Nuno Jerónimo nasceu em Portugal e aos quatro anos de idade emigrou, juntamente com os pais, para Montreal (Canadá). Formou-se na área de finanças e, mais tarde, em direito.

Atualmente exerce direito da emigração, prestando auxílio àqueles que emigram até ao Canadá. Em entrevista ao AUDIÊNCIA explica que caminhos percorrer para chegar ao Canadá de formas legais, e conta que a partir de setembro passará mais tempo nos Açores.

 Indo tão novo para o Canadá, como foi educado lá fora?

 Eu fui criado fora do núcleo português. O meu pai tinha outra vida e estávamos noutra área. Não estávamos no meio português, mas ia à escola portuguesa ao sábado, por isso mesmo tinha alguns contactos com portugueses e obviamente que os meus pais tinham alguns amigos portugueses.

 Em Montreal existem muitas casas portuguesas? Há alguma portugalidade vincada ou a francofonia é exclusiva?

 Aquilo é uma sociedade muito aberta. Há várias culturas. Há zonas muito vincadas. A mistura é bem feita e harmoniosa. Claro que a sociedade francófona é bem vincada porque é uma zona francófona. Somos a única parte da América do Norte que fala francês, somos a maior parte da população fora de França que faça francês. Somos uma pequena parte e tudo à nossa volta é inglês.

E a rivalidade entre Montreal e Toronto?

 É falsa. Toronto é o comboio do Canadá. Já foi Montreal… a rivalidade é no desporto, tal como o Benfica vs Sporting. Toronto contra Montreal tem uma rivalidade vincada mas sempre civilizada. Sinto é que no Quebeque tudo é mais europeu. É uma boa mistura entre a América e a Europa. Quando entramos na província ao lado, Ontário, sentimos logo outra maneira de viver, mais americana. É outra maneira de ser. No Quebeque somos mais calorosos e impulsivos. Claro que lá todos falam francês, é importante perceberem isto, mas também falam inglês, aliás, o mercado é inglês, mas quem quer viver no Quebeque tem de saber falar francês.

 O que é que o levou a interessar-se pelas finanças e pela advocacia?

 Finanças foi um percurso normal. Tinha facilidade em matemática e enveredei por esse caminho. Pedem-nos para escolher o que fazer da nossa vida nos próximos 30 anos aos 18… sentia que me faltava qualquer coisa para me complementar. A advocacia abre portas não só a Direito. Achei que as duas áreas se complementavam.

O que fez profissionalmente?

Trabalhei para um banco onde era diretor dos serviços financeiros. Também abri vários restaurantes portugueses com o meu pai. Este lado português está muito vincado em mim.

 Nestes restaurantes reunia-se a comunidade portuguesa?

 Só com a comunidade portuguesa não se faz vida… também trabalhamos para as outras comunidades. É uma comida bastante conhecida lá. As pessoas já estão habituadas. A primeira vaga de emigração foi nos anos 50, por isso não é como se fosse uma nova emigração [e uma nova gastronomia].

 A Casa dos Açores de Montreal é uma casa com muita vida.

 Muita vida. Em qualquer parte do mundo há uma açorianidade bem vincada e muito dinamismo. Os açorianos têm esta facilidade em transmitir as tradições.

Passando ao tema principal da entrevista. Porque é que está cá?

  Há dois anos fui convidado para dar uma palestra numa escola em Rabo de Peixe, enquanto estava cá de férias, sobre a emigração. Eu disse que sim. Como exerço direito da emigração, acontece que tenho muitos clientes açorianos que vêm ao meu escritório tarde de mais. Muita vez acontece que vão lá de férias, começam a trabalhar e não saem do país quando deveriam. Há problemas quando são apanhados e vêm ter comigo nervosos e aflitos. Eu já tinha falado com eles antes e dito para não brincarem com essa situação. Convém ter um advogado para estas situações, mas as pessoas pensam que os advogados são caros… então acontece isto sem necessidade. As pessoas ficam e ficam ilegais. Estão a trabalhar “debaixo da mesa”, como se diz. Não têm direito a médico, não estão a descontar para a reforma… tudo isto sem necessidade. Foi por isso que me convidaram para a palestra e expliquei o que podem fazer para ir para o Canadá legalmente. Há muitos caminhos para ir para lá legalmente, apenas depende de cada pessoa e de cada caso. A ideia de emigração não é muito “longínqua” para os açorianos. Eu fazia sempre uma sondagem e perguntava quem tinha família no Canadá ou nos Estados Unidos da América e 95% levantava a mão. Aproveitei também e dei uma palestra para jovens no Teatro Ribeiragrandense, para explicar o que podem fazer para emigrar. Acho importante que as pessoas me vejam fisicamente e ver que existo mesmo. Não estou aqui para brincar. É a minha carreira.

Qual é o melhor processo para emigrar? Que passos se pode dar?

