FADO ÀS QUINTAS ESTÁ DE REGRESSO DIA 28 DE MAIO

O fado está em destaque, estes dias, na Casa Museu Teixeira Lopes. No passado dia 14, Sandra Correia foi a fadista convidada que abrilhantou a noite e que irá, agora, repetir dia 28 de maio. O AUDIÊNCIA esteve à conversa com o diretor do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e responsável pela Casa Museu Teixeira Lopes, Delfim Sousa, que explicou em que consiste esta iniciativa e que anunciou novos projetos até ao final do ano.

 

 

A Casa Museu Teixeira Lopes recebeu, no passado dia 14 de maio, a fadista Sandra Correia, no âmbito da iniciativa Fado às Quintas. Conhecida pela sua voz única e nostálgica, a fadista portuguesa, nascida em Santa Maria da Feira, conta já com uma carreira musical de mais de 20 anos, apresentando-se em alguns dos locais mais prestigiados de Portugal e do mundo.

Considerada uma das principais vozes do Fado, com uma capacidade única de emocionar e tocar a alma do público, Sandra Correia foi descoberta pelo pai, um músico que a incentivou a cantar desde cedo. Integrou o elenco da Casa do Fado Janelas do Fado, no Porto, o Fado em Londres e foi fadista residente do Clube do Fado em Alfama, em Lisboa, durante sete anos. Apresentou-se em países como Espanha, França, Áustria, Marrocos e Israel e conta com três discos “Ao vivo” em 2021, “Perspetiva” em 2015 e “Aqui existe” em 2018. A fadista tem também a sua própria Casa de Fados, o Fado Português, em Vila Nova de Gaia, onde compartilha a sua paixão pela música com o público.

Para Delfim Sousa, diretor do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e responsável pela Casa Museu Teixeira Lopes, esta foi uma noite “bem conseguida, uma noite onde o Fado ganhou linhas de virtuosismo”.

“O Fado, que é uma atividade que tem vindo a crescer em Vila Nova de Gaia, aliás, já com um histórico de trabalho nessa área, no passado, mas que agora tem vindo, nos últimos anos, com grandes jovens fadistas que temos aqui em Vila Nova de Gaia, como a Inês Louro, o Miguel Bandeirinha, e muitos outros, e agora também com esta consagrada Sandra Correia, que sediou em Vila Nova de Gaia, também uma Casa de Fados, mas que é uma fadista consagrada a nível nacional, e que nos honrou com um virtuoso concerto, que encheu por completo o Atelier Central e o Salão Nobre da Casa Museu Teixeira Lopes, por completo, porque tivemos gente de pé, já tínhamos mais de 150 pessoas, e, portanto, foi uma noite brilhante”.

Este foi o primeiro de 10 concertos que vão ocorrer dentro da rúbrica Fado às Quintas, que se realiza de 15 em 15 dias, na Casa Museu Teixeira Lopes, uma iniciativa que Delfim Sousa considera que pode incluir todos os gaienses.

“Como o Fado é transversal a todo o tipo de gaienses, é uma forma também de inclusão de diversos públicos, aqui num espaço cultural de excelência em Vila Nova de Gaia, que é a Casa Museu Teixeira Lopes, que tem pergaminhos grandes na área da música também, desde o tempo do António Teixeira Lopes, do nosso escultor, e no seguimento não só das artes plásticas que aqui realizamos exposições, é uma casa de artes plásticas para todos os efeitos, mas este Salão Nobre do Mestre Teixeira Lopes era conhecido também por ser uma casa de cultura, onde se reuniam a gente do seu tempo para a música, para o teatro, para recitais de poesia, para lançamento de livros, e nós, aqui na Casa Museu Teixeira Lopes, queremos dar essa continuidade”, explica.

Além do Fado às Quintas, a Casa Museu Teixeira Lopes tem também tido outras iniciativas no âmbito do Dia Internacional dos Museus, promovendo quatro dias de iniciativas, de 14 a 17 de maio, onde receberam jovens de diversas escolas, promoveram atividades socioeducativas, e um espetáculo de música e de dança com a Escola de Música do Perosinho e com a Escola de Ginasiano, “uma das escolas de dança mais importantes neste momento do país”.

