A cerca de cinco meses do término do seu último mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia da Maia, Jaime Rita, presidente do executivo, falou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre a ligação inquebrável e o amor que sente pela terra onde nasceu. Com uma longa viagem pelo mundo político, o autarca falou sobre o Dia da Freguesia da Maia, sobre o protocolo de geminação com a Freguesia da Cidade da Maia, situada no continente português, sobre a homenagem realizada a Inês da Maia e sobre os inúmeros projetos que foram implementados, com o objetivo de contribuir para o bem-estar da população e para o desenvolvimento da localidade. Relativamente ao futuro, o edil manifestou a ânsia de que o próximo presidente de Junta governe através do lema “primeiro a Maia, todos juntos pela Maia, sempre”.

 

 

 

O Dia da Freguesia da Maia foi instituído há dois anos e é celebrado no dia 1 de maio. Qual é a relevância da celebração desta localidade?

Sim, o Dia da Freguesia da Maia começou a ser celebrado em 2019. E a escolha do dia 1 de maio é porquê? Porque, como sabe, o dia 1 de maio é feriado, é o Dia do Trabalhador e porque, atendendo ao género, maio é masculino e Maia é feminino, por isso até parecia que casava perfeitamente a questão do Dia da Maia ser celebrado no dia 1 de maio. Além disso, também por ser o primeiro dia de maio. O dia semanal é móvel, não é um dia fixo, porém podemos fazer sempre as comemorações aqui, não adiando, nem antecipando o respetivo dia, por calhar num dia de semana e como é sempre feriado, é um dia de referência não só pela grandeza do dia 1 de maio, principalmente para a classe trabalhadora, e então optamos por realizar nesta data. Neste seguimento, posso, também, dizer-lhe que, apesar das comemorações deste ano se terem concretizado em moldes diferentes dos idealizados há dois anos atrás, as contrariedades dos tempos atuais não foram impeditivas de arrancarmos com a celebração do Dia da Maia, que foi realizado por videoconferência, de maneira que imensos participantes, que prestaram depoimentos sobre a Freguesia, sobre o antigamente, sobre como é agora e, também, sobre as perspetivas para o futuro. Nós tivemos participações de várias partes do mundo e devo destacar que, para além destes depoimentos, que foram contribuições extremamente relevantes, eu não quero aqui individualizar nomes, mas tivemos pessoas ilustres, como por exemplo, o ex-presidente da Assembleia da República, que não sendo nada aqui na Maia, mas foi criado aqui, para não falar noutros, como o Craig Mello, prémio Nobel da Medicina, mesmo outros que, sendo emigrantes e não estando presentes aqui na Maia, estão presentes pelo menos espiritualmente, com o coração, onde levam sempre o nome da Maia. Foi um evento muito interessante e foi primário para nós, porque nunca tínhamos feito nada assim e através das novas formas de comunicação, das redes sociais, conseguimos ter aqui depoimentos muito interessantes e pessoas de várias partes do mundo, mas com raízes aqui da Maia. A Conferência correu extremamente bem e foi muito participada. Estava prevista decorrer durante cerca de uma hora e chegou às duas horas e se tivéssemos mais tempo, mais prolongava e, também, tive conhecimento de que há cerca de sete mil visualizações do direto, de maneira que acho que é interessante saber que as pessoas, apesar de terem passado três ou quatro dias continuam a ver. Portanto, é um tema que é atual e isso também nos orgulha, no bom sentido. Há uma nota curiosa que eu gostava que fosse chamada à atenção, que é o apego e o gosto que as pessoas têm por esta Freguesia. São muito críticas, criticam por tudo e por nada, mas quando chega a hora de dizerem, presidente nós estamos aqui, elas são primárias nisso e quando nós, muitas vezes, estamos com a nossa comunidade, com os nossos irmãos da diáspora, nós notamos o sentimento que existe pela Maia e falamos da nossa infância, dos acontecimentos passados e é algo mesmo inexplicável. E há uma coisa que eu, também, costumo dizer sempre: não há futuro, sem passado, nem presente. Se queremos um futuro melhor, nós temos de olhar para o passado e para o presente. Este foi um momento muito especial, porque foi instituído o Dia da Freguesia e, também, porque estabelecemos, aqui, uma parceria com a Freguesia da Cidade da Maia, para haver a geminação. Já era uma intenção desta Junta de Freguesia e dos colegas anteriores de fazermos uma aproximação, portanto às freguesias ou cidades denominadas Maia, quer a nível a local, quer a nível nacional. Em algumas reuniões da ANAFRE, eu tive o prazer de conhecer a atual presidente da Freguesia da Cidade da Maia e ela contou-me uma coisa muito interessante, nomeadamente que queria fazer uma brochura mensal sobre a Maia, que seria o Visite Maia, e quando ela foi tentar registar o nome, percebeu que já existia um, que é o nosso, aqui, que é o Visite Maia, São Miguel, Açores. De maneira que, fizemos uma abordagem, conversamos sobre a possibilidade de fazermos uma geminação, atendendo a que reza a história de que a nossa fundadora, que é Inês da Maia, tinha vindo das Terras da Maia e, possivelmente daquela zona envolvente, onde estão localizadas terras extremamente férteis e agrícolas. Pelo que, a partir daí, começamos a trabalhar nessa possibilidade, através dos encontros que nós tínhamos a nível da ANAFRE, até que há dois anos veio cá uma comitiva quer da Freguesia da Cidade da Maia, quer o vereador da Câmara Municipal da Maia, que veio após uma visita que nós fizemos à Freguesia da Cidade da Maia, também, a nível da Casa do Povo, na qual fomos, também, à Câmara da Maia e a outras instituições locais e, a partir daí, conseguimos que viesse cá uma comitiva, no dia 1 de maio de 2019. Entretanto, as coisas correram bem e foi perfeitamente quase que, pela obra e graça de quem está lá em cima, que essa comitiva viesse cá e assistisse às grandes Festas do Espírito Santo da Maia, que nós temos aqui e que são únicas no país. Portanto, como sabe, na Segunda-feira da Santíssima Trindade, é Feriado da Autonomia e feriado regional e nós temos, aqui, um Dia Comunitário, em que há a partilha, nomeadamente, da carne por todas as pessoas, quer pelos residentes, quer por aqueles que nos visitam e a comitiva assistiu e provou a nossa carne guisada, que deu origem à criação, aqui, de uma Confraria, que é a Confraria da Carne Guisada da Maia que, também, é única no país. De maneira que, assinamos o acordo de princípio e começamos a trabalhar no sentido da geminação. Entretanto, o ano passado, vinha uma comitiva do continente português, nomeadamente da Freguesia da Cidade da Maia e da Câmara Municipal da Maia para oficializarmos a geminação, mas fruto da pandemia, essa assinatura foi adiada. Num futuro próximo, se as coisas mudarem e esperamos que mudem para melhor, vamos, então, no dia 10 de junho, se Deus quiser, formalizar por escrito, toda a panóplia ligada à geminação e, posteriormente, também irá uma comitiva em representação da nossa Freguesia ao continente, às Terras da Maia, à Cidade da Maia e à Freguesia da Cidade da Maia, para, também, depois, fazermos um pequeno evento, uma pequena comunicação sobre em que é que consta este protocolo de geminação.

