Fazer um “hole-in-one” no golfe é uma proeza que não está ao alcance da maior parte dos golfistas amadores, independentemente dos seus atributos competitivos. Ainda assim, não se pode dizer também que seja uma ocorrência proibitiva. Até porque, por norma, é uma probabilidade que poderá bafejar mais os jogadores mais credenciados, ou seja, os detentores de “handicaps”, mais baixos, que funcionam na proporção inversa da valia técnica de cada jogador.

Este introito serviu apenas para enaltecer a proeza do amador da Quinta do Fojo, Nuno Sousa Soares, que esteve em particular evidência durante o Torneio de S. Martinho, ao protagonizar o único “hole-in-one” da prova, apesar da classificação que obteve não ter correspondido minimamente à proeza referida. Ainda assim, factos são factos e Nuno Sousa Soares ficará na história do Torneio de S. Martinho da Quinta do Fôjo por ter sido o mais “badalado” dos cerca de quatro dezenas que participaram na prova. Detentor de um “handicap” com 17 pancadas de bonificação, Nuno Soares obteve um modesto 12º lugar na classificação “net-stableford” e além do citado “hole-in-one”, conseguido no buraco “3” da segunda volta (o 15), o melhor que conseguiu foi um “birdie” e três pares.

Ainda assim, tudo isso foi insuficiente para impedir o triunfo de Carlos Alberto Gonçalves na classificação bonificada e do actual vice-campeão do clube, Paulo Castelo, em “score” real. No primeiro caso, a jogar com “9” de “handicap”, Carlos Gonçalves alcançou tangencialmente o primeiro lugar desta variante, ao somar 39 pontos, contra 38 da dupla formada por Francisco Serrano e Nelson Conceição, enquanto o quarto lugar, com 37 pontos, pertenceu ao vice-campeão do clube, Paulo Castelo (o mais credenciado em prova, com “3” de “handicap”), com a mesma pontuação de António Flores, ambos com 37 pontos.

Paulo Castelo venceu na fórmula da verdade

Quanto à classificação de “score” real, para muitos a fórmula da verdade pelo facto dos concorrentes não poderem agarrar-se a qualquer abono extra (“handicap”) para beneficiar a sua posição, Paulo Castelo triunfou folgadamente na modalidade “stableford-gross” e também em “stroke-play”, esta a modalidade classificativa pela qual se rege toda a alta competição. No primeiro caso, o “vice” do Fôjo rubricou um “scorecard” somando 34 pontos, à frente do citado Carlos Gonçalves (31), Francisco Serrano (29) e Francisco Pi9nho (28).

Todavia, a performance efectiva de Castelo está bem expressa na análise da classificação de “stroke-play”, área em que o vice-campeão do Fôjo obteve a excelente marca de 62 pancadas para um par de 60, deduzindo ainda uma pancada ao seu actual “handicap” 3 numa performance individual de dez pares, três “birdies” e cinco “bogeys”, e o somatório de 30 mais 32 “shots”. Terminou com quatro pancadas de vantagem sobre Carlos Gonçalves (fez 66), cinco sobre Francisco Serrano (fez 67) e seis sobre Francisco Pinho (68), que jogou precisamente ao nível do seu “handicap” com que respondeu à chamada (8). Neste torneio, curiosamente, os prémios especiais foram ganhos pelos dois vencedores; Paulo Castelo fez jus à sua potente pancada ganhando o “the longest drive”, enquanto Carlos Gonçalves impôs-se na bola mais perto da bandeira arrebatando o “the nearest the pin”.

Hegemonia de João Ranito no Torneio do Outono

Entretanto, o miramarense João Ranito, jogador que se apresentou no “tee” de saída com sete pancadas de bonificação, dominou claramente o Torneio do Outono, competição também inserida no calendário regular da infraestrutura dirigida por Filomena Rito que contou com a participação de cerca de quatro dezenas de concorrentes. Ranito não deu quaisquer hipóteses aos demais praticantes, apesar do equilíbrio que poderá ter ocorrido na modalidade bonificada (“stableford-net”) onde ele próprio e o segundo classificado, Henrique Montenegro (Oporto), concluíram com idêntica pontuação (42).

No entanto, em situações do género a comissão de provas utiliza a regra regulamentar que atribui vantagem ao jogador mais pontuado nos segundos nove buracos e aí, João Ranito levou obteve mais um ponto que o seu opositor (23 contra 22), enquanto António Valente de Almeida (CGM) e João Pacheco de Miranda (OGC) equipararam-se com 39 pontos. Na modalidade “stableford-gross”, o maior opositor de João Ranito não foi Montenegro mas sim o paredense Pedro Barbosa (“handicap” 4), que conseguiu 32 pontos, contra os 35 de João Ranito, sendo o “top-five” fechado pelos anfitriões Carlos Dias (28) e Gonçalo Mota (27), seguidos do também paredense Afonso Moreira, com 27.

Numa análise mais pormenorizada aos resultado cimeiro da tabela, em função da classificação “stroke-play”, João Ranito esteve simplesmente notável ao conseguir o excelente “score” de 61 pancadas para um par de 60 (+1), depois de se apresentar no “tee” de saída com um “handicap” de sete pancadas, o que lhe valeu uma redução de seis pancadas em relação ao seu nível de jogo. No tocante aos cinco primeiros, Barbosa terminou com “4 acima”, Carlos Dias com “8 acima”, e Gonçalo Mota e Afonso Moreira ambos com “9 acima, o que significa que as próximas provas a sério vão contar com um João Ranito renovado quanto ao nível de jogo que lhe for atribuído pela Comissão de “Handicaps” do seu clube de origem, o Golfe de Miramar.

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