Está a terminar o ano de 2020. Um ano que não trouxe muita felicidade e que certamente não irá deixar grandes saudades para todos nós. No entanto, todos aprendemos e teremos muito mais a aprender com este 2020 no futuro. Valorizar o que efetivamente tem valor e viver intensamente cada dia das nossas vidas.

2021 está a chegar. Com ele, esperemos nós, a solução para esta pandemia para que possamos regressar ao nosso normal. A liberdade, os afetos… recuperar aquilo que tínhamos e que o Covid nos privou.

Mas 2021 trará também dois atos eleitorais importantes para o nosso Portugal. As eleições presidenciais já em janeiro e lá para setembro / outubro as eleições autárquicas.

Admito que as eleições para o mais alto cargo da nação nunca me “tocaram” muito. Todos vamos assumindo que o papel do Presidente da República num país como o nosso é muito institucional e de representação e pouco, digamos, operacional. Reconheço que nenhum dos candidatos me fascina e pelo que vamos lendo e ouvindo não me parece que o período que antecederá as eleições vá ser digno para umas eleições para a presidência da república. Adjetivar candidaturas como “cigana” ou “marijuana” não dignifica a eleição, os candidatos e a democracia.

No entanto, é consensual que quem cantará vitória no dia 24 de janeiro será o atual presidente e candidato Marcelo Rebelo de Sousa. Depois de uma presidência cinzenta protagonizada pelo seu antecessor, claramente o seu modo de estar e ação foram uma lufada de ar fresco. Admito que em muitos casos a propaganda que fez foi exagerada (recordemos as férias / banho em Pedrogão, apenas para citar um), mas claramente aproximou os portugueses da função e isso foi um enorme ganho.

Depois das férias de verão, entre setembro / outubro teremos as eleições autárquicas. Os portugueses serão chamados para escolher quem os representará nas autárquicas. Dada a proximidade eleitor / candidato, nestas eleições tem maior peso a escolha do candidato, da sua equipa e do projeto em detrimento do partido que suporta a sua candidatura. Por isso, mais do que em qualquer outra eleição, para as autárquicas as pessoas votam mais na pessoa que querem para presidente de Câmara ou para presidente de Junta de Freguesia do que no partido A ou B.

No entanto, as eleições não se limitam à escolha do Presidente da Câmara ou da Junta. Nesta eleição vota-se para a composição das assembleias municipais e de freguesia, onde várias forças políticas têm assento e capacidade eleitoral, fazendo valer as suas ideias e propostas para as comunidades, mediante o voto que lhes foi confiado pelos eleitores. Uma oposição forte, dedicada e atenta “obriga” a uma maior atenção e melhor prestação por parte de quem está no poder.

Apesar de ainda faltar alguns meses, começam-se a aquecer os motores das várias forças políticas. O que se deseja neste período é que as várias candidaturas façam uma campanha digna, apresentando as suas propostas e as suas equipas, e que não se repitam os tristes episódios que se verificaram em Vila Nova de Gaia que não dignificam a vida pública e política, afastando as pessoas. Quem tem como modus operandi essa forma de fazer política deverá aprender com os seus erros.

Espero e esperamos todos que ambas as campanhas decorram de forma a que se valorizem as ideias e propostas e que a democracia saia reforçada.

 

Aproveito para desejar a todos os leitores do Jornal Audiência um feliz natal e um excelente ano de 2021.

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