A Associação Património, Identidade e Memória (PIM) assinalou o Dia Nacional dos Moinhos com uma iniciativa imersiva, na Quinta de Eufrânio Ramos e no moinho “O Bengala”, que recriou todo o ciclo da broa de milho. O certame contou com a participação de crianças, da comunidade, de Luís Oliveira, presidente da edilidade desta localidade, e de Pedro Cavadas, adjunto da vereação da Câmara Municipal de Gaia, numa celebração das tradições e do património molinológico.
A Freguesia de São Félix da Marinha, em Vila Nova de Gaia, recuou no tempo para reviver tradições ancestrais ligadas à produção da broa de milho, no âmbito das comemorações do Dia Nacional dos Moinhos. A iniciativa, promovida pela Associação Património, Identidade e Memória (PIM), contou com a presença de Luís Oliveira, presidente da edilidade desta localidade, e de Pedro Cavadas, adjunto da vereação da Câmara Municipal de Gaia, e decorreu na Quinta de Eufrânio Ramos e no moinho “O Bengala”, proporcionando uma verdadeira viagem “do grão aos moinhos, à farinha e ao pão”.
Com um forte cariz pedagógico e cultural, o evento envolveu mais de 30 crianças das escolas básicas da freguesia, que participaram ativamente em todas as fases do processo tradicional. Desde a confeção da massa em cozinha tradicional até ao desfile evocativo rumo ao moinho, que contou com a participação do Rancho Folclórico de São Félix da Marinha, os mais novos tiveram oportunidade de vivenciar práticas de outros tempos, num ambiente de partilha intergeracional.
Maria Laura Marques, de 77 anos, foi uma das figuras centrais da iniciativa, responsável pela recriação da cozedura da broa. “Eu costumo fazer pão para mim, mas a Associação Património, Identidade e Memória pediu-me para vir fazer esta demonstração para as crianças”, explicou, sublinhando a importância da transmissão de saberes.
“A tradição do pão está muito enraizada na minha família (…). Eu faço tal como se fazia antigamente e não tem nada a ver com a forma como o pão é feito nos dias de hoje”, acrescentou a responsável, considerando tratar-se de “uma tradição muito bonita que é importante preservar”.
Para Luís Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de São Félix da Marinha, a iniciativa assumiu particular relevância na preservação da memória coletiva. “O que está aqui em causa é dar a conhecer, sobretudo, às gerações mais novas, de que forma é que o pão era feito”, afirmou, destacando que “a cultura e as tradições são o legado que os nossos antepassados nos deixaram” e que importa manter vivo. O autarca reforçou ainda a importância da colaboração entre a autarquia e o movimento associativo na concretização deste tipo de projetos.
Também Pedro Cavadas, adjunto da vereação da Câmara Municipal de Gaia, enalteceu o carácter estruturante da iniciativa no contexto de uma cidade em crescimento. “Cada vez mais Gaia é uma cidade onde vem muita gente habitar e acaba por se perder a identidade das freguesias”, alertou, defendendo que “a preservação deste tipo de património cultural (…) e iniciativas pedagógicas são fundamentais”, não só para os residentes, mas também para quem chega.
Já Domingos Dias, presidente da Associação Património, Identidade e Memória, evidenciou o trabalho desenvolvido pela associação na valorização do património local. “É uma instituição que visa defender e preservar o património histórico-cultural”, ressaltou, revelando que já foi feito o levantamento de 22 moinhos que funcionaram na freguesia durante o século XX. Entre os projetos em curso, salientou a recuperação do moinho “O Bengala”, com vista à criação de um centro interpretativo aberto à comunidade escolar e ao turismo, assim como a instalação de sinalética junto aos antigos moinhos, reforçando a memória coletiva.
“Hoje, este evento tem um outro acrescento que é a tradição da feitura da broa de milho (…), com a preocupação de envolver os miúdos das escolas”, reforçou o presidente da PIM, demonstrando a importância da ligação entre o património natural e cultural.
Entre histórias, saberes e sabores, a celebração do Dia Nacional dos Moinhos em São Félix da Marinha afirmou-se como um momento de valorização identitária, onde o passado se cruzou com o presente, garantindo que as tradições antigas continuam a ter lugar no futuro.


