A realizar um périplo pelas lojas FNAC do país, o rabopeixense Rúben Pacheco Correia apresentou, no passado dia 25 de julho, o seu mais recente livro, intitulado, “Rabo de Peixe – Toda a Verdade”, no NorteShopping. A sessão, que foi conduzida pelo apresentador televisivo Santiago Lagoá, contou com a presença de dezenas de curiosos e leitores interessados em saber mais acerca da profunda investigação, levada a cabo pelo empresário, com o intuito de desmistificar os estigmas associados à vila açoriana e esclarecer a realidade por trás da mediática história da “droga do italiano”, que resultou nesta obra e num documentário que será transmitido, até ao final do ano, na CMTV.
Depois das apresentações em Faro e em Lisboa, foi a vez da FNAC do NorteShopping acolher, no passado dia 25 de julho, a apresentação do novo livro de Rúben Pacheco Correia, intitulado “Rabo de Peixe: Toda a Verdade”, que foi conduzida pelo apresentador televisivo Santiago Lagoá. A sessão contou com a presença dezenas de pessoas que se reuniram com o intuito de saber mais acerca da polémica história da “droga do italiano” e da verdadeira Freguesia de Rabo de Peixe. Desmistificando os estigmas associados a esta vila açoriana, o também empresário falou sobre a profunda investigação, que o levou da Ilha de São Miguel até à Sicília e ao Brasil, e que resultou nesta obra e num documentário que será transmitido na CMTV
Durante a sessão, Santiago Lagoá destacou a dimensão humana do autor, sublinhando que “eu já conheço o Rúben, há alguns anos, das nossas aventuras na televisão e fiquei mais próximo dele, porque o Rúben fez questão de mostrar os Açores e é irritante ter uma pessoa assim, porque ele é tão boa pessoa, ele é tão prestável, que acaba por me fazer sentir mal, porque eu quero ser como ele”.
Recomendando aos presentes “levem todos este livro para casa e desfrutem dele, porque vão ficar com uma idade diferente daquilo que é Rabo de Peixe”, o apresentador televisivo frisou que “Rabo de Peixe é uma zona, sobretudo, de pessoas trabalhadoras, que durante uma parte do ano, se dedicam à pesca e quando lá chegamos, o que é que nós vemos? Realmente vemos um sítio que não acredito que tenha sido esquecido, mas que é muitas vezes colocado de lado e só é lembrado quando dá jeito e, felizmente, há pessoas como o Rúben que querem mostrar o outro lado de Rabo de Peixe. O lado de saber receber, de ser gente boa e o lado da família, porque vemos nas soleiras das portas várias gerações unidas, ao contrário daquilo que observamos nas cidades”.
O livro “Rabo de Peixe – Toda a Verdade” resulta de dois anos de investigação que levaram o autor da Ilha de São Miguel à Sicília e ao Brasil, entrevistando protagonistas reais do caso conhecido como a “droga do italiano”. Neste contexto, Rúben Pacheco Correia explicou que a obra não é uma crítica à série da Netflix, mas sim um trabalho de apuração histórica, que desmonta os estigmas perpetuados pela ficção.
“Rabo de Peixe, não tem nada a ver com Rabo de Peixe”, salientou o autor, asseverando que “a série da Netflix tem pouco ou nada a ver com a minha terra. Eu sou de Rabo de Peixe. Nasci, cresci e vivo em Rabo de Peixe. É a terra da minha família, é onde eu abri o meu primeiro negócio, foi onde estudei até o 1º ano, só não estudei até mais, porque não tem ensino secundário ainda e cresci a ouvir falar de um Rabo de Peixe que eu não encontrava nas ruas por onde andava. Um Rabo de Peixe onde sonhar era diferente, mas não pela positiva”.
Segundo o proprietário dos restaurantes Botequim Açoriano e Mercado da Vila, “quando falamos de Rabo de Peixe, tendemos a ir num caminho sensacionalista, de falar dos casos menos bons que também há, mas ofuscamos os sonhos e o trabalho de tanta gente boa, onde eu acho que me enquadro, por exemplo, modéstia a parte, e que tentamos dar um contributo diferente àquela terra que nos viu nascer”.
