Conselheiro nacional da Iniciativa Liberal (IL), António Henrique Cruz é o candidato escolhido pela Coligação Gaia Sempre na Frente, para a Junta de Freguesia de Pedroso, nas próximas eleições autárquicas de 12 de outubro. Assumindo que tem já ideias alinhavadas com Luís Filipe Menezes, candidato da coligação à Câmara Municipal de Gaia, o liberal assume que apesar de ser altura de renovação em Pedroso, “há coisas que foram bem feitas” pelo anterior executivo de Filipe Silva Lopes, mas que “é possível fazer mais e é isso que nos move”. Adiantando que há duas dimensões importantes do programa, “criar uma centralidade e criar um refúgio para viver” a sul do concelho de Gaia, António Henrique Cruz garante ainda que a habitação, os espaços públicos, os transportes e o investimento e mecenato serão pontos essenciais de uma possível presidência.
O que o leva a candidatar-se à Junta de Freguesia de Pedroso?
A resposta direta e simples é o interesse pela minha terra. Terminei a minha carreira profissional há um ano e desde os meus 18 anos que tenho estado sempre interessado em movimento juvenis, no Centro Social, nos assuntos da Igreja, na Confraria, portanto, o interesse pelo que se passa na minha terra vem de longa data. E agora que tenho algum tempo mais disponível, acrescido do facto de ter sido eleito conselheiro nacional pela Iniciativa Liberal (IL) há uns meses, fez com que eu entendesse que era meu dever disponibilizar-me para os assuntos da terra de Pedroso. Em segundo lugar, porque os ciclos políticos são o que são, as pessoas começam com ideias novas e fazem coisas novas com impacto, mas há que reconhecer que ao fim de 12 anos é natural que as ideias escasseiem e quem não fez em 12 anos o que imaginava fazer, é natural que tenha menos ideias e é altura de renovação em Pedroso. E acredito que a nossa equipa, ainda por cima uma equipa diversa com gente de quatro forças políticas, PSD, CDS, IL e cidadãos independentes, trazem, de facto, um conjunto de ideias e propostas para um novo ciclo para Pedroso. E esse novo ciclo assenta em dois pilares que desenvolverei ao longo da entrevista, que é, queremos transformar Pedroso numa nova centralidade acima do concelho de Gaia, e queremos criar condições para que Pedroso seja um verdadeiro refúgio para viver a sul na Área Metropolitana do Porto.
É conselheiro nacional da IL, deverá ser um recente militante, porque integrou nas últimas autárquicas o movimento de apoio a Filipe Silva Lopes. Muita desilusão deve ter tido, até porque ele será novamente recandidato, não como cabeça de lista, mas como número 2, à Assembleia de Freguesia de Pedroso. Portanto, há uma desilusão relativamente a Filipe Silva Lopes?
De facto, sou militante recente da IL, creio que desde março de 2022 ou 2023, o partido também não é muito mais velho, mas há outra razão. Fiz a minha carreira profissional, a maior parte do tempo como gestor público, tenho despachos de nomeação de ministros do Partido Socialista, de ministros do PSD, ou membros do Governo do CDS. E ao longo desse tempo, quando temos nomeações desta natureza, como gestor público temos um dever de lealdade por quem nos nomeia. Não estamos lá para pensar politicamente, estamos lá para executar políticas e devemos ser competentes nisso. Ao longo destes 30 anos, nunca militei em nenhum partido político, por esta razão de lealdade que entendi que deveria ter. A partir do momento que terminei essa carreira, assumi aquilo que é o meu perfil de pensamento político que é muitíssimo coincidente com aquilo que a IL defende. Em segundo lugar, a questão de estar ou não desiludido, há 12 anos, quando ajudei o Filipe Lopes a vencer as eleições em Pedroso, tínhamos uma situação idêntica à que temos hoje, talvez ainda mais desgastada do que temos hoje, porque o presidente anterior, o António Tavares, estava no exercício de funções há 24 anos. Portanto, aquilo que disse há bocado, aplicava-se na altura ainda com mais ênfase, as ideias