Houve ainda a Noite Europeia dos Museus que contou com visitas, atividades para as famílias, e concertos da Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Música de Gaia, e um concerto de violoncelo com a famosa violoncelista Ana Mafalda Monteiro. No dia 16 de maio, pelas 22h, o próprio responsável da Casa Museu Teixeira Lopes fez ainda uma visita guiada aos convidados e a 17 decorreram atividades socioeducativos e atividades para as famílias ao longo do dia”.

“É esta aposta que o nosso presidente Luís Felipe Menezes nos colocou, o desafio para honrarmos e darmos uma continuidade de brilho que esteve bastante apagada nos últimos oito anos na Casa Museu Teixeira Lopes. A Casa Museu Teixeira Lopes voltar aos brilhos de atividades culturais de excelência e é esse o desafio do nosso presidente que nós estamos a cumprir com muito espírito de entrega, como é o timbre desta equipa que me rodeia aqui na Casa Museu, ninguém faz nada sozinho, é todo um trabalho de equipa, de dedicação, de amor à causa pública e, sobretudo, também, premiar a cultura com grandes eventos culturais”, afirma Delfim Sousa.

Dia 28, o Fado às Quintas está de regresso, novamente com a fadista Sandra Correia, que atuará pelas 21h. O evento é de entrada livre e aberto ao público em geral. Já no dia 30 de maio, pelas 16h, haverá a inauguração da exposição de um grande artista plástico, o pintor Jorge Curval. “Tivemos até há pouco tempo também aqui uma exposição de fotografia e seguir-se-ão grandes nomes também das nossas artes plásticas que anunciaremos brevemente com exposições até ao final do ano”, acrescenta Delfim Sousa.

 

A cultura aliada às restantes áreas para tornar Gaia melhor

O diretor do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e responsável pela Casa Museu Teixeira Lopes adianta ainda que é sua intenção prever a atividade também do Serviço Socioeducativo do Museu, que estão “a relançar com ímpeto e com muita paixão, que é, de facto, também, a missão da Casa Museu Teixeira Lopes”.

“No próximo ano eletivo, vamos ter um grande evento de serviço educativo da Casa Museu Teixeira Lopes, que procurará abranger não só o público escolar, mas a população em geral de Vila Nova de Gaia e a Casa Museu Teixeira Lopes irá ser dinamizadora de um grande projeto de educação artística ao nível global de toda a cidade e de todo o concelho de Vila Nova de Gaia que queremos ir desde os jovens em idade escolar até à idade provecta, dos oito anos e oitenta. Queremos, de facto, abranger todos os públicos para num tempo tão difícil de uma sociedade tão descentrada de si própria, que não pergunta pelo seu próprio ser, pela sua própria humanidade, num tempo de guerra, de violência, nós queremos que pela cultura vivamos humanidade, paz, tranquilidade, sabedoria, em prol do mundo mais fraterno, mais solidário e feliz. Sobretudo, procurar que os gaienses encontrem a felicidade” acrescenta.

Para Delfim Sousa, a cultura “não pode ser encarada isoladamente”, tem de ser encarada em conjunto “com a educação, com a área social, com a área da saúde, do emprego e desenvolvimento social, ou seja, isto tem que haver uma holística de atuação para criarmos um bem-estar na nossa cidade de Vila Nova de Gaia”.

Nesse sentido, Delfim Sousa acredita que “urge passar os tempos mais sombrios com um brilho pela cultura, pelas artes, pelos saberes”, à semelhança do que está a fazer o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, “preocupado com os jovens do concelho e com a habitação social para a classe média”.

“Hoje passamos por uma crise também do imobiliário, os nossos filhos não têm capacidades para comprar ou alugar uma casa em Vila Nova de Gaia, têm que procurar em conselhos limítrofes e o presidente da Câmara está a procurar, de facto, inverter esse papel e muito bem para que haja também uma preocupação com os nossos jovens para que possam casar, possam ter os filhos a crescer aqui em Vila Nova de Gaia, possam ter uma casa e possam ter o seu emprego. Isso também, o presidente está a fazer no sentido de granjear novas empresas que se venham a instalar no município, porque pode haver casas, mas tem de haver também emprego, para se poder pagar também a renda da casa e com quantias que sejam aceitáveis e justas. Por outro lado, também no campo da saúde, que está a acompanhar o campo da cultura, melhorar significativamente os nossos equipamentos de saúde e inclusivamente melhorar o espaço escola, porque as escolas estão muito degradadas, não sofreram intervenções significativas nos últimos 12 anos e há uma preocupação do município nesta holística de atuação”.