Após o seu primeiro mandato à frente dos destinos da Concelhia da Ribeira Grande da Juventude Social Democrata (JSD), André Pontes fez, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, um balanço muito positivo do que conseguiu conquistar, em comunhão de esforços com o PSD. Honrado pelo trabalho que tem desempenhado, o líder da JSD ribeiragrandense falou, ainda, sobre a sua recandidatura, manifestando a sua vontade de continuar a defender os interesses dos jovens. André Pontes abordou, também, vários temas da atualidade, relacionados com a pobreza, a empregabilidade e a habitação juvenil, demonstrando o seu apreço pelo trabalho que tem sido desenvolvido pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, mas alertando que “mais pode ser feito”.

 

O André Pontes está no final do seu primeiro mandato à frente dos destinos da Concelhia da Ribeira Grande da JSD. Qual é o balanço que faz destes últimos dois anos?

Este, certamente, não foi um mandato muito fácil, pois apanhámos quase todo o cerne da questão da pandemia. Tínhamos muitas atividades planeadas e muita daquela que é a dinâmica de uma Juventude Social Democrata, que parte muito pela proximidade. Não conseguimos concretizar todos os momentos que tínhamos delineado, mas faço um balanço positivo deste mandato, porque, apesar destas vicissitudes, conseguimos atualizar a lista de militantes. Conseguimos trazer novas pessoas para a estrutura, conseguimos ir até às freguesias onde não tínhamos militantes, sendo estas localidades de cores partidárias distintas, isto é, no fundo, conseguimos agregar mais a estrutura e, sobretudo, reerguê-la, depois de ter estado parada durante dois ou três anos.

 

No seguimento das suas palavras, perante este panorama, como é que caracteriza a vitória do PSD nas eleições autárquicas, que decorreu, exatamente, durante o seu mandato?

A JSD da Ribeira Grande foi muito importante nos dois atos eleitorais, que decorreram durante o meu mandato, nomeadamente as regionais, nas quais os açorianos votaram mais à direita. Posso dizer-lhe que a JSD foi fulcral para a estratégia do PSD da Ribeira Grande, onde nos propusemos a acompanhar todos os momentos da campanha, tendo percorrido todas as freguesias do concelho, pelo menos três vezes. A meu ver, as autárquicas poderiam ter corrido melhor, no sentido de que a estratégia da JSD da Ribeira Grande passava por colocar mais jovens nas listas, mas a verdade é que conseguimos colocar mais listas, do que tinham sido colocadas em outros momentos, por outros dirigentes da JSD da Ribeira Grande. Também, fomos fulcrais para a vitória alcançada pelo atual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, o doutor Alexandre Gaudêncio, e esta é a mensagem que se deve passar para o futuro, que uma Juventude Social Democrata é extremamente importante para o partido.

 

Sendo o concelho da Ribeira Grande jovem, em termos de população e demonstrativo, já no passado, de que os jovens não têm medo de assumir responsabilidades, e lembro que o atual presidente da Câmara foi eleito ainda com idade de militante da JSD, qual é a justificação para que num concelho onde residem o presidente da Comissão Política Regional da JSD e o presidente da Comissão Política da JSD, nem um nem outro tenham assumido a liderança de uma candidatura a uma das tais freguesias difíceis, onde a juventude predomina? Foram boicotados pelo PSD ou vocês não quiseram assumir essa responsabilidade?

Não. O PSD esteve e tem estado sempre do nosso lado, desde que temos responsabilidades à frente das estruturas da JSD. O que se passa é que ainda estamos numa idade muito premente, de cerca de 23 e 24 anos, pelo que não é altura para abraçarmos um desafio autárquico. Contudo, mostrámos disponibilidade para ingressarmos nestas listas e nestas equipas, mas o momento ainda não era o certo.

 

Porém, por exemplo, no mandato anterior, um militante da JSD candidatou-se à Junta de Freguesia de Fenais da Ajuda, com a idade que, agora, os líderes dizem que têm e que não lhes permite estarem à altura de liderarem uma autarquia, mas outros militantes já o fizeram, recentemente.

Exato, mas isso, também, parte muito de uma questão pessoal. É uma decisão pessoal.

 

Mas, quando se cria uma liderança de uma concelhia, ou de uma Comissão Política Regional, é porque se está disponível para liderar, seja onde for.

Está disponível, consoante o momento e a decisão.

 

Relativamente à participação dos militantes nas atividades do concelho, uma coisa que se nota, e isso é evidente e não é só na JSD, nem no PSD, é que tirando a altura das eleições, o resto está completamente morto. Além disso, deteto muita falta de formação, em termos de política autárquica. Penso que a maioria não sabe o que é ser autarca. Concorda com esta afirmação? O que é que a JSD planeia fazer, para resolver os problemas?

