A CAMINHO DO DESCONHECIDO

Geoffrey Everest Hinton, anglo-canadense, é um psicólogo cognitivo e cientista de computação, conhecido pelo seu trabalho sobre redes neurais artificiais.

Distinguido em 2024 com o Prémio Nobel de Física, foram suas as seguintes palavras: «Suas altezas reais, excelências, caros laureados, senhoras e senhores, este ano os comités do Nobel da Química e Física reconheceram o progresso dramático feito numa nova forma de inteligência artificial que usa redes neurais artificiais para aprender como resolver problemas computacionais difíceis.

Esta nova forma de IA é excelente na modulagem humana e isso nos permitirá criar sistemas altamente inteligentes e assistentes experientes que aumentarão produtividade em quase todos os sectores e se os benefícios do aumento da produtividade puderem ser compartilhados igualmente será um avanço maravilhoso para toda a humanidade.

Infelizmente o rápido progresso na IA vem com muitos riscos, já criou câmaras de eco divisivas oferecendo às pessoas conteúdo que as deixa indignadas.

Já está a ser usada por governos autoritários para vigilância massiva e por criminososs cibernéticos para ataques de phishing e num futuro próximo já pode ser usada para criar novos vírus terríveis e horrendas armas letais que decidem elas mesmas quem matar ou mutilar.

Todos estes riscos a curto prazo exigem medidas urgentes e forte atenção dos governos e organizações internacionais.

Há também uma ameaça existencial de  longo prazo que surgirá quando criarmos seres digitais que são mais inteligentes que nós.

Não temos ideia se podemos manter o controlo, mas agora temos provas de que, se forem criados por empresas motivadas por lucros de curto prazo, a nossa segurança não será a principal prioridade.

Precisamos urgentemente de investigação sobre como prevenir esses novos seres de pretenderem assumir o controlo. Eles não são mais ficção científica».

Em 10 de dezembro de 2024, o simpósio do International Workers Institute sobre «Inteligência Artificial e o Movimento Sindical» foi realizado com sucesso pelo Zoom e mais de 90 sindicalistas de 35 países participaram do seminário.

O debate sobre a notória inteligência artificial, os seus efeitos sobre os humanos e em particular os seus efeitos sobre os trabalhadores, é um debate que surgiu recentemente.

Quase todos os dias, dezenas de notícias e análises sobre novos desenvolvimentos em IA, novas aplicações à produção e como ela pode tornar a vida das pessoas muito melhor ou não, são trazidas à tona e naturalmente todos os trabalhadores têm de discutir esta questão, esclarecer os seus aspetos, responder às questões levantadas, antecipar os desenvolvimentos futuros.

Como seres humanos que somos não devemos permitir que a IA ofusque o pensamento humano, pois se permitirmos que ela defina o futuro, corremos o risco de esquecer que o futuro ainda é nosso para definir.

Aos leitores do Audiência, aqui deixo votos de Bom Natal e um Ano Novo melhor, com Paz assegurada globalmente como desígnio maior da humanidade.