Natural da Covilhã, Paulo Lopes assumiu o cargo de presidente de Junta, em 2013, com determinação e paixão. Quase a terminar o mandato e mostrando disponibilidade para mais quatro anos, Paulo Lopes, em conversa com o AUDIÊNCIA, falou sobre as dificuldades, os projetos, os candidatos à presidência e sobre a sua motivação. “Não escondo, sem qualquer presunção, que tenho uma elevada expectativa de voltar a ser reeleito no próximo dia 1 de outubro”, admite.

 

 

Para quem não o conhece, quem é Paulo Lopes?
É sempre difícil falar sobre nós. Julgo que as outras pessoas é que deverão fazer essa análise e avaliação. Contudo, considero-me um homem de bem, simples e de afetos. Aprecio muito os valores da família e orgulho-me de ter três filhos fantásticos, pelos quais farei sempre tudo. Resumindo, gosto muito da vida, de estar e conviver com as pessoas, de apreciar tudo com o que a natureza nos contempla. Sou um homem feliz de convicções profundas, mas de diálogo.

 

Como é que surgiu a vontade de ingressar no mundo da política?
Desde muito cedo. Não sou natural deste concelho, as minhas raízes são da Beira Baixa, concelho da Covilhã, onde logo no ensino secundário assumi a liderança da associação estudantil da escola que frequentava. Posteriormente, fui líder da concelhia da Juventude Socialista da Covilhã onde, em simultâneo, integrei os órgãos políticos da Federação Distrital de Castelo Branco onde tive a honra de conhecer a minha referência política, o Engº António Guterres, atualmente Secretário-geral da ONU, que é natural de uma cidade vizinha das minhas raízes. Depois, por motivos profissionais e familiares, há mais de 25 anos, cheguei a este fantástico concelho que é Vila Nova de Gaia, onde também, desde logo, assumi funções de liderança da Juventude Socialista local e integrei a comissão política do PS Gaia. Recordo, aqui, que há muito tempo sou autarca na freguesia de Santa Marinha e sou deputado municipal, culminando agora com a presidência da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada. Missão que abraço diariamente com dedicação e paixão.

 

E o convite para Presidente de Junta?
Ser presidente de Junta de Freguesia advém, desde logo, da própria vontade e, muito naturalmente, das determinações e orientações do Partido Socialista, pelo qual fui eleito para estas funções. Ora, tudo isto, só faz sentido quando se constata e percebe que há reconhecimento e recetividade, ou mesmo, apelo das populações que serviremos. Recordo que já fui uma vez candidato e perdi e depois em 2013, vencemos as eleições, integrando um projeto político – Dedicados a Gaia – global para o concelho, encabeçado pelo atual presidente da Câmara Municipal, Eduardo Vítor Rodrigues.

 

Quando chegou à presidência, quais foram os maiores desafios que encontrou?
Desde logo organizar duas casas que, na minha opinião, estavam totalmente desorganizadas e até muito aquém daquilo que era exigível, tendo em conta a grandeza e responsabilidades das duas freguesias. Depois, fomos confrontados, como é do conhecimento público, com uma enorme dívida que muito naturalmente, como autarcas responsáveis que somos, e ainda tendo em conta as decisões dos tribunais acerca dessas dívidas, as fomos amortizando o que, como é óbvio, nos impediu de fazer alguns investimentos inicialmente previstos. Coincidentemente, logo no início do mandato, vários funcionários se aposentaram por um limite de idade e de funções o que, aliado ao fato da proibição de novas admissões na função pública, nos criaram grandes constrangimentos, sobretudo no que diz respeito ao pessoal afeto à Brigada de Rua e do Cemitério Local. Não posso deixar de referir, embora já nesta altura em fase de recuperação económica, a crise que todos nós conhecemos que levou a um aumento exponencial de pedidos de apoio social por partes das famílias mais carenciadas, o que nos levou à criação de um programa de emergência social.

 

