Sobe hoje o pano para o arranque do Torneio Policiário’ 2017, com a publicação de um problema original da dupla A. Raposo & Lena, formada por um casal de brilhantes produtores e decifradores, que antes de se assumirem formalmente como equipa, o que aconteceu muito recentemente, já há muito que vinham trabalhando em conjunto nas produções então assinadas por A. Raposo, o primeiro a sucumbir ao “bichinho” do policiário.

Tudo começou nos anos cinquenta do século passado, andava ele na Escola Veiga Simão, junto ao Chiado, em Lisboa, quando se deparou com a revista Camarada. Por entre as estimulantes páginas assinadas por uma magnífica equipa de desenhadores responsáveis por alguma da melhor banda desenhada que então se produzia por cá, surgia uma secção rubricada por uma figura lendária deste desporto mental – Sete de Espadas, um homem que tinha uma qualidade incomum: fazia tudo por gosto.

Por essa mesma altura surgiram grandes coleções de livros policiais – a Vampiro e a Xis são dois bons exemplos. Leu muitos deles, quase todos, e ficou fã de alguns dos maiores escritores da época. Por volta de 1956 fundou, com mais um grupo de carolas e sob a batuta do saudoso Sete de Espadas, um clube que se chamou CLP – Clube de Literatura Policiária. Como o seu nome figurava na lista do requerimento feito ao Governo Civil de Lisboa para que o Clube fosse aprovado, a PIDE foi a sua casa para o conhecer melhor, saber se ele era bom rapaz, trabalhador… ou, enfim, se tinha ideias subversivas. Pobre dele, que se confessava completamente analfabeto político! Hoje diz que é um “anarquista-agnóstico… graças a Deus”.

Em 1974 perdeu o contacto com o policiário e ganhou com a política. Foram bons tempos que viveu e que valeram a pena, “apesar do estado a que isto chegou”. Por essas e por outras é que regressou ao policiário. Nos fins da década de 1980, o confrade Gráfico começou a enviar-lhe o Jornal de Almada. E voltou. Hoje, diz estar “agarrado”. Está no Policiário do jornal Público desde o começo, já lá vão duas décadas e meia. Nos torneios está sempre entre os primeiros, mas “como é um bocado preguiçoso e curto nas respostas, passam-lhe quase sempre à frente”! Só uma vez ganhou um torneio. Mas o importante para ele é participar. Diz, aliás, que é como os atletas olímpicos, dos antigos, daqueles que gostavam de receber uma simples coroa de louros!

TORNEIO POLICIÁRIO’ 2017

Prova nº. 1
“O Primeiro Festival da Peta”, de A. Raposo & Lena
Tempicos foi convidado para abrir em Janeiro de 2017, em Vila de Frades, Alentejo, o I Festival da Peta.
Havia já uns belos dias que Tempicos ficara em Vila de Frades para assistir às Festas Báquicas e aproveitar e fazer uma cura de vinhos da talha, grande especialidade da terra.
Para quem não saiba são uns vinhos feitos em grandes talhas, como já faziam os romanos, poderemos dizer que são ecológicos, pois não levam leveduras nem enzimas, nem sulfuroso, nem aquelas merdas que as grandes marcas colocam que só fazem dor de cabeça e dão cabo da tripa.
Tempicos precisa de ter cuidado com a alimentação e a bebida porque anda meio mundo a enganar o outro e a vida é curta e é preciso ter um olho no burro, outro no cigano e o terceiro no político.
A Comissão de Festas do Festival da Peta – uma novidade a implementar num País cheio de gente com jeito para a aldrabice – conseguiu “engatar” o detetive Tempicos após ter oferecido estadia e um cachet em géneros: torresmos de porco preto, uma especialidade ainda praticamente desconhecida.
E, sem mais delongas, Tempicos iniciou a abertura dos trabalhos com a sua voz avinhada tão do agrado de algumas viúvas endinheiradas e com falta de carinhos:
“Muita gente me tem chamado de aldrabão – injustamente diga-se! Sou muito criativo e o pessoal confunde. Tenho sido uma vítima.
Vou contar-vos uma faceta da minha já longa vida.
Faço anos no oitavo dia do mês em que terá início o ano de 5778 da era israelita.
O sol vai nascer em Lisboa às 07h06m e vai pôr-se às 20h08m, no primeiro dia do mês em que nasci.
E no ano em que nasci Salazar por lei determinou a ilegalização de todas as sociedades secretas incluindo a Maçonaria.
Tudo que vos contei é verdadeiro exceto um pequeno pormenor para que os nossos amigos descubram a Peta, conforme a organização do Festival obriga.
Deixei o meu cartão de cidadão nas mãos da organização do Festival o qual será exibido no final da festa.
Façam o favor de se pronunciar. E aqui vai mais um copo de tinto da talha, para acabar a história.”
E assim falou Tempicos.

DESAFIO AO LEITOR

Qual o seu parecer, caro leitor? Elabore um relatório circunstanciado, não descurando nenhum pormenor que considere relevante para a fundamentação do seu raciocínio, e depois envie-o para o orientador da secção, até ao dia 10 de março, por um dos seguintes meios:
– por correio, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
– por email, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.
Mas, atenção: não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome ou pseudónimo. Entretanto, prepare as “células cinzentas” para os enigmas que se seguem!

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