Eleito presidente da Junta de Freguesia de Campanhã em outubro passado, Paulo Ribeiro fez, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, um balanço positivo dos primeiros meses de mandato, destacando o reforço do apoio social, a dinamização cultural e associativa e o acompanhamento próximo da população. O autarca abordou os principais desafios da freguesia, desde o aumento das dificuldades económicas das famílias e a crise da habitação à transformação urbanística impulsionada pelos grandes investimentos em curso. Neste âmbito, o edil defendeu uma maior capacidade de intervenção das Juntas de Freguesia e lamentou os atrasos em projetos estruturantes, como a requalificação da Praça da Corujeira e o novo Centro de Saúde de Azevedo, assegurando que acredita que Campanhã tem pela frente um futuro promissor, desde que consiga preservar a sua identidade e responder aos problemas sociais que continuam a marcar o território.
Foi efeito presidente da Junta de Freguesia de Campanhã no passado dia 12 de outubro. Que balanço faz do trabalho desenvolvido desde o início do mandato?
É um balanço positivo de continuação de um trabalho que já vinha a ser feito. Temos realizado muitas iniciativas, inclusive, tivemos um Dia Mundial da Criança espetacular e o feedback foi extremamente gratificante. O nosso Encontro de Teatro Amador já está a decorrer e em setembro vamos ter o Fórum de Teatro. Também, apoiamos as escolas todas agora neste final do ano letivo com passeios, assim como os centros de dia para as pessoas da terceira idade. As Rusgas estão à porta, vão decorrer no dia 27 de junho, a partir das 17h30, entre a Rua Passos Manuel e a Avenida dos Aliados, e nós estamos nos últimos ensaios. O ano passado tivemos cerca de 250 participantes e este ano temos muitos mais e tenho a certeza de que vamos surpreender. Portanto, temos tido muito trabalho mesmo e aquilo que nós queremos é continuar a trabalhar, cada vez mais, para fazer com que a população se sinta bem.
Quais foram as maiores conquistas alcançadas até agora?
As conquistas são alcançadas no dia a dia, quando conseguimos ajudar a população e fazer o melhor em prol das pessoas, pois é para isso que nós estamos aqui. Para nós, é uma conquista quando vem cá alguém pedir-nos ajuda e nós conseguimos ajudar, independentemente do motivo, seja para um apoio para uma renda, para a água, para arranjar uma torneira. Nós estamos cá para ajudar os campanhenses e vamos continuar a trabalhar para isso. Nós somos, como eu digo, uma equipa invencível, porque somos sete e trabalhamos todos da mesma maneira.
Que projetos considera prioritários até ao final do mandato?
Temos muitos. O Crematório é o nosso maior projeto, mas está com um problema na área da engenharia na Câmara Municipal do Porto, porque tivemos de trocar de máquina, pois a que tínhamos visto há oito anos já não existe e as novas são mais pesadas, pelo que tivemos de fazer uma revisão ao nível da estrutura por parte da engenharia, mas estou a fazer de tudo para que brevemente possamos lançar o concurso e iniciar a obra. O nosso cemitério está a ficar sobrecarregado e já não temos como o expandir. Então, também com os pedidos que estamos a receber de cremações, achamos que este equipamento vai ser uma mais-valia, porque os nossos fregueses queixam-se que têm de esperar três, quatro ou cinco dias pela cremação de um familiar, o que é algo que demora muito tempo e nós vamos tentar dar uma solução para que isso não aconteça.
A seu ver, quais são as atuais preocupações dos habitantes da freguesia?
As principais preocupações são aquelas que eles sempre tiveram. Com conflito no Médio Oriente o custo de vida aumento e muito e como consequência já apareceram várias pessoas na Junta de Freguesia que não tinham forma de alimentar os filhos ou a própria família e nós conseguimos ajudar. Isto é o que me preocupa mais, perceber que ainda há pessoas nessa situação na nossa freguesia e não são poucas. A freguesia, em si, está a mudar, mas que nós temos muito esse problema social e é para ele que nós trabalhamos e que todos os dias lutamos, para que as pessoas, pelo menos, consigam viver e ter um pouco de paz nas suas vidas. Nós estamos cá para tentar resolver, não dizemos que resolvemos e depois não conseguimos, e eu fico muito contente quando chega o fim do dia e conseguimos solucionar várias questões, pelos técnicos, pelos assuntos sociais, pela pessoa responsável do pelouro, porque fez um trabalho excelente e fico contente porque a família campanhense, naquele momento, ficou remediada com a problema que nos pôs em cima da mesa e nós conseguimos ajudar.
