmo dia e, desde aí, estamos a percorrer este caminho juntos. Para mim, o Eduardo Vítor Rodrigues tem sido um mentor. Para mim, é dos melhores quadros que o Partido Socialista tem neste momento. E é para mim e para a minha equipa um privilégio trabalhar com ele. Claro que, por vezes, o ser humano é mesmo assim, somos mais exigentes e, por vezes, a Câmara Municipal não pode aceder aos nossos pedidos no imediato, mas sabemos que temos ali um apoio preponderante e constante por parte da Câmara Municipal de Gaia.

 

Na educação também, com o Gaia Aprende+, aliás, o município tem sido pródigo em na criação de varias vertentes nas várias áreas, isso tem feito a diferença na Junta de Freguesia de Canelas?
Sim, a integração do Projeto Gaia Aprende+ tem sido fantástico com as crianças e encarregados de educação a aproveitarem muito bem estes horários que facilitam o horário laboral do encarregado de educação, pois o Gaia Aprende+ permite estar na escola até às 19h30, caso seja necessário, e onde existem múltiplas tarefas e atividades. E o feedback que temos por parte das escolas e dos encarregados de educação é que veio facilitar muito a vida e o dia a dia dos encarregados de educação e dos próprios alunos. Porque, às vezes, ir para casa só por ir, enquanto pode estar na escola a fazer múltiplas atividades com os professores e auxiliares que a Câmara contrata para colocar nas escolas, faz a diferença na vida e no dia-a-dia dos nossos alunos.

 

 

“A oposição recuou cerca de 20 anos em Vila Nova de Gaia”

Como comenta a posição da oposição ao poder atual no município, considerando que estas iniciativas estão viciadas à partida e servem só para criar tachos para os apoiantes. É só isso ou não é isso, porque pelo que demonstra os resultados são fantásticos…
Sabe que quando há falta de estratégia política, quando há falta de iniciativas para o eleitorado, o desespero toma conta das próprias pessoas e é isso que tem sucedido neste novo PSD/CDS em Vila Nova de Gaia. Um conjunto de pessoas populistas, que só sabem centrar o seu discurso no ódio, no rancor, e que não apresentam nada de novo ao concelho e à freguesia. Nesse aspeto, a oposição recuou cerca de 20 anos em Vila Nova de Gaia. E é preciso muito sangue frio para lidar com pessoas como essas.

 

E dentro da Assembleia de Freguesia de Canelas, a oposição também recuou 20 anos ou a cooperação é positiva?
Na Assembleia de Freguesia de Canelas, e disse-o na primeira assembleia, a nível de oposição, é uma oposição séria, sensata e que vai apresentando as suas alternativas sem recorrer a qualquer tipo de ataque pessoal. E isso também aconteceu na campanha eleitoral, nesse aspeto, quer eu e a minha equipa e a campanha do Gaia de Novo, pautou-se só pelas suas propostas políticas ao eleitorado, sem qualquer tipo de ataque pessoal. Infelizmente isso não se verificou no concelho, mas também estamos aqui para dar a cara pelo nosso presidente e para o defender.

 

Dada esta última intervenção, estão criadas as condições para que Canelas não exclua ninguém?
Todos aqueles que querem estar com Canelas, nós ouvimos as suas propostas, não tenha a menor dúvida. Agora, aqueles movimentos pseudoindependentes que pensam que com uma representação de pouco menos de 10 por cento aqui na freguesia que podem achincalhar e ofender o que bem entenderem, terão a minha, e a nossa, forte oposição.

 

Refere-se claramente a derrotados dentro do PS?
Exatamente. Pessoas com mentes ainda muito perturbadas que não saem do passado. Talvez frustrados, que não conseguem resolver os seus problemas do passado. Mas eu não tenho culpa disso, o povo deu a resposta, é a democracia e também é de assinalar a cobardia de não tomar o lugar na Assembleia de Freguesia que o povo lhe deu.

 

Um presidente tem sonhos. Além daqueles que já referiu, não vai parar por aí, pois não? Tem mais para dar a esta freguesia?
O meu objetivo são três mandatos. 12 anos aqui na freguesia. E depois, estarei disponível para aquilo que o partido entender, estou aqui para servir o partido e para aquilo que a concelhia achar que posso ser melhor e ajudar o partido, estarei disponível.

 

O que leva um jovem a ser presidente de Junta?
Primeiro, é preciso uma dose de loucura hoje em dia, porque os tempos estão difíceis. Hoje em dia, por exemplo, o Facebook pode destruir completamente a vida de uma pessoa do nada. E é preciso também saber lidar com isso. Confesso que, no primeiro ano, quando começaram a vir os primeiros choques, não estava habituado a isso e foi duro, mas agora já ganhei aquele arcaboiço que é necessário para uma vida destas e não estou arrependido da vida em que me meti. Tem sido bastante gratificante.

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