Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos há oito anos e recandidata pelo Partido Socialista, revelou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que se apresenta ao eleitorado com um balanço dos últimos dois mandatos que diz ser “extremamente positivo” e com a convicção de que os próximos quatro anos serão determinantes para concluir “os grandes investimentos” na habitação e na mobilidade. Autarca desde 2017, mas com mais de duas décadas de experiência política no concelho, a edil sublinhou que “a Câmara tem a ver com tudo” e que a sua missão tem sido contribuir para a melhoria da vida coletiva dos matosinhenses, através de obras materiais como a reabilitação de escolas e a construção do Corredor Verde do Leça, e imateriais como a aposta na cultura, no desporto e na coesão social. Inspirada tanto em figuras reconhecidas como Álvaro Siza Vieira e Sobrinho Simões, como no seu pai e na força humilde dos cidadãos anónimos que encontra no quotidiano, Luísa Salgueiro afirmou que se recandidata movida por “uma obrigação de levar este trabalho até ao fim”, defendendo que Matosinhos é, hoje, um concelho atrativo, inclusivo e resiliente, preparado para responder aos desafios do futuro.
Como se descreve enquanto cidadã?
Descrevo-me como uma pessoa atenta ao que se passa na minha comunidade, como uma pessoa ativa, no sentido também de interveniente, de ser protagonista com vontade de contribuir para a mudança, para que a vida da comunidade possa evoluir e melhorar e digo isso quer enquanto eleita, quer enquanto uma pessoa que quer que, através da sua ação, quer a vida dos outros, quer o espaço público, quer a perspetiva que temos, possa melhorar. Nós todos somos responsáveis pela mudança. Eu digo muitas vezes que nós, para mudar o mundo, não podemos estar à espera de que aconteçam grandes mudanças, pois cada um de nós é protagonista da mudança e a partir da nossa ação, podemos melhorar sempre, mesmo que a mudança seja pequena. Contudo, tudo depende da atitude que nós temos e, sobretudo, a minha atitude, que eu tento ter, é pela positiva, no sentido de poder influenciar o futuro da minha comunidade, transformando para melhor.
Como e quando ingressou no mundo da política?
Ingressei em 1997, quando fui convidada para ser candidata e fui eleita para vereadora na Câmara Municipal de Matosinhos, pela primeira vez. Nunca tinha tido participação política ou partidária. Em 1993, a Câmara de Matosinhos criou um Conselho Consultivo para a Juventude e eu passei a ser membro desse órgão e fazia política, no sentido de que já influenciava as decisões da Câmara de Matosinhos, no trabalho para a juventude e isso também é política, não é formal, mas já tinha uma presença política na vida de Matosinhos. Formal, foi a partir de 1997, quando passei a integrar as listas do Partido Socialista para a Câmara, não sendo membro do Partido Socialista, nunca tinha tido nenhuma ligação a qualquer partido e foi a partir daí, sem planear.
Uma vez que nem sequer tinha uma ligação ao Partido Socialista, porque é que decidiu aceitar o desafio?
Aceitei porque, entretanto, como tinha estado quatro anos no Conselho Consultivo da Juventude e percebia que aquilo que nós, jovens, fazíamos, a opinião que dávamos, era muito respeitada, e lá está, transformava as coisas e conseguimos fazer muitas ações, muito trabalho ao serviço dos jovens de Matosinhos, desde as atividades até à construção de uma Casa da Juventude, que na altura foi inédita, serviços aos jovens que não existiam, porque o Conselho da Juventude tinha essa competência, tínhamos essa vontade e acontecia, eu já me sentia um pouco envolvida nisso e, nunca tendo tido nenhuma ligação ao Partido Socialista, revia-me na forma como se trabalhava ao serviço da comunidade. Portanto, quando fui convidada, disse que aceitava, não integrar o Partido Socialista, mas fazer parte do projeto. Senti que era muito coerente, relativamente àquilo que já vinha fazendo e valorizava muito a intervenção que a Câmara fazia ao serviço das pessoas e aceitei fazer parte.
Desde 1993 até ao presente, como é que descreve o seu percurso?