 

A Junta de Freguesia da Maia também inaugurou, recentemente, um monumento em homenagem à fundadora, Inês da Maia. De que forma é que este edificado evoca a história e os costumes desta terra?

O monumento que homenageia Inês da Maia está instalado num espaço verde, da propriedade do município ribeiragrandense, que foi cedido no âmbito do loteamento de São Pedro. Esta homenagem é extremamente importante para a Freguesia da Maia, até para o concelho e para a região, mas ter sido feita o ano passado, com um grupo de teatro que retrataria a história, pois reza a lenda que Inês da Maia era uma fidalga, que chegou aqui de barco e viu a Maia, um território que tinha ribeiras, tinha água, tinha terrenos férteis e fixou-se aqui. De maneira que, nós íamos fazer uma reconstituição histórica da chegada de Inês da Maia, através do mar, que fica próximo desse jardim e é numa zona nova aqui da Freguesia da Maia, mas as circunstâncias não o permitiram na altura. Porém, não quer dizer que não o façamos num futuro próximo, porque essa ideia não está no fundo da gaveta, pelo que irá ser concretizada logo que a situação pandémica o permita, principalmente logo que Direção Regional da Saúde permita. Mas, já demos esse passo, já fizemos essa homenagem e está lá o monumento, que é constituído por umas placas com um texto de Madalena San-Bento dedicado a Inês da Maia e depois temos as outras placas, que são os símbolos, aqui, da nossa Freguesia. Está bonito, está visível e é mais um espaço que estava semiabandonado e que recuperamos naquele loteamento e que penso que é uma zona de excelência, permita-me a expressão.

 

Senhor presidente, a Maia está no seu coração e disso não há dúvida alguma. Pode falar-nos sobre o que sente em relação a esta Freguesia?

Eu nasci em 1951 na Maia, eu fiz a minha escola primária aqui e depois fui estudar para Ponta Delgada e fazer lá o meu curso, porque não havia nada aqui, não existiam escolas, nem sequer na Ribeira Grande. Havia um externato, mas não era aquilo que eu gostava e fui-me formar em Ponta Delgada, à data de 1960. Portanto, eu tinha ou ia fazer dez anos e eu vinha de uma família que, nós somos seis irmão, mas na altura eramos quatro, e não é fácil arrancar uma pessoa do seu meio, da minha Freguesia, onde eu vivia, onde tinha os meus amigos, a minha família e ia para Ponta Delgada, uma cidade grande, sem conhecer ninguém e sem amigos, não foi fácil. Não foi fácil para mim, nem para outros colegas, também, que também passaram pelo mesmo e pelas mesmas dificuldades, mas pronto, a vida é isto, a vida também é feita de desafios e de coisas menos boas e é assim que se consegue. De maneira que, eu nunca perdi a minha ligação à Maia, portanto continuei a viver sempre na Maia, eu casei e vivo na Maia, os meus filhos nasceram na Maia e foram batizados aqui. Pelo que eu tenho um sentimento especial pela Freguesia e isso dá-me algum ânimo e alguma força para, muitas vezes, tentar ultrapassar as dificuldades e as situações que vão aparecendo, mas estamos cá.

 

Jaime Rita, quando é que integrou no mundo da política? Qual é a história do seu percurso até chegar à presidência da Junta de Freguesia da Maia?