já não abundavam e entendi que deveria fazer alguma coisa e assim fiz. Fizemos um projeto, um programa, um conjunto de ideias inovadoras, muito voltadas para a proximidade para as pessoas, para as coletividades, e notou-se uma grande diferença. Ao fim destes 12 anos, o que é que não me satisfaz é que esta novidade que aconteceu, voltada para as coletividades e pessoas, está bem feita, cumpriu o seu papel, mas achamos que precisa de ser feito mais. A nossa abordagem não é dizer que foi mal feito, é nos acharmos que a Junta de Freguesia de Pedroso pode fazer o que o Filipe Lopes fez, mas pode fazer ainda mais. Dando um exemplo muito concreto, que é uma obra ou uma iniciativa emblemática do Filipe Lopes, que é a Festa do Caneco, que nasceu com a ideia de ser uma semana cultural dedicada a proporcionar às coletividades e associações de Pedroso, mostrarem o que são e angariarem uma receita para os seus planos de atividades. E isso foi conseguido e muito bem, e a Festa do Caneco de 2014 não é nada parecido à Festa do Caneco de 2025, é muito maior. Mas achamos que, além de manter esta ideia de gerar receita para as coletividades, podemos dar uma dimensão maior à Festa do Caneco, uma dimensão nacional. Imagine que agora dizíamos que a Festa do Caneco passa a ser a Festa do Caneco e do Vinho, ou que, além de a fazermos do lado de fora do estádio, conseguíamos mobilizar empresas produtoras ou comercializadoras de vinho e fazíamos um acrescento dentro do estádio Jorge Sampaio. Isso daria uma dimensão nacional ao evento e projetava a freguesia, não só cumpria o objetivo inicial de financiar as coletividades como poderia, inclusive, trazer uma componente comercial para o próprio evento. Nós entendemos que há coisas que foram bem feitas, mas que é possível fazer mais e é isso que nos move.
Mas pegando nessa ideia do vinho, não estaríamos a cair numa situação idêntica a Seixezelo com o Festival da Cereja, numa terra onde não há cereja e agora promovem o Festival do Vinho onde não há produtores de vinho, pelo menos de grande escala?
Também não estou a recordar-me de nenhuma empresa produtora de canecos em Pedroso. Nós precisamos de criar um evento de maior dimensão, portanto, quando penso em acrescentar o vinho, não estou a pensar em Pedroso, estou a pensar na região, em Vila Nova de Gaia e Porto. Estou até a pensar no Douro. Ou seja, podemos manter o que existe e acrescentar mais. Não é por acaso que estou a falar num espaço adicional, porque o que estou aqui a dizer é que é possível fazer mais, dar uma dimensão maior e fazer de Pedroso uma terra conhecida. Um outro exemplo, a nossa candidatura conseguiu reunir à nossa volta um conjunto de uma dúzia de conselheiros, alguns deles professores académicos, universitários, outros empresários da terra, conselheiros da Ordem dos Médicos, e houve um deles que numa das nossas reuniões nos disse que não sabia onde era Pedroso, mas que achava que tínhamos aqui um diamante em bruto, que é esta Festa do Caneco, que se conseguíssemos dar uma dimensão maior, e que tínhamos todas as condições para isso, íamos dinamizar economicamente a freguesia. Há já nesta altura algumas das barraquinhas na Festa do Caneco que não são de coletividades, são de empresas ou são de subcontratações das coletividades. Portanto, nós não queremos excluir esta atividade económica da Festa do Caneco, isso não faz sentido, mas queremos que haja uma atividade económica maior e assumida. Nós não estamos interessados em que haja entidades a fazer comércio com a Festa do Caneco de forma encapotada. Queremos assumir isso, a Festa do Caneco pode ter uma dimensão de desenvolvimento da atividade económica e comercial em Pedroso. É essa a nossa visão.
O Complexo Desportivo Jorge Sampaio também foi criado para a freguesia e, tirando honrosas exceções, é tudo menos para a freguesia. Não crê que ao criar um evento dessa dimensão não vá esvaziar a freguesia que acabará por ser apenas uma “barriga de aluguer”?
