A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia marcou as comemorações do 25 de Abril com o tradicional hastear da Bandeira Nacional na varanda dos Paços do Concelho, pelas mãos de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara, e Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Gaia. Seguiu-se um concerto, protagonizado pela Sociedade Filarmónica de Crestuma. A Sessão Solene, foi, ainda, em moldes pouco tradicionais, tendo ficado marcada pela publicação de um vídeo no site oficial da Câmara de Gaia com as declarações políticas de todos os partidos com assento da Assembleia Municipal.

 

 

A autarquia de Gaia assinalou a data do 25 de Abril, com o hastear da Bandeira Nacional na varanda dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Além de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, também Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, e João Paulo Correia, ex-presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, e atual Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, marcaram presença na varanda, ladeados por diversos vereadores da autarquia e representantes das autoridades civis do concelho. Também marcaram presença na singela cerimónia, diversos autarcas de Juntas de Freguesias gaienses, e alguns representantes associativos.

Após o momento do hastear da bandeira, protagonizado por Eduardo Vítor Rodrigues e Albino Almeida, e solenemente acompanhado pela Polícia Municipal de Vila Nova de Gaia, a comitiva política deslocou-se até ao edifício da PraÇa, onde já aguardava a Sociedade Filarmónica de Crestuma, para dar início ao espetáculo. O concerto, levado a cabo pela centenária Filarmónica de Crestuma, liderada pela maestrina Joana Oliveira, foi acompanhado por Alexandra Sá Mota, com a leitura de alguns poemas, e pela voz de Gildo.

Antes do início do concerto, Eduardo Vítor Rodrigues dirigiu-se ao público, tanto o presente, como o que assistia pela transmissão em direto e explicou que o local escolhido para o momento musical, ou seja, os serviços municipais, na PraÇa, foi um local pensado em consonância com as previsões atmosféricas. “Há três dias atrás, quando encerrávamos o modelo de cerimónia, tínhamos uma antevisão de chuva para o dia de hoje de 80%, fica, portanto, claro, que os políticos estão, mais ao menos, ao nível da meteorologia, não são só os políticos a enganar-se”, brincou o autarca gaiense. A cerimónia ficou assim reduzida, apenas às presenças mais institucionais, mas Eduardo Vítor Rodrigues lembrou que foi a sessão mais “normal” que se viveu, considerando os dois últimos anos, e desejou que, a partir de agora, as coisas se configurassem ainda melhores. “O que eu gostava de desejar é que esta fosse a primeira de muitas cerimónias em que voltamos ao contacto, em que voltamos à interação e em que as plataformas são mesmo só para quem não pode estar cá”, disse.

O lema da evocação das comemorações do 48º aniversário da Revolução dos Cravos foi, segundo Eduardo Vítor Rodrigues, “devolver o 25 de Abril às pessoas, devolver o 25 de Abril ao povo, naquele que é, ou naquelas que são, efemérides que podem e devem ser partilhadas e presenciadas por todos”, daí, inicialmente, o concerto ter sido pensado para acontecer na parte exterior da PraÇa, para que qualquer pessoa pudesse participar.

O edil gaiense fez um agradecimento especial à Sociedade Filarmónica de Crestuma que comemorou 100 anos de existência em 2021, mas que, pela força das circunstâncias na altura, continua, em 2022, a evocar as comemorações do seu centenário. “É uma referência em Vila Nova de Gaia, uma referência da música, da música filarmónica, mas, também, uma referência ao nível das escolas de música do concelho. Numa altura em que procurávamos um momento simbólico, marcante e importante para este retorno a uma relativa normalidade, solicitamos, e fomos imediatamente correspondidos, à Sociedade Filarmónica de Crestuma que nos pudesse presentar com aquilo que sabe fazer de melhor e em que é absolutamente extraordinária”, elogiou Eduardo Vítor Rodrigues.

O presidente da autarquia de Gaia refletiu, ainda, sobre o momento mundial que todos vivemos e de como isso abala os alicerces da liberdade humana. “Enquanto estamos aqui, relativamente tranquilos, a viver com alguma felicidade esta data, há, por esse mundo fora, quem esteja a ser bombardeado naquilo que alguns chamam de operações especiais, e não são mais do que crimes contra a humanidade. E, por isso (…) se me permitem, pelo menos, pessoalmente, gostava muito de dedicar esta evocação do 25 de Abril e esta apresentação da nossa Sociedade Filarmónica de Crestuma, a todos aqueles que por esse mundo fora sofrem arduamente em nome de crimes de guerra que estão a ser cometidos contra uma nação livre, e que merece ser respeitada”, concluiu o autarca.