Portanto, eu liderei juntamente com colegas meus, em 1980, a primeira lista, a nível Açores, de independentes e foi, aqui, para a Maia. Ainda tenho em meu poder o nosso manifesto. A nossa sigla era FIM – Frente de Independentes da Maia e tínhamos muitas ideias. A situação não estava bem. O Governo, também, que estava na altura, não olhou bem para a Maia como ela merecia. Na época, nós tínhamos, aqui, um bom autarca, que era o Afonso Quental, para não falar noutros, mas na altura era o Afonso, que foi um bom autarca e que, também, trabalhou para que a Freguesia da Maia fosse um pouco daquilo que é hoje, para além dos outros que vieram a seguir. Nós queríamos fazer algo de diferente e não ser tão vocacionados na política e nos políticos e em quem estava no poder e queríamos que fosse uma coisa mais abrangente e isso foi o que nos levou a concorrer, para além de que tínhamos na nossa lista pessoas de vários partidos políticos, desde o PSD, o PS, comunistas e isso não foi fácil. O PS, também, estava no auge nessa altura do Governo de Mota Amaral. Mas, existiam projetos que, hoje, ainda se estão a concretizar e que vêm já daquela altura e já lá vão quase 40 anos. De maneira que, quero dizer que as coisas não se fazem a correr, fazem-se lentamente, leva anos, mas o que interessa é que se faça e que as gerações vindouras, que vierem a seguir, beneficiem daquilo que nós vamos deixar para elas. Nós perdemos na altura e devo dizer, com todo o respeito pelos colegas que me antecederam, que fizemos, aqui, uma oposição muito construtiva, muito proativa, com propostas concretas e documentadas e vou-lhe dizer que foram anos de uma grande experiência e uma grande forma, também, de vermos as coisas de uma maneira um pouco diferente, porque quando entramos percebemos a mecânica e as grandes dificuldades da autarquia, portanto começamos a pensar de uma forma diferente e depois tivemos uma coisa que era pensar sempre a Maia primeiro e é esse o lema que eu consegui, juntamente com os colegas que estiveram comigo, e é esse o lema que eu vou deixar, para quem me vier substituir, que é primeiro a Maia, todos juntos pela Maia, sempre. Se estivermos todos juntos pela Maia, lutamos pela Vila, mas se não estivermos todos juntos pela Maia, começam a surgir divisões. O poder reivindicativo é muito melhor e o que nós sempre conseguimos foi estarmos unidos, estarmos juntos e sermos altamente reivindicativos, porque se não fossemos reivindicativos como somos, a Maia estava quase no mesmo patamar em que estava há 40 anos atrás e, felizmente, as coisas evoluíram para melhor, não há comparação possível, julgo eu, e é claro que contamos sempre com o apoio das Câmaras e do Governo Regional, porque é óbvio que nós temos as ideias, mas não temos o dinheiro. Entretanto, eu tive um interregno, depois integrei a lista do PS, na altura, como Secretário, estive aqui na Junta e fui executivo da Junta durante quatro anos. Depois, concorri novamente e perdi as eleições por uma diferença mínima. Perdemos, eu fui para a oposição, fiz o meu papel como membro da Assembleia e estava, também, na Assembleia Municipal, de maneira que sempre defendi a Maia, pois sabia o que a Maia precisava e pronto, em 2001 concorremos novamente à Junta, ganhamos e eu estive aqui quatro anos com uma equipa excelente. Depois, fui convidado para ser vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande e estive lá quatro anos, mas foi uma experiência, a qual eu não gostaria de repetir, nunca mais na vida. Costuma-se dizer que a vida dá tantas voltas, mas essa era uma das coisas que eu não gostava. Depois, então, saí e não continuei na Câmara, por opção própria e eu faço questão de frisar isso, por opção própria. E, então, concorri, aqui, novamente à Junta de Freguesia da Maia e cá estou e já estou no final dos três mandatos.

 

Agora, neste seu trajeto como presidente de Junta, quais são as coisas de que mais se orgulha de ter conquistado para a Maia?

Eu orgulho-me de tudo o que fiz e de tudo o que está feito. Todavia, há uma coisa que eu quero ressalvar aqui é que todo o trabalho que nós temos feito deve-se, primeiro, a uma equipa. Existe um líder, mas é um trabalho de equipa e eu valorizo muito, muito o trabalho de equipa e ouço a opinião dos meus colegas, que conhecem perfeitamente a vida da Junta, até porque nas próprias Assembleias Municipais, muitas vezes, vai um representante da Junta, porque eu às vezes não posso ir às reuniões e muitos colegas ficam admirados, porque o representante está dentro de todos os assuntos e isso acontece porque nós partilhamos as coisas, falamos, trocamos impressões, opiniões, muitas vezes divergentes das minhas, e eu sei que isso pode funcionar. Agora, tem de haver uma liderança forte, tem de haver uma liderança. Mas, se olharmos para trás, passados estes anos todos, sinto-me orgulhoso e com algum sentimento de dever cumprido, não na totalidade, porque há sempre mais para fazer, contudo resolvi pequenas coisas que iam ser grandes coisas pelo lado negativo, na altura, e conseguimos resolver isso e isso, também, dá aqui um certo ânimo e uma certa força, para nós continuarmos. Devo dizer que, apesar de ter a idade que tenho e da lei não permitir que eu me recandidate novamente, não me vou retirar completamente. Eu vou estar atento como cidadão, como sempre fui, da minha Freguesia e vou estar atento às questões da minha Freguesia e do concelho. Portanto, eu vou exercer aquilo que tiver de exercer como cidadão comum, fruto da minha experiência e, às vezes, até é mais fácil observar, de fora, as coisas que estão menos bem. De maneira que, eu não vou deixar de estar atento e naturalmente que se quem vier a seguir entender que eu sou útil, eu darei o meu contributo e estarei disponível para colaborar, porque é essa a minha obrigação como cidadão da Maia. Logo, é uma obrigação minha e de outros com o regime de cidadãos da Maia. De maneira que, relativamente às coisas que me deram uma certa satisfação termos concretizado aqui, eu vou começar com a questão do loteamento novo, são 52 habitações, que foi uma luta desde 200, felizmente concretizou-se e vamos ter agora mais dois apartamentos, que vão ser construídos, grupos individuais de dois, dois a dois. Uma coisa que, também, ia negociando com o anterior Governo era a abertura de uma envolvente à Maia, portanto, a partir da ETAR, para sair acima do cemitério, em que abríamos mais uma frente, para descongestionarmos o trânsito e solucionarmos um problema gravíssimo que nós temos, relacionado com o tráfego na Maia e com a nossa acessibilidade, que não é boa é péssima e continua a ser péssima. Então, a tal envolvente, também, iria abrir mais uma frente de área disponível, para fazermos novas construções e o futuro passa por ali, não desperdiçando terrenos agrícolas e ficamos com uma frente enorme e isso, também, contribuiria para que os preços baixassem um pouco e assim estão altamente inflacionados, pelo que isso seria, também, contribuir para amortecer o custo das habitações, aqui. Neste contexto, o Governo anterior tinha posto a manifesto e paralelamente apresentamos um projeto para ali com algumas alterações, que entregamos ao Governo anterior. O Governo tomou boa nota, pôs a manifesto eleitoral, mas entretanto as coisas alteraram-se e, hoje, temos um Governo novo e, também, já fizemos questão de fazer chegar a nossa preocupação, quer ao presidente do Governo, quer à sua secretária, para que tenham atenção e considerem aquele projeto e a grande necessidade que nós temos. Nós, também, temos uma escola que foi inaugurada em 2000, eu ainda não estava aqui, vim depois, mas era uma grande necessidade que nós tínhamos, para abranger, aqui, as crianças e os adolescentes desde a Lomba de São Pedro, até Porto Formoso, o que evita as decolações, porque antigamente as crianças tinham de ir para a Ribeira Grande.