Se calhar, chegou a altura de falarmos sobre o Dr. Luís Filipe Menezes. Tive a semana passada duas conversas com ele e na segunda, a pedido dele, fomos visitar alguns locais na freguesia de Pedroso onde queremos fazer coisas. E ele pediu-me para ir antes da apresentação dessas ideias ao local ver o que estávamos a falar. E um dos locais que foram visitados, a pedido dele, foi o Complexo Desportivo de Pedroso. A nossa ideia é que o complexo está subaproveitado, e uma ideia que temos para o aproveitar melhor, não só nessa semana da Festa do Caneco, pelo menos durante todo o ano escolar, para conseguirmos por as crianças que frequentam o Gaia Aprende+ a frequentarem atividades desportivas naquele complexo. É o que chamamos uma academia de atividades extracurriculares. Gostávamos que as crianças que frequentam as escolas em Pedroso, pudessem, não só frequentar a piscina, mas também o próprio estádio, a pista que lá existe, gostávamos que esta academia extracurricular fosse capaz, pelo menos, de permitir treino para competição. Ou seja, que haja a possibilidade de as nossas crianças puderem ser federadas porque treinam em condições de competição. Há um projeto muito engraçado em Canelas que pode servir de modelo para esta ideia. As escolas têm crianças, ou seja, potenciais atletas, têm pavilhões, têm atividades enquadradas no currículo escolar, mas as escolas não podem ser federadas. Se fizermos o que está a ser feito em Canelas, que é associar clubes às escolas em que o clube dá o emblema, a camisola e os estatutos para poder ser federada essa atividade, conseguimos trazer crianças para os clubes e levar clubes para as crianças. Portanto, há no Complexo Jorge Sampaio um potencial enorme, porque aquilo funciona durante a Festa do Caneco, funciona como espaço para as pessoas fazerem caminhadas ao final do dia e quando há jogos, e quando o FC Pedroso tem atividades, mas de resto está fechado.
Mas o FC Pedroso não utiliza o estádio Jorge Sampaio, até porque está concessionado a um clube…
Verdade, mas aí o que se pode fazer é revisitar esse acordo com o FC Porto que sei que está perto de terminar essa concessão e pode ser reaberta essa negociação. Custa ver o que se passa hoje, que é o FC Porto para manter o estádio joga no relvado, e treina no sintético do FC Pedroso. O FC Pedroso treina no sintético e joga no sintético. Não me parece que isto seja equilibrado e acho que a conversa que tive com o Dr. Luís Filipe Menezes pode muito bem desbloquear esta situação.
Esse complexo foi considerado o elefante branco da freguesia, exatamente porque a utilidade para Pedroso era quase nula e era um encargo monumental e que, por isso, havia que despachar. Portanto, a freguesia está neste momento interessada e acha que tem capacidade para recuperar esse património e colocá-lo ao serviço da comunidade, é isso?
Acho que foi precisamente por não haver uma ideia como esta que acabei de descrever que, nessa altura, se acabou nesse marasmo. Não houve capacidade de ocupar aquilo com alguma coisa que fosse útil à comunidade da freguesia de Pedroso e das freguesias vizinhas, porque à volta não há nenhum complexo como aquele, tirando o de Olival. É, de facto, necessário um projeto para dar movimento e atividade àquele espaço que está completamente subaproveitado. Quando diz que foi um elefante branco, os elefantes brancos acontecem quando não se tira partido das coisas. Se fizer um jardim e só por colocar lá uma figura conhecida da Walt Disney, e ninguém tirar partido daquilo, naturalmente que se transforma em elefante branco. Mas se fizermos alguma coisa e a seguir, e aí é que está o grande desafio, conseguirmos envolver coletividades, clubes e associações na sua utilização, então eles deixam de ser elefantes brancos. E acho que o que se passou há 12 anos foi que não houve capacidade de tirar partido de uma estrutura com potencial enorme.