 

Sessão Solene Online

Apesar de não ter existido uma sessão solene oficial, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia colocou online um vídeo com as declarações políticas dos diversos partidos representados na Assembleia Municipal.

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, transmitiu que os 48 anos do 25 de Abril, são “o momento de olharmos para o nosso presente e, a partir dele, valorizarmos aquilo que temos sido capazes de fazer no poder local, construindo um poder local democrático e que tem vindo, ao longo das décadas, a intervir na vida das pessoas de uma forma claramente positiva”, disse, dando exemplos como os espaços verdes, a rede de saneamento e a água potável, entre outros. O autarca lembrou ainda o papel das autarquias durante a pandemia. “Muito antes de respostas de âmbito mais central e nacional, foi no poder local que as pessoas, os clubes e as famílias encontraram respostas para os problemas emergentes de uma pandemia com que ninguém contava”, explicou, lembrando que, hoje, com a guerra na Ucrânia, novos problemas surgem, e com eles, novas necessidades de resposta, por isso, “precisamos muito que vocês [cidadãos] participem na vida do município, também, como um legado de democracia”.

Pedro Ribeiro de Castro, do PAN, na sua mensagem do 25 de Abril, passou a ideia de desagrado com a atualidade, assumindo que Portugal é um “país onde já se concretizou tanto no papel e onde faltam tantos meios para passar do papel à prática”. O representante do PAN na Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia acrescentou que “não se vive em liberdade quando se continuam a usar as pessoas com uma mão de obra descartável. Não se vive em liberdade quando falta uma verdadeira política ambiental. Não se vive em liberdade quando se despreza a vida animal e a biodiversidade”. Para Pedro Ribeiro, o dia do 48º aniversário da Revolução dos Cravos serve para “homenageamos todos e todas que têm estado nas lutas pela liberdade. Hoje, a memória da opressão é relembrada para valorizar a liberdade. Hoje lutamos pela liberdade que falta conquistar”, concluiu.

Rui Leite de Castro, da Iniciativa Liberal, começou a sua mensagem por contar um pouco a história do 25 de Abril de 1974, mas lembrou o momento histórico pelo qual o mundo passa, atualmente, com a Guerra na Ucrânia, e de como isso abala, novamente, os alicerces da tão aclamada liberdade. “ Hoje, durante uma guerra na Europa em que a Ucrânia foi vítima de um ataque cobarde e criminosos por uma Rússia autocrática e imperialista, os que se acham donos da liberdade em Portugal deixaram ainda mais evidente que não gostam da democracia liberal, que não gostam do nosso modo de vida e liberdade, que não gostam da abertura de fronteiras, da tolerância, da liberdade de expressão, da liberdade política, da liberdade económica, da liberdade de cada um perseguir o seu projeto de vida, de ter direito às suas escolhas e ao que é seu”, disse, concluindo que “não pode haver descanso quando essas liberdades são postas em questão ou são, de alguma forma, restringidas de forma injustificada”.

Também Jorge Pereira, representante do Chega na Assembleia Municipal de Gaia, afirmou, em 48 anos de democracia, esta “deveria estar madura, mas não está”, apontando assim muitas das falhas que Portugal continua a ter: “Temos um país endividado como poucos no mundo, onde a carga fiscal sufoca uma sociedade que quanto mais trabalha, mais impostos paga, não se percebendo para onde vai esse dinheiro todo. Temos um país em que doentes morrem à espera de uma consulta, porque se insiste na teimosia de não apostar no setor privado da saúde por puro preconceito ideológico das soluções para este setor? Temos um país onde as Forças Armadas já não são capazes de garantir a nossa defesa e soberania, porque se prefere investir milhares de milhões de euros em bancos e setores que nunca compensaram esse investimento. Temos um país onde a justiça, pilar fundamental da democracia, é inaceitavelmente morosa e, muitas vezes, benevolente perante crimes que colocam em causa os mais elementares direitos dos cidadãos. Portugal, nação quase milenar, merecia mais”, concluiu.

