Criada em 2019, a Cooperativa Viver Pedroso tornou-se numa peça fundamental para a freguesia, não só pela sua Academia Sénior, mas pelo projeto Gaia Aprende+ e também pelos campos de férias. Dando resposta a todas as necessidades da população, o presidente e fundador da Cooperativa, Filipe Silva Lopes, admite que podem estar para vir mais novidades já em setembro e garante que a instituição tem fundos para ser autossustentável mesmo sem apoios.
Que balanço faz da existência da Cooperativa Viver Pedroso?
O balanço acho que é muito positivo, foi uma instituição que nasceu em 2019, começou-se a pensar em 2017, tivemos muitos problemas em escolher um nome, o que queríamos estava ocupado, depois tivemos autorização de um nome e foi chumbado mais à frente, por isso, foi um processo em que foi precisa muita resiliência em não desistir no meio do processo. A ideia era, efetivamente, ter na freguesia uma IPSS que desse resposta a um conjunto de serviços que não havia na altura e que continua a não haver a não ser na Cooperativa Viver Pedroso, e foi também ficar com dois projetos que foram criados no âmbito da Junta de Freguesia e que percebíamos que para crescer e manter, tinham de sair do aspeto político da organização e ter a sua autonomia numa instituição privada. Temos 29 cooperantes, 4 instituições, sendo elas os Bombeiros dos Carvalhos, a Fundação Claret, a Associação de Socorros Mútuos e o Jumbo Jardim Infantil e 25 pessoas individuais, eu e mais 24, de vários aspetos políticos, sociais, com várias ocupações profissionais que decidiram abraçar este projeto e daí para cá tem vindo a crescer de ano para ano.
Quais os pontos principais do projeto?
Neste momento temos três grandes projetos, desde logo a Academia Sénior, que é o projeto principal, que movimenta mais de 500 alunos em 14 disciplinas, e que tem cerca de 20 professores e é uma ocupação de segunda a sexta em horário escolar de várias atividades. Depois temos o campo de férias que funciona no verão e no Natal, é um projeto pontual que funciona 10 semanas no verão e 2 semanas no Natal e este é o segundo ano letivo em que também somos a entidade que gere o Gaia Aprende+ na freguesia de Pedroso e Seixezelo que também conta com cerca de 500 alunos. Estamos na expetativa de, no próximo ano letivo, a partir de setembro, ter outra atividade que, para já, não quero divulgar, mas que, em princípio, será uma realidade e em breve teremos boas notícias de uma outra resposta social.
Sabe-se que estas instituições, além da força motriz que é das próprias populações e da adesão que têm, também dependem muito do apoio político autárquico à sua atividade. A Cooperativa nasceu numa era em que o PS controlava a 100 por cento todo o poder político em Gaia, entretanto, já se passaram sete meses de uma mudança. Sentiu mudança quanto à Cooperativa ou as indicações que tem é que o que tinham vão continuar a ter?
Esta instituição foi criada e antes de recebermos o projeto Gaia Aprende+ foi uma instituição que, em cinco anos, recebeu zero euros do Estado, seja central, local ou Segurança Social. No fundo, em vez de ser uma IPSS quase podia ser uma empresa sustentável que se paga a ela própria. Quando recebemos o projeto Gaia Aprende+ aí sim entramos nas regras que a Câmara Municipal tinha no projeto e penso que, de forma geral, continua a ter até porque é um protocolo que vai até 2027. Houve uma reunião com as novas direções da parte do departamento de educação, e penso que se está a tentar racionalizar mais a nível de custos, se calhar, em alguns aspetos as medidas que se estão a tentar implementar parecem-me ajustadas, mas para já não sinto grande mudança. As orientações que há é que o projeto irá continuar, até porque acho que é um projeto que dá uma resposta só em Pedroso a mais de 500 alunos e que é essencial para as famílias e encarregados de educação. Neste momento não sinto nenhum retrocesso, sinto que a atual Câmara Municipal está a tentar perceber e apanhar uma ou outra ponta solta que há no projeto e tentar melhorar. Não é por entrar uma nova força política que os projetos têm de acabar, acho que os projetos que são bons têm de continuar a aperfeiçoar e melhorar e se fazem sentido à comunidade têm de existir. Acho que a preocupação da Câmara Municipal será essa.
