A transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus é sem dúvida a grande notícia do “defeso” futebolístico mundial que antecede a época 2018/19. E só mesmo algo deste género para conseguir roubar os holofotes, ainda que por momentos, ao Campeonato do Mundo nas suas etapas finais.

O negócio impressionou talvez não tanto pelo valor – afinal, já “correm” por aí transferências de valor superior – mas por todo o simbolismo que envolve. Um jogador com 5 Bolas de Ouro, na melhor fase da sua carreira, que sai do clube onde acaba de vencer três Ligas dos Campeões consecutivas; um clube que, aparentemente, deixa “escapar” o seu maior símbolo; a ida, não para um clube da China, Estados Unidos ou Médio Oriente, mas para a Itália, com o objetivo claro de continuar a lutar por grandes vitórias. E também pela surpresa, pois se é certo que havia rumores que o davam fora do Real Madrid há algum tempo, a Juventus nunca tinha feito parte deles.

Uma jogada arriscada de Cristiano Ronaldo?

Alguns perguntam-se se Cristiano Ronaldo estará a arriscar demasiado a sorte. Como alguém que procura jogar no loto em vários cartões em simultâneo, dispersando a sua atenção e o seu foco. Ou simplesmente como alguém que arrisca tudo no prémio máximo, sem cautelas.

Alexandre Pais, no Record, sugere que este será o maior erro da vida de Cristiano. Que poderá “dizer adeus à média de um golo por jogo”, porque será fortemente marcado pelos defesas adversários. Pais traz os comentários de Lothar Matthaus, o grande obreiro da vitória da Alemanha no mundial de 1990; Matthaus defende que Ronaldo perderá rapidez numo estilo de jogo muito defensivo, e que não ganha nada em sair do melhor clube do mundo.

Ou um gesto de clarividência?

Há vários motivos a justificar esta decisão. Em primeiro lugar, os motivos pessoais de Ronaldo. Será o desentendimento com o presidente do Real Madrid? O desgaste causado pelos problemas com o fisco espanhol? As críticas que recebeu no início da temporada? Ele lá saberá.

Depois, motivações estatísticas. Será que não lhe passam pela cabeça? Mas são reais: vencer campeonatos em Espanha, Inglaterra e Itália; vencer a Champions através de um clube inglês, espanhol e italiano. Para Ronaldo, este é um objetivo realista.

Em terceiro lugar, o facto de não ir jogar para um clube qualquer italiano. A Juventus é heptacampeã de Itália e tem sido um dos mais fortes candidatos à vitória na Champions. Ronaldo sabe disso em primeira mão e melhor que ninguém.

Finalmente, o facto de ir jogar para um campeonato onde a idade é valorizada. São inúmeros os exemplos de grandes jogadores que singraram no futebol italiano até perto dos 40, ou mesmo além dessa barreira, como Maldini, Zambrotta ou o grande guarda-redes Buffon – que, algo ironicamente, acabou de deixar o seu clube de sempre para tentar a sorte no Paris Saint-Germain.

Em suma, é um desafio. Mais um grande desafio, que é aquilo que inspira Cristiano Ronaldo a continuar a trabalhar ao máximo.

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