Como mencionou, Campanhã está a mudar e tem sido alvo de diversos investimentos públicos e privados, como é o caso do Crematório, da requalificação do Matadouro, do Terminal Intermodal e da Linha de Alta Velocidade. Como é que avalia esta transformação?
Tirando o Crematório, que é um investimento da Junta de Freguesia, pouco investimento público temos recebido. O único investimento público-privado foi a requalificação do Matadouro, que está com dois anos de atraso, mas está a ficar pronto e será uma coisa boa para a freguesia. Contudo, a maior parte do investimento tem sido privado, que é na área da habitação e da especulação imobiliária, à semelhança do que se passa na cidade toda. Campanhã está a ficar igual à Foz, ao nível dos preços dos imóveis e, agora, só vem para cá viver quem tiver dinheiro. Esta sempre foi uma freguesia das pessoas com menos dinheiro, porque era a última da cidade e a primeira para quem vinha de fora do Porto, pelo que acolhia todos os trabalhadores, que ficavam cá a morar. Por isso, é que Campanhã é a freguesia com mais bairros sociais e com mais ilhas da cidade do Porto. Relativamente ao Terminal Intermodal, hoje posso dizer que foi pensado num sítio bom, mas em pequeno, não em grande, pois não criaram uma estrutura com a perspetiva de crescimento. Com o Terminal Intermodal, os autocarros saíram do centro da cidade, mas houve um crescimento ao nível do número de passageiros, de autocarros e de empresas e não há espaço para toda a gente. Se pensarmos bem, o Intermodal já é pequeno e já não serve para o serviço que faz, mas vai resolvendo, vai dando saída. Temos duas situações na semana sempre críticas, que é à sexta-feira ao fim da tarde e ao domingo ao fim da tarde, que é na chegada das pessoas que estão a trabalhar fora e que vêm para as suas casas para o Porto e quando saem ao domingo à tarde para ir para os seus locais de trabalho e de estudo. Brevemente, vamos ter um grande problema quando começarem as obras do TGV, porque a zona do Intermodal vai ficar muito sufocada. Contudo, vamos ver o que é que o presidente da Câmara e a própria Infraestruturas de Portugal (IP) estudaram para resolver esta situação.
Em que ponto se encontra a tão prometida e ansiada requalificação da Praça da Corujeira?
Promessas do anterior executivo da Câmara Municipal do Porto, eu tive várias. Primeiro, disseram que o projeto não estava em condições, depois houve a alteração do projeto e quando finalmente abriram a candidatura não apareceu ninguém. Ainda não falei com o atual executivo, pois também está há cerca de oito meses de mandato e acho que este não é um tema para estarmos a sobrecarregar, porque há mais coisas para resolvermos e acredito que temos de dar uma hipótese às pessoas. Porém, eu e o meu executivo estamos com a ideia de pegarmos em vários pontos e agendarmos várias reuniões com os respetivos vereadores a partir das férias. Portanto, eu sei que a Praça da Corujeira está numa zona de recuperação, mas não sei mais nada. Gostava que a obra já estivesse pronta e se for pelo projeto que eu conheci, ainda não era presidente de Junta, vai ficar muito bonita, com um café no meio da praça, o parque de jogos e o centro de dia terá novas instalações. Também se prevê que o trânsito flua de uma outra forma, porque o objetivo era que nascesse uma zona pedonal desde a Praça da Corujeira até ao Matadouro. Contudo, temos de aguardar para ver, futuramente, quando o projeto, em si, vier mesmo, pois só aí saberemos como é que vai funcionar. Acho é que peca pela demora da obra em si, porque durante os mandatos do senhor Rui Moreira ela não saiu do papel. Na altura cheguei a falar com o engenheiro Pedro Baganha, antigo vereador do Urbanismo ele disse-me que ia a concurso e mais tarde informou-me que tinha ficado deserto, à semelhança de outros concursos de Campanhã, como foi o caso do