A Associação de Solidariedade Social de Idosos de Canidelo (ASSIC) assinalou o seu 27º aniversário com uma cerimónia simbólica no Salão Paroquial de Canidelo, onde foram homenageadas figuras marcantes da história da instituição e assinado um protocolo de colaboração com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. A sessão ficou marcada pelos discursos emotivos, pela reflexão sobre os desafios do envelhecimento da população e pelo anúncio de novos apoios para a construção do futuro lar da instituição.
A ASSIC celebrou 27 anos de dedicação à comunidade sénior de Canidelo com uma cerimónia carregada de simbolismo, reconhecimento e esperança no futuro. O Salão Paroquial de Canidelo acolheu dirigentes, parceiros institucionais, empresas locais, coletividades, utentes e autarcas, numa sessão que evidenciou o percurso da associação e os desafios que continuam a marcar o seu crescimento.
Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, as vereadoras Carla Costa e Maria José Gamboa, o presidente da Junta de Freguesia de Canidelo, Manuel Ferreirinha, assim como representantes de associações locais, fornecedores e os órgãos sociais da instituição, tendo contado com a participação do Rancho Folclórico de Canidelo e de João Carlos, responsável pelos apontamentos musicais da sessão.
Na abertura das comemorações, a diretora técnica da ASSIC, Márcia Oliveira, sublinhou o percurso da instituição ao longo de quase três décadas. “Abril é o mês de celebração da vida da ASSIC e da sua história, que tem sido de permanente esforço, resiliência, esperança e crescimento na comunidade de Canidelo e de Vila Nova de Gaia”, afirmou, acrescentando que a associação “é feita do envolvimento e dos gestos de pessoas corajosas, persistentes, que acreditam no bem comum, na solidariedade e na construção de uma sociedade mais justa e com dignidade para os mais velhos”.
Durante a sessão, que incluiu a leitura de um poema oferecido por um associado, foram homenageadas personalidades consideradas fundamentais no percurso da instituição. Joaquim Caldeira, primeiro presidente da ASSIC entre 1999 e 2005, Castro Henriques, primeiro presidente da Assembleia Geral até 2020, Lindalva Costa, sócia número um da associação, e Julieta Lopes, colaboradora há duas décadas e a mais antiga da instituição, receberam distinções simbólicas perante uma plateia emocionada.
A ASSIC aproveitou também a ocasião para reconhecer o contributo dos seus parceiros. Márcia Oliveira destacou “as empresas amigas da ASSIC”, chamando ao palco Rui Pinto, representante da Lavagem Verdinho, e Carlos Prata Ramos, da Casa Serra da Estrela. A responsável salientou igualmente a colaboração da Escola Secundária Inês de Castro, que desde 2012 acolhe serviços da associação, permitindo “servir refeições aos utentes e manter ativo o serviço de apoio domiciliário”.
Outro agradecimento especial foi dirigido à Paróquia de Canidelo e ao padre Almiro Mendes. “As nossas instalações são graciosamente cedidas pela Paróquia de Canidelo e temos no padre Almiro Mendes um amigo próximo, com quem temos muita estima e gratidão”, afirmou. Também a Junta de Freguesia de Canidelo foi elogiada pelo apoio contínuo prestado à instituição.
Um dos momentos centrais da cerimónia foi a assinatura do protocolo de colaboração entre a ASSIC e a Câmara Municipal de Gaia. Fernanda Magalhães, empresária canidelense e responsável pela leitura do documento, considerou que o acordo “representa união, compromisso e vontade de trabalhar em conjunto pelo bem da comunidade”, desejando que a parceria seja “uma caminhada de sucesso, proximidade e resultados concretos”.
O protocolo foi formalizado por Joaquim Seara Fernandes, presidente da Direção da ASSIC, e por Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia. No seu discurso, Joaquim Seara Fernandes revisitou os 27 anos de história da associação, recordando o sonho inicial da construção de um lar. “Pensava-se que era fácil, mas revelou-se difícil”, confessou.
O dirigente lembrou que, logo no terceiro ano de vida da instituição, foi inaugurado um centro de convívio com capacidade para 35 utentes, em parceria com a Junta de Freguesia e a Paróquia de Canidelo. Mais tarde, em 2011, nasceu o serviço de apoio domiciliário e, no ano seguinte, iniciou-se o fornecimento de refeições através da cozinha pedagógica da Escola Secundária Inês de Castro. “Foi um marco na nossa vida”, recordou, explicando que chegaram a ser confecionadas cerca de 70 refeições diárias e que, apesar das dificuldades financeiras e dos sucessivos atrasos, a instituição nunca abandonou o objetivo principal: a construção do lar.