Nós temos jovens capazes. Quando um jovem é eleito autarca, claramente que está a entrar numa matéria e num campo completamente novo e os novos desafios trazem sempre outros reptos. Posto isto, o que é que a JSD tem preparado e pode fazer para melhorar a experiência de um autarca e a relação com as pessoas que o elegeram? Formação, porque tudo parte da formação. A JSD, hoje, tem um projeto que se chama “FORMA+”, através do qual os jovens podem aprender as competências autárquicas, e não só, também algumas das responsabilidades da Assembleia da República, da Assembleia Regional, como ser presidente de Junta e como ser presidente de Câmara, pelo que algumas destas matérias estão relacionadas com este tipo de formação e, no próximo mandato, eu gostava que alguns dos militantes da Ribeira Grande se propusessem a fazer esta formação, para que, no futuro, pudéssemos ter quadros com mais competência.

 

A JSD da Ribeira Grande não se pode queixar, porque o atual líder da Regional da JSD é deste concelho.

Exatamente, e a JSD da Ribeira Grande foi fulcral, para que isso acontecesse.

 

Mas, um líder da JSD Regional é da Ribeira Grande, porque ninguém leva a sério a JSD e, por isso, é um lugar subalterno, ou por mérito do candidato que conseguiu, por exemplo, sobre força de nomes propostos por Ponta Delgada, que é quem domina a política nos Açores, quer se queira quer não?

Por acaso, nesse campo, eu tenho uma visão completamente diferente e isso parte muito, também, daquela que é a experiência que se tem no terreno. A visão teórica é que Ponta Delgada comanda os campos políticos dos Açores, mas na prática, e numa opinião meramente pessoal, tendo em conta a experiência que tenho adquirido nesse sentido, a Ribeira Grande e a Terceira possuem muita daquela que é a dinâmica do PSD, aliás, atrevo-me a dizer que são os bastiões da social-democracia nos Açores. E lá está, a vitória do atual presidente da JSD partiu muito do mérito e das pessoas das quais o mesmo se rodeou, nomeadamente da JSD da Ribeira Grande e da JSD da Terceira, que foram as estruturas que conseguiram dar a vitória, ao atual líder da JSD. Portanto, é uma questão de mérito e boas escolhas.

 

Mas, para quem olha para a estrutura, por exemplo, do Governo Regional, onde estão inúmeros militantes da JSD, não vejo lá da Ribeira Grande, vejo de Ponta Delgada. Quer dizer que é uma liderança de pólvora seca?

Não diria tanto. Mas, o Governo Regional ficaria muito mais bem oleado com os ribeiragrandenses, pois temos pessoas muito capazes. Não sei qual é que foi a estratégia para a escolha dos atuais corpos de assessoria, nem de diretores regionais ou secretários. Porém, faz parte, também, da equipa que lidera o executivo, mas a Ribeira Grande, de certa forma, iria complementar a máquina.

 

Então, posso entender que a Ribeira Grande ainda não conseguiu entrar no lobby do poder?

Eu acho que foram feitos vários convites, que não foram aceites. Portanto, voltando à questão anterior, acho que, também, parte de uma decisão meramente pessoal, mas o Governo Regional não perderia e não perde no futuro, com a inclusão dos ribeiragrandenses.

 

No que concerne à militância no concelho, sendo a Ribeira Grande um município que, em termos de autarquias, divide o poder entre o PS e o PSD e, normalmente, com alternância bastante acentuada, como é que a JSD está a preparar o seu corpo de militantes para evitar que o poder, em 2025, vá parar às mãos do Partido Socialista?

Nesse sentido, eu não concordo que o cenário vai ser o que já aconteceu no passado. Eu acho que a social-democracia, na Ribeira Grande, tem dado frutos e as pessoas têm dado esse voto de confiança nas urnas. O que é que a JSD da Ribeira Grande está a fazer, em termos de militantes? Nós estamos a angariar o máximo de militantes possível e estamos a assistir a um dado bastante curioso, porque é nas freguesias que não são social-democratas, que temos tido mais facilidade em organizar jovens e estamos mesmo à beira de abrir núcleos de freguesia, nessas mesmas localidades, o que, para nós, pode ser um dado revelador, de que não estão satisfeitos com a governação, nem com a forma como a freguesia está a ser gerida. Avanço que vamos abrir, dentro em breve, o Núcleo de Santa Bárbara, enquanto na Conceição falta só um elemento para procedermos à inauguração e só nos ficará, mesmo, a faltar a Maia. Este é um dado muito curioso, que não acontecia no passado, pois nas freguesias que são, atualmente, lideradas pelo PS, os jovens estão a sentir que, se calhar, não é o melhor rumo para aquelas localidades e estão a ingressar na JSD. Quanto às outras freguesias, é mais fácil angariarmos militantes, sobretudo, porque não praticamos apenas política, mas, também, amizade e, assim, torna-se muito mais fácil a captação de jovens.