De grande exigência, mas também de grande concretização, de transformação da vida de Matosinhos e, para mim própria, de uma grande motivação permanente. Há uma consciência de que o trabalho nunca está terminado, há sempre novas metas para atingir, mas também a perceção de que a comunidade de Matosinhos, ao longo destes 30 anos, mudou muito, se qualificou muito e tem exigências como tem o país, tem uma escala superior ao país e é uma sociedade em grande transformação. Vivemos um tempo especial, quando fizermos daqui a alguns anos a análise deste momento histórico de profunda transformação da forma das pessoas viverem. A inteligência artificial faz parte dos nossos dias. O digital passou a ser dominante. Quando eu cheguei à Câmara, quando fui para o Conselho Municipal da Juventude, o grande sucesso que nós tivemos foi ter internet gratuita na Casa da Juventude. Os jovens faziam fila de manhã para poderem ir à internet e quase todos eram para jogos. Não havia internet e nós pusemos internet gratuita e fomos notícia nacional e, agora, a internet é uma coisa que é como o ar que se respira e usámo-la sem dar conta da importância que ela tem. Houve uma transformação enorme do modo de vida das pessoas em geral, de Matosinhos naturalmente, e agora estamos num momento em que esta transformação é ainda mais acelerada e os decisores políticos, mas não só, têm de estar preparados para motivar as pessoas, envolvendo-as nesta nova forma de viver.
Exerce, desde 2017, funções como Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos. A seu ver, de que forma contribuiu para a melhoria da qualidade de vida dos matosinhenses?
Tudo o que nós fazemos no município, de uma forma direta ou indireta, contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. É uma missão, um trabalho muito heterogéneo e muito diversificado. Uma Câmara Municipal, no fundo, toca muitos dos aspetos quotidianos das pessoas, mesmo que elas não tenham essa consciência e, na minha perspetiva de gestão do município, tudo o que se passa em Matosinhos tem a ver com a Câmara. A Câmara tem a ver com tudo. Não fujo às minhas responsabilidades, nem digo que isso não é da minha competência. Há muitas áreas que não são da competência formal da Câmara, mas são em Matosinhos e nós queremos ter a ver. Portanto, nós, com a nossa ação, desde as grandes decisões mais macro, como seja a elaboração de um Plano Diretor Municipal, o PDM, que diz quais são as áreas onde podemos construir ou não podemos construir, as áreas onde vamos ter mais ou menos infraestrutura, até à decisão reparar um sinal de trânsito ou substituir um sinal de trânsito, tudo é da responsabilidade da Câmara Municipal. As políticas de educação são cada vez mais da Câmara Municipal. A política de cultura é, em Portugal, exercida ao nível local. No município de Matosinhos, o que se passa na cultura resulta da intervenção da Câmara Municipal, assim como o ambiente e as grandes metas desafiantes que temos pela frente. Portanto, tudo isso passa pela Câmara Municipal e nós passamos por quase tudo o que diz respeito à vida coletiva das pessoas. Portanto, é uma missão altamente desafiante e sempre por terminar.
Que obras materiais e imateriais evidencia?
Destaco algumas principais, claro que nos dias de hoje a habitação é um tema central. Portanto, neste momento nós temos em construção 512 novos fogos, reabilitamos 900 fogos. Estamos em preparação com 278 fogos de renda acessível. Logo, eu diria que o número de casas que estamos a construir e a reabilitar é, sem dúvida, em termos de investimento, estamos a falar de mais de 100 milhões de euros. Como tal, isso é algo que nos marca. Na área da educação, a reabilitação de três grandes escolas, as duas secundárias da Boa Nova, da Abel Salazar e a Escola da Aguadela, porque foram reabilitações totais. São escolas novas que fizemos e, naturalmente, que são importantes, ou a construção das duas primeiras fases do Corredor Verde do Leça. Nós temos, neste momento, 12 quilómetros de corredor, o que é uma obra muito grande. Está em adjudicação na terceira fase. Portanto, vamos ligar o Rio Leça desde que ele entra no concelho de Matosinhos, em São Mamede Infesta, até chegar a Leça da Palmeira. A fase da Ponte do Carro até Leça da Palmeira não está feita, está em adjudicação, fica para o próximo mandato, mas já estão duas fases feitas e isso é algo transformador, que naturalmente traz à evidência o estado em que o rio está, um rio que continua poluído. Mas, sempre dissemos que isto é um processo longo, difícil, mas as pessoas tinham as costas voltadas para o rio e agora que vivem nas margens do rio, naturalmente percebem que o rio está poluído e há muito trabalho a fazer, que vai acontecer agora, sobretudo com a intervenção nas três ETAR’s. Contudo, estas obras de construção do Corredor Verde do Leça parecem-me de destacar, assim como o viaduto que estava há muito pensado e que não se tinha conseguido concretizar, o viaduto a que chamamos Vítor Oliveira sobre a A28 e que é uma das soluções que mitigam os impactos negativos da mobilidade na A28, são algumas das obras de que eu me orgulho muito. Mas, também me orgulho muito de ter reabilitado parques infantis, que são coisas pequenas, mas que impactam muito na vida das pessoas e na vida das crianças. Nós fizemos estas três grandes reabilitações nas escolas, mas, neste momento, a intervenção de qualificação dos edifícios escolares é uma das mais exigentes na Câmara. Portanto, cada pequena obra de adaptação de uma sala de aula também é importante. Eu não sou daquelas que valoriza muito a importância da obra em função apenas dos milhões. Fazer uma sede dos escuteiros para que possam ter atividade, quando não tinham, é igualmente importante, assim como o facto de estarmos a fazer uma casa impressa pela primeira vez, RECIRCULAR Lab, que não tem o mesmo impacto financeiro, mas tem na vida da comunidade. Portanto, há um conjunto grande de obras que nós fomos fazendo ao longo destes mandatos, de que eu me orgulho, e que ficarão para marcar o futuro em Matosinhos.
