Com o primeiro mandato quase a terminar, Filipe Lopes não esconde que, por sua vontade, será recandidato à Junta de Freguesia de Pedroso e Seixezelo pelo PS. Ao AUDIÊNCIA, o autarca garante que o seu projeto para a freguesia ainda não terminou e admite não ter receio da concorrência.

“Os pedrosenses e seixezelenses terão os opostos para poderem escolher, por isso, podem escolher uma Junta de Freguesia que em mandatos de enorme crise, com enormes cortes e transferências para as Juntas, consegue pagar 250 mil euros de dívida, ou uma gestão que deixou um milhão e 150 mil euros de dívida”.

Numa entrevista anterior ao AUDIÊNCIA, assumiu que gostaria de continuar a projetar a sua obra que, na altura, já estava com mais de 80 por cento concluída. Candidato a renovar a maioria absoluta na Junta de Freguesia de Pedroso e Seixezelo, quais são as suas perspetivas?

Em primeiro lugar, sou presidente e não candidato. O que disse, e mantenho, é que estou disponível para continuar este projeto que não se extingue ao fim de quatro anos. Acho que é um projeto, no mínimo, de oito anos, e estou disponível para a freguesia, como sempre estive em várias funções que fui ocupando. Quanto à percentagem do programa eleitoral, é visível, está no site da Junta, menciona o compromisso que assumimos em 2013 com as várias propostas que apresentamos ao eleitorado, que vão mudando de cor consoante estão concluídas, iniciadas ou não concretizadas. Neste momento, temos cerca de 85 por cento em implementação, como, por exemplo, a Casa Mortuária de Seixezelo que já arrancou, e o nosso programa eleitoral, efetivamente, acho que vai ter uma taxa de execução bastante elevada. Quanto a novos desafios e novos projetos, o que neste momento me preocupa, assim como ao executivo, é levar até ao fim o mandato com a dignidade que temos levado o nosso trabalho. Pôr uma freguesia mais próxima das pessoas, onde as pessoas sintam, no dia a dia, a presença da freguesia, e acho que isso se consegue através de um conjunto de projetos que fomos lançando desde a Academia Sénior, o Posto de Enfermagem, e agora mais recentemente, a parceria com os correios. Depois também há um conjunto de infraestruturas como a rede viária que tem sido amplamente beneficiada, temos praticamente 30 ruas nestes três anos e dois três meses, e temos agora um conjunto de duas obras que iremos concluir que são obras ambicionadas há muitos anos, como a sede da Associação Musical de Pedroso e a Casa Mortuária de Seixezelo, além de um conjunto de pequenos arranjos, principalmente, a nível de largos na freguesia que queremos levar a cabo até ao fim do mandato.

Sucedeu a uma gestão que, como referiu, tinha um buraco, talvez o maior a nível autárquico local, do país. Como é que conseguiu dar a volta e como interpreta que o autor, no seu ponto de vista, desse buraco enorme, esteja a desafia-lo, assumindo uma candidatura à autarquia?

Dizer que a Junta de Freguesia de Pedroso e Seixezelo, após uma auditoria independente da empresa KPMG – que é só uma das maiores empresas do mundo – que diz que o relatório de gestão que foi passado em 2013 estava coberto de erros, que a dívida real não era a que estava mencionada, mas sim mais cerca de 300 mil euros, não entendo isso como difamar ninguém. Entendo isso como um dever de informação que acho que os políticos devem prestar. E dizer que a Junta de Freguesia de Pedroso e Seixezelo, quando eu cheguei, tinha uma dívida de um milhão e 150 mil euros não é difamar ninguém, é dizer a verdade. Se for mentira que me digam que irei buscar os documentos e rapidamente comprovo o que estou a dizer. Se é o maior buraco autárquico a nível de freguesia nacional, em Gaia claramente é, e espero que não haja muitas freguesias com um buraco dessa dimensão. O facto de a pessoa, no fundo, que teve a gestão que levou a essa dívida assumir uma candidatura não tenho nada a dizer. Como há quatro anos decidi avançar e estava em pleno direito de o fazer, acho que qualquer pessoa que cumpra as regras democráticas que existem no país para ser candidato tem a mesma legitimidade. Apenas me preocupa a minha eventual candidatura e equipa e, mais do que isso, preocupa-me o projeto que temos para Pedroso e Seixezelo. Porque é muito fácil dizer que ‘o meu partido é Pedroso ou Seixezelo’ e fica sempre muito bem, mas acho que, mais do que isso, é perceber que vamos muitas vezes mudando de partidos ou para outros movimentos não defendendo o interesse de Pedroso mas sim defendendo uma bóia de salvação para se manter à tona para ser candidato a uma coisa qualquer.

Mas não o preocupa como pedrosense que pessoas que sejam capazes de provocar estes estragos na freguesia se predisponham a servir a freguesia?

