Este foi, sem dúvida, um ano de glória para as atletas do Colégio de Gaia. Dias depois de se sagrarem campeãs nacionais, algo que não acontecia desde 1991, as atletas defrontaram novamente as adversárias do Madeira SAD e conquistaram a Taça de Portugal, fazendo assim a “dobradinha”, algo inédito na história do clube.

As gaienses venceram assim a sua terceira Taça de Portugal num jogo frente ao mesmo adversário da final do campeonato, o Madeira SAD, equipa detentora do título. Contudo, as atletas do Colégio de Gaia não demonstraram receio e assumiram a liderança do marcador após uma entrada forte na segunda parte. O jogo terminou com um ponto apenas de diferença (23-22), demonstrando bem a luta dentro de campo.

Já antes, na final do campeonato, as atletas do Colégio de Gaia não perderam um único jogo, vencendo os dois encontros na Madeira e festejando em casa o título de campeãs ao vencer as adversárias por 25-18, num jogo que ao intervalo, com 11-11 no marcador, deixava tudo em aberto.

Para Jorge Tormenta, coordenador do desporto escolar e adjunto para o andebol há mais de 40 anos, estes resultados significam “a confirmação de que é salutar ter projetos educativos com educação integral pelo desporto e o alcançar de objetivos”.

“A nossa linha mestra de orientação é a de utilizar a prática desportiva como veículo de enriquecimento humano na transmissão de valores para uma sociedade melhor, ou seja, progredir e ser cada dia melhor, respeitando o próximo. Naturalmente, num projeto amador e académico, o valor e os resultados desportivos sofrem oscilações mas procuramos sempre incutir a luta para irmos sempre o mais longe possível”, afirma, acrescentando que “a estabilidade e os planteis das equipas nos últimos quatro anos permitiram estes êxitos”.

Contudo, Jorge Tormenta admite que “muito difícil” alcançar estes resultados. “No ano transato já havíamos ameaçado mas este ano fomos melhores com um trabalho excecional do professora Paula Castro. Foi difícil, perante equipas com outros orçamentos e experientes, nomeadamente superando os ex-campeões nacionais, o Madeira SAD”, reforça.

Agora que o Colégio de Gaia alcançou a “dobradinha”, Jorge Tormenta espera que a equipa continue a “caminhar da mesma forma”, dando sempre atenção à educação e só depois à competição, e tem já alguns desejos para o futuro.
“Estas vitórias aumentaram a popularidade da academia e a adesão das jovens. Se pudesse, gostaria que o Colégio de Gaia tivesse um projeto semelhante para os rapazes, como já tivemos com o voleibol”.

 

blank

 

PAULA CASTRO, TREINADORA DA EQUIPA DO COLÉGIO DE GAIA

Qual o sentimento de conseguir este feito que não era alcançado há muito?

Enorme satisfação e alegria. O nosso projeto é muito difícil, não temos orçamento que permita mais do que oferecer boas condições de treino e ambiente educativo-formativo, logo o sucesso resulta da possibilidade de criar ondas de motivação, ambiente de família que reforce a coesão de equipa e fomentar a paixão por ter um enorme sentido de responsabilidade e paixão por uma atitude profissional não o sendo. Este é um lado da questão, o outro são os adversários muito difíceis ex campeões nacionais e superar quem pode ter outros argumentos dá-nos um sentimento de superação e felicidade enorme.

 

Foi difícil? Houve algum momento em que achou que tal não fosse acontecer?

Temos sempre dúvidas. Tememos infelicidades, doenças, lesões, más disposições …
Mas sabemos quem somos e tivemos sempre muita esperança. Transmitimos isso às jogadoras que reagiram bem e foram à luta sempre sem grandes pressões, não tínhamos obrigações, não eramos as favoritas.

 

Houve algum momento específico em que sentisse que o campeonato estava ganho, ou teve “receio” até ao final?

