Havia pouco mais de dois anos que tinha sido admitido no extinto diário portuense “O Comércio do Porto” (cessou actividade em 31 de Julho de 2005), para colaborar na secção de Desporto, ao tempo sob a liderança do saudoso Manuel Correia de Brito.

A “Invicta” fervilhava face ao anúncio de mais um “escaldante” (embora amistoso) duelo ibérico, agendado para o antigo Estádio das Antas, entre as selecções de Portugal, orientado pelo antigo internacional do Sporting, Juca e da vizinha Espanha (“La Roja” para “nuestros hermanos”), sob a “batuta” de uma das maiores glórias do futebol espanhol e do Real Madrid, José Emílio Santamaria, “central” uruguaio de Montevideu, com dupla nacionalidade, por via da origem asturiana (Gijon) dos seus progenitores. Mas Santamaria era também um ídolo dos jovens da minha geração. 

Por isso, não podia deixar de recordar aqui a figura e a generosidade dum condiscípulo e amigo que já nos deixou – Alberto Augusto Lopes – que adorava jogar futebol, tal como eu. Porém, empolgava-se sobremaneira, quer no jogo, quer na elegância que o assemelhava ao então treinador da selecção do país vizinho.

Voltando ao duelo ibérico, uma vez que se tratava dum encontro que fazia crescer as emoções, sempre que Portugal e Espanha mediam forças, para não dispersar as atenções do cronista designado, fui eu o incumbido de assegurar as “Cabines”, isto é, de registar pela voz dos treinadores, o comentário final do jogo que as nossas cores acabaram por vencer (2-0), com golos de Nené e Nogueira, já na ponta final.

Mas, depois do apito final, o momento mais caricato do período de bastidores, foi a confusão que se gerou nos preparativos dos comentários finais, cuja desorganização momentânea e o elevado número de “órgãos” presentes, me deixou fora do contacto directo com os treinadores. De imediato, ainda que fosse contra os meus princípios, saltei com os pés para um sofá que havia na sala e só assim consegui testemunhar o essencial das audições às incidências do jogo e do resultado. Hoje, há distância de quase meio século, face à atitude inadequada que tive, dá-me vontade de sorrir pela situação caricata em que me envolvi. Porém, se assim não fosse, este “repórter estreante” correria o risco de regressar à Redação de “mãos-a-abanar”, isto é, sem ter cumprido a função de que fora incumbido.

Mas, além desta curiosa peripécia, como há sempre leitores que adoram recordar este tipo de acontecimentos, achei por bem nomear aqui todos os intervenientes do lado português, que envolveu atletas do FC Porto, Benfica, Sporting e Belenenses, entre os quais os guarda-redes Bento e Tibi; os defesas Gabriel, Eurico (cheguei a entrevistar os dois nas Antas), Simões e Pietra; um trio intermédio formado por João Alves (o luvas pretas), Shéu e Carlos Manuel, e outro que incluiu os avançados Manuel Fernandes, José Alberto Costa e Nené. E como se tratava de um jogo diferente, Juca refrescou a equipa lançando na segunda parte, Lima Pereira, António Sousa (foram ambos campeões europeus pelo FC Porto), Amilcar, Chalana e Nogueira, enquanto do lado espanhol, Emílio Santamaria lançou na partida, entre outros, além do guardião Arconada e do “madrileño” Juanito, o antigo lateral direito do Real Madrid, José António Camacho, que anos mais tarde chegou a vencer uma Taça de Portugal, como técnico do Benfica, bem como Marcos Alonso e Victor Muñoz, entre outros.