As comemorações do 113º aniversário do Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho culminaram com a realização de uma sessão solene que evocou a história da instituição e contou com a presença de Elísio Pinto, vereador da Câmara Municipal de Gaia, de Agostinho Viana, membro do executivo da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, de Mário Jorge, presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, de António Marques, vice-presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, e de coletividades locais.

As celebrações do 113º aniversário do Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho lembraram a história, os anos de vida associativa e das dificuldades desta coletividade que nasceu em 1906, ainda no tempo da monarquia, aclamou a implantação da República e enfrentou a ditadura.

João Marques, presidente da direção do Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho, afirmou ao AUDIÊNCIA que “o Latino Coelho é uma associação que provém já antes da República. Os nossos princípios sempre foram defender a igualdade entre as pessoas. O momento que nós atravessamos, que é um momento difícil, e eu estou a falar do momento Latino Coelho, permite-nos podermos continuar o nosso trajeto, mas com uma dificuldade muito grande, porque aquilo que nós temos num futuro próximo, que se advém, não é risonho. O Latino Coelho tem diversas dificuldades financeiras provocadas por direções anteriores às nossas, mas nós temos de arcar com essas dificuldades. A nossa luta no dia-a-dia, é uma luta que eu diria que não é fácil, mas perfeitamente tangível. A dificuldade está, realmente, naquilo que está para trás e o que está para trás por vezes é tão pesado e tão difícil de atravessar que sozinhos nós não vamos conseguir. Por isso é que nós tentamos, no nosso dia-a-dia, manter o Latino de portas abertas para que o Latino possa dar à comunidade um conforto, dar aos idosos um local onde eles possam permanecer, possam conviver e possam sentir, por vezes, a alegria que na sua casa não conseguem. Este seria, digamos, o desejo que nós, latinistas e eu como presidente obviamente, gostaria de manter no futuro, o Latino de portas abertas à comunidade. Os 113 anos, obviamente que são uma alegria, também, obviamente, banhada muitas vezes com muitas tristezas e muitas desavenças, mas o futuro é que nos leva a pensar que hoje, amanhã e sempre, o Latino vai continuar vivo”.

Neste seguimento, o presidente da Assembleia Geral do Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho, Fernando Albuquerque, enalteceu que “numa coletividade com um machado na cabeça, numa coletividade com problemas judiciais, numa coletividade onde não sabemos se amanhã temos casa ou não, ter uma direção, que além de estar meramente a gerir administrativamente o Centro ainda faz o nível de atividade que esta direção consegue fazer é de louvar”.

Elísio Pinto, vereador da Câmara Municipal de Gaia, fez questão de marcar presença neste evento em representação de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, e ressaltou que “celebrar um aniversário de uma coletividade tem uma importância enorme, não só porque a presença da Câmara Municipal é um profundo reconhecimento ao trabalho que efetivamente a coletividade em si e, em particular aqui o Latino, tem desenvolvido nestes 113 anos de vida e, por isso, em nome da Câmara Municipal e em nome do senhor presidente da Câmara importa deixar uma palavra de gratidão por todo o trabalho que, efetivamente, desenvolveram desde os seus fundadores até aos dias de hoje, quer no âmbito da cultura, do desporto, da componente recreativa e, por isso, é de enorme importância a Câmara deixar aqui este nosso reconhecimento por toda esta dedicação, entrega no âmbito do voluntariado, à cultura, que efetivamente o Centro Latino Coelho tem feito e tem desenvolvido”.

Por seu turno, Agostinho Viana, membro do executivo da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, sublinhou em representação de Paulo Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, que “o Latino Coelho não é uma instituição qualquer, para nós Junta de Freguesia, representa muito, porque independentemente daquilo que se faz que é por todos conhecido, tem uma componente social, que para nós é muito importante”, acrescentando que “a Junta de Freguesia está sempre presente quando lhe é solicitado”.

Mário Jorge, presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, também interveio nos discursos realizados no âmbito da sessão de encerramento das festividades, lembrando que “o Latino sempre lutou contra obstáculos. Estava-se aqui a falar de um obstáculo que é o facto de o Latino ter as suas instalações penhoradas no banco. Os latinistas sempre souberam encontrar nos obstáculos a oportunidade, não é agora que se pode baixar os braços, eu não acredito nisso. É difícil transpor um obstáculo? É difícil sim senhor. Há soluções? Tem que haver, temos que as procurar. Temos que as procurar todos em conjunto, todos os associados, os órgãos sociais, as autarquias, e eu estarei aqui para aquilo que esteja ao meu alcance. Agora fechar uma coletividade com este potencial histórico que nós temos, acho que é o maior erro que podem cometer. Uma coletividade que sempre se tem desenvolvido, que sempre tem vivido e desenvolvido a área cultural, a área desportiva, a área recreativa, a área da ação social”, destacando que “nós sabemos que o Latino vai continuar. Não mais um ano, mas pelo menos mais 113 anos”.

Também António Marques, vice-presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, participou nas celebrações e salientou que o Latino Coelho “da Federação pode contar com um incondicional apoio e, acima de tudo, com toda a amizade e consideração”.

João Marques aproveitou ainda a ocasião para destacar os desejos e ambições para o futuro da instituição. “Eu seriamente desejo que o Latino nos próximos anos consiga caminhar com o apoio da Junta de Freguesia e do município de Gaia, porque sem esse apoio do município de Gaia e da Junta de Freguesia, o Latino não vai ter condições. Nós temos tido um relacionamento muito saudável com a Junta de Freguesia e com o próprio município. Essa relação, contudo, não é suficiente para suster as dívidas que nós temos. Por isso, aquilo que eu espero é que num futuro próximo, realmente nós possamos arranjar forma de podermos ultrapassar estas dificuldades. Elas são do conhecimento geral, elas são do conhecimento da Junta de Freguesia, elas são do conhecimento da Câmara, embora reconheçamos também que o Latino não é uma única associação existente em Gaia e, por isso, as nossas dificuldades se calhar também são transversais a outros, mas eu tenho de me preocupar com as dificuldades do Latino Coelho. Eu espero e desejo que no próximo ano essas autarquias, esses poderes municipais possam dar uma ajuda mais próxima do Latino Coelho e assim acredito que nós possamos continuar de portas abertas à comunidade”.

A sessão solene de encerramento das comemorações do 113º aniversário do Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho culminou com uma homenagem, que foi prestada a Abílio Pereira da Cunha, através da entrega do emblema de ouro da coletividade, pelos 50 anos de associado à instituição.

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