O tema merece novamente a atenção dos mais variados quadrantes da vida social e política do nosso rectângulo à beira mar plantado, mas também dos comparsas europeus, nomeadamente os mais e menos favorecidos com a situação de descalabro da União Europeia.

Como é sabido, o PCP foi o único Partido que objectivamente se declarou clara e frontalmente contra a nossa entrada na então CEE, hoje União Europeia, e posteriormente a adesão ao euro, contrariando todas as outras vozes que, em uníssono, proclamaram as virtudes de tal atitude que nos colocaria até no plutão da frente dos países mais ricos e, consequentemente, nos traria a tão necessária coesão social e o merecido desenvolvimento económico.

E seguramente ao fazê-lo o PCP não actuou por mera questão de acidez de discurso ou para pura e simplesmente dizer não, mas por ter feito aquilo que os outros não fizeram: análise criteriosa da situação global europeia e as potencialidades de cada País.

São sobejamente conhecidos os planos e os seus autores que, a troco do vil metal, destruíram as pescas, a agricultura e a indústria, levando o nosso País a uma posição de subserviência,  retirando-lhe soberania e independência, mas também são conhecidos os alinhamentos nacionais com o crescente militarismo e hegemonismo da União Europeia que, via NATO, se coloca ao lado das pretensões imperialistas dos Estados Unidos.

Foi publicado recentemente um ensaio pelas edições Michalon, intitulado La Fin de l’Union Européenne, em que a questão europeia é abordada e onde é afirmado que a eleição presidencial francesa deste ano ocupará um lugar central nesta conjuntura. Este ensaio é baseado numa reflexão sólida e muito bem argumentada pelos seus autores, Coralie Delaume e David Cayla, duas excelentes e talentosas individualidades que, nomeadamente, animam o blog «l’arène nue», e pertencem a um grupo de economistas dos mais notáveis da sua geração.

Assim, os dois autores lavram a acta da morte clínica da União Europeia, acrescentando que convém desligar os aparelhos que a mantém em estado de vida vegetativa, operação que pode revelar-se, no entanto, mais complicada do que se pensa.

Permanece o facto de que é preciso definir uma posição política em relação à União Europeia e, nesse sentido, Coralie Delaume e David Cayla preconizam desfazer o mercado único, repudiar a Europa supranacional e reconstruir, contra a União Europeia, uma «Europa dos Projectos», considerando para tal que isto não poderá ser feito senão ao preço de um novo referendo, sem os constrangimentos colocados a anteriores auscultações aos povos europeus, acrescentamos nós, conhecedores das manobras aleatórias a que fomos submetidos.

A questão das prioridades coloca-se e parece que a primeira, não tanto no plano dos princípios, mas sim no da política económica, será fazer implodir o euro para o que não é necessário qualquer referendo, mas em contrapartida para colocar em causa o primado do Tribunal de Justiça da União Europeia e das directivas, será preciso um referendo anulando o Tratado de Lisboa e os outros tratados.

Dizem-nos ainda os autores do ensaio atrás referido que, se por hipótese, for efectuada previamente a retirada unilateral da França da União Económica e Monetária, Frexit, ter-se-á assim desestabilizado o conjunto da União Europeia, pois, se a França saísse do euro, ela seria rapidamente seguida pela Itália, Portugal, Espanha e Grécia, podendo ainda pensar-se que a Eslováquia e a Finlândia aproveitariam para recuperar a sua liberdade monetária, isto se, entretanto, não houver outros países que procedam unilateralmente da mesma forma.

Mas é preciso compreender que não se destrói completamente instituições, senão quando se propõe outras instituições para substituí-las, a União Europeia não será destruída senão quando o seu sucessor for posto sobre os trilhos e convém reflectir nisso se se pretende evitar os erros que conduziram a União Europeia à sua morte actual, dizem também os autores.

Entretanto, milhares de militares norte-americanos, carros de combate e veículos blindados começaram a chegar à Polónia há dias, como resposta «proporcional e calculada» às acções militares da Rússia, considera a vice-secretária geral da NATO.

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