 

Como referiu anteriormente, o Jaime Rita está na reta final do seu mandato. Existem projetos em carteira? O que vai ser realizado na Maia até à sua saída?

Há, uma das coisas que eu já referi aqui, que é a questão da geminação com a Freguesia da Cidade da Maia. Nós temos, neste momento, aqui um bar na zona balnear, que é da praia, e estamos a fazer uma remodelação total, que contempla um investimento na ordem dos 100 mil euros, valor pago pelo Governo Regional, que está em fase de acabamento e vamos abrir um concurso público, para que possamos pôr o bar à disposição das pessoas. O estabelecimento fica localizado numa zona com uma vista fabulosa e eu penso que vai ser uma mais-valia para aquele local. Independentemente disso, nós conseguimos, também, ganhar uma aspiração muito antiga, muito antiga mesmo, de recuperar a Mata do Dr. Fraga, que é um ex-líbris na área da vegetação, na área ambiental e por isso é chamada Mata Jardim do Dr. Fraga, que é uma coisa particular e então custávamo-nos na alma e doíamo-nos um pouco o estado de abandono em que aquilo estava e o risco que corria de desaparecer, para se fazerem mais pastagens. Nós estamos a falar do ano de 1990 e já antes alguém tinha feito essa abordagem, nós fizemos essa abordagem à Câmara, mas não foi possível concretizar a aquisição, nem a expropriação. De maneira que estávamos a ver aquilo numa decadência total e conseguimos, ao fim destes anos todos, que o Governo Regional percebesse que era algo de interesse, não só para a Freguesia, mas para a região. Portanto, nós, atualmente, temos lá um espaço no qual recuperámos muitas das plantas endémicas e sem serem endémicas, tal como muitas plantas seculares e árvores. A recuperação foi realizada através de um projeto, que contemplou a recriação de como era antigamente, através do contacto com as pessoas que trabalharam lá e que ainda estavam vivas, na altura. De maneira que, nós temos lá, hoje, um espaço que, além de ser uma zona de lazer e de convívio, tem lá uma churrasqueira e umas casas de banho nas melhores condições, um circuito de manutenção, para quem quiser fazer alguma atividade física, e tínhamos também uma parte lúdica, que acabamos por encerrar, por causa do vandalismo, pois roubavam tudo, porque a Mata do Dr. Fraga situa-se num local isolado. Deste modo, a satisfação foi mais ver este local reabilitado, que é a Mata do Dr. Fraga. Falando da camarária da nossa Freguesia, mas noutras instituições, também fomos parceiros com a Santa Casa da Misericórdia da Maia, aqui do Espírito Santo, antiga irmandade do Hospital da Maia, nas parcerias com as instituições daqui, até Juntas de Freguesia desta zona nascente, através de um programa, que é o INTERREG e, felizmente, as coisas correram bem. A Santa Casa acabou por adquirir a antiga fábrica de tabaco, que hoje está convertida num museu de excelência, que é o Museu do Tabaco e, também, tem uma parte turística, pelo que é algo que vale a pena visitar e é um motivo de alguma satisfação. Neste seguimento, a nossa prioridade para agora e o que mais revolta, para além daquelas coisas que nós vamos fazendo no dia-a-dia, é a necessidade que a Maia tem de possuir um posto de saúde em condições. Nós temos um aqui, que veio provisoriamente, numa direção que estava antes, mas há uma grande necessidade de fazermos um de raiz e, para isso, a Casa do Povo da Maia, da qual eu também sou presidente da Direção, em tempos para trás, disponibilizou e disponibiliza um terreno para a feitura do posto de saúde. Isto quer dizer que a Casa do Povo cede o terreno, para o bem da população da Maia e das suas envolventes. Nós temos a informação de que, na altura, a Câmara Municipal oferecia o projeto e o Governo fazia uma parte da obra e isto mantem-se de pé. Nós já fizemos, enfim, algumas “pressões” no bom sentido, para que o poder executivo ou, neste momento, o Governo tenha essa atenção e há uma verba já alocada, para começar a obra do posto de saúde e há o compromisso, também, do presidente da Câmara, o senhor Alexandre Gaudêncio, de oferecer o projeto. Portanto, cumpre-se ou está-se a cumprir, aquilo que estava escrito há 10 ou 12 anos atrás. O projeto vai iniciar-se agora e será algo que ficará para o futuro. Mas, também, envolve as outras instituições. Agora, temos, aqui, um outro projeto, que a Junta também lidera, com outros parceiros, que é o projeto Calços Maia, que é um projeto grande, inovador, único e que vai servir toda a zona nascente, que é a zona mais carenciada em muita coisa. De maneira que, a Junta de Freguesia entra nisto, juntamente com a Casa do Povo da Maia, que são os parceiros principais, além do Governo Regional, da Câmara Municipal da Ribeira Grande, da Santa Casa da Misericórdia, da CRESAÇOR e de outras instituições. O que é o projeto