Numa entrevista intimista, em que falou não só da sua profissão como das suas escolhas pessoais, António Castanho Moacho, diretor clínico da Malo Clinic de Vila Nova de Gaia e distinguido na Gala AUDIÊNCIA com o Troféu Prestígio, acredita que a evolução na medicina dentária tem sido “abismal”, mas que ainda há “um caminho muito grande” pela frente. Colocando a tónica nalguns problemas que afetam esta área, o diretor clínico explicou também porque a Malo Clinic se distingue de outras tantas clínicas dentárias e admitiu que a inovação e o bem estar do paciente serão sempre o foco principal.

Foi vencedor do troféu AUDIÊNCIA. Estava à espera? O que sentiu?

Foi uma surpresa grande e uma sensação reconfortante porque qualquer prémio é o reconhecimento de um percurso construído na base de muito trabalho e sacrifício. Compreendo que, por vezes, é difícil que as pessoas entendam o esforço e o empenho necessários para se conseguir chegar a algum lado. Portanto, quando se é reconhecido por um órgão de comunicação como o AUDIÊNCIA, com provas dadas no terreno de um jornalismo isento e que a todos nos enriquece, é sempre bom.

Mas sente que foi um trabalho duro chegar até aqui? Ou foi algo duro, mas que lhe deu gozo?

A partir do momento em que estabelecemos metas para a nossa vida e assumimos uma determinada missão, são as nossas opções que norteiam a rotina diária, muitas vezes feita de estudo aturado,  muitas noites de sono perdido, muito dinheiro gasto em formações, a nível nacional e no estrangeiro. Houve realmente muito sacrifício. Recordo que cheguei a vender o meu carro para poder ir estudar para os EUA, a fim de fazer face aos custos que esta formação especializada exigia.

Mas olhando para trás, todo esse trabalho compensa?

Sem sombra de dúvida que sim. Nada substitui uma formação académica sólida na hora de tomar ao nosso cuidado o bem estar e a qualidade de vida dos nossos utentes. O conhecimento é basilar; contudo, é importante o equilíbrio entre a rotina exigente em que nos colocamos e as vivências e alegrias em família, com os amigos, nas oportunidades culturais e de convívio. A vida passa depressa, daí que a realização profissional é crucial sabiamente doseada de tempos para nos dedicarmos a nós próprios e a quem nos rodeia. No meu caso em concreto, sinto que a profissão escolhida me completa e realiza. Felizmente, acho que a maior parte dos dias vale a pena.

Neste momento é diretor clínico da Malo Clinic de Vila Nova de Gaia. Mas o que fez até chegar aqui?

Quando acabei o curso convidaram-me para dar aulas na Faculdade de Medicina Dentária, Universidade de Lisboa como assistente convidado. Foi este o meu projeto durante cerca de cinco anos, em Lisboa. Leccionai várias cadeiras, algumas de pré-graduado ou de pós-graduação. Consciente da necessidade de internacionalizar o meu percurso académico, frequentei a Faculdade Leopoldo Mandic em Campinas no Brasil, e mais recentemente fiz um curso em parceria com a Universidade de Nova Iorque. Entretanto, convidaram-me para organizar o congresso anual de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, do qual fui presidente da comissão organizadora durante dois anos consecutivos. Sendo docente da universidade, o passo normal foi enveredar pelo doutoramento. Nessa altura, por sugestão do meu orientador, fui para Seatlle (EUA) fazer um curso intensivo em investigação científica, o qual constituiu um marco importantíssimo na consolidação de saberes e compreensão da relevância que a investigação assume no processo de evolução da medicina dentária.  Ao regressar dos EUA, surgiu a oportunidade por parte da MaloClinic de ir para a China. Já tinha estado na Ásia por duas vezes e recordo que, estava eu em Pequim, e pensei o quanto gostaria de ter a experiência de viver na China. O apelo da China falou mais alto. Deixei a Universidade e optei por uma nova experiência. Foi uma decisão muito difícil, muito ponderada e houve tempos em que não sabia se tinha feito a melhor decisão porque a docência era uma coisa que realmente me entusiasmava.