“Queremos que exista na Junta de Freguesia aquilo que chamamos de responsável de avaliação de impacto social”
Já que falamos de associativismo, Pedroso é uma freguesia muito rica no campo cultural, recreativo, desportivo e social. Por exemplo, temos um clube na I Divisão Nacional, o Clube Hóquei dos Carvalhos, que vai carecer de uma atenção especial por parte do próximo executivo. Já há algumas ideias alinhavadas, no caso de vencer, com o potencial candidato à Câmara Municipal, Luís Filipe Menezes?
Relativamente às associações e coletividades, temos uma visão complementar, entendemos que se deve manter o sistema de apoios que tem vindo a acontecer que é assente no financiamento de planos de atividades e nisso vamos ser particularmente exigentes, ou seja, as entidades terão de nos apresentar um plano de atividades para terem direito ao apoio da autarquia e prestar contas desse plano de atividades. Portanto, não é só um papel que apresentam e depois ninguém verifica se é feito ou não. Mas nós temos vontade de acrescentar a estes protocolos financeiros mais alguma coisa, nós queremos que exista na Junta de Freguesia aquilo que chamamos de responsável de avaliação de impacto social. Ele há de ser um verdadeiro comercial dos projetos da Junta de Freguesia e quem terá esta função o primeiro objetivo que tem é que todos os apoios que a Junta de Freguesia conceda, seja a coletividades, seja a iniciativas de quem quer que seja, serão também apresentados no âmbito de mecenato cultural e social no âmbito dos programas de responsabilidade social empresarial no sentido, não só de trazer patrocínios, mas também, por exemplo, além da componente financeira, negociar com uma dúzia de empresas a desmobilização durante um dia de voluntariado de alguns dos seus colaboradores para virem fazer trabalho de voluntariado em trabalhos que as nossas associações e coletividades precisem de fazer. Por exemplo, nós tivemos, há uns dias, a visitar o Agrupamento de Escutas 501 de Pedroso, e eles têm exatamente esta situação que acabei de descrever, têm uma necessidade muito especial que é as casas, que são as instalações deles, estão cobertas com fibrocimento, que deve ser retirado porque qualquer pai hoje resiste a por um filho numa instalação ou escola que tem fibrocimento. Mas continuam a pôr porque não há alternativas. Portanto, um apoio financeiro funciona para substituir um telhado de fibrocimento, mas podemos pensar, por exemplo, em rechear o espaço que os escuteiros têm com passagens suspensas, com infraestruturas para fazer uma atividade de ataque ao castelo, com a melhoria do lago que lá têm, com a instalação de algumas infraestruturas com trabalho voluntário. Já fiz isso na Norgarante, onde fui presidente executivo, e acredito que podemos fazer um protocolo com 12 empresas para termos um dia por mês um grupo de pessoas voluntárias para fazer isso.
Mas aí estamos a entrar numa matéria de uma instituição privada, pertença da Igreja Católica. Ou seja, a Junta de Freguesia não pode, de uma forma liberal, meter-se com os escuteiros sem falar com a paróquia e com o Bispo do Porto. Isso não é extravasar competências? Já tem algum pré-acordo com o bispo do Porto para, eventualmente, autorizar a que possa fazer isso?
Sei disso, e o que estou a dizer, além de ser liberal, porque o que estamos a fazer é dar capacidade a esta instituição a ter impacto na comunidade, por isso falava dos elefantes brancos. O nosso foco, como liberais, é que haja apoios, iniciativas que tenham impacto na comunidade. Se eu conseguir criar condições no grupo de escutas 501 Pedroso para eles trazerem para a freguesia grupos de fora para fazer ali atividades, isso vai aumentar o número de crianças que frequentam os escutas e é bom para a comunidade. Eu não me vou substituir à administração do grupo de escutas, não é isso que vamos fazer, nós oferecemos ao grupo de escutas dias de voluntariado, se eles quiserem receber. A única coisa que pedi à equipa que está à frente do grupo de escutas foi que me arranjassem um conjunto de trabalhos que seja ocupe um grupo de 7 ou 8 pessoas durante um dia.
