A GUERRA NA UCRÂNIA CONTINUA

Apesar das promessas de Ronald Trump, a guerra prossegue com o respectivo cortejo de morte, destruição e acordos de cessar fogo ou mesmo de Paz interrompidos de um lado e do outro da contenda pelas mais variadas razões, umas plausíveis e outras nem por isso. Diz-nos a jornalista independente holandesa Sonja van den Ende que existe um número reduzido de jornalistas ocidentais no terreno em Donbass, enquanto a grande imprensa ocidental está carimbando notícias falsas sobre a crise ucraniana usando os mesmos modelos que explorou anteriormente no Iraque, Líbia e Síria.

Esta jornalista, natural de Roterdão, deslocou-se às Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk como repórter incorporada no exército russo e acompanhada pelos jornalistas Graham Philips, Patrick Lancaster, Anne-Laure Bonnel, no intuito de observarem no terreno como a operação especial estava a desenrolar-se. O som dos bombardeamentos e das explosões não a assustam, habituada que esteve há sete anos atrás, a trabalhar na Síria, meses antes de os russos intervirem a pedido do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Na opinião desta jornalista, por exemplo, as semelhanças entre a cobertura da grande imprensa ocidental dos conflitos sírio e ucraniano são impressionantes, «eles mentem continuamente sobre tudo, apenas para implementarem a sua própria agenda. Como na Síria, o presidente Assad era «o assassino» e agora o presidente Putin é «o açougueiro». «Eles usaram esse roteiro por muitos anos no Iraque, Venezuela e outros países que não cumprem a sua agenda, eles precisam de um «sujeito» mau, mas eles (mídia) não estão nem no terreno, como tal não podem julgar».

No entanto, essa não é a única semelhança, segundo a jornalista holandesa, como tal chamou a atenção para os relatórios falsos de Kiev e as operações de «bandeira falsa», incluindo a farsa da Ilha da Cobra, o suposto «ataque» da Rússia à Fábrica Nuclear de Zaporozhye, a história agora desmascarada do «ataque» da Rússia ao Hospital em Mariupol e a mais recente provocação em Bucha, para citar apenas alguns. Van den Ende focou ainda as bandeiras falsas dos jihadistas e os «ataques de gás» encenados pelos Capacetes Brancos na Síria, lembrando-se especificamente da provocação química de 4 de Abril de 2017 em Khan Sheikhun, Idlib, que foi desmascarada por repórteres de investigação, incluindo o jornalista vencedor do Prémio Pulitzer, Seymour Hersh.

Sonja van den Ende afirma que o neonazismo ucraniano não é um mito, conversou com muitos civis ucranianos enquanto viajava pelo Donbass e na opinião dela, quase todos condenaram o governo de Kiev por proibir a língua russa e privá-los de muitos direitos humanos, culturais e domésticos.

«A maioria das pessoas com quem conversei ficou muito feliz com o início da operação [especial russa]», afirma a jornalista holandesa. «Claro, ninguém quer violência e guerra, mas eles já sofrem há oito anos com a guerra, carnificina e destruição pelas forças ucranianas. O pior eram os batalhões nazis, que lutavam junto com o exército regular.» O neonazismo ucraniano não é um mito, enfatizou van den Ende. Quando ela visitou a cidade portuária ucraniana de Odessa em 2016 e 2017, notou o sentimento fascista que se tem espalhado por todo o país há algum tempo. Na verdade, o nazismo ucraniano existe
desde a Segunda Guerra Mundial, diz a jornalista holandesa.

Os sucessores ideológicos de Stepan Bandera, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos, a 14a Divisão de Voluntários da SS «Galiza» e o Batalhão Nachtigall passaram à clandestinidade durante o período soviético. No entanto, depois de muitos anos, essas forças estão vivas novamente com os EUA, o Reino Unido e a UE usando-as para desestabilizar a Ucrânia, diz ela. Anteriormente, esses actores geopolíticos ocidentais muito na mesma linha usavam islamitas para derrubar Assad, acrescenta a jornalista.

De acordo com van den Ende, depois de realizar um golpe de estado em 2014 na Ucrânia, a minoria de neonazistas tomou o poder e tem aterrorizado principalmente a parte oriental do país usando métodos muito cruéis e ao estilo nazi durante oito anos. O Ocidente está continuamente tentando culpar a Rússia por todos os danos infligidos às vilas e cidades ucranianas. No entanto, testemunhas oculares do leste ucraniano dizem que a maior parte da destruição nas áreas civis foi causada pela retirada do exército ucraniano e formações neonazistas, incluindo os notórios Batalhões Azov, segundo a jornalista holandesa. Além de usarem instalações civis como escudos, os militares ucranianos teriam bombardeado indiscriminadamente as posições que deixaram e cederam às forças russas.

Para ilustrar seu ponto de vista, van den Ende descreve o bombardeamento de um hospital em Volnovakha, na República Popular de Donetsk. O prédio não foi bombardeado do ar, mas atacado com granadas e foguetes, diz ela, citando um morador de Volnovakha.

«O Ocidente afirma que foi bombardeado pelos russos, mas como uma senhora me disse e ela trabalhou lá toda a sua vida, é que os ucranianos [militares] que estavam alojados no hospital bombardearam e destruíram as instalações e a sua casa, que ficava ao lado do hospital.» De acordo com a jornalista holandesa, os ucranianos orientais são muito bem tratados pelo exército russo e recebem regularmente ajuda humanitária na maioria dos locais. Além disso, os moradores dizem que finalmente se sentem protegidos.

A luta feroz entre as forças armadas ucranianas e os batalhões neonazis de um lado e as milícias DPR e LPR apoiadas pela Rússia do outro lado deixaram muitas casas arruinadas. No entanto, o povo do Donbass não desistiu, destaca a jornalista.
«Como disse uma mulher: Somos fortes, podemos reconstruí-las, para que nossos filhos e netos tenham paz», observa van den Ende. O mundo está mudando e o «establishment» ocidental ainda precisa de se reconciliar com a emergente ordem mundial multipolar, de acordo com van den Ende. Ela observa que o presidente russo, Vladimir Putin, delineou o início dessa mudança no seu discurso de 2007 em Munique e embora haja quem tenha optado por negligenciar as suas palavras naquele momento, está a tornar-se óbvio que um mundo unipolar se foi para sempre, conclui a jornalista.

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