Qual é o orçamento da Cooperativa Viver Pedroso para o ano de 2026?
É pouco superior a meio milhão de euros. Entre o projeto Gaia Aprende+ e a Academia Sénior, que são os projetos que contribuem mais para o orçamento, diria que no cômputo geral o Gaia Aprende+ representará perto de 50 por cento do orçamento, a Academia Sénior uns 45 por cento e o campo de férias 5 por cento.
Com mil alunos, torna-se, talvez só batido pela Associação de Socorros Mútuos de Pedroso, na maior instituição social da freguesia.
Onde as suas atividades chegam a mais pessoas sim. A nível de participantes acredito que a Associação de Socorros Mútuos bate, tirando essa, na freguesia, que a sua atividade tenha influência na vida das pessoas, acredito que sim.
Além dos 29 cooperantes, os participantes o que pagam à Cooperativa?
Pagam a utilização do serviço apenas. A mensalidade da Academia Sénior é exatamente a mesma desde que o projeto foi criado em 2015, nunca houve um aumento. A regra da Academia Sénior é fácil, nem queria dizer que já ouvi dizer que há Juntas de Freguesia que querem criar Academias Seniores, e acho que os bons exemplos são para se replicar sim, mas a nossa foi criada numa ótica de, há uma entidade em Portugal que gere as Academias Seniores, que é a RUTIS, e há muito o conceito de que nas Academias Seniores os professores devem estar num regime de voluntariado. Como acredito que para um projeto desta dimensão o mesmo não se iria afirmar nem crescer nem ter o profissionalismo que eu queria não optei por isso. Ou seja, pagamos um valor à hora aos professores da Academia Sénior, que está tabelado, um pouco acima, pelo valor/hora que o IEFP paga aos formadores e, para que o projeto fosse sustentável, cada turma tinha de ter 12 a 13 alunos e cada um pagava 5 euros.
Daí ser autossustentável, não vive preocupado se, um dia, o município não apoiar.
Exato. No dia em que o município, por qualquer motivo, acabar com o Gaia Aprende+, ou quiser trocar a instituição a gerir, está tudo bem. A Cooperativa viveu cinco anos sem isso e, seguramente, continuará a viver, até porque a Academia Sénior é um projeto que é rentável.
Mas há outras cooperativas que, talvez, não resistirão…
Não tenho conhecimento das contas das outras instituições, acredito que em algumas o projeto tenha impacto. Pela informação que vou tendo no projeto Gaia Aprende+, na Cooperativa Viver Pedroso é uma das instituições que menos recebe mensalmente da Câmara Municipal e o que recebemos dá perfeitamente para a nossa despesa.
Que cartas na manga o presidente da Cooperativa Viver Pedroso, sempre empenhado em dar o melhor a quem frequenta a Cooperativa, tem para “dar” aos frequentadores e à população de Pedroso e de outras freguesias.
Nós temos alunos na Academia Sénior de outras freguesias. Como disse, vamos ter uma outra resposta a partir de setembro, do início do novo ano letivo, não queria anunciar até ter 100 por cento de certeza, mas penso que para a semana terei boas notícias. E isso será mais uma atividade, que terá de ser autossustentável porque é assim que a cooperativa tem de viver, como acho que deve viver todas as instituições que têm as suas atividades. A nível de respostas, estamos a tentar criar um cartão, mais na vertente da Academia Sénior, que quem é aluno tem esse cartão de aluno para ter benefícios no comércio e em empresas.
Então vai “copiar” o que a Junta de Freguesia faz em alguns projetos sectoriais do qual é responsável?