Mas é uma cultura totalmente diferente…

Sem dúvida. É muito diferente, mas fascinante. Todos os dias somos colocados perante perspetivas diferentes de ver o mundo e de encarar os destinos comuns da humanidade. Fruto da convivência diária num cultura tão única, damos por nós a valorizar mais o que nos aproxima e a relativizar o que nos afasta. As práticas culturais, o sentido estético, o gosto e o paladar podem ser diferentes, mas como humanos todos procuramos caminhos de felicidade enquanto vivemos.

E no que diz respeito à Medicina Dentária?

Na minha opinião, considerando a realidade com que me deparei, os chineses não estão tão avançados como nós. Mas penso que é cultural. A maioria dos profissionais da área de dentária valoriza mais a quantidade de tratamentos do que propriamente a qualidade. Recordo que  quando fomos para a China, integrados no projeto de expansão internacional da MaloClinic, tínhamos como missão formar a equipa chinesa que lá estava, transmitindo conhecimento, mas, acima de tudo, demonstrando as melhoras práticas para o conforto e qualidade de vida dos utentes. Foi uma experiência coroada de sucesso cujos resultados foram reconhecidos pelos profissionais com quem trabalhamos. Findo o meu contrato com a China, logo surgiu a oportunidade de ficar mais tempo, mas como a minha mulher, também médica dentária a trabalhar na Clínica,  queria voltar, então decidimo-nos pelo regresso. Foi nesta altura que o Dr. Paulo Malo me convidou para gerir a unidade de Gaia.

E desde então ficou a gerir a MaloClinic de Gaia. Como tem sido a experiência?

Mais uma experiência deveras desafiante. Em cada começo da nossa vida, há mudanças que se operam, novos desafios, novas redes de contatos, novas exigências…

Acha que o seu trabalho em Gaia é mais complicado, é algo a que não estava habituado?

A minha formação é em medicina dentária e não em gestão. Ora, é óbvio que ao aceitar gerir a Clínica em Gaia  sabia de antemão que teria de aprender muito. Encarei com otimismo esse processo de construção e de aprendizagem numa base de trabalho colaborativo, atribuindo responsabilidades, acreditando na equipa e motivando todos os intervenientes. O resultado desse otimismo está à vista de todos. Constituímos uma equipa coesa, empenhada e focada nos nossos utentes. Acho, porém, que todos nós que somos dentistas e diretores clínicos acabamos por prescindir um bocadinho daquilo que gostamos mais que é a medicina dentária. Para gerir, não sempre consigo estar a atender pacientes. 

Mas a clínica já existia antes de vir exercer funções?

Antes de cá chegar, existia aqui uma unidade de “O Meu Dentista”, a qual fazia parte de uma rede de clínicas que faliu. Deparamo-nos com uma série de problemas porque havia clientes que já tinham pago tratamentos mesmo antes da sua efetivação. Para resolver tais situações, a Malo Clinic assumiu algumas clínicas desse grupo, nomeadamente no El Corte Inglés, tanto em Lisboa como em Gaia. A Malo Clínica abriu no ECI Gaia em maio de 2016 e eu cheguei em outubro de 2017. A experiência está a ser muito boa, mas mais difícil do que eu estava à espera.

Não se sente na sua área de conforto, é isso?

No que diz respeito à Gestão da Clínica, hoje em dia, já me sinto muito mais confortável, apesar de nem sempre ser fácil gerir recursos humanos, pessoas, ideais e princípios diferentes, Não posso esquecer o trabalho que é preciso desenvolver junto dos pacientes. O nosso público-alvo, de uma maneira geral, chega até nós fragilizado, com medos e receios.  São pessoas fragilizadas emocionalmente, porque ninguém gosta de vir ao médico dentista. Não raras vezes, estamos no gabinete e a primeira coisa que o paciente nos diz é “Doutor, eu não gosto de vir ao dentista”. Portanto, nós também temos de aprender a lidar e a gerir esta fragilidade emocional das pessoas, demonstrando que os tratamentos não são tão maus quanto o esperado e que os resultados compensam algum desconforto. 

Porque acha que as pessoas têm tanto medo de ir ao dentista?