E também tenho algumas dúvidas se o mecenato dá para apoiar instituições privadas.
Dá, desde que tenham o estatuto de utilidade pública, e as IPSS têm. Dou o exemplo da minha instituição, o Centro Social e Paroquial de Pedroso, que é uma IPSS, de direção católica, da Igreja, tem estatuto de utilidade pública e como tal é elegível para 1% de devolução de IRS.
Voltando ao Hóquei e aos três grandes ranchos folclóricos que há em Pedroso, que são um nicho muito importante na cultura de Pedroso…
Há pouco disse uma coisa muito importante que eu salientei, até antes de anunciar a minha candidatura. Pedroso tem 4 ou 5 coisas muito distintivas. Tem natureza, espaço, ambiente que está subaproveitado. Dou o exemplo do rio Febros que está completamente abandonado e nós temos ideias para criar trilhos e percursos no rio Febros e uma praia fluvial no Carvalhal, aproveitando o espaço do antigo ringue do Carvalhal que está completamente abandonado, para ser um serviço de apoio a essa praia fluvial e até, possivelmente, ser um parque para viaturas de campismo, tirando partido desse balneário e serviço de apoio de bar. Depois, tem património, não só religioso, mas também cívico, o Mosteiro, o castro de Pedroso, o Colégio dos Carvalhos, tem voluntariado, as pessoas mobilizam-se para fazer muitas coisas através do associativismo, dos grupos de Igreja, dos clubes de futebol, há muito voluntariado em Pedroso e, portanto, o que precisamos de fazer é, não só continuar a apoiar as iniciativas destas associações, mas apoiar mais com esta responsabilidade social empresarial, com este mecenato. Sempre que o Rancho Folclórico da Nossa Senhora do Monte faz um Festival Internacional de Folclore, nós devemos estar lá. Devemos olhar para aquilo como um evento que promove Pedroso a nível internacional. Não se trata apenas de um apoio financeiro anual para financiar despesas correntes, manutenção, ou a substituição de umas telhas, nós queremos, além disso, financiar eventos e iniciativas. E isto está no nosso programa eleitoral. Todos os agrupamentos de pessoas que deem um passo à frente para organizar alguma coisa, terão o nosso suporte.
Os orçamentos das Juntas de Freguesia são muito limitados. Com o orçamento da Junta, tem dinheiro para pagar as despesas mensais e não sobra muito mais. Para isso, precisa de haver uma grande capacidade reivindicativa e diálogo com o órgão superior que é a Câmara Municipal. Está preparado para lidar com quem seja que ganha?
O orçamento da Junta de Freguesia de Pedroso, incluindo Seixezelo, é de 1 milhão e 200 mil euros, por causa das parcerias. Simplificando as contas, saindo Seixezelo, fica 1 milhão de euros, ou até menos. Se for ver, nos últimos cinco anos, a despesa de investimento nunca foi acima de 18 por cento do orçamento global da Junta de Freguesia. Mais, parte do plano de atividades da Junta de Freguesia foi pago com o dinheiro da venda de sepulturas do cemitério. Isto quer dizer que estamos a usar património para pagar despesas correntes. Em cima disto, sabemos que entre salários e despesas de eletricidade e etc, são 650 mil euros. O desafio é, como arranjar dinheiro para financiar estas ideias todas. E tenho três respostas para lhe dar. Primeiro, estão abertas candidaturas a Fundos Europeus para acesso direto das Juntas de Freguesia, 125 milhões de euros do Portugal 20-30. E vai haver mais, estão previstas, portanto, a Junta de Freguesia vai candidatar-se diretamente ao PT 20-30 e tirará partido de todas essas oportunidades de cofinanciamento, algumas