Calços? Consiste na recuperação da nossa cozinha tradicional, a recuperação de, por exemplo, videiras, de vinhas, de produtos hortícolas e parte, também, da pastelaria que os antigos tinham e que desapareceu, pelo que nós queremos fazer uma recuperação disto tudo, promovendo a plantação de videiras e a recuperação daquelas que existem, nomeadamente da Ribeira Funda, as abóboras, aqui, na Maia, a Lomba da Maia, também, terá a sua vertente, também o linho e vamos dar, aqui, também, um impulso à economia local e as pessoas que queiram aderir terão a sua produção. Este projeto adquire a matéria-prima localmente e depois isso é convertido em produto final. Desde as geleias, desde as queijadas, por exemplo. Neste momento, temos uma candidatura feita e aprovada para quatro funcionários e a Câmara fez o favor de ceder um local no Plano dos Centenários, que estava encerrado, aqui, no lugar da Lombinha da Maia e é lá que vai ser feita essa cozinha, posteriormente com uma esplanada e uma cafetaria, onde possa comercializar os produtos produzidos naquela própria cozinha, porque, ali, é um lugar de passagem, é um lugar que está morto, então o turista, que vem do Nordeste para cá ou ao contrário, em vez de ir pela via rápida, vai pela estrada antiga, para ali e tem estacionamento gratuito e uma vista fabulosa. Para além disso, o nosso objetivo é criar postos de venda em diversos sítios de São Miguel. De maneira que, é um projeto que já está em andamento, já há muita produção, que já está a caminho de ser certificada, com os itens todos necessários e é um projeto que nós julgamos que é uma mais-valia e é mais uma coisa que fica para quem está e para quem vier. Este projeto abrange até mesmo as pequenas produções, as produções caseiras, porque aquilo a que as pessoas tiverem acesso, nós depois adquirimos, para depois as matérias-primas serem convertidas em produtos, desde a pastelaria, desde a doçaria, até mesmo peixe, porque há uns cozinhados muito antigos, que perderam essas receitas e que, neste momento, estão a ser recuperadas, para, depois, nós evoluirmos e fazermos aquilo que temos de fazer. Portanto, a Maia não é estática, nada é estático, nem sequer a eletricidade é estática, antigamente era, mas agora já não. Por isso, a Maia está sempre a crescer e em desenvolvimento e cada vez há mais carências, cada vez surgem mais desafios novos e eu penso que a Maia, neste momento, tem as bases lançadas para desenvolvimentos posteriores. Falando agora dos problemas que nós temos. Nós temos um problema, também, grave que está relacionado com as nossas acessibilidades, que eu já referi há bocadinho, e com a questão dos transportes. Nós temos, aqui, uma grande dificuldade de deslocação das pessoas, quer para a Maia, quer da Maia para, porque os transportes públicos não estão adaptados, nem nada que se pareça, nem formatados para a situação de hoje e é preciso adaptar os horários de algumas carreiras. É verdade que as empresas, também, estão com dificuldades, porque cada vez menos as pessoas usam os transportes públicos, mas existem formas, também, de dar a volta à situação, se calhar preferindo carros mais pequenos e nós não vamos abdicar da criação de uma mini carreira entre o Porto Formoso e a Lomba de São Pedro, que se realize várias vezes ao dia, para que haja, aqui, uma dinâmica entre as freguesias, porque se quisermos ir, por exemplo, à Lomba de São Pedro na camioneta, porque não temos carro ou até mesmo por uma questão de comodidade, temos de saber que ao fim de uma hora ou duas temos transporte para regressar. Neste momento, os horários que existem são os horários possíveis, mas não são os mais adequados à época de hoje. De maneira que, nós temos chamado à atenção do poder executivo, quer da Câmara, quer do Governo Regional, para esta situação e para a resolverem e se não entenderem resolver de uma maneira, então vamos procurar resolver de outra, porque nós estamos aqui é para servir e não para nos servirmos, esse é que é o lema. Nós estamos aqui é para servir o bem comum, o bem público e é para isso que nós estamos aqui e também essas empresas que, enfim, estão um pouco ligadas ao Governo e estão dependentes, também, dos apoios, também têm de ter este espírito de perceberem a função económica que elas têm, mas, também, aquela componente social e é preciso darem um pouco de si. De maneira que, nós vamos ver se conseguimos chegar a bom porto e eu acredito que sim. Nós, tambén, somos das poucas Juntas de Freguesia que já editou sete ou oito livros e para uma Freguesia como a nossa, que é semi rural, não é pouco. É um investimento na promoção da Freguesia e, também, é um investimento, para que as gerações vindouras percebam o que era a Maia antes, o que é que a Maia é hoje e o que vai ser daqui para a frente.

