“LISBOA VAI TREMER”: LUÍS FILIPE MENEZES REGRESSA AO LEME DE GAIA PARA REFORÇAR O NORTE

O Auditório Municipal de Gaia foi o palco da tomada de posse dos novos órgãos autárquicos para o quadriénio 2025-2029. A cerimónia decorreu no passado dia 4 de novembro, após o voto de confiança dos gaienses na coligação Gaia Sempre na Frente (PPD/PSD.CDS-PP.IL), e culminou com o juramento de honra de Luís Filipe Menezes que regressou, assim, à liderança do concelho, depois de o ter governado entre 1997 e 2013.  Reforçando a ânsia de colocar a Vila Nova de Gaia na linha da frente da inovação e da qualidade de vida, o autarca fez um discurso baseado no passado, presente e futuro do município, que anseia que seja uma referência ao nível nacional e internacional. Durante este ato de instalação realizou-se, ainda, a votação para a Mesa da Assembleia Municipal, que resultou na eleição, com 32 votos a favor e 21 em branco e um contra, de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, que vai assumir, pela primeira vez, a posição de presidente.   

 

A cerimónia de tomada de posse dos titulares dos órgãos autárquicos do município de Vila Nova de Gaia, para o quadriénio 2025-2029, aconteceu no passado dia 4 de novembro, no Auditório Municipal do concelho. O espaço estava completamente lotado com os convidados, mas os gaienses mobilizaram-se em massa para exaltar Luís Filipe Menezes e assistir à sua tomada de posse. O bispo do Porto, D. Manuel Linda, o novo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, o empresário Mário Ferreira e o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, foram presenças significativas na sessão, entre representantes de entidades civis, militares e religiosas. 

Albino Almeida, presidente cessante da Assembleia Municipal de Gaia, estava a iniciar a sessão, com as portas fechadas, contudo eram audíveis as vozes da massa humana que surgiam do átrio principal do edifício. Entre ovações a Luís Filipe Menezes e duras críticas, algumas delas insultuosas, ao executivo socialista que liderou a autarquia nos últimos 12 anos, a população insurgia-se de tal forma que foi o presidente eleito quem abriu as portas e permitiu que todos assistissem a este momento que assinalou uma viragem no panorama político gaiense.   

Posteriormente, o presidente cessante da Assembleia Municipal prosseguiu com a cerimónia, afirmando que “nós estamos aqui, hoje, precisamente, para responder positivamente ao que o povo ordenou no dia 12 de outubro e assim dar posse a todos os que o povo escolheu como responsáveis por todos pelo poder em Vila Nova de Gaia”. 
 
Assim, Luís Filipe Menezes tomou posse como presidente da Câmara Municipal de Gaia, ao qual se juntou um executivo composto por caras conhecidas por todos os gaienses. Álvaro Santos, Elisabete Silva, Firmino Pereira e António Machado tomaram posse como vereadores pela coligação Gaia Sempre na Frente (PPD/PSD.CDS-PP.IL), ao passo que, pelo Partido Socialista, os empossados foram João Paulo Correia, Maria José Gamboa, Joaquim César Rodrigues, Maria de Fátima Figueiredo e Delmino Pereira. O Chega estará representado por António Barbosa, como vereador.  

Empossado, Luís Filipe Menezes, presidente eleito da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, dirigiu-se aos presentes, apresentando a ambição de devolver ao concelho a centralidade política e económica que considera ter sido perdida na última década. “Vamos recriar com força a marca GAIA. Gaia será, com o Porto, o grande motor da região Norte”, afirmou o edil. 

Agradecendo o voto dos gaienses e destacando o significado deste regresso à liderança do município, o autarca referiu que “esta é a minha quinta tomada de posse. Sinto-me muito honrado, orgulhoso e grato. Diria que já são duas gerações de cidadãos que me dão o privilégio de votarem em mim. Ninguém conseguirá mais repeti-lo durante décadas”. 

O passado serviu de testemunho do que diz ter sido um ciclo transformador. “Foi o ciclo da reabilitação da frente de mar e de rio. (…) Foi o ciclo do pleno de bandeiras azuis. (…) Foi o ciclo da primeira revolução da mobilidade, com novas vias que redesenharam a cidade”, enumerou o presidente eleito. Contudo, esse balanço deu, rapidamente, lugar a duras críticas à governação socialista que o sucedeu. “Após 12 anos sem obra, sem desígnio estratégico, sem prestígio político na região e no país, é disto que se orgulham? Foi uma deriva nunca antes vista numa democracia ocidental”. 