delas a 100 por cento. Essa é a primeira fonte adicional de financiamento que também não foi usada porque só começou em 2025, vamos ser justos com a equipa do Filipe Lopes que não teve essa oportunidade. Segunda alavanca importante, que já referi atrás, que será o trabalho deste responsável de avaliação de impacto social que é mobilizar dinheiro de origem privada para os nossos projetos, mecenato, voluntariado, seja o que for. Terceira alavanca, nós já articulamos com o Dr. Luís Filipe Menezes um conjunto de projetos de dimensão que extravasa a capacidade da Junta de Freguesia, para acontecerem em Pedroso, alguns deles por nossa iniciativa, outros que ele próprio acrescentou. E vou dar alguns exemplos. Nós queremos criar em Pedroso um grande parque verde na Quinta do Mosteiro, que está em hasta pública, em venda, e a nossa ideia é que há uma parte que é edificável e que, naturalmente, queremos trazer um promotor que possa fazer o desenvolvimento desse projeto, mas todo o resto é património classificado de interesse nacional. Portanto, nós queremos arranjar uma solução para que esse parque fique ao serviço da comunidade, aberto ao público, uma parte até pode ser usada para habitação a custo acessível, não estamos a falar de moradias como tem na parte de baixo do Mosteiro, que vai valorizar imenso tendo um parque verde na parte de trás para as pessoas usufruírem e fazer daquilo um verdadeiro parque da cidade a sul do concelho de Gaia. Claro que isto não se faz sozinhos, precisamos da Câmara, por exemplo, para explorar ao máximo os índices de construção e no limite até para comparticipar algum tipo de despesa na compra dessa infraestrutura. Outro exemplo, nós temos uma grande expetativa de poder reabilitar toda a zona dos Carvalhos, está prevista no PDM uma zona de reabilitação urbana aplicada ao eixo Carvalhos que queremos ativar e concretizar esta operação de reabilitação urbana. E isso significa isenções de IMI, isenções IMT, reduções de IVA, diversos incentivos para que os proprietários reabilitem esses espaços. Hoje, os Carvalhos têm, porta sim, porta não, lojas fechadas. Com a operação de reabilitação queremos que isso seja dinamizado e o Dr. Luís Filipe Menezes confirmou esta vontade também. Além destas iniciativas que trouxemos, o Dr. Menezes acrescentou mais uma, de iniciativa dele, que é a antiga estrada nacional que vai do atual Mercadona na Rechousa até ao nó dos Carvalhos, passando pela Senhora do Monte, está completamente decrépita, as casas estão quase todas à venda, e o próprio Dr. Luís Filipe Menezes avançou que queria intervir nesse troço da N1 e fazer com que aquilo fique uma coisa agradável e valorizar o espaço. Porque quando se intervém nas vias públicas, e nos espaços públicos, a parte económica, e aqui entra a parte liberal, floresce. Valoriza-se os espaços, as propriedades, o comércio, porque há dinamismo. Última ideia de muitas, e em que o Dr. Menezes está particularmente empenhado, diria até que é a menina dos olhos dele para a freguesia de Pedroso, é, finalmente, abrir a VL12, que será um espaço, não só de circulação, mas também de abertura de novas oportunidades de investimento e de instalação, o tal refúgio para viver na Área Metropolitana do Porto.
A IL, com pompa e circunstância, anunciou que os portugueses, jovens e idosos, até 10 de junho de 2025, trabalharam para pagar impostos. Disse há pouco que a habitação seria vocacionada para os jovens, quer dizer que só os jovens é que pagam os impostos, os seniores não precisam de habitação?
