Uma semana após a invasão do Capitólio e curiosamente no mesmo tempo mas antes da tomada de posse do novo presidente eleito dos Estados Unidos Joe Biden, as autoridades reforçaram a segurança em Washington, preparando-se para uma potencial onda de violência nos próximos dias e soldados americanos montaram acampamento no Capitólio.

Várias imagens que correram mundo, mostraram centenas de militares da Guarda Nacional dos EUA a dormir no chão do Capitólio, enquanto a Câmara dos Representantes votava a instauração do segundo processo de destituição a Donald Trump.

Num cenário marcado pelo medo, a Guarda Nacional vai enviar um total de 15 mil soldados para Washington para ajudar a proteger a capital até à tomada de posse de Biden no dia 20 de Janeiro próximo, mais de 5.000 já estão no terreno e 10 mil estarão até sábado, de acordo com a imprensa norte-americana, com autorização para usar armas e assim garantir a segurança do complexo de edifícios do Capitólio.

A invasão ao Capitólio por parte dos apoiantes de Trump só aconteceu, devido ao incitamento do líder, no entanto, apesar de se revelar um verdadeiro atentado à democracia, não é a primeira vez nos Estados Unidos que manifestantes se envolvem em actos de violência, impulsionados por palavras de políticos.

Foi num comício realizado há dias que Donald Trump apelou aos seus apoiantes para que se dirigissem até ao Capitólio, como sinal de apoio à sua recusa de abandonar o cargo e simplificar a transição a Joe Biden, salientando que fosse usado todo «o tipo de orgulho e ousadia para recuperar o nosso país».

Entre os manifestantes presentes estavam membros de grupos de supremacia branca, incluindo os Proud Boys, cuja participação em actos de violência como o que ocorreu no dia 6 de Janeiro, reflecte não só o que se passa atualmente nos Estados Unidos, como demonstra uma longa realidade neste País ao longo dos anos, onde líderes políticos incentivaram grupos supremacistas a desafiar ou derrubar governos democráticos.

Depois de incentivar a invasão do Capitólio por apoiantes que terminou com um morto, vários feridos graves e interrompeu a sessão de certificação da vitória do democrata Joe Biden, o presidente ainda em exercício Donald Trump afirmou na sua narrativa fascista e errante que fará uma «transição ordeira» para o próximo mandatário.

Não é de agora que na História dos Estados Unidos, momentos de mudança de poder social e político levaram a confrontos entre supremacistas brancos e alianças raciais, sobretudo quando se tratava do direito de voto e um exemplo disso foi o período que se seguiu à Guerra Civil, entre 1861 e 1865, quando as organizações de supremacia branca consideraram legítimo o seu domínio sobre os estados do sul no período posterior à guerra.

Em 1867, vários investigadores federais em Kentucky descobriram que «muitos homens ricos e importantes» compactuavam com os grupos armados e uma testemunha na investigação federal declarou mesmo que muitos dos homens mais respeitáveis ​​do condado pertenciam ao partido Lynch.

No caso presente e na opinião da jornalista Janine Jackson e da integrante do Civil Justice Fund, o que aconteceu no Capitólio não poderia ter sucedido sem a conivência da polícia que tinha informações fidedignas de que algo de estranho se estava a preparar.

Em suma, estamos perante uma situação a todos os títulos deplorável num País que se auto proclama como paradigma da democracia, mas que com o decorrer dos tempos se tem distinguido por acções de terrorismo de estado, ingerências e sanções económicas criminosas contra países soberanos cuja governação não é do seu agrado, invasões, destruição, morte e saque de recursos naturais, tudo com o objectivo de domínio global e geoestratégico e agora, mais uma vez e dentro de portas, dá ao mundo um exemplo nada dignificante que deita por terra quaisquer declarações sobre política externa.

Um ano antes do seu assassinato em Menphis, Martin Luther King declarou: «Uma nação que continua ano após ano gastando mais dinheiro em defesa militar do que em programas de elevação social está se aproximando da morte espiritual».

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