Eu conheço a história da medicina dentária dos livros, felizmente nunca a experienciei, na perspetiva do paciente, mas tenho histórias infernais, principalmente de pacientes mais velhos que me contam o que lhes fizeram quando eram mais novos. O medo está muito relacionado com a perceção criada em torno dos atos médicos oferecidos em tempos passados, nos quais as anestesias eram mal aplicadas, os equipamentos não permitiam uma intervenção cuidada, a opção de extrair os dentes em vez de os tratar era comum. A medicina dentária, como qualquer área da medicina, evoluiu de forma abismal. Daí não haver motivos para tantos receios hoje em dia. 

Advoga que a medicina dentária evoluiu imenso nos últimos anos.

Indubitavelmente, hoje em dia, a mentalidade está a mudar. Muito se deve à globalização e ao fácil acesso a novos conteúdos através das novas tecnologias. É muito fácil termos acesso à informação, coisa que antigamente não tínhamos. Os programas de televisão e os vídeos sobre os procedimentos médicos e os benefícios alcançados em termos de saúde e de estética têm vindo a desmistificar os medos. Assistimos a uma mudança de paradigma. Cada vez é mais frequentemente vermos crianças e jovens que chegam ao consultório tranquilos e com uma atitude positiva. 

E porque optou pela medicina dentária?

Olhando para trás, é difícil perceber quando surgiu este interesse. Recordo, porém, que desde pequeno gostava de ir ao dentista, o que não é muito comum. Os estudos prosseguiram e quando chegou a altura de decidir, a medicina dentária tornou-se a escolha óbvia. Nem me lembro sequer de querer ter sido outra coisa qualquer.

Como vê neste momento a medicina dentária em Portugal, já que ainda há quem não veja esta área como uma prioridade. Acha que deveria ser?

Sem dúvida. Como costumo dizer a todos os meus pacientes, a ausência de peças dentárias, e quanto maior pior, significa duas coisas: a primeira é que tudo o que não for bem mastigado na boca, não vai ser bem digerido no resto do sistema gastrointestinal e não sendo bem digerido os nutrientes não vão ser bem absorvidos, e em termos de intestino a coisa também não vai funcionar bem. Por isso, temos aqui não um problema de saúde local ou oral apenas, mas um problema de saúde pública em geral. Importa não esquecer que existem inúmeros problemas de saúde, junto da nossa população, que têm o seu início na boca.

Outro motivo de preocupação?

A maneira desregulamentada como os seguros entraram na medicina dentária, oferecendo tratamentos de forma aleatória, sem atender às necessidades pessoais de cada paciente. Sabemos que os seguros têm interesses puramente comerciais. Assim sendo,  como é possível a uma instituição, que só se interessa por dinheiro, ditar tratamentos dentários ou tratamentos médicos? Vejamos, uma pessoa subscreve um plano de saúde e no plano de saúde automaticamente tem logo, por exemplo, oferta de duas destartarizações ou todas as extrações dentárias por um preço irrisório que não chega para pagar os médicos dentistas e o material que as intervenções exigem. Por exemplo, talvez 15 euros sejam suficientes para consultas feitas à base de conversa, exames básicos e prescrição médica. No caso da dentária, esses mesmos 15 euros não pagam o tempo dispendido nos tratamentos nem os custos do material utilizado. Feitas as contas, os dentistas ficam a ganhar 2 ou 3 euros à hora. Isso é absurdo e inaceitável.  Perante isto, qual é o médico dentista que trabalha com seguros que se sente compensado? Honestamente, não existe. A situação aqui exposta acarreta outro tipo de problema que consiste na impossibilidade de as clínicas que trabalham com seguros terem liquidez financeira para investir em materiais de boa qualidade. Penso que a totalidade do material é aprovada pela agência europeia e pelas entidades portuguesas, mas é claro que os serviços oferecidos nunca poderão ser os melhores. O médico, em vez de fazer consultas de 45 minutos, vai ter de diminuir o tempo de tratamento, sacrificando no protocolo com um decréscimo da qualidade dos tratamentos dentários. Entramos aqui no campo da falta de ética. Infelizmente, há colegas que têm de aceitar condições de trabalho precárias, as quais condeno veementemente. 

Mas a Malo Clinic não trabalha com seguros.