  Vou dar uma resposta política: o melhor processo depende porque cada caso é um caso individual. Recentemente Portugal e Canadá assinaram um acordo para jovens entre os 18 e 35 anos que se baseia num intercâmbio: há uma série de jovens de Portugal que pode ir visitar ou trabalhar para o Canadá e vice-versa. Ou seja, vão para lá com um visto de trabalho’. Isto dá por um período máximo de 24 meses, abrindo a porta para ficarem lá permanentemente, que é a primeira etapa.  Há 1700 lugares, o que quer dizer que há 1700 jovens que podem ir. Acho que os jovens não sabem que isto existe e é de aproveitar porque é um caminho muito fácil para ir para lá. Além de que ter família lá facilita. Há muitas formas de ir para o Canadá. Esta é uma das mais fáceis. No entanto, é preciso dinheiro. Primeiro porque há que pagar a passagem, segundo há que provar que a pessoa tem 2.500 dólares disponíveis na conta. Não é pelo dinheiro, é apenas porque o Governo não quer que a pessoa chegue lá sem nada, quer que tenha dinheiro suficiente para viver por pelo menos três meses sem emprego, porque normalmente em três meses encontra-se emprego. Não é garantido, nada é garantido na vida. Conheço muitas empresas que precisam de empregados e fazem negócios comigo, ou seja, eu é que trato dos processos de emigração para as empresas. Se eu tenho clientes, penso neles, mas não sou uma agência de emprego. Não posso garantir o emprego… não estou aqui para garantir nada. Respeito muito as pessoas, o dinheiro das pessoas e o trabalho das pessoas. Como disse e repito, só não trabalha quem não quer. Há muito emprego. Há mais idosos do que jovens, há muita gente a ir para a reforma… é necessário cozinheiros, pessoas para lavar loiça… há muitos empregos disponíveis.

Qual é a diferença entre os que são canadianos e os que estão cá e querem ir para lá?

 Quem tem passaporte canadiano entra lá e não há perguntas: “tens emprego, tens dinheiro?”. Se nasceu no Canadá, é-se canadiano. Para alguém que não é canadiano, torna-se mais complicado. Também pode ir-se para lá no âmbito dos estudos para tirar um curso em empregos que faltem funcionários. Isso dá direito a residência permanente durante dois anos. A pessoa tem de investir em si e pagar o curso, mas também vai ter o retorno. Dou sempre este exemplo: as pessoas estão prontas, com o mesmo salário, a comprar um carro de 10 a 15 mil euros e é algo que gasta dinheiro e está sempre a desvalorizar. No entanto, quando é para investir nelas próprias com o mesmo montante, ficam nervosas. Isso é incrível, acho isso incrível. Não estou a dizer que a emigração é para todos. Se está bem, fique aqui porque isto é, realmente, um paraíso. Mas as pessoas que emigram, como os meus pais emigraram, é porque não estavam bem, porque havia dificuldades, não havia retorno para o esforço que eles faziam, e não havia futuro. Se você quer chegar alto, chega alto, mas é com trabalho. Se aqui se quiser três empregos não se arranja. Mas lá arranjam até quatro empregos. Eu sou exemplo de que no Canadá não há limites. Eu estudei num colégio privado no Quebeque e estudei na universidade e foram os meus pais a pagar. Não estou a dizer isto para me gabar. É só para compreenderem que todos podemos… os meus pais não eram engenheiros nem nada disso, não eram ricos. No Canadá só não se estuda e não se chega onde se quiser se não houver vontade. O português é muito bem visto no Canadá. Somos gente trabalhadora e honesta. Temos boa reputação. Ir para o Canadá não é ir para outro mundo completamente diferente. As pessoas adaptam-se bem.

 Antigamente havia a chamada “carta de chamada”. Hoje em dia não é assim que se trata, mas há processos para se chegar ao Canadá.

 A pessoa tem de ter um empregador que o queira. Vamos dar o exemplo de um restaurante. O restaurante tem de provar ao Canadá que tentou encontrar um canadiano ou residente permanente mas que não conseguiu, e que não há impacto no mercado do trabalho, ou seja, que não se está a tirar o trabalho a ninguém. É um processo longo… demora desde 12 a 18 meses. Há muitos pedidos… mas sem o visto de trabalho não se pode fazer nada.

É por isso que muitos vão com o visto de turista, ficam a trabalhar lá de forma ilegal e precisam arranjar advogados como o Nuno.

 Sim. Exato. Contactam-me se tiverem problemas, mas isso assim torna tudo mais difícil. Se mentiu uma vez ao Governo, como é que sabem que não estão a mentir uma segunda vez?

 Mas se forem para lá com o visto de turista e o contactarem antes de expirar?

 É mais fácil. Há mais opções. Podem encontrar um empregador que queira investir, podem estudar… tive uma cliente cujo marido teve um visto de trabalho aberto e trabalhava a tempo inteiro para amortecer os custos [dos estudos da esposa]. Ela investiu em si 25 mil euros, mas vai ter um retorno 10 ou 15 vezes maior.

Quando vem a dupla nacionalidade?

 Depois de terem a residência permanente têm de estar lá três anos. Este é um processo de cinco a seis anos, para ter a cidadania canadiana. Como residente a pessoa tem todos os direitos de um canadiano, exceto o voto. Também tem seguro médico. As únicas diferenças é que não pode votar e tem de ficar lá a viver. Pode sair, mas não durante muito tempo.

 Para quem não se encaixa no programa para jovens que estivemos a falar, qual a melhor opção para quem queira emigrar?

Encontrar um empregador que queira investir em si e a opção dos estudos, mas esta é um investimento largo, mas do qual se recupera rapidamente.

 Há muita gente a querer emigrar de Portugal?

 Bastante.

 E dos Açores?

 Muitos. A minha maior clientela é dos Açores. E boa clientela! Gente de coragem e gente trabalhadora. Fico orgulhoso como se fosse eu a ter feito aquelas etapas todas.

Quem o quiser contactar, como é que o pode fazer?

A partir de setembro ou outubro virei aos Açores com mais regularidade. Por enquanto, tenho os meus contactos no CEmpA [Centro Empresarial dos Açores, na Ribeira Seca]. Podem contactar-me por ‘e-mail’, carta ou até ligar.

 Nuno Jerónimo, Immigration Lawyer

Morada

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