Os Estados Unidos, País também designado como «o império fora da lei», sequestraram o presidente da Venezuela e a sua esposa para conduzi-los a solo americano e aí julgá-los de acordo com as suas leis.
Embora o governo de Washington tenha inicialmente usado o pretexto da luta contra o tráfico de drogas para justificar o sequestro, não demorou muito tempo para Donald Trump reconhecer abertamente que o seu objetivo era o controle directo do petróleo venezuelano ou seja, esta acção significa um avanço nas dinâmicas que os países imperialistas ligados à NATO têm usado para justificar as suas aventuras militares, assim desacreditando a ordem jurídica internacional, o sistema de relações internacionais construído na segunda metade do século XX e as instituições com ele relacionadas.
Também outras circunstâncias obrigam-nos ainda a analisar o conteúdo das alianças imperialistas, actualmente caracterizadas pelas suas constantes mudanças e volatilidade, pois o exemplo da retórica dos Estados Unidos em relação à anexação da Gronelândia e o confronto com a União Europeia que tal atitude originou, deve obrigar-nos a acompanhar e avaliar de perto a relação entre ambos os parceiros imperialistas, face às diferentes respostas sobre a política externa estado unidense em relação não só à Gronelândia, mas a outros países, dado que a situação actual evidencia que existem interesses comerciais diferentes nos dois lados do Atlântico e na coesão do bloco europeu, nomeadamente no posicionamento da União Europeia.
Outro exemplo paradigmático é a situação em Cuba, País alvo de sanções económicas há mais de 50 anos e que recentemente enfrentou uma tentativa de infiltração no seu território marítimo por uma embarcação registada na Flórida com a matrícula FL7726SH e com tripulantes armados e histórico de actividades terroristas, os quais afirmaram, após depoimentos preliminares, que pretendiam realizar actos de sabotagem.
Porém, esta insana atitude estado unidense não se confina como sabemos ao continente americano, mas propaga-se aos continentes africano, europeu, asiático e oceania, ou seja, contempla o universo planetário ao considerarmos todos os países já invadidos.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos publicada no dia em que Donald Trump proferiu o seu recente discurso sobre o estado da União, indica que 61% dos adultos nos Estados Unidos descrevem Trump como «errático» à medida que envelhece e esta é uma opinião partilhada não só pela imensa maioria dos democratas, 89%, mas também por um terço dos republicanos e a maior parte dos independentes 64%.
Nos dias de hoje, o alvo é o Irão que foi atacado com bombardeamentos contínuos pelos Estados Unidos e Israel, exactamente os países que mais têm prevaricado nas suas esferas de influência, relativamente aos direitos humanos e à ordem jurídica internacional. Curiosamente e de novo os países europeus demonstram claramente a sua incapacidade de exercerem um papel independente, positivo ou dissuasor na procura de soluções diplomáticas para a Paz, ao criticarem tanto o atacante como o atacado, ou seja, a dupla estado unidense e esraelita é tão culpada como a nação iraniana ao defender-se.
Acresce o facto do poder nuclear na região estar somente nas mãos israelitas com a conivência e ajuda norte americana que como sabemos abandonou tratados importantes sobre o controlo global das armas nucleares, mas pretende impedir a possibilidade do Irão de possuir urânio enriquecido.
Aqui chegados, aguardamos com ansiedade e expectativa o desenrolar dos acontecimentos, nomeadamente as posições futuras da Rússia e da China que já criticaram o ataque ao Irão sem reservas, talvez cientes de que a memória é a consciência que liberta mas também nos compromete com o futuro.