Acho que uma pessoa ao assumir uma candidatura está a mostrar uma disponibilidade e uma crença num projeto que, eventualmente, poderá ter. Acho que melhor do que qualquer outra situação e, se eventualmente a minha candidatura se confirmar junto do partido – porque o meu partido é o PS, mas a minha paixão é Pedroso e Seixezelo, mas não quero com isto dizer que amanhã vou ser candidato pela CDU ou pelo BE. Porque acho que devemos ter também um bocadinho a coluna vertebral e isso não é só dizer que o amor é Pedroso. O amor é o que vai dando jeito. Se for verdade essa candidatura, porque como digo não estou preocupado, e se avançar, acho que os pedrosenses e seixezelenses terão os opostos para poderem escolher, por isso, podem escolher uma Junta de Freguesia que em mandatos de enorme crise, com enormes cortes e transferências para as Juntas, consegue pagar 250 mil euros de dívida, ou uma gestão que deixou um milhão e 150 mil euros de dívida. Quando aparecem duas candidaturas parecidas pode ser difícil de escolher, neste caso, se eventualmente se confirmarem as duas, são tão diferentes que acho que não haverá muita dúvida em quem votar.

Há também quem diga que a sua tarefa, além do bom desempenho, vai ficar facilitada porque António Tavares, a candidatar-se, será como independente porque não tem apoio partidário. Com a divisão do eleitorado desta maneira e com a concretização dos mais de 80 por cento do seu projeto, está perfeitamente à vontade para uma renovação de mandato?

Sou daqueles que não acredito nem na sorte nem no azar e não acredito que o trabalho se faz por si só. Acredito no trabalho, acredito na seriedade, no rigor, na transparência e acho que é com isso que ganhamos. Não sou daqueles que quando ganha é por sorte, nem quando perco é por azar ou porque apareceu uma candidatura independente. Quando perder, perdi e quando ganhar ganhei. Não tento arranjar desculpas para as minhas derrotas e autoelogiar-me nas minhas vitórias. Não sei se será mais facilitado se não, não tenho nenhuma sondagem, o que tenho é a alegria de poder partilhar com as pessoas da freguesia os projetos que vamos lançando e as obras que vamos realizando. Para mim, se perder, perdi. Para outros, se perderem o que vão dizer é que estava sol ou chuva no dia das eleições, que os votos se dividiram, que houve independentes, etc. Já ouvimos esses discursos há anos e, seguramente, vamos voltar a ouvir.

O que espera dos outros candidatos?

O que espero é aquilo que acho que devem ser, que é fazer oposição. Uma oposição construtiva que não tem sido feita na Assembleia de Freguesia nestes três anos. Eu não sou bom exemplo para nada mas acho que, há quatro anos atrás, tivemos uma atitude muito correta a nível de campanha. Falamos de nós, da nossa equipa e dos nossos projetos. Não falamos de ninguém nem criticamos politicamente ninguém. Apresentamos uma alternativa com ideias políticas diferentes que as pessoas perceberam e quiseram, principalmente em Pedroso, visto que em Seixezelo, pelos vistos, aqueles fatores externos não foram tão sentidos, em Pedroso foram com a candidatura do José Guilherme Aguiar. Espero que criem um projeto diferente, que sejam claros na interpretação desse projeto, e que levem o melhor possível as suas ideias até ao fim convictamente e acreditando naquilo que estão a propor às pessoas.

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Filipe Lopes: “O município está muito bem servido quer pelo presidente como pela sua equipa, e acho que devem continuar.”

Há quem diga que o facto de ainda não assumir totalmente a candidatura pelo brilhante desempenho que tem tido na Junta é porque tem sido pressionado para se disponibilizar para outros projetos, nomeadamente, a nível municipal. É verdade?

Não. O meu desempenho limita-se ao amor e à forma com que vivo a freguesia. Se é bom ou se é mau, não sei, sou muito mau a fazer autoavaliações. O que vou sentindo, e sinto com muito orgulho, é que, hoje em dia, Pedroso e Seixezelo no panorama municipal, é vista como uma freguesia de referência em muitas matérias. Em matéria de rigor, em matéria de boa gestão, de inovação, de comunicação, e naturalmente que o executivo, e principalmente o presidente, acaba por ser um bocadinho projetado dado o bom desempenho que a freguesia vai tendo em vários domínios. Em 2017 não assumo que sou candidato porque há órgãos próprios do partido que têm de dar essa autorização e essa deliberação, deixo isso para a concelhia do PS/Gaia, no qual tenho total confiança mas já digo há muito tempo que, em 2017, a nível político, a minha única atividade seria voltar a ser candidato à Junta. Estaria totalmente fora de hipótese qualquer outro lugar que pudesse surgir porque acho que há tempo para tudo e, neste momento, a minha preocupação política, única e só, é Pedroso e Seixezelo. Além do mais, acho que o município está muito bem servido quer pelo presidente como pela sua equipa, e acho que devem continuar. E acredito que vão continuar, reforçando a vitória que tiveram em 2013 e acho que na Junta o papel que me cabe enquanto membro do partido é defender os interesses do partido na Junta de Freguesia de Pedroso e Seixezelo.