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Nestes quatro anos que projetos foram desenvolvidos?
Destacaria aqui essencialmente quatro áreas, Ação Social e Saúde; Educação e Ensino; Cultura e Associativismo e o Desporto. Na Ação Social e Saúde desde logo a criação do programa de Emergência Social – MAES – para apoio aos mais carenciados, de que é exemplo a compra de medicamentos, de óculos, aparelhos auditivos, próteses dentárias, pagamento de rendas de habitação, entre outros. A extinção da taxa de água, que quando aqui chegamos estava em vigor no cemitério. Além do cabaz de Natal criamos a Páscoa Solidária para apoio às famílias mais necessitadas. Os mais idosos passaram a poder usufruir, no verão, da Colónia Balnear, um projeto comum entre esta autarquia e a Câmara Municipal. Demonstrando o bom relacionamento entre a Junta de Freguesia e os agentes económicos locais, desde o início do mandato que promovemos vários passeios de barco no Douro Azul (sem qualquer custo para a autarquia) para os quais convidamos as pessoas e as instituições da freguesia. Destaco aqui, ainda, a criação de dois novos postos de enfermagem, para cuidados primários de saúde, um na freguesia de S. Pedro da Afurada e outro no Lugar de Gaia (Santa Marinha). A este propósito não posso deixar de referir, o que fazemos com algum orgulho, o apoio anual de 15.000€ aos Bombeiros Voluntários de Coimbrões. Já na Educação e Ensino destaco a oferta e instalação de três parques infantis nas escolas da União de Freguesias: em 2015, na Escola Básica das Matas. Pela importância, e porque agora o fazemos atempadamente, a Junta de Freguesia paga a todas as escolas as despesas de expediente e de material de limpeza. É com enorme satisfação que possibilitamos a todos os alunos do 3º ano um roteiro ao Centro Histórico de Gaia e Porto Piscatório da Afurada e aos alunos finalistas do 4º ano, oferecemos uma viagem ao ”Portugal dos Pequenitos”. Destacamos ainda, a oferta de um brinquedo, na quadra natalícia, a mais de 2700 alunos de todas as escolas, para gáudio de cada uma das crianças. Encontramo-nos nesta altura, a implementar nas escolas para apoio aos alunos, os Espaços de Leitura e de Matemática, com a aquisição de mobiliário, de manuais e jogos didáticos. No que diz respeito à Cultura e Associativismo, desde logo as novas sedes ao Centro Cultural e Recreativo do Lugar de Gaia e Clube Desportivo do Torrão, aqui e obviamente, com um forte apoio e investimento por parte da Câmara Municipal de Gaia. Além do apoio logístico e financeiro a todas as coletividades, destaca-se o apoio específico em momentos cruciais da vida das instituições, como é o exemplo da comparticipação financeira, por parte da Junta de Freguesia, na edição do CD e do Livro do Centenário da Banda de Coimbrões. A participação ativa e com bons resultados no “Gaia é Fado”, apoio e envolvimento, em parceria coma a Câmara Municipal no “Há Peixe! na Afurada”. Homenageamos também, em janeiro deste ano, o saudoso José Guimarães, tendo sido inaugurada uma rua na freguesia de Santa Marinha, em sua memória. Aqui muito haveria por dizer mas concluo o envolvimento da Junta de Freguesia e apoio logístico e financeiro a todas as suas Festas Populares, a saber: S. Gonçalo; S. Pedro da Afurada; Festas em honra de Coimbrões e Festa do Sr. da Vera Cruz do Candal. Para finalizar, no Desporto, saliento os enormes investimentos nos relvados do Clube Desportivo do Candal e Sporting Clube de Coimbrões, reconhecer aqui o grande esforço efetuado pelo nosso município. A criação da Corrida da Liberdade e Caminhada da União de Freguesias. A grande homenagem que efetuamos às Campeãs Nacionais de Basquetebol do Coimbrões. Seria injusto da minha parte não destacar aqui o ressurgimento dos Jogos Juvenis de Gaia nos quais esta autarquia participa ativamente com inúmeros atletas nas diversas modalidades. Termino invocando o apoio logístico e financeiro por parte desta Junta de Freguesia a todos os clubes de que são exemplo os 7000 € por ano ao Clube Desportivo do Candal e ao Sporting Clube de Coimbrões.

 

Os cidadãos reconhecem o trabalho desenvolvido?
Dia 1 de outubro próximo dirão de sua justiça. Julgo que sim, sinceramente! Estou tranquilo, pois o mandato foi direcionado e sempre ao lado das pessoas. Aqui poderei destacar a forma carinhosa como as gentes de Santa Marinha e da Afurada se dirigem a mim, nos encontros diários pelas freguesias e a forma como as instituições nos recebem e apelam frequentemente à nossa presença. Este é, sem dúvida alguma, o melhor reconhecimento pelo trabalho que desenvolvemos, ou seja, o afeto das pessoas.

 

Sente que o seu problema de saúde impede-o de fazer mais pela população?
Não sou doente, apenas estive hospitalizado (uma semana) com síndrome vertiginoso mas, nesta altura, sinto-me plenamente restabelecido e com forças redobradas para continuar o trabalho que até aqui vimos desenvolvendo em prol das populações e instituições que representamos, que claramente o reconhecem.

 

“Esta é uma marca, sempre ao lado das pessoas!”

