Com os números de pessoas em situação de sem-abrigo cada vez a aumentar mais, Vila Nova de Gaia vai implementar um projeto para ajudar esta população de várias formas e tentar a sua inclusão na sociedade.

 

 

A Câmara Municipal de Gaia vai dinamizar um projeto de acolhimento, integração e inclusão da população em situação de sem-abrigo do concelho. O projeto denominado “InteGrar” foi aprovado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2020 – e será promovido pela autarquia, em parceria com a Gaiurb, a delegação de Gaia da Cruz Vermelha Portuguesa e a Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES). O Norte 2020 financia, através do Fundo Social Europeu (FSE), 85% do investimento (135 mil euros), suportando o município e os demais parceiros os restantes 15%.

Através de um conjunto de ações, pretende-se uma resposta integrada de acompanhamento, trabalhando a prevenção para o fenómeno e uma intervenção especializada com vista à reinserção social e profissional e o combate à sua reincidência. O projeto prestará um acompanhamento personalizado e contínuo a cada pessoa, através de uma equipa multidisciplinar, com o objetivo de promover a autonomia, a responsabilização, o empoderamento e a inclusão social.

Pretende, ainda, a criação de um espaço de drop-in que seja uma resposta diurna, de convívio, lazer e atividades lúdico/didáticas, um espaço de socialização que potencie a procura dos serviços, o acesso a informação sobre os recursos existentes na rede social, bem como o acesso a bens de primeira necessidade e a kits alimentares.

O projeto, definido para um período temporal de dois anos, terá como base de intervenção pelo menos 80 sem-abrigo, contudo, o número pode ser maior após o início da iniciativa.

Vila Nova de Gaia tem vindo a registar um crescente número de pessoas sem-abrigo. A 31 de dezembro de 2019, o concelho tinha 188 pessoas nesta situação, sendo o segundo concelho da Área Metropolitana do Porto com mais pessoas nesta situação, dos quais 103 sem teto e 85 sem casa. Três meses depois, em março de 2020, depois de um diagnóstico para a implementação do NPISA (Núcleo de Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo) de Gaia, constatou-se a existência de 201 pessoas, sendo 116 sem teto, a viver em espaços públicos, abrigos de emergência e locais precários, e 85 sem casa. Esta população está dispersa por todas as freguesias, mas há uma maior incidência na malha urbana, nomeadamente nas uniões de freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso e Santa Marinha e São Pedro da Afurada, sendo possível perceber que são maioritariamente homens (153), entre os 35 e os 66 anos de idade. O aumento poderá justificar-se pela situação provocada pela pandemia de covid-19.

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