Não gosto da palavra flotilha, parece minúscula., pequena.
Não é, vejamos, a manifestação constava com A flotilha/Global Sumud, que significa “resiliência” em árabe, partiu de Barcelona no fim de agosto com cerca de 45 embarcações e centenas de ativistas de mais de 45 países.
Integram esta flotilha, que pretende ser “a maior missão humanitária da história” com o território palestiniano de Gaza, centenas de pessoas de 45 países, incluindo quatro portugueses: a deputada e dirigente do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
Outra das participantes é a ativista sueca Greta Thunberg, que anunciou a criação da flotilha a 10 de agosto como “a maior tentativa de romper o bloqueio ilegal israelita a Gaza”.
A necessidade de expressar-se, de atuar ,de não ficar indiferente ao genocídio que está a decorrer, e que em certo momento poderia considerar- se como de limpeza étnica quando entre os milhares de mortos se encontram crianças mulheres e homens…
Também devemos falar como os ataques israelitas dirigidos à imprensa internacional, numa guerra contra a informação.
Ao menos 189 profissionais de imprensa morreram em Gaza desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro de 2023. Pelo menos 189 profissionais de imprensa foram mortos em Gaza em menos de dois anos. Foram 23 mulheres e 165 homens.
A fome tem sido utilizada como arma de guerra, a arma mais barata e mais à mão de semear do exército israelita no momento que têm sido bloqueados todos os acessos à população sofrente da fome que se sente no território.
Já o exército de Israel impediu em anos passados a entrada a barcos humanitários à Palestina, como já aconteceu com um barco turco que foi literalmente assaltado, como agora com os barcos que integram a “flotilha”
Gostava que os jovens que hoje se sentem identificados com os partidos de extrema-direita, tomassem consciência quão necessárias são estas pequenas atitudes que na realidade se transformam em grandes ações para a Humanidade.
«São sempre precisos milhões de pessoas para que do seio do povo nasça uma com espírito criador; no mundo têm sempre de ocorrer milhões de momentos de ócio de impacto universal até que um momento fatal aceda à ribalta da Humanidade com densidade verdadeiramente histórica.»…a citação está num livro maravilhoso, no qual o escritor Stefan Zweig dá-nos a conhecer 14 momentos fundamentais que marcaram a História da Humanidade, resgatando-os do esquecimento entre eles; a descoberta do oceano Pacífico; a conquista de Bizâncio; a «ressurreição» de Händel em 1741; a composição da Marselhesa ou o indulto de Dostoievski, momentos antes da sua execução.
Pequenos gestos que são grandes gestos;
-o nosso cônsul português Aristides de Sousa Mendes, em Marselha desafiou ordens expressas do ditador Salazar que acumulava a função de ministro dos Negócios Estrangeiros, e durante três dias e três noites concedeu milhares de vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940. Quem salva, hoje as vidas dos palestinianos em Gaza?
-5 de junho de 1989, Pequim, um jovem, sozinho, enfrenta um tanque impedindo-o de avançar, na praça de Tiananmen, ironicamente A Praça da Paz Celeste! O “homem do tanque” não foi baleado, tampouco atropelado, mas foi levado para um destino desconhecido até hoje.
Num relatório oficial divulgado no fim de Junho de 1989, as autoridades chinesas reconheceram que mais de 3.000 civis tinham sido feridos e que mais de 200, incluindo 36 estudantes, tinham morrido. Embora os números exactos sejam desconhecidos, há inúmeros indícios de que os dados oficiais são demasiado baixos.
-Aproveitando a situação política gerada em Portugal no ano de 1975, a Indonésia invadiu Timor-Leste, ocupação que se estendeu até 2002. Durante esse período desenrolou-se uma forte campanha de resistência em que morreram milhares de timorenses. De destacar O Massacre de Santa Cruz (ou Massacre de Díli) em Timor-Leste foi um tiroteio sobre manifestantes pró-independência no cemitério de Santa Cruz em Díli, a 12 de novembro de 1991, que causou mais de 271 mortos e 278 feridos.
Foram muitas as atividades, nacionais e internacionais, para a libertação de Timor, entre elas a incursão de solidariedade, a “Missão de Paz” do Lusitânia Expresso acontecimento de 1992, cuja missão na viagem deste barco era preciso colocar Timor na agenda internacional e alargar os apoios para que se tornasse um país independente. (*)
-Foram grandes e pequenas embarcações, que entre 27 de maio e 4 de junho de 1940, resgataram 338.226 soldados aliados das praias de Dunquerque, eram navios militares, mercantes e pesqueiros e ‘pequenos navios’ civis. A evacuação foi necessária depois que os Aliados foram cercados pelos nazistas. Mais de mil embarcações participaram dos nove dias e noites da evacuação. Esta epopeia está muito bem retratada no filme Dunkirk (2017), de Christopher Nolan.
“Apesar de tudo, eu ainda acredito na bondade humana”. A frase é uma reflexão, de Anne Frank, ela escreveu esta frase em seu diário, no dia 15 de Julho de 1944 e seria capturada pelos nazistas apenas 20 dias depois!
Pequenos gestos que são grandes gesto…a Flotilha, cumpriu a sua missão, colocar na consciência das pessoas, do mundo; o Inferno de Gaza!
Notas (*): Esta missão “Paz por Timor” foi organizada após o massacre no cemitério de Sta. Cruz em Dili que ocorreu no dia 12 de Novembro de 1991 e onde foram mortas mais de 300 pessoas e outras tantas ficaram feridas. Foi organizada pela revista “Fórum Estudante”, liderada por Rui Marques. Em Darwin, Austrália, entraram 120 passageiros, a maioria estudantes, de 23 países. A bordo seguiam também jornalistas e o General Ramalho Eanes, antigo Presidente da República. Os jornalistas portugueses fizeram uma cobertura alargada desta viagem existindo inúmeros registos, nomeadamente nos arquivos da RTP.


