Num longo discurso de mais de hora e meia, em que metade do tempo foi destinado a criticar a gestão socialista dos últimos três mandatos, Luís Filipe Menezes arrancou, há seis meses, o seu atual mandato como presidente da Câmara Municipal de Gaia com um vasto conjunto de promessas. Entre as suas prioridades, o autarca destacou a habitação, prometendo construir 4.000 fogos a custos controlados, destinados à classe média e a jovens, com 40% localizados no interior do concelho, dando nota, entretanto, que o seu antecessor não fez nem uma habitação pública na última década. Afirmação que veio a ser contrariada recentemente pelos próprios serviços camarários, numa comunicação onde se informa que o autarca “visitou o empreendimento habitacional [de 88 fogos] que se encontra em construção na freguesia de Mafamude, um projeto estruturante na estratégia da política municipal de habitação, privilegiando famílias da classe média e agregados em situação de maior vulnerabilidade”, sublinhando, ele próprio, “a importância estratégica deste investimento para reforçar a resposta municipal às necessidades de habitação a custos acessíveis no concelho”. Sendo que isto se trata de uma obra do… seu antecessor, como as dezenas de habitações que já entregou em Grijó e as que irá entregar em breve na freguesia da Madalena.
Nessa comunicação dos serviços camarários afirma-se que o anterior executivo não soube concretizar, em tempo útil, candidaturas que permitiriam captar cerca de 150 milhões de euros para a construção de outras centenas de habitações, ao contrário do atual executivo conseguiu viabilizar vários desses projetos através da identificação de novas fontes de financiamento e de um trabalho de articulação institucional com o Governo. E neste caso concreto, “esse diálogo permitiu assegurar as condições necessárias para avançar com uma obra de grande dimensão, hoje já em fase muito visível de execução. A opção pelo método de construção modular tem permitido uma evolução particularmente rápida da empreitada: em escassas semanas, a estrutura cresceu do zero para vários andares, evidenciando a eficácia de uma solução construtiva moderna, rápida e sustentável. Em breve, este empreendimento permitirá entregar novas habitações a dezenas de munícipes, integrando-se no compromisso assumido pelo atual executivo municipal de construir, reabilitar e entregar 4 mil habitações até ao final do mandato, reforçando a aposta em políticas públicas de habitação acessíveis, sustentáveis e socialmente responsáveis”. E eu acredito que o timoneiro da Câmara de Gaia, saberá encontrar os meios financeiros para tal – talvez os provenientes do saldo de gerência positivo do ano 2025, de montante superior a 92 milhões de euros…
A mobilidade foi outra das prioridades referidas pelo autarca gaiense para este mandato, tendo anunciado que pretende abrir, até ao final do ano, um concurso público para construir um teleférico entre Canidelo e a estação das Devesas, que será o primeiro de vários projetos de transporte aéreo no concelho. “Há zonas que têm que ser protegidas do excessivo e desnecessário fluxo automóvel. Vamos introduzir uma novidade. Há zonas urbanas que estão completamente bloqueadas e que já não podem ver a sua qualidade de vida resolvida com meios tradicionais. Vamos construir transporte aéreo entre zonas urbanas muito pressionadas e estações do metropolitano, o primeiro arrancará de Canidelo”, afirmou o autarca. O percurso previsto inclui passagens pela Seca do Bacalhau, Afurada e Jardins da Arrábida, atravessando a autoestrada até chegar à estação do metro mais próxima, tendo Menezes explicado que “o novo meio de transporte poderá beneficiar cerca de 40 mil pessoas, permitindo chegar ao metro em menos de 10 minutos”. E reforçou” “Este concurso será lançado até ao final deste ano (2025!), e espero que no próximo ano e meio/dois anos possa ser inaugurado”. Para já, falhou na meta para a abertura do concurso em 5 meses!
Menezes afirmou ainda que o seu objetivo é melhorar a mobilidade “dentro das freguesias e nos transportes escolares”, por um lado, e a “ligação às estações de metro”, por outro, sendo sua intenção negociar estes serviços com a Transportes Metropolitanos do Porto, empresa que gere a UNIR. Entretanto, o edil de Gaia anunciou a criação de um novo sistema de transporte público que ligará, em doze minutos (???!!!), as populações residentes nas freguesias interiores ao núcleo urbano e ao litoral do concelho. A medida, diz o autarca, insere-se “numa lógica de sustentabilidade e de inversão da tendência de desertificação do interior do concelho, designadamente das freguesias de Crestuma, Lever, Olival, Avintes e zonas nortes de Pedroso, Vilar de Andorinho e Oliveira do Douro” (será que Menezes está a referir-se a transportes aéreos?…). Sendo que passados seis meses desde a tomada de posse do novo executivo não se vislumbra quaisquer melhoramentos na prestação da UNIR, mantendo-se as mesmas carreiras e horários, assim como os inúmeros problemas e incumprimentos vários que veem sendo denunciados pelos utilizadores desde o seu arranque.
Entretanto, o executivo municipal promete avançar com novas vias rodoviárias, como a VL10, que ligará Oliveira do Douro a Vilar de Andorinho, além de novos parques de estacionamento próximos de estações de metro e zonas balneares, assim como… 25 quilómetros de ciclovias. E neste caso concreto, o que se sabe é que a ciclovia que existia na avenida da República levou sumiço. Voltaremos em breve a este balanço da obra feita!…