Quais diria que são as suas maiores inspirações?
A comunidade de Matosinhos. Quem me inspira mais são as pessoas de Matosinhos. Mas, também são pessoas com perfis muito diferentes. Inspira-me, por exemplo, uma senhora que eu encontro muito, que vendia peixe, que tem seis ou sete filhos e a quem morreram duas filhas e eu imagino o que é uma mãe perder duas filhas. Contudo, ela é uma força da natureza e vem ter comigo, dar-me força e eu olho para aquela senhora muito humilde e acho que ela é um exemplo. É uma inspiração para mim, como são as pessoas, tal, o Sobrinho Simões, que é uma pessoa de Matosinhos e que me inspira. Acho que é um cientista e um pensador de excelência, assim como o Álvaro Siza Vieira, que é o nosso grande arquiteto e eu olho para eles como uma formiga olha para um elefante, perante o génio deles. Mas, não são só as pessoas mais conhecidas, o povo humilde inspira-me muito. Eu fui agora tomar café com um senhor que trabalha na lota, que se põe a pé muito cedo e que está com um problema sério de saúde, que me veio pedir ajuda e essas pessoas que estão tão doentes, que têm uma vida tão difícil e que todos os dias acordam e vão trabalhar, sem se queixarem, também me inspiram. Muitas vezes, as pessoas que são mais consideradas são aquelas que têm mais palco e que, por vezes, têm problemas inferiores ao destas pessoas e a minha preocupação não é só inspirar, é que eu tenho de ser capaz de responder a estas pessoas humildes que não têm voz, que ninguém sabe que existem, mas eu tenho de saber. Eu tenho de saber e tenho de dar resposta. Mesmo que elas não sejam motivo de notícia, que ninguém saiba, mas para mim é importante saber que eu consegui resolver a vida destas pessoas, tanto quanto receber uma grande empresa multinacional que estava na China e resolveu vir para Matosinhos e fazer um investimento de milhões. Isso é que é o melhor de ser autarca, é nós sermos capazes de influenciar o futuro, seja de uma pessoa, de uma família, seja de uma grande empresa. Porém, a minha grande inspiração é o meu pai.
O que a motivou a voltar a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos?
Era uma decisão lógica de continuidade. Quando, na verdade, em 2017 nos propusemos, e falo no plural porque isto não é um projeto individual, houve uma perspetiva de podermos realizar o trabalho ao longo de 12 anos. É o tempo que nos é permitido e eu creio que é o que faz mais sentido. Embora haja colegas meus que defendam ou que não queiram exercer os três mandatos, eu penso que é natural que, havendo essa possibilidade, nós programemos trabalho com esse período. Aliás, em Portugal, com a exigência e a complexidade dos processos e o prazo que se requer para a realização dos grandes investimentos, é quase impossível realizar os grandes investimentos no período de dois mandatos, designadamente, nos temas da habitação. O grande impacto da habitação do trabalho que tenho feito só se materializará no próximo mandato. Os grandes temas da mobilidade só terão efeitos no próximo mandato. Portanto, motiva-me a consciência de que temos feito um bom trabalho ao serviço das pessoas. Há falhas, naturalmente. Todavia, ninguém pode dizer que consegue responder a tudo, mas, globalmente, penso que temos feito um bom trabalho, que os matosinhenses têm confiado em nós e que há a possibilidade de estarmos mais quatro anos. Diria que até me sinto quase uma obrigação de levar este trabalho até ao fim. Estou motivada, é algo que eu pretendo fazer e acho que as pessoas também.