Como é que comenta as considerações que, ultimamente, têm vindo a ser proferidas, nomeadamente nas redes sociais, pelo anterior presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, em relação ao atual autarca?

Comento porque não fujo a nenhuma questão. A história é bonita e acho que devemos vive-la e devemos aprender com a história. Mas acho que as redes sociais também tornam-se, muitas vezes, um lugar onde as pessoas acabam, por vezes, por dizer expressões de uma forma muito fácil. Atrás de um teclado e de um monitor, às vezes, escreve-se coisas que, se calhar, de uma forma mais ponderada e equilibrada poderia não se fazer. Logicamente que há um debate e um combate político que terá de ser feito. Acho que o Dr. Menezes deixou obra em Gaia, isso é visível e não tenho problema nenhum em o assumir, continuo a dizer que fez muita obra e tornou Gaia, principalmente na zona marítima e ribeirinha, muito desenvolvida. O interior nem tanto, fez-se uma ou outra coisa, Pedroso e Seixezelo são exemplo disso. Já sabemos que depois vamos embocar na questão do saneamento mas não foi só em Gaia, foi em todos os concelhos que se fez nesse período. Tem de se dar o valor às pessoas mas também não podemos exagerar porque super-heróis só há nos filmes e mesmo esses, às vezes, morrem no fim. Agora, essas críticas, acho que não são salutares. O que eu mais queria quando deixasse a Junta de Freguesia, este ano ou quando tiver de deixar, era deixar melhor do que encontrei. E seguir o meu caminho, e quem vier a seguir que siga o dele, e não andar aqui a dizer que sou melhor e que fiz isto e que ele não fez aquilo, porque acho que isso é mau. Cada um tem o seu valor, um pode priorizar mais a ação social, outro mais o betão, outro mais o desporto, mas isso não é melhor nem pior, é diferente e acho que se deve viver com as diferenças. Criar isto quase numa luta de galos e ver quem fez mais, acho que a política hoje não se deve medir por aí, deve-se medir pelo imaterial, pela ajuda que se concretiza diariamente às pessoas e é para isso que existem muitas autarquias. E nós, na Junta de Freguesia, é essa a nossa prioridade, as pessoas, as coletividades, e é isso que temos feito.

Como gaiense como é que analisa o aparecimento da candidatura de José Cancela Moura à presidência da Câmara de Gaia?

Essa questão não queria muito comentar, é uma questão partidária. Mas como gaiense é bom quando somos chamados às urnas para votar e temos alternativas, outras opções. Por isso, quantas mais aparecerem poderá ser um bom sinal desde que cada uma traga um projeto que seja concretizável, que seja realista para o nosso concelho. Por isso, como gaiense, vejo a candidatura de José Cancela Moura como outra candidatura qualquer que, eventualmente, poderá aparecer.

O que gostava de poder oferecer num próximo mandato na Junta?

Acho que a freguesia de Pedroso/Seixezelo depois de, neste mandato, ter recuperado de uma forma estrondosa a rede viária e depois da concretização da piscina, do polo desportivo, da Casa Mortuária, da concretização da sede da Associação Musical ou do sintético no Futebol Clube de Pedroso, depois de todo esse investimento, gostava muito de ver na freguesia, e digo isto não como presidente de Junta mas como habitante de Pedroso/Seixezelo, algo que faz falta, um auditório. Também poderá fazer falta um pavilhão mas defendo mais um auditório, se calhar, um multiusos seria a solução ideal. Era o que eu gostava muito de ver construído nos próximos anos. Somos uma freguesia muito rica em associativismo, temos três ranchos federados, e se quisermos fazer um evento de Cantar as Janeiras, por exemplo, temos de ir para uma freguesia vizinha porque não temos um espaço onde se possa fazer esses eventos. Além de que temos uma coletividade ligada à música, temos vários coros na freguesia, a Academia Sénior, ou seja, falta-nos um espaço para darmos a conhecer aquilo que vamos fazendo a nível associativo. E depois, esse tipo de equipamento também poderia promover muito o teatro, pois temos agora uma companhia que está nas antigas instalações dos Bombeiros dos Carvalhos; podíamos promover o cinema, exposições, por isso, acho que era um espaço que poderia, efetivamente, colocar Pedroso no mapa. Depois, uma outra obra que gostaria também de ver surgir, é que temos na Senhora da Saúde o Castro de Pedroso, no fundo a origem da freguesia, e acho que foi uma zona que sempre foi muito esquecida no passado, nunca se deu a dignidade que devia ter, até se permitiu, em tempos, que fosse quase um depósito de lixo naquela zona. Acho que fazia sentido um pequeno museu arqueológico, uma mini Conímbriga, mas uma coisa muito ligeira, não por ali um peso pesado que depois bloqueasse financeiramente o município ou a freguesia. Arranjar uma equipa de arqueólogos, trabalhar naquela zona e penso que, com isso, poderíamos também promover a freguesia, o Monte da Senhora da Saúde e o Monte Murado que é um parque natural belíssimo que temos na freguesia.