Centro de Saúde que era para ser feio de raiz e que a Câmara deixou cair. Por isso é que eu disse há pouco que obras públicas não vejo muitas. Foram muitas anunciadas com pelo Rui Moreira para esta freguesia, mas só o Matadouro saiu do papel. Relativamente ao Centro de Saúde de Azevedo, onde a Câmara comprometeu-se connosco e nós concorremos aos fundos do PRR e tivemos uma verba para o efeito. O concurso foi lançado o ano passado, em setembro e encerrado em novembro, já após as eleições. Porém, quando a Câmara lançou o concurso já se sabia que ele ia ficar deserto, porque a obra estava orçada em 1,5 milhões de euros e o valor era 1,2 milhões, porque a Câmara não assumiu o resto do dinheiro. Claro que ninguém vai perder 300 mil euros a fazer uma construção. Há pouco tempo, estas situações foram abordadas na reunião do executivo da Câmara, mas a autarquia não disse quando decorrerá o lançamento da obra, apenas anunciou que serão recuperados dois centros de saúde, um na Foz e outro em Paranhos, mas não têm previsão para o resto que deixaram cair.
Há pouco falou sobre a questão da especulação imobiliária. Existe, na sua opinião, o risco de a valorização imobiliária afastar os residentes históricos da freguesia?
Não, porque esses residentes históricos da freguesia já vivem cá há muitos anos e não saem, porque gostam de cá morar. Depois, temos uma fatia muito grande que é dos bairros sociais e não conseguem que eles saiam da freguesia. A única pena que eu tenho é o facto de os filhos das pessoas que moram cá há muitos anos na freguesia não conseguirem cá viver. Se os valores fossem mais baixos, se calhar os filhos das pessoas que já cá vivem continuavam a viver na freguesia onde nasceram, mas não conseguem. Têm de ir para fora do Porto, nomeadamente para Gondomar, Vila Nova de Gaia e até Paredes. Na minha visão, daqui a 15 anos, vamos ter aqui uma Foz, só não vamos ter o mar, mas o rio ao lado. Digo isto, devido aos empreendimentos que estão aqui a nascer, que nos vão levar a ter uma cidade para uma classe média-alta e quem cá trabalha e tem mais dificuldades não vai conseguir viver na cidade.
De que forma é que a Junta de Freguesia pode ajudar a garantir o acesso à habitação acessível?
Nós, o que fazemos é o trabalho que realizamos ao longo dos anos, que passa por informar, com os nossos assistentes sociais, todo o processo de candidatura na Domus Social, que é onde qualquer portuense ou qualquer pessoa se pode candidatar para ter uma habitação acessível. Claro que há processos que demoram alguns anos, porque a Câmara não tem casas novas e só depois dos atuais moradores falecerem ou saírem da habitação é que autarquia pode fazer as devidas reparações e entregar a outra família. Fala-se da renda acessível, mas, desculpem-me que diga, pois posso estar muito enganado, contudo, para um casal em que os dois ganham o ordenado mínimo, pagar 700 euros ou 800 euros por um T2, 650 ou 550 euros por um T1 e no máximo 900 euros por um T3, não é, na minha opinião, uma renda acessível. A meu ver, conforme o que cada um ganha, devida de haver um escalão diferente. Eu compreendo que a Câmara Municipal do Porto faz um esfoço muito grande e ainda agora aumentou o apoio às rendas, sendo que qualquer pessoa que mora no Porto, uma casa alugada, pode candidatar-se a esse apoio e isso tem sido uma vantagem grande para muitos moradores nesta cidade. Mas, quando é na renda acessível, já não há esse apoio, porque não pode haver a sobreposição de apoios. Depois, surgem problemas. As pessoas candidatam-se a uma casa, têm direito a ela, pagam 700 ou 800 euros mensais, mas se houver o azar de um dos membros do casal ficar desempregado, isso depois traz-nos, a nós, Juntas de Freguesia, mais pedidos de ajuda de várias situações sociais. Nós temos três assistentes sociais que trabalham todos os dias eficazmente para isso.