Acusando Eduardo Vítor Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Gaia, de incoerência e difamação, Luís Filipe Menezes salientou que “não escutei uma única palavra de reconhecimento pela obra herdada. Preferiu-se o caminho patético da difamação gratuita”, reforçando que regressa com a reputação julgada e esclarecida. “Ficha limpa, completamente limpa, com vários elogios à Justiça, à maioria das minhas decisões de gestão”. 

Já virado para o futuro, o edil gaiense garantiu que o novo mandato será dominado pela transparência e pela responsabilização. “A culpa não morrerá solteira”, assegurou, anunciando auditorias, “por concurso ou consulta pública transparente”, às principais áreas da gestão municipal, nomeadamente a contratação pública, recursos humanos e empresas municipais, assim como uma investigação ao processo da Torre de Babel. “Como foi possível deixarmos uma Câmara com 33 milhões de despesas com pessoal e recebermos uma com 95 milhões previstos para 2026?”, questionou o autarca. 

A proximidade com os cidadãos será reforçada com a criação da figura do Provedor do Município e, segundo Luís Filipe Menezes, “a porta dos senhores vereadores, diretores municipais, gestores de empresas municipais e do presidente tem de estar aberta para todo e qualquer munícipe”, defendeu, garantindo que as assembleias municipais passarão a ser transmitidas digitalmente e que o controlo dos processos urbanísticos será feito “ao dia”. 

A mobilidade foi apresentada como prioridade absoluta dos primeiros meses de mandato. “O TGV não será um problema, será uma oportunidade para redimensionar o sucesso do município”, ressaltou o edil, anunciando a criação de um grupo de trabalho e a aceleração das obras do Metro, exigindo compensações pela degradação da rede viária. Entre os projetos estruturantes, destacou, ainda, que a construção da VL10, que vai atravessar Oliveira do Douro e Vilar de Andorinho, a recuperação de vias degradadas e o lançamento do primeiro transporte aéreo urbano, entre Canidelo e as Devesas, garantindo que “serão cerca de 40 mil pessoas beneficiadas”. 

A habitação será outra grande prioridade da governação. “Vamos construir quatro mil casas a custos controlados”, adiantou, prometendo ainda dois campus universitários residenciais para dois mil estudantes. 

Também o ambiente assumirá posição central. “Gaia tem hoje 10 metros quadrados de zonas verdes por habitante. Queremos atingir os 20. O Parque da Ribeira de Santarém, da Quinta de Quebrantões e do Mosteiro de Pedroso serão as três primeiras grandes zonas verdes a serem edificadas este mandato”, sublinhou o edil, não esquecendo outra bandeira e adiantando que “o bem-estar animal terá políticas de proteção reforçadas”. 

Na área educativa, Luís Filipe Menezes traçou uma meta abrangente. “Vamos recuperar e pôr novas em folha as 100 escolas básicas e mais de uma dezena de EB2/3 e secundárias”, garantindo, já em 2026, 600 bolsas de estudo de acesso ao ensino superior, para “estudantes de Gaia cujas condições económicas não lhes permitam seguir esse caminho”.  

A cultura em Vila Nova de Gaia também ganhará uma nova dimensão, com destaque, nomeadamente, para a criação da Orquestra Sinfónica de Gaia e a construção de três museus temáticos sobre Pontes, Lutas Liberais e Invasões Napoleónicas. O autarca quer ainda preparar “o 1º Congresso e Festival Mundial Fernão de Magalhães, com 50 cidades internacionais”, enquanto o Festival Marés Vivas inicia a sua mudança para nascente já em 2026. 

O futuro digital também esteve em destaque. “Vamos criar a Academia Municipal de Inteligência Artificial para jovens dos 16 aos 100 anos. Será a primeira do país”, anunciou o autarca, assegurando que o 5G chegará a todo o concelho. 

O relacionamento com o Porto surgiu como uma peça-chave da estratégia metropolitana. Na ocasião, Luís Filipe Menezes dirigiu-se diretamente ao novo autarca da Invicta, afirmando: “amigo Pedro Duarte, nós os dois a remar para o mesmo lado vamos ser imparáveis. Lisboa vai tremer e desta vez não é com um terramoto, é com a força da defesa das nossas convicções”. Neste seguimento, o edil gaiense propôs a criação de um conselho misto para mobilidade, turismo e travessias comuns, assegurando que os dois municípios “serão irmãos no progresso, no sucesso no desenvolvimento”. 

O ato de nomeação ficou concluído após a votação e instalação da Mesa da Assembleia Municipal. Assim, a coligação Gaia Sempre na Frente propôs Paulo Rangel para presidente, Paulo Santos para primeiro secretário e Ana Dias para segunda secretária. Esta foi a única lista apresentada e foi eleita com 32 votos a favor e 21 em branco e um contra.