Se for reeleita, que visão tem para o concelho nos próximos quatro anos?
Naturalmente que não vou apresentar-me com uma visão diferente da que apresentei nos dois primeiros mandatos, exatamente, porque é um trabalho de continuidade. Nós propusemo-nos a construir um concelho atrativo para as pessoas, para as instituições, para as famílias e para as empresas e penso que temos conseguido. Os números demonstram isso, aliás, aquilo que tem acontecido, nos últimos anos, em termos de economia revela bem que a nossa vontade de transformarmos o concelho num território atrativo foi sendo atingida. Recordo que, neste último mandato, nós atraímos 3 mil novas empresas que se instalaram em Matosinhos. Criámos 15 mil novos postos de trabalho. Isto são dados oficiais. Portanto, foi um objetivo muito bem conseguido. Temos um Matosinhos Inclusivo, onde todas as pessoas possam ser acompanhadas ao longo da vida, desde as crianças, a necessidade de construirmos mais creches ou de alargarmos as vagas em creches, porque a resposta nacional da Creche Feliz tornou esta valência gratuita. Portanto, há uma maior procura de creches e nós temos de continuar esta missão de alargar a rede de creches, o que estamos a fazer com várias instituições do concelho, nomeadamente com a Associação de Desenvolvimento Social de Guifões, com o CIVAS, com o Mosaico, com a Santa Casa da Misericórdia, com a Obra do Padre Grilo, portanto, é um trabalho que está em curso, ou na última valência de resposta para a terceira idade, que é aquela que nós desejaríamos que não fosse necessária, a valência lar, mas que continua a ser necessária. Com tal, estão as IPSS, em parceria com a Câmara, a construir dois novos lares, um que está prestes a terminar, outro a iniciar a construção e ainda o Padrão da Légua, em projeto. Portanto, um trabalho de continuidade para responder às famílias, às necessidades das pessoas, mas também respostas alternativas, como a rede de cuidadores que criamos para que os cuidadores possam ir a casa das pessoas mais dependentes e cuidar delas, ou a Polícia Municipal que faz as visitas a mais de 100 idosos que estão em isolamento. Logo, o Matosinhos Inclusivo é, para nós, uma das áreas em que estamos a trabalhar, um Matosinhos qualificado, com as novas políticas de desenvolvimento do território e com novas modalidades de gestão no urbanismo, que requerem que os próprios particulares contribuam para a infraestruturação geral. Também, temos áreas mais deficitárias, como são, principalmente, a pequena qualificação, a pequena resposta que passa pelo pequeno buraco, a poda das árvores, ainda respostas finas por tratar. Paralelamente, temos ma política cultural que é reconhecida nacional e internacionalmente, nomeadamente, o trabalho que temos feito seja na área da música, como na música clássica e na cultura popular, também do apoio aos nossos grupos etnográficos e de fado que existem, assim como o trabalho que tem sido feito com a promoção da Orquestra de Jazz de Matosinhos, que é já uma referência internacional. A Casa da Arquitetura, que é hoje o Centro Português da Arquitetura, que recebe o acervo de grandes nomes da arquitetura internacional. Estamos neste momento presentes na Bienal de Veneza, com um trabalho ligado à inteligência artificial, também a promover Matosinhos à escala global. A programação em termos de exposições, a galeria, o lançamento de obras. Matosinhos é apontada normalmente como o terceiro município que mais investe na cultura em termos nacionais, depois das duas grandes cidades. Portanto, os matosinhenses sabem que há uma programação cultural, que dá uma vida própria à cidade e que depende apenas da intervenção do município. Na área do ambiente, realizámos um trabalho que levou já há certificação de todas as praias, exceto uma, com bandeira azul. Temos 17 praias com Bandeira Azul, 13 praias com Bandeira Dourada, 12 praias com Bandeira Praia Acessível. Todavia, temos um problema ainda para resolver com a praia de Matosinhos, que tem levado a algumas análises com indicadores que estão fora dos parâmetros regulamentares. O trabalho com o Rio Leca que temos feito, a definição da regra da meta de sermos neutros em carbono em 2030, o Plano de Combate às Alterações Climáticas é validado internacionalmente. Nós somos, hoje, presidentes da Rede das Cidades pelo Clima, membros da Rede Internacional também que trabalha os temas do ambiente ao nível local. Em termos de proteção civil, fomos reconhecidos pelas Nações Unidas como “Resilient Hub”, isto é, o grande centro da resiliência e da capacidade