Apesar de tudo, deixou a sua marca na freguesia?
A nossa passagem pela Junta de Freguesia ficará marcada pela implementação de um verdadeiro programa de emergência social (MAES), para fazer frente às dificuldades dos mais necessitados. Criámos, ainda, mais dois Postos de Enfermagem, para cuidados primários de saúde. Esta é uma marca, a ação social como prioridade. A Junta de Freguesia quando assumiu funções, três das escolas (Afurada de Baixo, Matas e Marco) não possuíam parques infantis, o que esta autarquia se apressou a oferecer. Atualmente, estamos a instalar em todas as escolas Espaços de Leitura e apoio à Matemática. Esta é uma marca, investir nas escolas é investir no nosso futuro. No decurso deste mandato ressurgiram os Jogos Juvenis de Gaia, aos quais esta Junta de Freguesia se associou com toda a dinâmica. Organizamos também, no plano desportivo a Corrida da Liberdade e Caminha com enorme adesão e sucesso. Esta é uma marca, desporto para todos! Mas o maior investimento desta Junta de Freguesia foi efetuado, como nunca, no cemitério da União de Freguesias: novos ossários, capelas e igreja remodeladas, recuperação de diversos jazigos, requalificação do ossário comum, arranjo de vestiários e cantina para os funcionários, diversos arranjos e ornamentações no interior e, por fim a requalificação do exterior do cemitério. Esta é uma marca, investir no património próprio! Já vão longos estes exemplos termino aqui, reconhecimento generalizado, com que nos é referido nas mais diversas formas que esta Junta de Freguesia organizou os melhores Passeios Seniores de sempre. Esta é uma marca, sempre ao lado das pessoas!
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O que falta ainda fazer?
Muito foi feito no decurso deste mandato, em particular pela Câmara Municipal de Gaia ou com o apoio desta. Deixo algumas das nossas aspirações as quais se espera se concretizem em breve: desde logo a requalificação que está em curso do Jardim do Morro (porta de entrada na cidade de Gaia); a conclusão das obras e entrada em funcionamento dos Mercados da Afurada e da Beira-Rio, indispensáveis para o desenvolvimento socioeconómico locais; que se concluam as três fases da reabilitação, já em curso, do pavimento da Avenida Diogo Leite e Avenida Ramos Pinto do Centro Histórico de Gaia; desejamos a beneficiação, o mais breve, possível da sede do Rancho Folclórico da Afurada, na qual estamos empenhados; julgamos que ainda este ano possa ser apresentado o projeto da ambicionada nova sede da Sociedade Musical 1º de Agosto (Banda de Coimbrões) e, por fim, senão teríamos mais alguns exemplos, continuar a investir no Cemitério da União de Freguesias, sem deixar de dizer, porque é um facto indesmentível, que esta Junta de Freguesia fez os maiores investimentos de sempre naquele local sagrado, como é o caso requalificação exterior.

 

Com o mandato a chegar ao fim, a população pode contar com Paulo Lopes para mais quatro anos?
Estou disponível como estive até aqui, trabalhando afincadamente, mas o povo é soberano e respeitarei seja ela qual for a decisão, respeito muito a democracia. De qualquer das formas, consolidei a minha vontade de recandidatura por perceber, claramente, que há um reconhecimento popular pelo trabalho e opções políticas que levamos a cabo nestes últimos três anos e meio. Não escondo, sem qualquer presunção, que tenho uma elevada expectativa de voltar a ser reeleito no próximo dia 1 de outubro.

 

Falando em eleições e opções políticas, como vê a candidatura de Joaquim Leite, sendo que já foi presidente de Santa Marinha pelo PSD e agora como independente.
Vejo com toda a naturalidade e, além disso, a lei eleitoral prevê candidatos independentes, embora para nós essa candidatura represente um passado indesejado. Contudo, o nosso principal adversário é o PSD.

 

E a de Amílcar Araújo?
Respeito-o como autarca que é há muitos anos na freguesia de Santa Marinha, não me parecendo ter o perfil desejável nem alguns predicados para ser presidente de Junta. Desejo-lhe felicidades pessoais mas não políticas, obviamente.
Passados quatro anos, qual o balanço que faz do mandato do presidente de Vila Nova de Gaia?
O melhor Presidente de sempre da Câmara Municipal de Gaia, não tenho dúvidas que marcará a história deste concelho. Homem dedicado às pessoas com duas importantes paixões: a intervenção social e a educação. Herdou uma Câmara Municipal falida e mesmo assim conseguiu identificar as prioridades, efetuar investimentos indispensáveis em cada uma das vinte e quatro freguesias. No nosso território dou apenas dois exemplos por freguesias: na freguesia de S. Pedro da Afurada, o Mercado da Afurada e a futura Capela da Afurada, projetada por Siza Vieira; na freguesia de Santa Marinha o Mercado da Beira-Rio e a requalificação do Jardim do Morro.

 

O que é que o motiva?
Ser feliz e procurar, diariamente, contribuir para a felicidade dos outros. Sinto-me realizado, é fantástico ser autarca das duas freguesias mais belas do concelho de Vila Nova de Gaia. Sinto uma gratidão enorme pelo reconhecimento dos fregueses. É isso que me motiva, trabalhar em prol das pessoas e das instituições das freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada.

 

Durante estes anos, alguns momentos pessoais foram deixados para trás, mas apesar de tudo o que é que não abdica na sua vida?
Sim, praticamente deixei de passear e também de ler, o que gosto muito de fazer. Mas, também me fascina servir os outros. Não abdico, primeiro, da família e depois, dos amigos.

 

Olhando para todo o seu caminho pessoal, mudaria alguma coisa?
A título pessoal? Sim, gostaria de ter tido mais filhos (talvez mais dois). É que os meus três filhos, que muito amo, já são independentes e perseguem as suas vidas. Tenho saudades de quando os mimava e brincava com eles.
Lema de vida…
Nobreza de caráter: dar sempre o meu melhor e praticar o bem. Quando assim é, somos felizes! Tudo isto condicionado a uma máxima: “Somos a nossa essência e a nossa circunstância”.