Joaquim Seara Fernandes relatou ainda os obstáculos enfrentados ao longo dos últimos anos, desde a perda de financiamentos até aos danos provocados por uma tempestade nas novas instalações, já em fase final de obra. “Tivemos uma despesa de 120 mil euros para recuperar novamente as instalações”, explicou.
O presidente da direção destacou igualmente a importância da aprovação da candidatura ao PRR Social, no valor aproximado de dois milhões de euros, embora o custo da empreitada tenha rapidamente ultrapassado esse montante. “Só em março de 2025 conseguimos obter finalmente o empréstimo bancário de 2,25 milhões de euros”, afirmou, salientando que “para terminarmos a obra ainda vamos necessitar de mais ajuda”
Apesar das dificuldades financeiras e dos sucessivos obstáculos ao longo dos anos, Joaquim Seara Fernandes deixou uma mensagem de esperança e determinação em torno da concretização do futuro lar da instituição, sublinhando que “a ASSIC nunca desistiu deste sonho” e garantindo que a direção continuará empenhada “até ver este projeto concluído e ao serviço da população sénior de Canidelo, (…) pois é para ela e pelo seu bem-estar que tudo fazemos com muito amor e carinho”.
No seu discurso, o presidente da Câmara Municipal de Gaia deixou uma análise crítica ao modelo de financiamento dos equipamentos sociais no âmbito do PRR. Luís Filipe Menezes considerou que “estes equipamentos sociais, financiados pelo PRR pelo país todo, não nasceram bem” e defendeu que o Estado deveria garantir “mais rigor e mais generosidade” no acompanhamento destes projetos.
Ainda assim, elogiou o trabalho das associações, sublinhando que “as direções de instituições como a ASSIC estiveram sempre na posição correta, na posição benévola, de entrega e solidariedade”.
O autarca evidenciou também a importância crescente dos equipamentos dirigidos à população sénior, lembrando que Gaia conta atualmente com cerca de 80 mil habitantes com mais de 65 anos. “O nosso futuro vai ser um futuro em que a esmagadora maioria da população terá mais de 65 anos”, afirmou, alertando para a necessidade de aumentar o investimento em respostas sociais, centros de dia, equipamentos culturais e programas de envelhecimento ativo.
“Estas pessoas não podem ser abandonadas num canto como inúteis. Têm direito à cultura, ao lazer, ao entretenimento e a continuar a participar ativamente na sociedade”, frisou.
Luís Filipe Menezes garantiu ainda que a Câmara Municipal continuará a apoiar financeiramente o projeto da ASSIC, que considera não ser “um projeto do presente, mas um projeto de futuro”. “Não deixaremos, dentro das nossas limitações orçamentais, de dar novos contributos à ASSIC para continuar a desenvolver este projeto”, assegurou, manifestando o desejo de ver a obra “completamente paga” e a funcionar “com muitos utentes, muitos trabalhadores e dando felicidade a muitos mais idosos de Canidelo”.
O presidente da Câmara aproveitou igualmente a cerimónia para anunciar projetos estruturantes de mobilidade para Canidelo, entre eles a futura VL1, via que ligará a Rua da Bélgica à Estação das Devesas. Segundo explicou, através de metroBus, nova ligação permitirá chegar ao metro “em apenas sete minutos”.
Luís Filipe Menezes destacou ainda o impacto social do cartão Gaia Amiga, medida municipal dirigida à população sénior e economicamente mais vulnerável. O autarca explicou que o programa já abrange “cerca de 60 mil pessoas com rendimentos abaixo dos 737 euros” e revelou a intenção da Câmara Municipal de alargar o apoio “depois do verão” a mais beneficiários, aproximando-o progressivamente do salário mínimo. “Um dia chegaremos a poder dar a todos, mas de acordo com as circunstâncias e a seriedade daquilo que se oferece, para ser sustentável e ficar para sempre”, enalteceu.
A cerimónia terminou num ambiente de celebração e emoção, com todos os presentes a cantarem os parabéns à ASSIC e a brindarem à longevidade da instituição, numa homenagem ao passado e numa afirmação de confiança no futuro.