Sim. No fundo é trazer também esse benefício para os alunos e depois, penso que até já disse publicamente, gostava de ver a IPSS a dar passos e criar um Jardim Infantil, uma creche, um centro de dia que são valências que são necessárias na freguesia e no país. Assim como um lar residencial, embora esse seja um projeto mais pesado e difícil, e tinha de se ter muito apoio do poder político, quer da Junta de Freguesia, quer, principalmente, da Câmara Municipal para dar esses passos.
Neste momento a Cooperativa não tem sede própria.
Não, tem um espaço cedido pela Junta de Freguesia.
Mas não o preocupa o facto de, um dia, o poder político mudar e retirarem essa cedência?
Enquanto presidente de Junta, a freguesia cedeu várias salas e espaços que tinham a várias instituições e nunca perguntei em que partido votavam, qual o credo ou clube de futebol. Reconheço que isso é um risco, pode acontecer, e jogo com as regras do jogo. Mas a instituição tem fundo de maneio para ter um espaço próprio. Naturalmente que, se cativar uma parte do orçamento para um custo de instalação, se calhar, é necessário aumentar os preços aos alunos. E a ideia da instituição é um complemento e servir a população, não há divisão de lucros, portanto, se vamos alocar cinco mil euros por ano para pagar umas instalações são menos cinco mil euros que conseguimos beneficiar a população. Mas estamos preparados para isso. A ideia de criar a Cooperativa foi de os projetos não dependerem da vontade política e essa parte está incluída. Neste momento é uma ajuda, como é uma ajuda para muitas instituições que têm sedes cedidas quer por Juntas de Freguesia, quer pela Câmara Municipal. Se tivermos de sair, a Cooperativa não fechará por causa disso.
Que mensagem deixaria para o corpo docente e para quem frequenta a Cooperativa?
Primeiro, até porque não é segredo, faço parte do executivo da Junta de Freguesia e já fui presidente durante 12 anos, e sinto por parte dos deputados da Assembleia de Freguesia da oposição, algum questionamento sobre algum possível benefício à instituição por haver essa proximidade. E na última Assembleia de Freguesia, como tesoureiro, tive oportunidade de explicar que a Junta de Freguesia deu zero a nível de apoio financeiro à instituição, antes pelo contrário, a Cooperativa deu um donativo à Junta de Freguesia de 15 mil euros o ano passado no sentido de colaborar com a comunidade de Pedroso. Por isso, não há aqui nenhum benefício, há a cedência de uma instalação, de uma pequena sala, como já se cedeu escolas a outras instituições e vários espaços e acho que é esse o papel da Junta de Freguesia. E como disse há pouco, temos 1000 alunos, não é uma instituição que foi criada para benefício, que eu saiba não tenho nenhum familiar a trabalhar na Cooperativa, nem nenhum militante do partido a ou b, aliás, como disse, dos 25 cooperantes individuais existem pessoas de vários partidos e vários setores de atividade. Queria deixar isso claro, a Cooperativa foi criada no âmbito de ajudar Pedroso e, no fundo, afirmar Pedroso. Tínhamos instituições que vinham de outras freguesias prestar um serviço a Pedroso quando Pedroso com a dimensão que tem não tinha estrutura para isso. Neste momento temos, a nível de profissionais, quer seja no projeto Gaia Aprende+, quer seja na Academia Sénior, temos cerca de 50 pessoas que trabalham e têm a sua remuneração na Cooperativa. Acho que toda a gente percebe a importância e a dimensão que esta instituição tem. Quero também deixar a mensagem que isto é um projeto de todos, claro que houve alguém, eu, que teve a ideia, mas neste momento é um projeto de todos, vai haver eleições este ano, se houver pessoas que queiram assumir a direção da Cooperativa é tranquilo, não sou pessoa de estar muito tempo no mesmo lugar, gosto de dar o meu melhor, sair, e que venham outros continuar e melhorar, mas acima de tudo ter a certeza que é uma instituição, fruto do seu âmbito, do seu objeto social, permite tudo, desde que uma pessoa nasce até que morre, consegue criar um conjunto de respostas para a população. Foi isso que foi criado com toda a sua amplitude. E agora, mediante as necessidades e possibilidades, vai criando projetos e dando resposta a vários momentos e situações.