Os impostos afetam toda a gente. Nós temos duas dimensões importantes do nosso programa, um é criar uma centralidade, outro é criar um refúgio para viver. E isto não é por acaso, não são propostas para dois grupos etários diferentes. A centralidade é muito importante porque baseia-se em acessos, em transportes e em serviços essenciais. E quando falo de serviços essenciais falo de creches, de saúde, e já agora quero dizer que vamos reivindicar, e o Dr. Menezes vai-nos apoiar nisso, que o nosso Centro de Saúde dos Carvalhos não seja apenas um edifício bonito e uma conquista de muitos anos que o Filipe Lopes concretizou, mas precisamos que ele tenha serviços essenciais para a comunidade e vamos reivindicar e acredito que iremos conseguir, que haja um serviço de urgência no Centro de Saúde dos Carvalhos, não só um serviço de atendimento de medicina familiar, queremos que tenha um serviço de urgência à semelhança do que acontece em Vilar de Andorinho. Portanto, serviços essenciais são importantes para jovens e para idosos também. Outra avalancha que há pouco estava a hesitar em adicionar é a falta de lugares em creches e em lares. A Junta não vai construir creches nem lares, mas sabe quantos terrenos a Junta de Freguesia possui em Pedroso? No âmbito do processo de divisão das freguesias fez-se um inventario e fiquei a saber que são dezenas de terrenos, não são todos urbanos, mas são dezenas de terrenos. Portanto, a nossa quarta alavanca de recurso a meios de financiamento é estarmos disponíveis para pagar nesses terrenos ao projetista, para pagar as taxas de licenciamento ou pedir isenção, estamos dispostos a pagar a consultores para fazer a candidatura a Fundos Europeus, e, a seguir, chamar uma instituição do terceiro setor, ou até uma instituição privada, e concessionar esse terreno, já licenciado e já projetado, para fazer uma creche, um lar, uma valência qualquer de apoio à comunidade, seja jovem ou idosa, e ficar a pagar uma renda por uso do terreno à Junta de Freguesia. Voltando ao tema da habitação, temos de admitir que é muito mais critica para os jovens. Porque os jovens para trabalhar precisam de estar mais próximos dos locais de trabalho, as pessoas da terceira idade estão interessadas no tal refúgio para viver, querem espaço, querem um parque verde para poder passear, querem segurança. E nós vamos dar isso com a GNR com os programas de segurança para idosos, na Escola Segura, se houver algum défice, nós vamos estar lá para que esses programas não acabem. Portanto, a IL defende isto, e impostos pagam todos, mas quem trabalha paga mais, e é quem trabalha que paga as contribuições para que, quem já trabalhou, possa usufruir. É um projeto que tenho no âmbito da IL, propus que fosse criado um grupo de trabalho para estudar a Segurança Social, e devo-lhe dizer que sou um defensor da liberdade de escolha da idade de reforma. Acho que todo o cidadão português devia ter o direito de escolher a idade em que se reforma. Se não puder reformar-se cedo porque acha que o corte na reforma é impossível de suportar, tem a opção de não se reformar mais cedo. Mas aqueles que se reformam mais cedo, deveriam ter direito a continuar a trabalhar e descontar para os outros. Este sistema atual tem um garrote que não ajuda ninguém.
“A IL, neste momento, tem todas as condições para dar um contributo positivo ao trabalho que o Dr. Menezes se propõe a fazer em Vila Nova de Gaia”
Tem evocado muitas vezes o nome de Luís Filipe Menezes, o que mudou em Luís Filipe Menezes e no António Henrique da Cruz porque em 2012/2013 era um acérrimo adversário de Menezes. Foi ele que se aproximou de si, ou o contrário?
