O segundo enigma do nosso torneio de decifração é da autoria de um dos mais carismáticos policiaristas nacionais, reconhecido entre os seus pares pela sua criatividade e por um sentido de humor muito peculiar e um espírito crítico agudo, a que acresce a sua natural bonomia nas relações interpessoais e uma grande capacidade de síntese na sua escrita.

Essa sua personalidade fica claramente patente na forma generosa e atenciosa como se relaciona com os outros no seu quotidiano e na forma divertida que imprime em toda a sua obra, tanto nos seus escritos policiários como na sua restante produção literária. No que respeita à sua escrita, já pudemos apreciar nesta secção, num passado muito próximo, um enigma que comprova o que acima se afirma, situação que se repete no enigma abaixo publicado e que constitui a segunda prova do torneio de decifração “Solução à Vista!”.

E para que os nossos leitores possam ter outra forma de comprovar, ainda mais, a justiça das nossas palavras publicaremos em próxima edição o original submetido pelo policiarista de quem falamos ao nosso concurso “Um Caso Policial em Gaia”, com o qual alcançou um honroso terceiro lugar da classificação geral, num conjunto de oito contos analisados pelo júri. Posto isto, e sem mais demoras, passamos a publicar a segunda prova do torneio “Solução à Vista!”, que animará a nossa secção até final de janeiro do próximo ano.

 

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”

Prova nº. 2
“Camarada Tempicos”, de A. Raposo

Vocês já conhecem o Tempicos de outras histórias. Pois ele continua malandreco, oportunista e pinga-amor. Tudo qualidades, como é óbvio.

Ultimamente, como o turismo aumentou, decidiu explorar esse filão.

Meteu-se nas suas tamanquinhas e começou a frequentar locais turísticos na cata de visitantes, preferentemente noviças e apetitosas, que ele não faz por menos!
Estava ele no Mosteiro dos Jerónimos quando vê aproximar-se duas loiras lindas e viçosas e, claro, ele meteu conversa. O velho “Do you speak english?” da ordem.

E o diálogo começou. Elas começaram por dizer que eram russas de Moscovo, professoras de educação física, estavam em Portugal pela primeira vez e arranhavam o português com sotaque do Brasil. Fora lá que estiveram um mês e aprenderam alguma coisinha.

Tempicos apresentou-se como político de carreira aposentado. Dizer que for da Judite não lhe dava status. Elas eram cópia fiel uma da outra o que quer dizer que eram gémeas.

Delicadamente, Tempicos ofereceu a sua casa, no Bairro Alto, bairro típico de Lisboa, num segundo andar, com janelinha para o Tejo e uma grande cama “big size” que daria para os três, sem prejuízo para quem ficasse ao meio, desde que fosse ele…

Mas como elas não tinham conseguido arranjar hotel – Lisboa estava sem camas, dado o grande boom de turistas – elas não se fizeram esquisitas… pois afirmaram ser socialistas e com grande mental aos costumes.
Uma delas que afirmou chamar-se Nádia tinha uma pequena mancha negra no mamilo esquerdo (esquerdo para quem saia, direito para quem entra) que era bem visível dado o generoso decote.
A mana chamava-se Galina.

Tempicos pensou que ela seria uma franganota de fácil e rápida digestão…
Eram moscovitas e tinham aprendido o português no Rio, de onde tinham chegado de manhãzinha a Lisboa, pela primeira vez, e estavam a gostar do que estavam a conhecer.

Tempicos levou-as até sua casa após a ida aos Jerónimos e a uma visita aos pastéis de Belém, comprar umas dúzias para comerem à noite que se apresentava agitada quiçá de insónia.

Tempicos apresentou-lhes uma bandeirinha do PCP que lhes ofereceu de lembrança visto que elas se confessaram partidárias do atual partido comunista da federação russa, e ele aproveitou para dizer uma mentirinha: que andara em tempos na clandestinidade.

Tovarish – disse Tempicos, a única palavra que sabia ser Camarada.
Nádia disse num português de sotaque brasileiro que gostaria de andar de carro elétrico. Galina acrescentou que gostaria de beber uma bica numa esplanada à beira Tejo.
Tempicos disse-lhes que sim e mudou de assunto.

Passaram uma noite agitada, cheia de risinhos, ruídos e boa disposição que nos escusamos de detalhar, pois os nossos libidinosos e perversos leitores são capazes de calcular sem esforço.
Às tantas da noite Tempicos precisou de se levantar para ir à casa de banho (coisas da natureza) e no regresso foi espreitar as langeries dispersas no chão. Nádia tinha um H bordado na calça vermelha e a mana um L igualmente bordado a dourado na calcinha preta.

Estes factos levaram o nosso herói a perguntar se elas não estariam ligadas aos serviços secretos.
Tempicos gostava de enganar mas não de ser enganado.
E os amigos leitores, que também não gostarão de ser enganados, saberão através da vossa dedução concluir da veracidade das afirmações das manas russas?

Tempicos sabia que aquela história não estaria a ser bem contada. Mas perdoava-lhes o mal que lhe fizeram pelo bem que lhe soube aquela aventura.

 

DESAFIO AO LEITOR

E o leitor, também desconfia da veracidade das afirmações produzidas pelas duas manas russas, ou não? E porquê? Justifique o seu raciocínio, pormenorizadamente, através de relatório a enviar para o orientador da secção, até dia 20 de julho, por um dos seguintes meios:

– por correio, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
– por email, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.

E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade A. Raposo (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção.

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