A questão social continua a ser um dos maiores desafios de Campanhã?
Sim. Nós temos esse problema. A nossa situação estava a ficar um pouco mais estabilizada há 2 anos atrás. Agora, desde o ano passado, com este problema da guerra, nós começamos a perceber que as coisas foram mudando. Chegam cada vez mais pedidos e cada vez mais pessoas a não terem dinheiro para comer e isso a mim é que me preocupa, é não terem dinheiro para comer e nós ao termos conhecimento disso, as nossas assistentes sociais encaminham essas pessoas para as instituições que recebem os bens do Banco Alimentar, porque nós não fazemos essa entrega. Contudo, são essas situações que me preocupam, ver, como eu vejo, às vezes, aqui quando entro nesta Junta, um casal com um ou dois filhos para falar com a assistente social e depois eu, quando recebo o pedido de ajuda para assinar, perceber que aquela família não tem como comer ou que não tem dinheiro para pagar a luz ou a água. Nós estamos cá sempre a tentar fazer o nosso melhor, que é apoiar naquilo que conseguimos e podemos essas pessoas. Eu acho que os presidentes de Junta deviam de ter mais poder e receber uma verba do Estado para isso, porque muitas das vezes nós temos este problema, em que há situações em que nós já não podemos ir além daquilo e que mandamos para a Segurança Social e eles retornam os pedidos para nós, porque também não o fazem ou não têm capacidade de o fazer. Eu acho que o Estado central se nos desse uma verba, nós tínhamos capacidade para gerir melhor e mais rápido determinadas situações. Eu acho que as Juntas têm bons assistentes sociais, que fazem bem as devidas triagens que são necessárias e é por isso que se calhar o país não está com mais pobres e não está pior, porque tem boas Juntas de Freguesia que conseguem resolver estes problemas.
A pensar nos mais vulneráveis, a Junta de Freguesia de Campanhã também trabalha em articulação com a Câmara Municipal do Porto na instalação e reinserção de pessoas que estão na situação de sem-abrigo. Que balanço faz deste programa?
Esse programa para os sem-abrigo está sempre operacional. É um projeto que nós desenvolvemos em conjunto com a Câmara do Porto. Nós sinalizamos as pessoas que estão na situação de sem-abrigo, transmitimos à Câmara do Porto e depois a autarquia convida-as a irem para instalações como o Joaquim Urbano, onde têm melhores condições e trabalham com essas pessoas, de forma a encaminhá-las para um emprego e uma situação melhor. Os nossos técnicos apoiam os técnicos da Câmara do Porto. Nós já temos três casas em Campanhã, nomeadamente um T2 no Lagarteiro, um T3 em Contumil e um T2 na Urbanização do Falcão, que foram reabilitadas para esse efeito e são as chamadas Casas Partilhadas, que não são apenas para pessoas em situação de sem-abrigo, mas também para aquelas pessoas que são despejadas, porque não têm dinheiro para pagar a renda. Duas das casas são masculinas e uma é feminina, que foi a última a ser inaugurada e está a correr muito bem, porque muitas pessoas diziam que a feminina não ia dar certo, porque as senhoras são diferentes dos homens e gostam de ter a casa à sua maneira. Nós temos tido sorte com as pessoas selecionadas, porque fazemos uma triagem e uma análise sobre a situação e as reais necessidade de cada um e é a nossa assistente social principal, a Carla Carvalho, quem trata desta situação, com o apoio dos outros colegas. Eu só tenho de agradecer muito à Câmara do Porto e à Domus Social, porque são eles que nos propõem ter sempre mais uma casa e é sempre mais um investimento que a Junta faz, porque somos nós que mobilamos a casa toda para ser um conforto e um lar para as pessoas que recebemos, que depois são trabalhadas com os nossos assistentes sociais, até conseguirem uma casa camarária.
Agora falando da terceira idade, que programas existem para apoiar os idosos da freguesia?
