Entre as formas da natureza, memórias e emoções
O Espaço das Artes da Casa na Cultura, em Setúbal, inaugurou no passado sábado e estará patente até dia 12 de fevereiro a nova exposição de Sandra Duarte, intitulada “No silêncio… luz”, uma mostra que conduz o público a um espaço onde luz, silêncio e memória se fundem numa narrativa sensorial e contemplativa.
Radicada em Setúbal desde a infância, Sandra Duarte desenvolveu uma linguagem visual marcada por atmosferas semiabstratas, texturas expressivas e reflexos dourados — elementos que se tornaram assinatura da artista. A natureza e o universo emocional surgem nas suas composições como paisagens internas, evocativas e poéticas, onde o gesto e a cor se transformam em emoção visual.
Em “No silêncio… luz”, a artista explora a profundidade dos instantes silenciosos, momentos de suspensão em que a luz revela memórias, sensações íntimas e formas que parecem emergir de um sonho. Cada obra convida o visitante a um percurso contemplativo guiado pela sensibilidade da artista.
A exposição apresenta ainda peças da coleção “Gesto e Forma” (2025), composta por objetos utilitários e decorativos em cerâmica fria, que ampliam o universo criativo de Sandra Duarte através da relação entre gesto, delicadeza e função.
Nos retratos femininos, a artista inclui breves descrições poéticas, criando uma ligação íntima e emocional com cada criação.
“No silêncio… luz” estará patente até dia12 de fevereiro, no Espaço das Artes, Casa da Cultura de Setúbal, de terça a domingo, das 16h às 19h.
Nota Biografica
Nascida em Lisboa e radicada em Setúbal desde a infância, Sandra Costa Duarte, considera-se setubalense de coração.
Foi nesta cidade que cresceu, desenvolveu a sua identidade pessoal e artística, e onde constituiu família, criando uma ligação afetiva à cidade que a viu crescer.
A artista, desde cedo demonstrou um olhar atento e sensível ao que a rodeia, o que lhe permitiu desenvolver uma prática criativa profundamente ligada ao ambiente e emoções.
As paisagens observadas durante frequentes viagens, entre Setúbal e Algarve ao longo da sua infância, tornaram-se uma das suas principais fontes de inspiração, guardadas na memória e reinterpretadas pela imaginação, reflectindo-se nas suas composições smiabstratas onde a natureza e o universo feminino surgem como temas centrais, filtrados por uma abordagem emocional.
Ao longo do seu percurso artístico, explorou diferentes vertentes e técnicas, do desenho a lápis e carvão à pintura a óleo e acrílico, bem como a produção de pequenas esculturas utilizando diversos materiais, como madeira, gesso, e argila fria. No entanto, foi na pintura acrílica que encontrou a sua principal forma de expressão, abraçando a arte smiabstrata e contemporânea com paixão e autenticidade.
As suas obras distinguem-se pelas telas ricas em texturas e por uma paleta de cores que mistura tons ousados e delicados.
Outro elemento recorrente nas suas obras é a atmosfera outonal, que surge como pano de fundo emocional das suas criações.
Cada obra, envolvida por névoas subtis, inspira-se em cenários do nascer ou pôr-do-sol, numa linguagem visual própria e por uma forte ligação às emoções e memórias que habitam no seu imaginário artístico.
Os traços mais reconhecidos do seu trabalho são a utilização de texturas e reflexos dourados, que se tornaram uma característica recorrente nas suas obras. Essa composição contribui para uma expressão intimista e evocativa, que acentua a expressividade e convida à contemplação.
Através do seu olhar, a artista oferece a quem contempla as suas obras, novas formas de ver e sentir o mundo, abrindo caminhos para diferentes interpretações da realidade, por meio da sua linguagem visual.
As suas obras de arte, também são assinada e rubricadas no verso da tela, e os retratos femininos, apresentados em composições abastratas, acompanham uma delicada descrição poética escrita pela própria artista, numa forma de eternizar a conexão com cada criação.