Não, aqui não trabalhamos com seguros porque consideramos tratar-se de um esquema que não beneficia os pacientes nem dignifica os médicos dentistas. 

Mas não acha que, por outro lado, se está a tentar aumentar a frequência com que as pessoas vão ao dentista, até com o cheque dentista?

Mas isso é outra coisa. Hoje em dia, haverá muito poucos médicos dentistas que sejam contra a inserção da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde. Faz todo o sentido, aliás, como já deveria ter acontecido há muitos anos. A medicina dentária, porque lida com a saúde pública, deve ser parte integrante do SNS por direito próprio. Apesar de ser um defensor dos cheques dentista, não sei, na verdade, se são o suficiente. Recentemente tem-se falado muito sobre alguns projetos piloto, que já estão em fase avançada da sua implementação, que visam a integração de médicos dentistas no SNS. Chamo a atenção para o fato de a maneira como estamos a fazer é totalmente errada. Já se anda a falar disto há muitos anos, mas a maneira como se decidiu integrar a medicina dentária no SNS é completamente errada na minha perspetiva porque não é possível propor que a nossa primeira linha de tratamento sejam os centros de saúde. Os equipamentos dentários são caríssimos, os produtos também, então porque vamos estar a gastar e a investir em centros de saúde quando temos clínicas que já têm esse equipamento? Ou seja, na minha opinião, o que faz sentido é fazer-se protocolos com as clínicas privadas em que o paciente vai à clinica porque o investimento já está lá feito. Isso é o que faria sentido, depois eventualmente nalguns casos específicos pode haver alguns centros hospitalares que tenham esta componente e, eventualmente alguns centros de saúde. Resumindo, as clínicas dentárias já existente, nas quais recaiu todo o investimento em equipamentos e materiais, devem ser as principais parceiras do SNS, com protocolos assinados, os quais conduzirão a significativos ganhos para o erário público.  Outra questão a considerar é que a medicina dentária, ou a saúde oral, não deve ser curativa, mas sim preventiva. Acho que faz muito mais sentido o Governo, a Ordem dos Dentistas e as entidades competentes apostarem em programas verdadeiramente eficazes de prevenção do que depois estarmos aqui a gastar rios de dinheiro em tratamentos. É aqui que o cheque dentista veio tornar as coisas interessantes, não obstante de alguns reajustes na sua implementação conforme respetiva avaliação. Além disso, quem explora os centros de saúde não são médicos dentista, são empresas. Nestes organismos, não existe a figura do diretor clínico. Coloca-se, então, o problema de quem é o responsável na hora em que surgir um problema. Cada médico recrutado tem uma responsabilidade autónoma? Ou a responsabilidade é da empresa que procedeu ao recrutamento?

E acredita que vai haver uma evolução nos próximos anos nesse sentido?

Tem de haver. Até porque a medicina dentária, da maneira como é exercida, está condenada a que as coisas corram muito mal. Neste contexto, o excesso de médicos dentistas que este país tem é outro fator disruptivo. O rácio ideal de médico dentista por habitante ronda um médico para cada 2 mil habitantes. Creio que, neste momento, em Portugal temos um médico dentista para cada 800 habitantes. Os valores podem sofrer algumas oscilações, mas não devem fugir muito disto. Acabei o curso há 10 anos e, nos últimos 10 anos, apareceram 500 novos dentistas por ano. Onde estão, o que fazem e em que condições trabalham?

E não há trabalho para todos?

Acho que não se pode dizer que não há trabalho. Mas podemos adiantar que em muitas situações o trabalho é precário. Há muitos médicos dentistas com um ou dois pacientes um dia inteiro numa clínica, recebendo 20 por cento do valor de cada consulta. Há uma precaridade enorme.  Felizmente, apesar de tardio, o bastonário abriu os olhos agora e começou a sensibilizar quem de direito e a opinião pública para estes problemas. Com efeito, há excesso de médicos dentistas, excesso de faculdades a formar em medicina dentária, e isso vai ser muito difícil de reverter. A Ordem não tem capacidade nem legitimidade para encerrar vagas de candidatura, mas tem a responsabilidade de fazer pressão junto das entidades governamentais para alertar para que haja algum tipo de solução. Neste momento, existem sete faculdades de medicina dentárias, três públicas e quatro privadas, o que é muito para o país que temos. Uma das soluções será passar algumas faculdades que oferecem pré-graduado para pós-graduado, possibilitando aos médicos que já existem uma especialização específica nalguma área deficitária no mercado. A continuar desta forma, a medicina dentária está a ir por caminhos muito complicados.