Só no final da segunda parte do 3º jogo da final. As duas vitórias na Madeira nos 2 jogos iniciais deram-nos muta moralização, mas tivemos sempre preocupações porque sabíamos da categoria e experiência do ex campeão nacional. Sabíamos que podiam vir vencer-nos em nossa casa, se não conseguíssemos estar ao nosso melhor nível ..

 

Como ficou a equipa depois da conquista? Mais motivada do que nunca?

Naturalmente que sim, vamos lutar pelos desafios imediatos como as próximas lides europeias.

 

Qual o segredo para este feito?

O espírito do projeto educação integral do Colégio de Gaia, o espírito de amizade e família entre todos e a militância apaixonada de todos os membros do grupo de trabalho desde os docentes às jovens envolvidas quer jogadoras quer também de técnicos adjuntos. Permita-me uma palavra especial de reconhecimento e agradecimento para estes: Sheila Santos, Duarte Dias, Pedro Marques e Hélder M Sousa, que nos ajudaram imenso na gestão dos treinos e jogos, além de em áreas organizativas, bem como para vários encarregados de educação que tanto nos ajudaram.

 

Quais os objetivos para a próxima época?
Vencer novamente as competições principais, ir o mais longe possível nas competições europeias e organizar eventos que prestigiem a escola e a academia de andebol. Será motivante ….

 

blank

 

HELENA SOARES, CAPITÃ DA EQUIPA

Qual o sentimento da equipa neste momento, após se sagrarem campeãs, algo há muito desejado?
Desde 1991 que o Colégio de Gaia não era campeão nacional. Vivemos um momento de alegria muito grande e um sentimento de dever cumprido. Era algo que ansiávamos e procurávamos há algum tempo e que finalmente conquistamos. É um grande marco não só para nós mas também para a história do clube.

 

Qual o segredo por trás desta conquista?
Não tenho dúvida que o segredo desta conquista se baseia na capacidade de trabalho, luta, muito espírito de sacrifício e acima de tudo muita coesão do grupo quer nos bons, quer nos momentos menos positivos.

 

Houve algum momento que considerasse decisivo para esta conquista?
Sem dúvida alguma, os dois jogos que realizamos na Madeira foram bastante decisivos. Sabíamos que esses dois primeiros jogos eram fundamentais e jogar duas vezes consecutivas na casa do adversário não era tarefa fácil. Colocamos uma meta de pelo menos conquistar uma vitória. Tivemos felicidade de nos sorrirem duas vitórias e assim trazer a decisão para nossa casa, onde teríamos duas oportunidades para ganhar apenas um jogo.

 

Como capitã, o que incutia às jogadoras no jogo decisivo?
Nestas alturas penso que o coração fala mais alto e havia uma motivação muito evidente à volta da conquista do sonho. O grupo estava muito unido e forte na capacidade de trabalho e em termos anímicos. Acima de tudo o importante era mantermos a união e o foco no trabalho para atingirmos o nosso sonho.

 

Para a próxima época esperam repetir o feito?
Obviamente que se mantivermos o mesmo plantel sonhamos atingir o mesmo feito.

 

blank

 

Um pouco da história do desporto no Colégio de Gaia

Começou como desporto escolar e tornou-se num desporto escolar federado. O sucesso levou à multiplicação de equipas nos diversos escalões e hoje os resultados estão à vista.

O Colégio de Gaia foi crescendo nos escalões jovens e em 1988, com juniores, subiu à 1ª Divisão Nacional de onde nunca mais saiu, sendo a equipa mais antiga do campeonato de Andebol Feminino.

Neste percurso sénior o Colégio de Gaia sagou-se também Campeão Nacional em 1991, venceu a Taça de Portugal em 1990 e em 1998, bem como a Supertaça em 1992 e 1998.

Agora voltou a conquistar o Campeonato da 1ª Divisão e a Taça de Portugal – uma dobradinha inédita.

Mas este é um clube com uma particularidade fabulosa. Nos últimos 30 anos de 1ª Divisão, o clube apurou-se para as competições europeias por 28 vezes, tendo já realizado mais de 70 jogos europeus. O único entrave continuam a ser as equipas profissionais que, com mais recursos e experiência, limitam os sonhos da equipa.