A candidatura Gaia Sempre na Frente é uma coligação que a IL tem com o partido do Dr. Luís Filipe Menezes. E eu quero aqui enfatizar que estive envolvido como conselheiro nacional na discussão dessa coligação, que o Dr. Luís Filipe Menezes e a concelhia de Gaia tiveram uma grande abertura para acolher as propostas que a IL fez para esse acordo de coligação. E a IL, neste momento, tem todas as condições para dar um contributo positivo ao trabalho que o Dr. Menezes se propõe a fazer em Vila Nova de Gaia. Foram acolhidas propostas em várias áreas, na fiscalidade, no apoio às freguesias do interior, na transparência, dos transportes, que são bandeiras da IL, portanto, há que reconhecer essa abertura que o Dr. Luís Filipe Menezes e a concelhia tiveram para acolher essas propostas e que tornam, naturalmente, este projeto muito mais próximo do que são os nossos ideais e da nossa capacidade de mostrar que o liberalismo faz falta a Portugal e funciona. Portanto, esta disponibilidade não pode ser desaproveitada. Eu, em particular, defendi isso e penso que faz muito mais sentido estarmos dentro do que estarmos fora, e o Dr. Menezes tem revelado isso em afirmações públicas que valoriza a participação da IL neste projeto. O que se passou há 12 anos tem um enquadramento e tem uma razão de ser. O tempo de 2012/2013 não foi um tempo qualquer, foi pós intervenção da Troika, e todos aqueles projetos que foram feitos até à intervenção da Troika, foram financiados com dívida, e tiveram uma grande dificuldade de sustentabilidade porque os constrangimentos que foram postos ao Governo e por consequência aos municípios levaram a que essa divida não fosse sustentável. E uma coisa é fazer divida com taxas de juro a 0, como tivemos recentemente, ou até negativas, outra coisa é fazer financiamento com taxas de juro a 6 ou 7 como tivemos nessa altura da Troika. As circunstâncias mudam pela simples razão que os custos mudam. Isto dito, e isto tem também a ver com a coligação com IL, naturalmente que queremos apoiar iniciativas e projetos com dívida, mas que seja dívida que tenha impacto social na vida das pessoas e nisso o Dr. Menezes fez coisas bem feitas, pode ter feito outras menos bem feitas, mas há que reconhecer que todo o investimento que foi feito em infraestruturas no concelho de Gaia proporcionou a que houvesse desenvolvimento económico e valorização dos espaços privados, que aumentaram significativamente a receita de IMI e a atração de investimento para Gaia, e que foram colhidos depois. Portanto, a crítica que eu na altura fazia ao excesso de dívida tinha a ver com isto, tinha a ver com o facto de não serem ainda visíveis os frutos desse investimento. Reconheço, porventura, que possa ser uma crítica injusta porque estava a fazê-la demasiado cedo, mas o facto é que quando as dívidas são feitas e têm capacidade reprodutiva, a IL apoia esses projetos. Por exemplo, se fizer um empréstimo para fazer férias em Cancun a seguir, para pagar o empréstimo, tem de fazer horas extraordinárias. Se fizer uma dívida para comprar um automóvel para ser TVDE, paga a dívida em pouco tempo. E aqui é a mesma coisa, o que importa é o que se faz com o dinheiro que se pede emprestado.
Que mensagem pretende deixar aos eleitores pedrosenses?
Uma mensagem simples, que é, nós reconhecemos o trabalho que foi feito pela equipa do Dr. Filipe Lopes, achamos que há um esgotamento de ideias novas nesta equipa, a confirmar-se que o Filipe Lopes vai como nº2 da candidatura achamos que tal não é uma ideia muito promissora, porque significa que não há ideias novas, não há pessoas novas para desenvolver um projeto por parte do PS. Acreditamos que podemos fazer mais do que isso, pelas razões que já expliquei, é a proposta que fazemos aos nossos vizinhos em Pedroso, são estas ideias de que não vamos destruir o que foi feito, vamos acrescentar. E, por outro lado, dizer-lhes que todas as nossas iniciativas vão estar centradas nestas duas vertentes, que é querermos serviços essenciais, queremos os transportes a funcionar a tempo e horas e vamos ser muito críticos da Unir para que isso possa acontecer e até substituir a Unir, se for caso disso, e, por outro lado, queremos que as pessoas se sintam seguras, a segurança é uma prioridade para nós, vamos ter muita preocupação com a recolha de lixo, é inexplicável como por toda a parte de Pedroso existem monos, semanas a fio, à espera para serem recolhidos. Vamos, inclusive já estudamos isso, encontrar locais para instalar recolhas de lixo subterrâneas, em locais mais habitados. Vamos estar atentos a tudo o que é espaço público desaproveitado, como os exemplos que acabei de dizer dos terrenos da Junta de Freguesia, e vamos contar com o voluntariado, com a disponibilidade de todos os nossos vizinhos para fazer iniciativas novas, apoiá-la-emos, e queremos trazer ainda mais mecenato, empresariado, terceiro setor, fundos comunitários, investidores e um orçamento de um milhão de euros da Junta poder ser capaz de fazer muito mais do que 18 por cento do investimento por ano.