 

A proliferação da covid-19, também, tem marcado o seu último mandato. Acredita que esta pandemia também tem alterado a forma de fazer política?

Eu venho de uma geração que, tudo o que for mau nós suportamos, tudo o que for bom nós suportamos e estamos, agora, a atravessar uma pandemia, que não é nada boa. E quando eu me refiro às coisas boas e às coisas más, é pelo facto de que, na altura, nós éramos jovens e a nossa preocupação era irmos para a tropa, para a Guerra do Ultramar. Felizmente, apanhamos o 25 de Abril em cheio, tínhamos uma média de idades entre os 23 e os 25 anos, e apanhamos o antes do 25 de Abril e o pós-25 de Abril. Se existem gerações que apanharam isto, foi a nossa. Nós apanhamos essa fase toda e apanhamos depois do 25 de Abril, a fase relacionada com a parte económica e devo dizer aqui e faço questão que fique escrito, que muita gente fala dos movimentos independentistas, movimentos não sei quê, mas eles tiveram uma função extremamente importante, porque se não fossem esses movimentos, que fizeram com que a República olhasse para os Açores de uma forma diferente, nós não tínhamos nem Governos Regionais, nem tínhamos nada. Estávamos aqui, como temos, um representante da República. Portanto, se não fossem esses movimentos, nós não tínhamos aquilo que temos hoje. Felizmente, passou-se e eu tive colegas meus, mais ou menos da minha idade, que acabaram por exercer cargos políticos muito importantes, a começar pelo Doutor Jaime Gama, o doutor Mota Amaral e o Carlos César, entre outros. De maneira que, nós apanhamos essa transição e agora somos confrontados com uma situação nova em todo o mundo, que nos deixou perplexos e sem qualquer tipo de poder de decisão, não é poder de decisão em si, mas sim saber como é que vamos planear, como é que vamos decidir para amanhã. Nós, também, passamos por muitas outras situações, como é o caso da grande crise de 2011, a começar por aí, na qual o desemprego foi para quase 20%, embora os políticos digam que não, mas nós tivemos de, no âmbito dos programas, inserir inúmeras pessoas para trabalharem na Freguesia e preciso criar iniciativas para colmatarem esta preocupação e, neste sentido, devo dizer, para mim, que é um elogio que eu faço àqueles que passaram por aqui, pelo trabalho que fizeram na Maia. Os trabalhos que fizemos nos arruamentos, a recuperação de casas, a recuperação de espaços, mas chegamos a uma altura, aqui, em que tínhamos 90 pessoas com recursos parcos, o que quer dizer que não houve o aumento de transferências da Câmara, nem houve aumento de transferências do Governo, antes pelo contrário, nós levamos um corte e, ainda, andamos aqui à pedincha, a fazer protocolos para isto e para aquilo, através do Governo, para podermos suportar aquela gente toda. Eu, também, devo dizer que se houve alguém nesta terra, pessoas, que contribuíam para a diminuição da taxa de desemprego, foram as Juntas de Freguesia. O desemprego baixou pelos níveis que eles entendiam e isso deve-se às Juntas de Freguesia, porque essas pessoas dos programas, eram alocadas às Juntas de Freguesia e nós passamos as passas do Algarve, aqui, para chegarmos ao fim do mês, muitas vezes até com atraso, e pagarmos às pessoas, pagarmos à Segurança Social e pagarmos os nossos compromissos. Todavia, há uma coisa que eu digo sempre, falte para o que faltar, mas não pode faltar dinheiro para pagar às pessoas e por cada emprego que nós criarmos aqui, há uma família que está subsistindo em função daquilo que nós estamos a dar e, depois, eu tive a curiosidade de perguntar aos comerciantes, passado um ano, o que é que eles acharam da evolução e do facto das pessoas estarem a trabalhar aqui e eles disseram que não havia comparação possível, porque a economia começou logo a melhorar. As pessoas começaram a ganhar, começaram a pagar, começaram a comparar e quem vendia recebia um dinheirito e voltava a comprar. A economia circulava. De maneira que, passamos um pouco por isto tudo. Relativamente aos eventos e à quantidade de iniciativas que nós tínhamos, como o evento do Pão Quente, que era um cartaz turístico, no qual eramos associados, a Festa do Espírito Santo, a nossa Comunidade, o Império, as nossas festas de verão, a semana cultural, a feira gastronómica e por aí, que nós tivemos de deixar de fazer, porque a situação pandémica assim o obriga. Eu posso dizer-lhe que a pandemia mudou completamente quer a política, quer a nossa forma de atuação no dia-a-dia, quer no planeamento, porque, normalmente, nós planeamos as coisas com um ano de antecedência e agora não. Por isso, alterou por completo e ninguém, mas ninguém, e quem disser o contrário não está a ser coerente nem correto, estava preparado e nem estamos preparados para isto. O que é que está a acontecer agora? Novamente mais uma crise, além da crise saúde, que é a principal, porque sem saúde não há mais nada, não há economia, não há nada, porque até pode haver muito dinheiro, mas se não houver uma saúde forte, o dinheiro esgota-se. Eu vejo isto com alguma apreensão e andamos aqui sem saber como sair disto. Eu estou preocupado como é óbvio, como um cidadão normal, porque vejo aqueles que tinham uma vida mais ou menos planeada, porque não se consegue planear de um dia para o outro, e que estão a passar por grandes dificuldades. O facto de estar tudo fechado, também, cria constrangimentos na nossa vida e no dia-a-dia. Deixou de haver convívio, porque as pessoas conviviam umas com as outras e frequentavam as igrejas. Agora, será que temos seguindo a política mais certa, mais correta? Não sei. Não estou em condições de saber, porém tenho a minha opinião pessoal, mas não estou em condições de avaliar. Será que se abríssemos um pouco, pelo menos para a economia, enfim, por a cabeça de fora e respirar um pouco, que colocaria em risco e provocaria o aumento de casos positivos? Não sei. Não sei e se calhar os estudiosos, também, não sabem. De maneira que, isto veio alterar até mesmo a forma de comunicarmos, que é completamente diferente e as pessoas da minha geração têm alguma dificuldade, porque não têm grande formação para isso, nem paciência. Portanto, eu não sei, sinceramente não sei. Contudo, eu espero que as coisas melhorem, para que, também, se faça minimamente alguma coisa, porque, também, é uma aspiração nossa, já há mais de 60 anos, a reabilitação do caminho que liga a Maia à Lombinha da Maia. Portanto, é uma aspiração nossa, das pessoas da Maia e não só, de quem utiliza aquele caminho, cuja obra de melhoramento e consolidação dos taludes já está, finalmente, em execução. Já ocorreram algumas derrocadas ali, mas, felizmente, a obra está a andar, com quase um ano de atraso. Mas, pronto, onde há atraso é em obra, é em execução da obra. Quem esperou 60 anos, se tiver de esperar mais um ou dois anos não interessa, o mais importante é que seja feito com segurança, para que as pessoas, também, se sintam protegidas, as pessoas e os seus bens. De maneira que, a obra vai andando lentamente, com altos e baixos, porque em algumas coisas nós não concordamos, nomeadamente, não concordo com muita coisa que está a ser lá feita, mas enfim, entre não ter nada e ter algo feito, é melhor ter alguma coisa feita e aí eu, também, quero, enfim, fazer um agradecimento à Câmara Municipal da Ribeira Grande, uma vez que eles são os donos da obra, porque aquele caminho é da responsabilidade da autarquia e quero deixar uma palavra ao senhor presidente e à Câmara por terem dado esse passo, porque as obras começaram o ano passado e vão-se prolongar, possivelmente, até ao final deste ano e, ainda, para o ano que vem. No entanto, não havia segurança, nem havia segurança dos próprios taludes e nós temos taludes ali com 20 metros de altura a montante e a jusante também. Como tal, havia, ali, algum receio, até mesmo dos autocarros. Portanto, as coisas vão melhorar, não é o ideal, mas vão melhorar e é isso, no fundo, o que me interessa, é que possamos circular com alguma segurança.