Admitindo ter visto a série várias vezes, Rúben Pacheco Correia afiançou que “a história que a Netflix conta é de um naufrágio que houve ao largo da Ilha de São Miguel, onde mais de 700 quilos de cocaína deram à costa e faz parecer que esta cocaína deu à costa precisamente em Rabo de Peixe e que toda a ação se desenrolou nesta localidade. A droga, de facto, deu à costa, na costa Norte da Ilha de São Miguel, mas não foi encontrado um quilo de cocaína em Rabo de Peixe. Portanto, a vila de Rabo de Peixe serviu de barriga de aluguer associada àquela imagem que já havia daquela terra para contar a história do narcotraficante quando, na verdade, é bastante injusto. E, portanto, a investigação começou aí, percebendo que a história que se contava na ficção não devia, de maneira nenhuma, ser associada àquela comunidade em específico. Devia-se chamar Açores, ou São Miguel, ou até à Achadinha, porque a maior parte da droga e a maior parte do enredo da história real, digamos assim, aconteceu na Achadinha, não em Rabo de Peixe”.
Durante a conversa, o empresário relevou, ainda, que “consegui criar, aqui, um enredo que eu não imaginava. Quando comecei a investigação, o meu objetivo era ler o processo, entrevistar o advogado, o juiz, o inspetor e se calhar algum popular que tenha testemunhado a história. Eu não imaginaria que ia chegar aos protagonistas reais. Aliás, o Antonino Quinci, que é o protagonista, é o italiano que levou a droga até aos Açores, foi o último a ser entrevistado e foi a cereja no topo do bolo”, realçando que “Rabo de Peixe – Toda a Verdade”.
A sessão culminou com a intervenção de vários participantes, entre os quais Joaquim Ferreira Leite, diretor do Jornal AUDIÊNCIA, que fez questão de afirmar que “é preciso fazer justiça ao Rúben. Eu estou há 12 anos nos Açores, embora também esteja em Gaia, simultaneamente, e o Rúben, com este livro, acabou com o preconceito em Rabo do Peixe e nos Açores. Neste momento, ele é humilde o suficiente para não assumir isso, mas de facto é a figura número um dos Açores e há dez, oito ou dois anos atrás, ele não era bem visto no arquipélago, porque num ambiente pequeno, quem se destaca provoca dor de cotovelo na maioria”.
Assegurando que “o Rúben faz mais pelos Açores, do que a maioria dos políticos”, o diretor deste órgão de comunicação social enalteceu que este livro “calou a boca de toda a gente. Hoje é respeitado e não tem de mendigar seja o que for, as pessoas é que vêm mendigar junto do Rúben, para aparecer na fotografia, mas é mérito pessoal dele, porque teve de ter uma mente muito forte para conseguir derrotar o preconceito. Isto quer dizer que o Ruben conquistou finalmente os Açores, mas prepara-se para conquistar Portugal inteiro. Portanto, este livro serviu para repor a verdade sobre Rabo de Peixe e também para repor a verdade sobre o Rúben Pacheco Correia”.
Relativamente ao documentário, o autor contou, também, que “comecei a investigação para escrever o livro, contratei uma equipa para filmar, para fazermos um documentário paralelamente ao livro. Portanto, a primeira atitude que eu tive foi contactar a Netflix para tentar perceber o interesse que teria em lançar o documentário e a Netflix pediu-me para enviar toda a informação que eu tinha e uma semana depois deixou de me responder e anunciou que ia começar a gravar um documentário sobre Rabo de Peixe. Bom, a porta ficou fechada e, como tal, percebi que com a Netflix não teria mais conversas. Duas semanas depois, a Netflix contactou-me e disse-me que não tinha interesse no meu documentário, mas estava disponível para comprar os direitos e os contratos de exclusividade que eu tenho com os protagonistas, sobretudo com o italiano e eu recusei”.
Posteriormente, Rúben Pacheco Correia esclareceu, ao AUDIÊNCIA, que “inicialmente, comecei a negociar o documentário com a TVI, que não disse nem que sim nem que não, mas depois quando anunciou o documentário, eu entendi que tinha aceitado a proposta. Recentemente, a discutir os termos, percebi que a proposta era muito inferior àquela que eu tinha comunicado inicialmente, o que me deu legitimidade para negociar com outro canal e a CMTV fez uma proposta não só financeira, como do meu envolvimento no projeto e no grupo, que fez mais sentido para mim. Portanto, aceitei-a com a máxima transparência. Até ao final do ano sairá o documentário, onde será possível ver as entrevistas completas a todos os protagonistas e restituições dos factos”.
Com apresentações em várias cidades e edição e publicação prevista no Brasil até ao final do ano, “Rabo de Peixe – Toda a Verdade” tem estado entre os livros mais vendidos da Bertrand. Com um sentimento de missão cumprida, Rúben Pacheco Correia desvendou que já está a escrever o seu próximo livro, cujo lançamento está previsto para outubro de 2026.


