Fundou com as próprias mãos o Centro Recreativo Popular de S. Tiago, coletividade que foi considerada a melhor de Oliveira do Douro e de Vila Nova de Gaia, mas que, atualmente, se encontra de portas fechadas há vários meses. Vítor Cardoso, um dos fundadores da instituição, está revoltado com a situação e quer revigorar, ou seja, abanar quem de direito, para conseguir entregar à população de S. Tiago uma instituição que criou com tanto carinho. Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, o antigo presidente garante que avisou do que ia acontecer aquando da sua saída, mas que acabou por ser alvo de uma vingança por esse mesmo motivo.
Como vê a situação do centro de S. Tiago?
Muito má. Vai fazer mais ou menos 8 ou 9 anos que sai, confiei que iam fazer um grande trabalho, deixei teatro infantil, teatro amador, campeões nacionais de ténis de mesa, 568 sócios a pagar, deixei obra, julgando quem ficou que era fácil. Não é fácil. Aquela instituição nem existia a nível nacional, legalizei a instituição julgando que iam dar continuidade ao meu trabalho. Depois fizeram ainda mais grave, nenhum presidente de nenhuma instituição, seja ela qual for, nem qualquer autarquia, nunca deve fazer o que fizeram, que foi ganhar rancor comigo, não sei porquê, e acabaram por fechar a coletividade. Dois presidentes que lá estiveram antes de mim, fecharam a coletividade. Porque essas pessoas, pensavam na ideia delas, através da Junta de Freguesia, levar para lá, mas não funcionou. No meu tempo eu era PS, PSD, CDS, PCP ou BE, fui todos, porque queria o bem da coletividade. Agora foram para lá misturar partidos com a coletividade, e às vezes a Junta de Freguesia julga que faz bem e não faz nada, temos de ser independentes de tudo e não quiseram isso. A maior tristeza da minha vida é a coletividade estar fechada. Fui convidado já pela Junta de Freguesia para o Passeio da Terceira Idade de 2023 e 2024, e chamaram-me alguns sócios se eu podia ir falar com o presidente da Junta e com o Dr. Dário Silva. E na altura, o Dr. Dário Silva, com quem me dou muito bem, e é vereador da Câmara Municipal, falou comigo e perguntou se queria reabrir a coletividade. Eu disse que sim, mas com uma condição, tirar a chave à senhora que lá está, porque não é possível alguém ter chaves e não fazer uma assembleia, não informar os sócios. Custa muito ver assim a coletividade e ver os amigos sempre a perguntar pela coletividade e eu fico triste porque estão sempre a falar na coletividade e têm razão. Porque aquela instituição, quer queiram, quer não, doa a quem doer, tem uma medalha de ouro atribuída pelo Governo, foi elogiada muitas vezes e era uma coletividade que, para mim, era uma das melhores de Vila Nova de Gaia e o presidente, no caso eu, fez um grande trabalho. Agora, lamento, quem quiser que vá para lá, eu nunca julguei que fechasse, passando por uma crise ou não, mas fecharam mesmo, não tem condições. Caso alguma instituição, Câmara ou Junta, que já me sondaram há pouco tempo se queria abrir a coletividade e eu já disse que abro e não preciso de armar muito barulho. Vou lá com todo o gosto porque uma coisa é ir para lá armar-se, outra coisa é gostar da coletividade. Aquela coletividade está avaliada em 4 mil euros, a única coisa que a Câmara fez naquela altura foi dar 55 mil euros, para fazer nada, para estar a coletividade fechada. Começaram mal porque esse dinheiro foi para as eleições, mas ainda hoje não podem abrir a coletividade porque não tem condições, tem de fazer fundações. Tem de se trabalhar muito para abrir a coletividade. Primeiro tem de se colocar a coletividade com cultura, desporto e recreio. Ela foi projetada por mim e por um presidente de Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, para ser um apoio ao Centro de Saúde de Oliveira do Douro, e havia até um documento assinado pela Ordem dos Enfermeiros, só se rasgaram, porque rasga-se a história, e esse protocolo era de apoio à freguesia, ao Centro de Saúde, aos idosos, tudo pensado por mim. O Lar de S. Tiago tinha muitos idosos e já nessa altura eu pensava nisso. A coletividade precisa de estar aberta. Como é que é possível um homem que criou a coletividade, comprou terreno, teve o projeto aprovado pelo presidente Menezes, com tanto trabalho que fizemos, com estatutos novos, contabilidade organizada, como é que é possível de um momento para o outro ficar assim? Tenho uma mágoa muito grande.
