Com raízes que remontam a 1939 e oficialmente fundado em 1961, o restaurante Pedro dos Frangos tornou-se uma referência incontornável da gastronomia tradicional portuense. Reconhecido pelo frango fechado no espeto e integrado no programa Porto de Tradição, o estabelecimento celebrou 64 anos de história preservada pela família que lhe deu origem e por gerações de clientes que o tornaram um símbolo da cidade.
Localizado no número 223 da Rua do Bonjardim, o Pedro dos Frangos nasceu como uma casa de pasto em 1939, então designada por Casa do Pedro, fundada por Pedro da Silva. Em 11 de novembro de 1961, o espaço foi renovado e passou a funcionar como restaurante, adotando mais tarde, no final da década de 1970, o nome que o viria a celebrizar.
Após a morte do fundador, em 1988, coube ao sobrinho, José da Silva Gonçalves, assumir a liderança do negócio. Hoje, a casa é gerida pelo seu filho, Nuno Valente, que continua a conduzir um projeto que atravessou gerações sem perder as raízes.
O 64.º aniversário, este ano, não contou com o habitual magusto no próprio dia, uma vez que coincidiu com a folga semanal da equipa. Ainda assim, a tradição não foi esquecida. “Celebrámos em família, mas nos dias seguintes oferecemos castanhas e vinho novo”, contou Nuno Valente. Para o gerente, esta data será sempre especial, porque “o Pedro dos Frangos é uma família, e gostamos que funcionários, fornecedores e clientes se lembrem da história desta casa”.
Desde julho de 2020, o restaurante integra o programa municipal Porto de Tradição, que distingue estabelecimentos com relevância histórica e cultural para a cidade. Para Nuno, este reconhecimento representa tanto orgulho quanto responsabilidade. “Ser uma casa histórica exige manter a mística e a tradição criadas pelos nossos clientes e colaboradores ao longo de 64 anos”, sublinhou o gerente.
Neste seguimento, Nuno Valente reforçou ainda que a essência do restaurante está ligada às gentes do Porto, uma vez que “foram os portuenses que fizeram o Pedro dos Frangos. Nós nascemos com eles e queremos continuar a servi-los, embora também recebamos muitos turistas que adoram a nossa comida.
O ex-libris da casa é o frango fechado no espeto, assado na brasa e temperado “da mesma forma há 64 anos”. Mas, a oferta vai muito além desse clássico. Aos domingos há cabrito assado e cozido à portuguesa, às sextas-feiras, bacalhau à Gomes de Sá e filetes de polvo, e diariamente são servidos pratos como vitela assada, tripas à moda do Porto, bacalhau à Zé do Pipo, rancho, rojões e bacalhau cozido com grão.
Segundo Nuno Valente, a aposta mantém-se firme e “o nosso foco é a cozinha tradicional portuguesa, com qualidade, e a preços acessíveis. É isso que faz o Pedro dos Frangos.”
Com quatro salas e capacidade para 200 clientes, o espaço destaca-se pela decoração intimista, pelo ambiente acolhedor e pela proximidade no atendimento , aspetos que, aliados à tradição gastronómica, ajudam a explicar a sua longevidade e reputação.
A casa é amplamente recomendada tanto por portuenses como por estabelecimentos turísticos da região. “Os hotéis e alojamentos locais mencionam-nos sem qualquer contrapartida. Isso enche-nos de orgulho”, revelou o gerente, reconhecendo que a força do restaurante assenta na continuidade geracional. “O Pedro dos Frangos é o que é graças ao meu pai e ao meu tio-avô. Os ensinamentos passaram de uns para os outros, e agora para mim”, salientou.
Em frente ao restaurante original, renasceu o ano transato o antigo “Pedro dos Frangos 2”, agora com o nome Cervejaria Inbicta 312. O espaço, gerido pela irmã de Nuno, Liliana Gonçalves, aposta num conceito mais moderno, com tapas, petiscos, francesinhas, cachorros, bifrangas e grelhados como picanha e costeletas de novilho, além do tradicional frango assado inteiro no espeto. “É um complemento do Pedro dos Frangos e esperamos que comece a fazer história também”, ressaltou Nuno Valente.
Apesar da forte ligação ao passado, o gerente acredita que o futuro passa por modernizar, mantendo a tradição. “Queremos continuar a melhorar o espaço e proporcionar mais conforto a quem nos visita e a quem trabalha connosco. Queremos também solidificar a Cervejaria Inbicta e continuar a modernizar o que for necessário, sem nunca perder a matriz que nos caracteriza há 64 anos”, enalteceu Nuno Valente.