Em contrapartida, as pessoas estão mais viradas para a saúde oral…

Acho que sim, sem dúvida. Há um aumento da preocupação, até da prevenção, mas ainda há um caminho muito grande que temos de fazer em relação à prevenção. Mas acho que há cada vez mais uma procura em termos preventivos e mesmo quando é em termos curativos as pessoas não procuram só pelas razões estéticas, procuram porque percebem que existe uma razão funcional para as coisas existirem e a falta delas provoca uma disfunção. É gratificante constatar que isso acontece cada vez mais, felizmente.

A Malo Clinic foi percursora de muitas coisas que temos hoje na medicina dentária”

E em relação à Malo Clinic, que serviços oferecem e quais as áreas mais procuradas?

Todas. Tudo o que tenha a ver com medicina dentária. Estamos abertos desde 2016 e felizmente as coisas estão a correr muito bem, temos uma grande procura e, sem querer parecer presunçoso, acho que os pacientes estão muito agradados com o tipo de serviço, preocupação e qualidade que temos.

Mas há algum tipo de diferenciação de outras?

Acho que há muitas diferenças em relação à grande generalidade das clínicas que existem. A Malo Clinic foi, sem dúvida, pioneira de muitas inovações que temos hoje na medicina dentária. É sobejamente conhecido que, em termos técnicos, o Dr. Paulo Malo e a sua equipa criaram em 1995 a técnica All on Four, que permite a reabilitação total sobre quatro implantes, tanto em cima como em baixo. Na altura foi uma inovação; hoje em dia é a técnica mais usada a nível mundial para a reabilitação de pacientes desdentados. Outro marco evolutivo foram os implantes angulados que evitam o enxerto ósseo, ou seja, o paciente entra desdentado e colocamos implantes e uma prótese e, no próprio dia, o paciente sai com dentes fixos. Posso garantir que não há no mundo inteiro uma Clínica que tenha feito tantos All on Four como a Malo Clinic. Mas somos também especialistas em estética dentária e todas as áreas da medicina dentária. Sem qualquer tipo de presunção, fomos pioneiros em muitos procedimentos médicos, mas também nos distinguimos pela forma de tratamento que sempre demos ao paciente. Fomos, sem dúvida, pioneiros na valorização do paciente enquanto ser humano e não enquanto cliente. Recordo um caso mediático que muito nos orgulha em que uma paciente que teve cancro oral e fez uma recessão da maxila, viu o Dr. Paulo e a sua equipa,  na altura, criarem para si componentes especificamente desenhados, juntamente com uma das melhores marcas de implantes do mundo, a Nobel Biocare. Por isso, acho que não há nada hoje em dia que não possamos fazer.

Então quem procurar a Malo Clinic resolve qualquer tipo de problema dentário?

Sem dúvida. Aqui na clínica de Gaia fazemos todos os procedimentos. Contudo, no caso das  cirurgias de All on Four, reencaminhamos para o Porto. É uma cirurgia de grande porte, que exige fazer todos os componentes no próprio dia, e, para maior conforto dos pacientes, aconselhamos a Malo Clinic no Porto. Quanto ao resto, tudo fazemos aqui.

A equipa é composta por quantas pessoas?

Por mim, cinco médicos, duas assistentes e três rececionistas. Portanto, 11 pessoas.

E têm perspetivas de crescer? Quais os objetivos para o futuro?

O objetivo passa sempre por atender melhor o nosso paciente. Esse é que é o dever de um dentista e de uma estrutura que trabalha medicina dentária. Garantido este substrato, perspetivamos  mais gabinetes, porque a unidade tem-se revelado pequena para a quantidade de pacientes que temos hoje em dia. Ora, se tivéssemos mais gabinetes, mais capacidade de resposta teríamos. Apesar de alguma falta de espaço, a gestão que fazemos passa por acomodar todos os pacientes que surgem com problemas que necessitam de intervenção urgente e por não fazer esperar os nossos pacientes. Quando faço o planeamento tento marcar de seguidas as próximas consultas para garantir a qualidade do serviço e o bem estar dos pacientes.   