Estamos, então perante uma vingança pessoal e política?
Exatamente. É uma vingança protagonizada pela Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, há 8 anos. Nunca me chamaram para nada, só se preocupavam com a maquete, que mandei fazer e que foi paga por um patrocinador. Ainda me iam chamar a tribunal por causa da maquete. Ou alguém a roubou agora ou desfizeram-se daquilo, mas só me procuravam por isso. No ano a seguir a sair, acabou logo o atletismo, que vinha da fundação. Depois, foi o teatro, acabaram com isso passado dois anos. E acabaram com tudo, não entra lá ninguém! O que eles gostam é de copos de vinho, cervejas e karaokes. Doí-me muito ver uma coletividade daquelas, que eu criei, assim. E as pessoas têm de saber que eu trabalhei muito, mas eu quero que saibam que não preciso da coletividade para nada. Fui convidado para três coletividades de Oliveira do Douro para ser presidente e não quis. E pior, irradiaram-me, porque aproveitaram-se de algo que escrevi no Facebook que esta gente ia para lá e ia fechar a coletividade para sempre. Só porque disse mal daquela gente e da Junta de Freguesia, mas a prova está aí. Tinha ou não tinha razão? Sou mais bem recebido nas outras freguesias do que em Oliveira do Douro. A Junta nunca me chamou para nada, para agradecer nada do que fiz, nunca convidaram quem fundou aquilo para nada. Por isso é que levo isto como uma vingança.
E acha que essa vingança também terá acontecido por ter integrado uma lista que se opôs à Junta de Freguesia?
É mais ou menos isso.
Disse também que a chave da coletividade se encontra em poder de um elemento do executivo da Junta de Freguesia. Não considera isso grave?
Gravíssimo. Na minha opinião, nos anos que tenho disto, como é que é possível uma pessoa do executivo da Junta ter a chave da coletividade, uma tal de Filipa. Mas mais grave é que eu trabalhei na Sonae, quase 40 anos, e quando me reformei, há quatro anos, eu queria receber a minha reforma e não podia. Isto porque recebi uma carta registada da Segurança Social a dizer que não podia ser reformado porque era o presidente da coletividade. E isto anos depois de me ter vindo embora da coletividade. Como é possível o meu nome ser ainda associado? E foi aí que vi que a Junta de Freguesia, a senhora Filipa e o senhor Dário da Assembleia Geral, que não vale nada, deixou o meu nome ainda associado à coletividade. Fizeram uma aldrabice qualquer em vez de fazer as coisas legalmente. Devem dinheiro ao mestre de obras, o senhorio levou-os a tribunal, porque eles andaram a servir-se da sede antiga e fizeram 30 por uma linha na sede. E foram obrigados a sair da sede antiga, tiraram tudo de lá e tiveram de pagar uma grande indeminização. Toda a gente do lugar de S. Tiago e de Oliveira do Douro que leia esta entrevista que diga se é verdade ou não o que eu digo. Aquela coletividade tinha muito respeito e, hoje, não vale nada, porque as pessoas que nada fazem nesta freguesia são as maiores. A vingança vai-lhes sair cara.
Mas está recetivo a voltar atrás e a assumir novamente a responsabilidade dentro da instituição?
Sim, apesar de já ter alguma idade, estou recetivo. Mas com uma condição. Não quero levar com aquela gente, queria que houvesse uma assembleia geral e que me chamassem. Porque eles irradiaram-me, o que não podem. Se houver bom senso e respeito, venham ter comigo. O Dr. Manuel Filipe, presidente da assembleia, já me disse que está ao dispor, assim como o Rui Cardoso, pessoas do PS ou do PSD, já me disseram o mesmo. Então aí faço uma lista e garanto que no espaço de três anos a coletividade volta ao antigamente. Vou buscar as pessoas, porque sou um lutador, e volta tudo ao mesmo. E todas as pessoas que saíram, voltam também para lá. É muito mau para a freguesia ter uma instituição daquelas, que para mim é a maior coletividade de Oliveira do Douro, assim. Aquela foi considerada a melhor coletividade de Vila Nova de Gaia, porque comecei uma obra, paguei terreno, fizemos uma coletividade de raiz e naquele tempo fui considerado o melhor presidente porque ninguém fez melhor que eu. Estou a dar esta entrevista agora, porque as pessoas conhecem o meu trabalho e fez bem em me procurar para me ouvir.