 

Quantos militantes tem a Concelhia da JSD da Ribeira Grande?

Perto de 400. É a maior estrutura de jovens dos Açores, ativos, da JSD.

 

Qual é a interação que existe entre as diferentes estruturas da JSD e a sociedade civil? Que tipo de trabalho é feito para que se possam incluir nas associações culturais, recreativas ou desportivas? Qual tem sido o papel levado a cabo pela JSD?

Numa primeira fase, e quando tomámos posse, em 2020, apresentamo-nos às várias associações da Ribeira Grande, no sentido de mostrarmos que estamos cá para o que for preciso e, numa fase posterior, temos colaborado com algumas instituições, nomeadamente na Ribeirinha, onde já fizemos, no Natal, uma entrega de brinquedos à Associação dos Ribeirinhos e já nos mostrámos disponíveis, também, para trabalharmos com a Comissão de Proteção dos Jovens da Ribeira Grande, para auxiliarmos os jovens que têm algumas dificuldades. Vamos, agora em breve, colaborar com um grupo de dança da Ribeira Grande, de modo a proporcionarmos um workshop para os jovens que estejam interessados nesta área. Paralelamente, temos procurado trabalhar com as várias associações do concelho. Ainda não conseguimos atingir todas, porque, também, o tempo não o permite, mas, no próximo mandato, queremos estreitar, ainda mais, as relações com estas associações da Ribeira Grande.

 

O seu mandato terminou em julho e é recandidato assumido para as eleições que ocorrem, agora, durante o mês de setembro. Quais são os principais objetivos desta recandidatura?

Eu sinto-me predisposto a dar mais de mim à Ribeira Grande e não ao André Pontes, porque o objetivo, aqui, passa, também, por formar os jovens. Hoje em dia fala-se muito que os jovens não se preocupam com a política e o que nós tentamos incutir nos jovens é que, basicamente, tudo é política, desde as pequenas ações que fazem, diariamente, nas suas freguesias, nos seus concelhos e na Região Autónoma, incentivando-os a darem um pouco de si aos locais onde habitam, para que possamos construir uma juventude, concelhos e freguesias mais harmoniosas. Os objetivos da JSD para o próximo mandato passam, precisamente, por marcar presença junto das autarquias locais. Iniciámos, agora recentemente, o Roteiro da Proximidade, através do qual nos vamos reunir com as 14 Juntas de Freguesia do concelho, independentemente das cores partidárias. Começamos com a Freguesia das Calhetas, seguindo-se a Freguesia do Pico da Pedra. Portanto, iniciamos do lado poente, para a zona nascente, de forma a conseguirmos perceber melhor as realidades dos locais, porque entre a Lomba de São Pedro e as Calhetas, as necessidades são muito diferentes. Outro dos nossos objetivos passa pela realização de mais atividades, para conseguirmos atrair mais jovens, porque o intuito, também, é estar aqui de passagem e deixar uma estrutura sólida, para os que vêm a seguir e é precisamente por isso que queremos atrair mais jovens, para que a estrutura continue viva e ativa, mesmo sem o André Pontes, porque nós abraçamos os projetos políticos, mas eles são temporários, pelo que temos de deixar o futuro assegurado.

 

Se amanhã tiver uma reunião com o senhor presidente da Câmara, qual é o caderno reivindicativo que apresentará, em nome da JSD?

Existem vários assuntos, na Ribeira Grande, que precisam de alguma atenção. Relembro que, durante a campanha autárquica que foi feita em 2021, a JSD da Ribeira Grande entregou 20 propostas ao atual executivo da Câmara Municipal, na altura candidato. Algumas delas foram incluídas no manifesto eleitoral, como os assuntos mais prementes da atualidade da Ribeira Grande, que passam pelas toxicodependências e, neste âmbito, eu quero congratular o trabalho que a autarquia tem vindo a fazer na preparação do Plano Municipal de Combate às Dependências. Também, é importante reerguer as associações, pois o tecido associativo foi muito prejudicado com a pandemia, pois nós tínhamos instituições com muita força e que, devido à pandemia, vieram a perder essa pujança. Por outro lado, a título meramente pessoal, eu acho que a Câmara Municipal devia de apoiar as associações, tal como fez com as filarmónicas, com alguns cheques financeiros, para que estas possam exercer a sua atividade de forma normal. Também, é relevante continuar a trabalhar no empreendedorismo, nem que seja a criar uma ponte entre as pessoas que querem criar um negócio na Ribeira Grande e o Governo Regional, dando a conhecer que tipo de apoios existem, ou seja, encaminhando, devidamente, as pessoas que queiram deixar um contributo na economia local.