“Hoje, em Portugal, comemoramos a liberdade num momento em que, no interior do continente europeu, um país invade o outro, ocupando regiões, destruindo cidades e aldeias, matando populações. Sabemos que a violência bruta tem de ser combatida com frontalidade e sem hesitações” foram as primeiras considerações de Luísa Ferreira da Silva, do Bloco de Esquerda, na sua declaração sobre o 48º aniversário do 25 de Abril. Mas a representante do BE na Assembleia, não esqueceu a vertente crítica, lembrando a urgência de agir no que diz respeito às alterações climáticas. “A economia tem de ser, radicalmente, transformada no sentido da redução do consumo de energia, da regeneração dos recursos, da justiça entre os povos, e do cuidado com o bem-estar”, concluiu Luísa Ferreira da Silva.

André Araújo, da Coligação Democrática Unitária (CDU), referiu que a luta de 25 de Abril é contínua, está presente no dia-a-dia, e é ela que norteia o futuro. “Os valores que a revolução projetou, o da liberdade, democracia, justiça social, paz, soberania, as conquistas dos trabalhadores e do povo nas liberdades políticas, nos direitos económicos e sociais, refletiram e deram tradução às reivindicações que, durante quase meio século, foram afirmadas na ação e luta de antifascistas. Essas conquistas e valores continuam hoje a afirmar-se como referência para a resposta aos problemas atuais e, simultaneamente, como um grande projeto de futuro”, disse, referindo, depois, lutas diárias da população, por exemplo, por melhores salários e pensões, por melhor educação ou por melhorias nos transportes públicos.

Luís Miguel Nogueira, representante do CDS-PP, relembrou que “neste dia, comemoramos a liberdade, renovamos a esperança, avaliamos o passado e o presente, e olhamos para o futuro com otimismo, mesmo otimismo que nos caracteriza”. Mas Luís Miguel Nogueira, também deixou um alerta para os dias que correm, difíceis, e que se avizinham ainda piores, lembrando que a liberdade é frágil e que a sua manutenção é diária. “Os tempos que vivemos são de grande incerteza. Portugal, como país, encontra-se extremamente dependente e vulnerável a crises económicas e financeiras internacionais. Por isso, temos a nossa liberdade ameaçada todos os dias e a liberdade é para ser conquistada todos os dias. Temos que lutar se quisermos mantê-la, quer como pessoas individuais, quer com o país. A nossa dependência da proteção externa é brutal. Nos dias de hoje, produzimos pouco mais de 10% daquilo que consumimos”, referiu o representante do CDS-PP.

Fernando Almeida, representante do PSD na Assembleia Municipal, começou por exaltar a data do 25 de Abril: “Não nos parece excessivo afirmar que, na história de qualquer país, há poucos momentos tão relevantes, em que seja tão intenso e generalizado o entusiasmo sentido por toda a população, tão exuberante a alegria e satisfação do povo”. O autarca lembrou que são muitas as coisas boas, uma vez que “construímos um país que anda de braço dado com o mundo. Não é por acaso que dois portugueses foram eleitos para lugares de topo na Organização das Nações Unidas (…) Fizemos progressos significativos em múltiplos domínios na saúde, na investigação científica, na educação, na modernização da agricultura, na indústria, no comércio, nas infraestruturas, nas políticas ambientais, entre outros”. No entanto, Fernando Almeida, também garantiu que há muito para fazer. A capacidade está cá, faltam, na sua opinião, melhores práticas para que se faça “cumprir, integralmente, o desígnio iniciado em 25 de Abril de 1974”.

“E, de repente, passaram 48 anos”, foi assim que Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, iniciou a sua mensagem, lembrando o ambiente que presenciou a 25 de Abril de 1974 e os seus três eixos: democratizar, descolonizar e desenvolver. “Temos estado concentrados em desenvolver a educação, a saúde, o apoio social, desenvolver a investigação e tudo aquilo que contribui para tornar diferente e melhor a vida dos nossos concidadãos. É isso que temos vindo a fazer em Gaia”, referiu o presidente da Assembleia Municipal, concluindo com uma mensagem de crença na força do povo português, e gaiense, para continuar essa luta diária pelo desenvolvimento.