E em relação a preços?

Nós trabalhamos com os melhores materiais que existem no mercado, obviamente que é sempre uma questão de preferência, mas está na gama dos melhores que existem. Os implantes também são dos melhores que existem; portanto, tudo isso à partida claro tem o seu custo. Os médicos que aqui trabalham são altamente especializados e isso também tem um custo. Apesar do cuidado, do profissionalismo e do sucesso das nossas intervenções, os nossos preços são convidativos e competitivos. 

E em termos pessoais, quais são as suas ambições?

Para já, o meu futuro profissional não passa por outro país. Está fora de questão emigrar temporaria ou definitavamente Quero manter-me em Portugal e aqui ser o melhor possível, o que implica mais formação nacional e internacional, a fim de acompanhar a velocidade com que a medicina dentária tem evoluído na última década. 

Então os seus projetos futuros estão ligados à Malo Clinic?

Sim, sem dúvida alguma. Mas tenho outros projetos a nível pessoal, gosto muito de escrever, tenho quatro livros praticamente prontos para publicar, um thriller policial que diria que está a três quartos, que comecei a escrever na China. Este thriller é um livro difícil de escrever porque é necessário articular múltiplas linguagens e convocar muitos conhecimentos de áreas distintas. Tenho também uma coleção de livros infantis, que está em fase de ilustração, e um guia para a felicidade, direcionado à sociedade em geral, aprisionada no consumismo, na busca de mais riqueza e bens e afastada do que é mais importante na vida – ser feliz. 

Gosta de escrever sobre o quê?

Escrevo sobre o que me vai na alma e coloco nas minhas produções as estratégias de que me socorri e que utilizo na minha vida para me sentir melhor comigo próprio. Talvez nunca chegue a ser publicado, mas gosto muito de escrever. Aqui destaco as “Histórias para um dia qualquer” que são pequenos contos de vivências que repesquei das memórias e que me moldaram profundamente como ser humano nas mais diversas facetas da minha existência. 

É esse o seu hobby?

Sim, acho que hoje em dia é o meu hobby principal. Ainda sonho em tirar um curso de parapente, mas já falo disso há quase dois anos.

Mas também tem uma ligação aos Açores…

Sim, a minha família materna é açoriana. Pelos Açores nutro um carinho e um amor especiais. Nos 34 anos da minha vida, nos Açores só não passei um verão e um inverno. Sempre que posso, regresso aos Açores como quem regressa ao ninho materno. Lá tenho as minhas raízes e lá sinto-me tão em casa como no continente, onde nasci.

E nunca ponderou ir viver definitivamente para os Açores?

Já pensei várias vezes. Curiosamente, em breve, vai abrir uma Malo Clinic nos Açores, mais propriamente em S. Miguel, Ponta Delgada. Eventualmente, poderei ir lá dar alguma ajuda se for necessário nalgum caso específico. Ir viver para lá parece fora de questão, não que não gostasse, mas porque  a Malo Gaia é o projeto com que me comprometi. Todavia, a vida dá muitas voltas e há que ponderar a qualidade de vida que se tem num lado e no outro. Adoro os Açores, é o paraíso na terra. Há poucos lugares no mundo, e já estive em muitos, onde a beleza natural, as pessoas, a cultura, as tradições, a  comida se podem comparar. Estar no Continente a duas horas de voo das ilhas atlânticas parece igualmente uma alternativa muito interessante.

BI

ANTÓNIO CASTANHO MOACHO

Idade: 34 anos

Profissão: Diretor Clínico da Malo Clinic de Vila Nova de Gaia

Hobbies: Escrita

Naturalidade: Lisboa

Curiosidade: Gosto muito de viajar, sempre estabeleci isso como prioridade na minha vida. Tenho em casa um mini museu com memórias e artefatos que trago dos vários sítios do mundo que visitei.

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