Nós continuamos a trabalhar com as IPSS e com os centros de dia que, como referi anteriormente, ainda este ano apoiamos na realização do passeio, com a oferta dos autocarros. O ponto alto é o passeio anual sénior, que vai decorrer no dia 18 setembro e vamos levar cerca de 750 idosos da freguesia, com mais de 65 anos. Para muitos seniores, se não fosse este passeio, promovido pela Junta de Freguesia, de outra forma não conseguiam sair do território. Para além disto, nós estamos a trabalhar na criação da Universidade Sénior de Campanhã, mas não está a ser fácil, porque os professores têm de ser voluntários e não estamos a conseguir angariar uma carteira de docentes voluntários que nos permita arrancar com o projeto. Nós temos local para isso, mas não queremos lançar a Universidade e, passado pouco tempo, ter de a encerrar, por falta de professores. Portanto, quando iniciarmos será porque temos a garantia da continuidade do projeto, até lá, vamos trabalhar para que isso seja assegurado.
Campanhã possui um forte movimento associativo. Que importância é que este tem para a freguesia?
As coletividades são muito importantes para nós. Estamos, neste momento, a recuperar alguns ringues em conjunto com a Câmara Municipal do Porto, aliás, já fizemos um no Bairro do Lagarteiro e foi um sucesso. Nós temos várias associações na freguesia que trabalham com muitas crianças e jovens, nomeadamente, o rugby, a Associação de São Roque que tem dois escalões jovens de futebol e futsal. Temos muitos jovens no Salgueiros, que não é de Campanhã, mas treina na freguesia e nós também apoiamos a prática deste desporto. Não vou falar do clube principal da freguesia, que é o Futebol Clube do Porto, mas temos efetivamente muitas instituições que trabalham muitas modalidades, como ginástica, judo, karaté, dança, teatro infantil, bilhar. Portanto, temos muitos clubes com várias atividades diferentes em Campanhã, que contam com o nosso apoio e nós estamos cá para ajudar todas as associações que precisem do nosso auxílio para a concretização dos seus projetos. Para além dos subsídios, todos os clubes têm a oferta de um transporte, por ano, para se deslocarem de forma gratuita ao sítio mais longe onde forem praticar a sua modalidade, seja ela qual for. Neste âmbito, a Gala dos Artistas de Campanhã também é para continuar e é uma forma de apoiar, não só os artistas locais, como os artesãos e as coletividades, uma vez que elas também estão presentes com as suas barraquinhas. Esta iniciativa surgiu há 12 ou 13 anos, porque Campanhã é uma freguesia de artistas, desde escritores, poetas, cantores, músicos, artesãos, aliás, basta dizermos que os Santamaria foram nascidos e criados nesta freguesia. Ao realizar-mos este evento damos palco àqueles que, muitas vezes, não têm outra forma de expor o seu talento. Os espetáculos com os artistas realizam-se à noite, mas durante o dia temos o Torneio de Xadrez, com cerca de 40 jovens, temos a nossa Feira de Artesanato com cerca de 12 artesãos e depois as barraquinhas das coletividades. A Gala é sempre a um sábado, na Praça da Corujeira, e na sexta-feira decorre habitualmente a Noite de Fados, no Auditório de Campanhã. Este evento encerra sempre as festas da freguesia. Vai começar agora o São Pedro, que é a primeira festa, depois temos a Senhora do Calvário, em agosto, e a 8 de setembro decorre a festa da padroeira, a Santa Maria de Campanhã, pelo que é no fim de semana seguinte que realizado a Gala dos Artistas de Campanhã.
O contacto de proximidade com a população é uma marca da sua atuação política. Este é o legado que pretende deixar?
Sim. Eu ando todos os dias na rua e recebo todos os dias campanhenses aqui na Junta. Falo com toda a gente e tento ajudar o melhor possível as pessoas que me interpelam ou indicar onde elas devem ir. Não é a primeira vez que, estando na rua, faço contactos, tanto seja para a Junta, como para a Câmara Municipal do Porto a pedir apoio para ajudar alguém. Eu acredito que nós não podemos estar fechados num gabinete e que quanto mais fechado estiver um presidente de Junta, pior é para os fregueses. Eu saio à rua, eu convivo com as pessoas, falo com as pessoas, vou aos cafés, vou aos restaurantes e, como dizem algumas pessoas que gostam menos de mim, eu vou aos tascos e vou, porque eu vou onde está a população, porque acho que é importante estar junto dos campanhenses, conversar com eles e perceber as suas necessidades e anseios.