de resposta é Matosinhos, aliás, para além dos reconhecimentos internacionais, o teste de Covid-19 foi o melhor que podíamos ter tido. Acho que tivemos uma resposta de grande nível aquando da pandemia e isso foi reconhecido, de modo geral, pela população e fora de Matosinhos também. Portanto, eu diria que a minha visão para o próximo mandato é de continuidade e de concluir alguns dossiers que me parecem decisivos, designadamente a continuação do investimento forte na habitação e a resolução de temas centrais como o da mobilidade, e na mobilidade o objetivo é intervir nos dois pontos mais difíceis, quer a rotunda da AEP e a necessidade de construir alternativas de saída que evitem a concentração naquela zona, quer a ligação Matosinhos-Leça e novas respostas para a mobilidade em Leça da Palmeira, uma vez que sabemos que a situação atual é difícil, mas vai agravar-se com a intensa construção que ocorrerá na próxima década em Leça da Palmeira, nos terrenos da antiga Jomar, da antiga Tertir, na Exponor e a refinaria, naturalmente, que se irá transformar numa década. Paralelamente, nós, este ano, somos Cidade Europeia do Desporto e propusemo-nos a realizar mais de mil eventos e praticamente todos os dias há qualquer coisa a acontecer. Mas, mais do que essas grandes provas, até internacionais, o que nos mobiliza mais é o trabalho com a juventude. A Câmara de Matosinhos apoia todos os jovens do concelho que querem praticar uma modalidade à escolha. Há, neste momento, 45 modalidades diferentes que são praticadas e a Câmara paga a realização dos exames médicos, o seguro e a inscrição nas respetivas associações e federações, para que todos possam praticar a modalidade que pretendem. Depois, apoia as várias associações desportivas com equipamentos, verbas diretas para a prática e, portanto, o desporto para nós, sem dúvida, que tem uma dimensão muito grande e tem tido resultados que se materializam com mais visibilidade neste ano da Cidade Europeia do Desporto, mas sobretudo no número crescente de atletas que temos, rapazes e raparigas, porque temos de combater o gap que existe entre o número de atletas masculinos e femininos, logo, majorámos o apoio às atletas femininas, independentemente de serem campeãs ou não, nós precisamos muito que as pessoas pratiquem cada vez mais desporto, estimular hábitos de vida saudáveis, tal como fazemos nas nossas escolas, com menus próprios, com fruta gratuita entregue às crianças diariamente, com bufetes saudáveis certificados, para induzir hábitos de alimentação muito precocemente. Portanto, é um trabalho transversal. Por outro lado, a educação é um dos temas em que Matosinhos continua a ser referência. Aceitamos, desde o início, a descentralização de competências. Além do currículo nacional, há em Matosinhos um currículo local, que promove a relação dos nossos alunos, desde o primeiro ciclo, com a comunidade, passando pela arquitetura, passando pelos monumentos, passando pela relação com o ambiente, tudo isso é ensinado a par do currículo nacional e, depois, as atividades de enriquecimento curricular e uma preocupação grande com a relação com as novas tecnologias, isto é, as crianças aprendem robótica, as crianças aprendem linguagem de código, tudo isso numa escola pública que é o verdadeiro elevador social. Logo, fazemos um grande investimento e, mais importante do que os edifícios, é a política educativa que, essa sim, é verdadeiramente transformadora.
Quais são as reais necessidades da população de Matosinhos? De que forma pretende continuar a colmatá-las?
Os matosinhenses têm necessidades muito alinhadas com os cidadãos de uma Área Metropolitana. Mas, naturalmente, que hoje em dia são conhecidas as principais necessidades transversais à comunidade, que têm a ver com mais habitação pública, embora isso toque uma parte da população, porque o cidadão, em geral, não precisa de uma habitação pública, mas é um problema que afeta, muito significativamente, um grande número de pessoas que precisam de uma resposta, mas eu diria que a mobilidade é, sem dúvida, um tema que toca a todas as pessoas e, portanto, merece um foco especial da nossa parte. Depois, acho que ter uma política cultural forte é uma necessidade para todas as pessoas. Ter políticas educativas desde o início da vida, até um apoio social que nos permita ter dignidade até ao fim da vida é uma necessidade de todas as pessoas. Ter uma cidade bonita, arranjada, com boas praias, com boa qualidade de vida, acho que isso são necessidades de todos, que nos mobilizam e estimulam a trabalhar.