 

Na sua opinião, a Ribeira Grande tem problemas de emprego para os jovens?

No passado já teve, mas o turismo veio atenuar, um pouco, essa situação. Eu acho que o problema da empregabilidade juvenil não é, meramente, ribeiragrandense, é um problema regional, mas eu acredito que têm vindo a ser tomadas medidas, que têm colmatado o problema. Ainda há pouco tempo saíram nos jornais várias notícias que davam conta que os níveis de desemprego estão a baixar e, nos poucos contactos que tenho tido com alguns jovens, que entraram, recentemente, no mercado de trabalho, os indicadores são positivos, as empresas têm gostado dos seus trabalhos e o facto de estagiarem antes, tem proporcionado que, após o término deste período, as pessoas consigam assinar contratos com as empresas em causa e prolongar a sua atividade nas mesmas. Mas, mais pode ser feito.

 

Há jovens na Ribeira Grande em pobreza extrema?

Como em todas as freguesias e concelhos, existem alguns jovens que passam por essas dificuldades, não só os jovens, como as suas famílias.

 

Qual é a proposta de resolução que a JSD tem?

Neste momento, o que nós temos vindo a trabalhar passa muito por uma proposta, relacionada com a habitação jovem. Para nós, um dos maiores desafios, aqui, na Ribeira Grande, e que extravasa as fronteiras do concelho, é a habitação. Há pouco tempo, lançamos uma proposta no Congresso Regional do PSD Açores, que parte pela redução, ou até mesmo isenção do IMT, para a aquisição de prédios em ruínas, para a faixa etária dos jovens, valor este que está avaliado em 6,5% da aquisição do prédio, o que pode acarretar um custo enorme, ou seja, a isenção desta taxa poderia facilitar a aquisição de um prédio em ruínas. Também, constatamos, e apresentámos no Congresso Regional, que os programas de apoio regionais para aquisição de casas, para o facilitismo de arrendamento e para a aquisição de terrenos podem ser remodeladas, pois nem todos os jovens têm capacidade de aceder a este tipo de apoios e, basicamente, é isto.

 

A política de rendas acessíveis não passa pelo vosso objetivo? Há soluções? Porque quando eu falei em pobreza extrema, falei naqueles que não têm dinheiro para comer e, portanto, não têm dinheiro para habitações.

Nesse sentido, o que nós temos vindo a preparar no tema das rendas é a criação de uma quota por município, ou por freguesia, que restrinja a construção de alojamentos locais, porquê? Porque, atualmente, o fenómeno do turismo, que é muito positivo, não deve afetar a população local, que deve estar em primeiro lugar e, só depois, os benefícios do turismo devem vir ao de cima. E, com a criação desta quota, o que é que nós pretendemos? Pretendemos que existam casas para arrendamento, coisa a que não se tem assistido, no nosso concelho. As casas, basicamente, têm sido todas dotadas para o alojamento local e muitas famílias não têm, nomeadamente famílias jovens que querem começar a sua vida, a capacidade para adquirirem casa e começam pelo arrendamento, mas não encontram casas para arrendar.

 

Mas isso, como sabe, é uma responsabilidade da Câmara Municipal e sendo a autarquia responsável por dar o licenciamento, está a ser cúmplice desta situação. A JSD não pretende bater o pé ao município, dizendo que esta situação não pode continuar?

Nós pretendemos apresentar esta medida ao município, da criação da quota.

 

Não acha que já vai tarde?

Não. Nós apresentamos a proposta há muito pouco tempo, há cerca de duas semanas.

 

Entretanto, continuam a abrir alojamentos locais, todos os dias.

Temos de reivindicar este direito.

 

Para terminarmos esta entrevista, qual é a mensagem que gostaria de transmitir aos jovens da Ribeira Grande?

A mensagem que eu tenho para os jovens ribeiragrandenses é que as cores partidárias não são a coisa mais importante para o município, pois o que importa é a participação cívica de cada um, nas suas freguesias e no seu concelho. Abracem projetos associativos, entrem em juventudes partidárias, participem nas festas das vossas freguesias e do vosso concelho, nos clubes e nas instituições, para voltarmos a criar uma dinâmica que a Ribeira Grande sempre teve, que é a dinâmica associativa. A política é feita pelos partidos políticos, mas, também, é feita pelas associações e pelas diversas forças vivas das freguesias e do concelho e só qualificando e dotando as equipas das várias instituições com jovens, é que podemos garantir o futuro do nosso concelho. Portanto, a mensagem que eu quero deixar é: abracem o associativismo juvenil e, independentemente das cores partidárias, podem contar com a JSD da Ribeira Grande, para defender os interesses dos jovens.