Como vê o futuro de Campanhã? Quais são as suas perspetivas?
Eu vejo um futuro risonho. Campanhã está a mudar e vai ficar uma freguesia muito mais bonita, com mais acessibilidades e mais pessoas vão ter vontade de vir para cá morar. Contudo, eu espero que uma zona desta freguesia não deixe de ser aquilo que é e falo especificamente de São Pedro de Azevedo, que é a zona mais rural que nós temos na freguesia. As ruas e vielas devem ser arranjadas e toda aquela envolvência, mas não deviam deixar nascer ali nada megalómano, porque quem vive ali tem a sensação de estar no campo, dentro da cidade. Eu não moro lá, mas vou lá muitas vezes e gosto de ver aquela zona assim. Muitas pessoas estão a mudar-se para lá e era bom se continuássemos a ter aquele cantinho preservado na freguesia. O Parque de São Roque também está lindíssimo e tem um Centro de Artes que é um espetáculo e merece ser visitada por todos os campanhenses. O proprietário está a fazer um trabalho excelente, em colaboração com a Escola do Cerco, expondo os trabalhos de pintura dos alunos no Centro de Artes da Casa São Roque. Portanto, nós temos coisas boas a nascer na freguesia e esta foi uma delas. Também já temos há alguns anos o MIRA FORUM, que é um centro de exposições na Rua da Miraflor, que tem atividades regulares. Por isso, temos coisas boas e muito bonitas em Campanhã, basta aparecerem e gostarem desta freguesia como eu gosto.
Quais são os seus maiores sonhos para a terra que o viu nascer?
Era que Campanhã fosse uma terra mais livre e mais solta, porque nós ainda temos muitos problemas sociais. No que toca as dependências, não somos a freguesia com mais toxicodependentes, mas temos dois ou três pontos na freguesia que eu gostava de ser resolvidos e, neste âmbito, eu tenho de ressaltar a boa colaboração que temos com a PSP da Corujeira e tudo tem estado a ser feito dentro dos parâmetros e as coisas têm melhorado muito. É impossível acabar com a toxicodependência, mas eu acredito que se conseguirmos atenuar, teremos uma melhor convivência, habitação e ambiente, tudo o que seja melhor para a freguesia, sem ter esses problemas por perto. Eu já denunciei uma situação à Câmara Municipal do Porto, que é junto ao Parque e à Piscina Municipal de Cartes, que é gerida pela autarquia, onde temos ali alguns consumidores. O parque é muito bonito, foi muito bem feito e havia muita gente que ia lá passear ao fim da tarde, mas que, agora, tem medo de passar lá. A autarquia disse que ia tentar ajudar, vamos ver o que conseguem fazer. Também, vou pedir novamente ao senhor presidente da Câmara mais videovigilância em Campanhã, porque acho que em alguns bairros não é suficiente ou não está a funcionar ainda. Depois, vou tentar reunir-me novamente com a senhora comandante da Polícia Municipal para falar sobre estas situações, assim como com o comandante da Área Metropolitana do Porto. O senhor comandante da Esquadra da Corujeira é um excelente comandante e todas as divisões que lá estão trabalham em prol da freguesia, disso eu tenho a certeza, e têm feito tudo o que podem para tentar solucionar as situações e repor a ordem pública.
Qual é a mensagem que gostaria de transmitir a todos os campanhenses?
Quero que todos os campanhenses estejam bem e pensem que isto é o dia a dia e que temos de ter um planeamento de futuro muito melhor para esta freguesia, que é aquilo que estamos a fazer. Desejo que todos conseguiam ter umas excelentes férias, que se divirtam, porque também é preciso e passem tempo em família, porque “a vida são dois dias”.