 

Para quem nunca esteve na Maia, quais são os cartões de visita obrigatórios?

A nível de património edificado, nós temos a Igreja, cujo padroeiro é o Divino Espírito Santo e nós somos Matriz do Divino Espírito Santo da Maia. Temos as Ermidas, a Ermida Nossa Senhora do Resgate e a Ermida Nossa Senhora das Dores, muito antigas, e temos, também, a Igreja Nossa Senhora das Dores, na Lombinha da Maia, que, também, é muito bonita e vale a pena visitar. Também, temos o Solar de Lalém, que é um edifício do Século XVIII, um edifício nobre, que foi totalmente recuperado e temos o que chamam de IAMA da Maia, que é algo nosso e que não precisa de grandes apresentações. A Freguesia da Maia tem, ainda, o Museu do Tabaco, que eu aconselho a visitar, no qual será inaugurado, num futuro próximo, uma biblioteca e a Casa de Chá da Gorreana. Para além do edificado, também temos o natural, temos as piscinas naturais ali no Frade, as nossas montanhas, a nossa envolvência, as nossas ribeiras que são muito bonitas, os trilhos, o Trilho da Fonte Santa e Viola, o Trilho do Degredo, o Trilho da Lajinha e Pedra Queimada, esse é espetacular e depois estes trilhos vão ligar a outros, vão ligar ao Trilho do Chá da Gorreana, da Ribeira Funda e Fenais da Ajuda. O nosso património é muito rico, também, a nível gastronómico, cultural, de artesanato, e imagens eu devo dizer que nós temos, aqui, uma imagem com mais de 400 anos e que está por recuperar, que é do São Pedro, uma coisa que eu, também, vou deixar feita, aliás existem três imagens que este executivo vai deixar completamente recuperadas. O que é que precisamos de fazer, aqui, também? Um grande trilho, mas junto à costa, que fosse desde os Fenais da Ajuda, até ao Porto Formoso e possivelmente Ribeirinha, mas um trilho de costa, junto ao mar. Eu digo-lhe que se tivéssemos liberdade para fazer isso, nós fazíamos. O Porto das Pescas, também, já teve, aqui, uma função muito grande, porque a Maia tinha o setor primário, o secundário e o terciário. Portanto, tinha os três setores, mas muita gente que vivia da subsistência do mar, na altura, não tinha terrenos e no inverno, ou quando o mar não deixava, como não tinham terras para trabalhar, as famílias passavam algumas dificuldades. De maneira que, com a emigração, aquela atividade foi diminuindo e, hoje, está praticamente em nada, mas, ainda, é fonte de subsistência com barcos de recreio, que apanham o seu peixe, mas são poucos. O Porto está lá e é uma zona de excelência, uma zona balnear e faz parte da nossa cultura, da nossa vivência. Nós temos, na Maia, as nossas produções agrícolas, que são de excelência e devo dizer que as melhores vacas nacionais são oriundas desta Freguesia. Logo, nós temos evoluído muito e eu sempre procurei situar-me no espaço e no tempo e sempre procurei não depender dos outros. O que é que nós precisamos aqui? De boas acessibilidades, melhor compreensão e mais atenção para esta Freguesia, de um posto de saúde e não vamos, também, prescindir, não vamos, também, deixar de relembrar, a nível da Casa do Povo, da necessidade de termos um centro de noite. A Casa do Povo tem um centro de dia, tem uma creche, tem CATL, mas não tem um centro de noite e, cada vez mais, se justifica um centro de noite, porque além da pandemia, o grande problema das famílias, neste momento, é a questão do idoso ficar sozinho em casa. Nós tivemos o cuidado de verificar, numa visita ao continente, como é que os funcionários trabalhavam e as pessoas passavam a noite numa determinada residência, sabendo que, no dia de amanhã, regressavam às suas casas. A existência de um centro de noite é extremamente importante, porque as pessoas estão ali durante a noite, fazem a sua higiene, têm a sua alimentação, tomam medicação a horas, convivem e, no dia de amanhã, vinha uma carrinha que os levava a casa. Esta solução, também, liberta as famílias de terem de passar a noite. Eu considero-me sénior, já sou sénior, não me considero velho, sou totalmente independente, graças a Deus, mas vejo o que é estar sozinho e sei o que é estar sozinho e não é nenhum prato de fruta, é uma coisa muito complicada. Portanto, eu vejo por mim. Nós também temos instituições de excelência na Freguesia da Maia, como é o caso da Santa Casa da Misericórdia, que emprega 120 ou 130 trabalhadores, que tem a sua intervenção desde o Porto Formoso até à Lomba de São Pedro com apoio ao domicílio e possui um lar de idosos e CATL. Temos, aqui, a Casa do Povo da Maia que, também, neste momento, tem 45 funcionários, tem CATL, um centro de dia e uma creche, que é a única desde o Porto Formoso, até à Lomba de São Pedro. Também, temos a Associação Lira do Espirito Santo da Maia, temos o Maia Clube dos Açores, também com muitos pergaminhos, que antes de ser Maia Clube, era Centro Recreativo Popular da Maia e fomos campeões de voleibol, fomos campões de andebol e de atletismo. Portanto, temos aqui uma série de instituições com muita história e com muito peso, aqui, na Maia.