A pensar no futuro, quais diria que são os maiores desafios?
São os mesmos, a habitação e a mobilidade, porque são aqueles em que é mais difícil atingirmos a satisfação plena da necessidade das pessoas.
Qual é o balanço que faz dos últimos dois mandatos?
Naturalmente que eu faço um balanço extremamente positivo. Mais do que uma opinião que é obviamente subjetiva, devemos basearmos em indicadores, que possam ser escrutinados exteriormente, por pessoas não estejam tão envolvidas e, portanto, se nós olharmos transversalmente para os vários indicadores, quer que seja em políticas de habitação, Matosinhos terá, em junho de 2026, todas as famílias realojadas, no âmbito da construção que estamos a promover e passamos a ter 6% de stock de habitação pública, quando a média nacional é 3%. Dir-me-á, é pouco. Mas, é muito mais do que existe na generalidade do país. Logo, vamos ter, em termos de habitação pública, uma resposta muito mais reforçada. Queremos, e isto não é um balanço com resultados para as pessoas, mas é um balanço do muito que já tem sido feito, avançar podendo ser piloto, com uma nova geração de políticas de habitação, baseada nas cooperativas de habitação e temos o trabalho feito, temos os terrenos identificados, temos o acordo estabelecido com as cooperativas para avançarmos. Todavia, é um balanço que não é visível, mas que resulta de muito trabalho. Uma Carta Municipal de Habitação, onde estão definidas todas as estratégias e orientações. O Governo anunciou, recentemente, mais uma nova vaga e um grande investimento para a habitação e Matosinhos está no primeiro lugar, preparada para avançar. Se olharmos para outros indicadores, na transparência, Matosinhos é o primeiro município nacional em termos de transparência, o que é algo que importa muito às pessoas, perceber de que forma é que nós gerimos a nossa Câmara e a partir da Câmara a vida das pessoas. Somos uma referência nessa área. Em termos de proteção civil, somos reconhecidos pelas Nações Unidas como o grande município em termos de resposta às pessoas. Em termos de ambiente, temos o reconhecimento da generalidade dos municípios, que nos levou a liderar a Rede Nacional das Cidades pelo Clima, unanimemente fomos aceitos por todos os nossos pares. Temos o trabalho realizado na qualificação da orla costeira com os passadiços que atravessam toda a nossa costa. Temos aumentado, significativamente, em termos de economia, como disse, quer o número de empresas, quer o número de empregos, quer o rendimento das famílias, que está acima da média da Área Metropolitana. Temos uma esperança de vida superior aos outros municípios da Área Metropolitana. Portanto, eu creio que se nós analisarmos nas várias perspetivas, Matosinhos é um concelho, onde é bom viver, onde é bom trabalhar, que é bom para visitar e isso é o que nos estimula, com a consciência de que não estamos num território sem problemas e que ainda há muito para fazer e que a nossa visão é aquela que melhor serve as pessoas.
Qual é a mensagem que gostaria de deixar à população?
Eu gostaria de continuar a merecer a confiança dos matosinhenses e faço-o com uma mensagem que é, sobretudo, assente no trabalho que realizámos no primeiro mandato, muito dedicado ao combate à pandemia e, neste segundo mandato, muito dedicado ao novo investimento para responder às necessidades principais da população e que temos uma visão e uma estratégia de intervenção que toca a todos, desde os mais desfavorecidos até às grandes empresas, às famílias com mais rendimentos que viram também aliviar a carga fiscal, que é algo que nos importou, o valor que as pessoas pagam, seja de IMI, seja de IRS, foi reduzido, assim como a derrama e temos uma boa saúde financeira e com isso deixamos mais dinheiro nas pessoas, nas famílias e nas empresas. Portanto, é com base no trabalho que as pessoas conhecem. Sabem que sou uma pessoa que se dedica a esta causa, que tem Matosinhos na sua prioridade e acho que mereço. Peço confiança para terminar agora os próximos quatro anos e, assim, este ciclo autárquico de 12 anos.