 

Considerando que este é o seu último mandato, quais são as qualidades que não podem faltar ao próximo presidente da Junta de Freguesia da Maia?

Não há candidatos iguais, não há candidatos perfeitos, mas eu, também, nunca fui perfeito, apenas existem os candidatos possíveis ou ideais. Aquilo que eu digo àquele que me vier substituir, que eu não sei quem será, é que tenha o mesmo ideal, que nós tivemos ao longo destas gerações, que tenha o mesmo apego, o mesmo sentimento por esta Freguesia e perceber que vem para aqui com uma missão e a missão tem princípio, meio e fim. Também é importante saber, dentro deste espírito de missão, procurar sempre olhar para os mais desprotegidos e ajudar o próximo, pois essa é a nossa função, colaborando, muitas vezes, até dando sugestões e até contribuindo para o bem-estar das pessoas quer familiar, quer sem ser familiar, e eu devo dizer que um presidente de Junta, neste momento, é psicólogo, é assistente pessoal, é presidente de Junta, é carpinteiro, é pedreiro, é jurista e até faz de conselheiro matrimonial muitas vezes e estas são situações que nos aparecem. Para além de ouvir as pessoas, o que elas pensam e as suas manifestações, o próximo presidente tem de ter, sempre, em atenção que primeiro está o desenvolvimento e o bem-estar de todos e pensar, sempre, na Maia. Tudo o que eu pedia é que estivéssemos todos, juntos, pela Maia. E que desse continuidade àquilo que não fizemos, que podíamos ter feito mas não fizemos, e que faça aquilo que puder fazer, para o bem desta Freguesia, para o bem do concelho e para o bem da região.

 

Sai com o sentido de missão cumprida?

Saio com o sentido de missão cumprida, sendo que há, sempre, algo que se podia ter feito e que não se fez. Eu não sou ambicioso. Tenho orgulho daquilo que faço, que é diferente. Não sou vaidoso nem ambicioso. Mas, devo dizer que tive a sorte e o privilégio, também, ao longo destes anos de ter, sempre, alguém que, sendo da Maia e não vivendo na Maia, me ajudou muitas vezes e aconselhou na tomada de determinadas decisões, em prol da Freguesia e eu aqui quero fazer um agradecimento a estas pessoas, não vou referir nomes, como é óbvio, mas elas sabem quem são, porque, também, sem elas nós nunca conseguiríamos atingir o patamar que nós atingimos, hoje, a nível da Maia. A Maia, hoje, é reconhecida em todo o mundo e devo dizer que nas visualizações do vídeo referente ao Dia da Freguesia, nós verificamos que até pessoas da Rússia, da Ucrânia e do México assistiram e isto é um sinal de que a Maia, hoje, é vista em todo o mundo e isto, também, traz-nos algum conforto, e traz-nos uma certa alegria. Se eu gostava de ter feito mais, gostava. Gostava que houvesse mais participação das instituições, gostava. Mas, aí, digo mesmo que, se queremos uma Maia forte, se queremos uma Maia boa e que as pessoas continuem a gostar de estar aqui, nós temos de nos juntar todos, todas as instituições desta freguesia, com o mesmo objetivo de fazer crescer a Maia e ajudar a Maia a ser aquilo que ela merece, mas, para isso, temos de estar todos, juntos, pela Maia.

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